Eu acho que toda a "misteriosidade' de Edward havia desaparecido. Agora estava mais enturmado e tinha alguns amigos. Nós dois tínhamos combinado de nos encontrarmos na livraria do meu pai hoje á tarde depois da escola.

Era dia de educação física e teríamos duas aulas seguidas. Eu e a Sam estávamos sentadas na arquibancada esperando o jogo de futebol começar para ver o Chico jogar. Fiquei curiosa para saber se Edward jogaria também. Olhei por toda a quadra e não o vi. Procurei nas arquibancadas e lá estava ele, vidrado nos jogadores, cobiçando a bola, querendo jogar. Chamei Heitor, o capitão do time da nossa sala.

—Heitor, por que vocês não chamaram ele para jogar? — Perguntei, apontando em direção a Edward.

—Vamos ver se ele é bom mesmo — Respondeu, correndo em direção ao "ex" Garoto Misterioso.

Pude ver que Edward ficou bem feliz com o convite. Retirou o moletom, os fones de ouvido e veio em minha direção.

— Rosie, você pode segurar as minhas coisas enquanto eu jogo? — Perguntou

— Sim, claro! — Respondi com um sorriso, e quando estava se virando para ir para dentro da quadra eu completei — Faça muitos gols, hein?

— Pode deixar!

Nossa sala estava perdendo. 2x0 para o adversário. Ninguém havia feito nenhum gol. Já estava ficando aflita, então tive de pensar rápido.

— Vai, Edward! Você consegue — gritei para todos ouvirem.

Edward me olhou imediatamente, então penetrei meus olhos nos dele e sussurrei: "Eu acredito em você". Foi só eu dizer isso que parece que uma luz se ascendeu dentro dele. Ele recuperou a bola do adversário, passou o chapéu em um jogador e marcou o primeiro gol. Os outros jogadores do nosso time não quiseram ficar para trás e foi um gol atrás do outro. Ganhamos de 7x2. Edward fez 3 gols, Heitor 3 e o Chico fez 1.

— Quantas horas? — A Sam perguntou, e como eu estava com o celular de Edward nas mãos olhei direto nele.

— São 8:45... Espera aí! O papel de parede do celular é o desenho que ele me deu de presente! — Quando ia mostra-lo para a Sam, Edward já estava vindo em nossa direção, então bloqueei novamente seu celular, pois não queria que ele pensasse que eu era uma bisbilhoteira.

— Muito obrigado, Rosie, se não fosse por você, não teríamos feito nenhum gol.

— O que é isso! Não foi nada. Vocês só precisavam de um empurrãozinho- eu disse, terminando de entregar as coisas dele e dando uma piscadinha.

O sinal bateu e fui me preparar para o jogo de vôlei.