O Garoto Feito de Sol e Terra
77 Capítulo 77 — Partidas Silenciosas
O aeroporto estava movimentado, mas Eduardo mal prestava atenção nas pessoas ao seu redor. Sua mala deslizava pelo chão enquanto ele seguia ao lado dos pais, os passos pesados, mas sua expressão permanecia impassível.
Era isso.
O fim definitivo de tudo.
Frederico parou na frente do portão de embarque, ajeitou o paletó e olhou para Eduardo com seu semblante sério de sempre.
— Agora é sua chance de fazer algo útil. — Ele disse. — Não me decepcione.
Eduardo apenas assentiu.
Helena, por outro lado, olhou para ele com algo indefinido nos olhos. Parecia que queria dizer alguma coisa. Mas, no final, só colocou a mão em seu braço e sussurrou:
— Se comporte.
Eduardo respirou fundo e deu um último olhar para os dois antes de virar as costas.
Sem despedidas longas. Sem emoções desnecessárias.
Ele passou pelo portão e, ao sair do alcance deles, sentiu algo apertar no peito.
Mas não olhou para trás.
Não podia olhar.
Porque, se olhasse, talvez percebesse que não estava tão certo de sua decisão quanto achava.
Talvez percebesse que ainda havia algo que queria consertar.
Mas já era tarde.
Leo já era passado. Tudo aquilo era passado. E ele estava indo embora.
◄☼►
Leo estava em estado de torpor.
Desde a briga, desde as palavras que Eduardo jogou nele como lâminas afiadas, ele não era mais o mesmo. Algo dentro dele tinha se quebrado naquele dia. E, por mais que tentasse, não conseguia juntar os pedaços.
Ele se isolou completamente.
Os amigos notaram primeiro. Tentaram chamá-lo para sair, para jogar conversa fora, para fazer qualquer coisa que o tirasse daquele estado. Mas Leo recusava todas as tentativas. Ele não queria sair. Não queria fingir que estava bem.
Sua família notou em seguida. O olhar preocupado da mãe toda vez que ele sentava à mesa, empurrando a comida no prato sem realmente comer. O irmão comentando, de forma casual, que ele estava calado demais ultimamente. Mas quando perguntavam o que havia de errado, ele só dava de ombros e dizia "nada".
Mas era mentira.
Porque tudo estava errado.
Porque havia um peso esmagador no peito de Leo, uma sensação sufocante de que ele tinha perdido algo importante.
E o pior era saber que Eduardo não sentia o mesmo.
Porque se sentisse, teria voltado.
Se sentisse, teria mandado uma mensagem.
Se sentisse, teria pelo menos tentado consertar alguma coisa.
Mas os dias passaram.
E passaram.
E nada.
Eduardo não voltaria.
Não haveria um pedido de desculpas.
Não haveria um olhar arrependido, um toque hesitante, um "eu não quis dizer aquilo".
Eduardo tinha ido embora da sua vida.
E Leo não sabia como seguir em frente.
◄☼►
Leo descobriu por acaso.
Ele já estava evitando redes sociais, mensagens, qualquer coisa que o lembrasse de Eduardo. Mas naquela tarde, enquanto mexia no celular sem rumo, viu algo que o fez congelar.
Uma postagem.
Era uma foto da turma de formandos, tirada no dia da festa de formatura da escola particular da cidade. Eduardo não estava nela.
Alguns comentários logo abaixo chamaram sua atenção.
“E pensar que o Castilho já tá em outro continente agora…”
“Nem se despediu direito, sumiu do nada.”
“Inglaterra, né? Deve estar vivendo como príncipe.”
Leo sentiu o estômago afundar.
Ele releu os comentários, esperando ter entendido errado. Mas não.
Eduardo tinha ido embora.
Sem dizer nada. Sem tentar consertar as coisas. Sem ao menos se despedir.
O peito de Leo apertou de um jeito sufocante. Ele engoliu seco, sentindo o peso daquela confirmação.
Eduardo realmente tinha seguido em frente.
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