O Garoto De Reparos Da Rainha.
5 UM quase-encontro explosivo.
Notas iniciais
Enfim, descobri que fico horas para escrever cenas de ação e elas ainda ficam meio ruins, então me desculpem se o capítulo estiver meio fraco.
Tentei ser meio romântica e meio aventureira KKKK
Espero que gostem !
POV Leo.
Naquela noite, o filho de Hefesto estava exausto. Mas ele ainda mexia em algumas peças enquanto ele estava na escrivaninha. Ela parecia muito mais a vontade com ele agora do eu naquela manhã.
- Leo, porque não deixa isso de lado e dorme ¿ Deve estar exausto !
- E porque acha isso, pretora ? — Perguntou o grego, reprimindo um bocejo.
- Porque estava tentando abrir essa coisa na sua mão com um lápis e não com uma chave de fenda.- Leo olhou para baixo e viu que era verdade. Droga, ele estava realmente cansado. Deixou as coisas de lado e se levantou devagar.
- Tem razão. Vou tomar banho e depois vou para cama ! – Só que ele não tinha a menor intenção de fazer isso. Ele esperava que o banho o reanimasse e pudesse continuar trabalhando um pouco mais.
Tomou uma longa ducha fria, mas quanto mais a água gelada batia em seu corpo quente, mais cansado ele se sentia. Saiu do banho se sentido pior do que nunca e ao abrir a porta do banheiro, deu de cara com uma Reyna atenta sentada na escrivaninha.
- Não vai se deitar ? — Por algum motivo, ver Reyna ali o fez começar a suar frio.
- Só depois que tiver certeza de que está dormindo. Sei que ontem não dormiu Leo, e precisamos de você bem para chegarmos a tempo em Nova Roma.- Novamente por um motivo desconhecido, Leo se sentiu um pouco decepcionado ao ouvir aquelas palavras. Ele resmungou alguma coisa em espanhol ou grego e deitou-se.
- Sabe, é meio desconfortável dormir com você me vigiando. – Reclamou depois de um tempo.
- Não importa. Apenas durma, Valdez. Boa noite. – Ele resmungou novamente e foi gradualmente pegando no sono.
Quando acordou, a pretora não estava mais lá. Ele havia dormido profundamente e se sentia muito bem. Estava disposto a avançar bastante nos consertos e no princípio de amizade que tinha feito com Reyna. Seria um dia incrível !
Se trocou e foi em direção ao refeitório, contando que a romana ainda estaria dormindo. Mas quando abriu as portas duplas, ela estava lá, olhando hipnoticamente para as imagens do Acampamento Meio-Sangue. Leo não entendia o fascínio de Reyna pelo acampamento. Quer dizer, o Acampamento Júpiter e Nova Roma eram tão impressionantes quanto o lugar dos gregos, mas ainda sim a garota parecia maravilhada com as imagens.
- Bom dia, pretora ! Acordou bem cedo hoje, não ¿ — Ela teve um leve sobressalto.
- Oh Leo, você me pegou de surpresa. Bom dia ! Costumo acordar cedo sempre, ontem foi apenas uma exceção.
Leo deu de ombros e sentou-se a frente dela, comendo seu típico café da manhã rico em gordura e carboidratos que não faziam mal a sua eletricidade. Comeram em silêncio, até o filho de Hefesto não agüentar mais.
- Um dracma pelos seus pensamentos – Soltou o garoto.
- Estou pensando no que direi em meu discurso em nossa defesa. Preciso de argumentos convincentes.
- Não acha que está meio cedo para fazer discursos de defesa ? Nem ao menos sabemos se vamos conseguir chegar lá !
- Nós conseguiremos. Mas de nada adianta conseguir chegar lá se não conseguirmos salvar a missão da profecia, que é o que realmente importa. Então melhor adiantar nossa defesa.
- Você diz ‘’nossa’’ como se fossem te acusar de alguma coisa ! Você é a pretora rainha romana deles ! Como duvidariam de você ?
- Não é tão simples, Leo. A pretoria é uma posição muito desejada, muitos fariam qualquer coisa para estar lá. É só estudar um pouco de história romana ! Desde sempre senadores, imperados, pretores e etc, mentem, trapaceiam, matam para alcançar o poder. Não seria nenhuma surpresa se alguém, alguém específico, jogasse todos os romanos contra mim para alcançar a pretoria.
- Eu é que não queria ser pretor ! Já acho difícil comandar um chalé, imagine uma legião inteira de romanos tentando me matar só para pegar meu lugar numa posição difícil e chata ! Vai entender porque querem tanto isso. – Reyna o olhou como se Leo tivesse dito que os romanos comem coco de minotauro no café da manhã.
- Não é para ser fácil e divertido. É apenas para ser honroso. É um dever.
- Eu não vejo o porquê de se fazer algo que não gosta, a menos que se seja obrigado. E se não estou enganado, você não é obrigada a ser pretora. Então porque não faz algo que goste ? Aliás, o que você gostaria de fazer ?
- Eu ? Bem, eu... eu nunca parei para pensar no assunto, na verdade. Minha ascensão a pretora foi rápida, então não sei bem o que gosto de fazer. Eu sou pretora porque ser pretora é o que eu sei fazer e não sei se saberia fazer alguma outra coisa. – A garota lançou um rápido olhar as imagens flutuantes da parede e Leo teve a impressão que havia sim algo que a pretora gostaria de fazer.
- Reyna, hoje terei que parar perto de alguma cidade para comprar algumas peças novas. Será que não gostaria de ir comigo ? Nós poderíamos... tomar sorvete e dar uma volta, quem sabe ? Se você não se importar de ser vista em plena luz do dia comigo, claro. – Leo sentia as mãos suarem e o estomago revirar de expectativa.
-Ah bom, vai ser bom sair do navio um pouco. Fora que faz séculos que não vejo o mundo fora de Nova Roma. – Respondeu a menina, corando um pouco.
- Isso é um sim ? Esse momento vai entrar para história ! – Riu alegre o Valdez.
A manhã passou rápida e Leo começou a achar que talvez os deuses começassem a conspirar a favor dele. Quando terminou os reparos dos mecanismos que podiam ser consertados sem peças novas, ele e Reyna foram almoçar e então tomar banho. O filho de Hefesto não sabia exatamente se aquilo contava como um encontro, mas resolveu caprichar na aparência. Tirou o máximo que pode da graxa e óleo do corpo, ajeitou os cachos o melhor possível e regulou os suspensórios o quanto pôde. Ao se olhar no espelho, gostou do que viu. Não que ele se achasse bonito. Ele se achava baixinho demais, magrelo demais, também achava seus olhos muito grandes e suas mãos muito machucadas. Mas no geral, ele diria estar muito bem naquela tarde.
- O que acha, Festus ? — O dragão então emitiu alguns cliques e Leo teve a certeza de que estava ótimo ! – Obrigado, amigão ! Deseje sorte ao Sr. Bonitão aqui ! – Festus desejou e Leo saiu feliz de sua cabine.
Encontrou Reyna lá em cima. Ela estava linda como sempre, mas era óbvio que não considerava aquilo um encontro, pois nem se dera ao trabalho de se arrumar como Leo. Usava a mesma calça jeans do dia anterior e uma blusa cinza onde se lia ‘’Vim a Washington DC e lembrei de você!’’. Leo se amaldiçoou silenciosamente por te arrumado roupas tão sem graça a menina.
- Leo ? Porque está tão arrumado ? Pensei que nós iríamos apenas comprar algumas peças e dar uma volta.
- Ãh... mas nós vamos ! É que, bom, nunca se sabe quando se precisa estar bem vestido, não ? — Reyna deu uma leve risadinha.
- De fato, nunca se sabe. Mas diga-me, não é perigoso deixarmos o Argo sem ninguém ?
- Ah não ! Lembra o que disse sobre a super camuflagem ? Tenho certeza que ainda deve funcionar. Além do mais, temos Festus ! Qualquer problema e ele me chamará de volta.
Os dois saíram do barco então, caminhando em silêncio até a cidade. Leo tinha pousado o Argo num pasto, perto da estrada que levava a pequena cidadezinha. A única coisa com que teriam que se preocupar era com a possibilidade de alguma vaca tomar Festus como um boi de bronze bonitão.
Ao seu lado, Reyna parecia preocupada. Ela não parava de olhar para os lados, como se alguma coisa fosse os atacar a qualquer minuto. Leo entendia a preocupação da garota, afinal ser um semideus num mundo mortal cheio de monstros não era fácil. Mas eles eram só dois e ele não acreditava que dois semideuses emitissem uma áurea poderosa o bastante para chamar atenção de algo ruim.
Ao chegarem a cidade, perguntaram a uma moça onde ficava a loja de ferragens. A mulher lhes ensinou o caminho e em menos de meia hora, já tinha tudo o que precisavam para o Argo.
- E o acha de um sorvete agora, rainha dos romanos ? — Ele viu Reyna corar levemente.
- Acho ótimo.
Eles se sentaram na primeira sorveteria que encontram. Tanto Leo quanto Reyna pareciam crianças escolhendo todos os tipos de cobertura e granulados. Semideuses não saiam muito para fazer coisas normais, logo, tinham que aproveitar. Pegaram seus potes imensos de sorvete e se colocaram a andar sem rumo pela cidade. Leo carregava o que haviam comprado numa mochila que estava relativamente pesada. Mas passear com Reyna era bom, então ele tentou não pensar muito no peso.
- Faz décadas que não tomo sorvete assim ! – Exclamou uma Reyna estranhamente descontraída.
- Dá para perceber. É só olhar para esse resto de calda no seu nariz ! – Riu o garoto. A pretora limpou prontamente e continuou dando colheradas ferozes.
- Quando era pequeno, minha mãe comprava dois potes de sorvete todo primeiro final de semana do mês. Nesses dias, nós enchíamos os potes com outras coisas que tínhamos em casa, como canela e mel, e passávamos o dia todo comendo só isso. Não tínhamos dinheiro para comprar sorvete sempre, mas mamãe fazia questão dessa nossa pequena festa todo mês. – Contou Leo, olhando o céu, distraído.
- E porque não fazem mais isso ? Não costuma ver sua mãe sempre ?
- Ela...ela morreu a alguns anos. Num incêndio. Antes que eu descobrisse que era um semideus.
- Oh Leo, sinto muito. Não quis ser indelicada, mas eu não fazia idéia !
- Ora, não se preocupe, señorita pretora, está tudo bem ! – Mas Leo ficou calado mais um tempo.
- Mas e você ? Fala com seu pai ou ele...
- Ele morreu. Num acidente de barco, e então eu e minha irmã Hylla ficamos sozinhas.
- Sinto muito também, Reyna ! Não sabia que tinha uma irmã. Deve ser tão bonita quanto você ! – E se repreendeu por ter dito aquilo, mas sua língua sempre esteve dois passos a frente de seu cérebro.
- Ela é muito bonita sim – Sorriu Reyna – É a rainha das Amazonas.
- Rainha das Amazonas ? Essa família está cheia de rainhas ! Rainha dos romanos, das Amazonas, o que mais falta ? Mas me diga, é verdade que elas cortam o...
- Não ! Quer dizer, antigamente sim, elas cortavam um dos seios para poder atirar flechas mais rápido, mas não fazem mais isso hoje em dia. – A garota havia ficado vermelha de novo.
- Foi uma pergunta indiscreta, não ? Me desculpe, é que sou o rei das perguntas indiscretas !
- Tudo bem. Não é o primeiro que me faz essa pergunta. Nem será o último. – Agora, o sorriso dela tinha voltado.
Andaram mais um tempo, as vezes conversando, as vezes ficando em silêncio. Leo estava adorando aquilo ! Mas sabia que tinham que voltar logo para o Argo. Tinha sido uma tarde incrível e nada no mundo estragaria isso. Quer dizer, quase nada.
POV Reyna.
O dia da pretora estava muito agradável, até uma grande Hidra pegajosa sair de trás do Argo enquanto eles voltavam para o navio. Leo tinha dito que Festus o avisariam em caso de ataque de monstro, mas pelo visto o alarme não funcionava quando o mostro estava apenas rodeando o barco. Por sorte, eles avistaram a Hidra antes que ela os avistasse, o que deu a eles tempo para se abaixarem na vegetação.
- Santo Ares, nunca vi uma Hidra tão grande ! – Sussurrou o grego. Reyna teve de concordar, a Hidra era enorme, mesmo para os padrões da espécie.
- Temos que trabalhar juntos para destruí-la. Posso distraí-la enquanto você se aproxima por trás e a transforma em pó !
- Isso é uma Hidra ! Vai nascer outra cabeça lá assim que eu cortar. Além disso, não sou bom com espadas.
- E o que sugere que façamos ? Não temos fogo e duvido que consigamos fazer sem que ela nos veja. – Podia ser só sua imaginação, mas Reyna jurara que o garoto estava ficando lívido de medo. Ele tinha participado de uma missão perigosa e tinha se saído incrivelmente bem. Porque estava com tanto medo de uma Hidra ? Mas antes que ela pudesse pensar numa resposta, uma poça de ácido se abriu entre os dois e uma das cabeças do monstro surgiu dos arbustos.
Eles correram. Reyna sacou sua espada, que ficara o tempo todo estrategicamente guardada com ela, e Leo sacou um martelo de seu inseparável cinto de ferramentas.
- O que fazemos agora ? — Perguntou o garoto.
- Mate-a !
Leo assentiu e jogou o martelo no monstro. Acertou uma das cabeças, mas pareceu fazer nada além de deixá-la mais irritada. A pretora acompanhou a cena e suspirou. ‘’Ele não espera realmente matar uma Hidra com um martelo !’’. A Hidra enfurecida deslizou rapidamente na direção de Leo, mas Reyna foi mais rápida e atravessou o pescoço do monstro com a espada. Houveram alguns escoceios de dor, mas logo duas novas cabeças cresceram no lugar. Reyna se repreendeu e jurou deixar Leo ser dissolvido por ácido da próxima vez.
O filho de Hefesto deve ter percebido que ficar atrás de Reyna, apesar de mais seguro, não era muito heróico, porque ficou lado a lado com a garota e tirou outro martelo do cinto.
- Atacamos juntos – Disse ele. Reyna sabia que era inútil, mas concordou. Avançaram ao mesmo tempo. A romana tentava apenas perfurar a Hidra, fazendo perder sangue verde e pegajoso. O grego dava marteladas nas partes do corpo menos protegidas do monstro. Mas ambos sabiam que era só uma questão de tempo até ela os vencer se eles não arrumassem fogo.
Num momento em que a pretora baixou um pouco a guarda, a Hidra escociou em sua direção e quase cravou os dentes em seu ombro. Reyna se moveu rápido e se livrou da mordida, mas não da saliva ácida e fétida do monstro. Sentiu sua pele queimar e num reflexo largou a espada. O monstro ameaçou avançar mais uma vez, a filha de Belona deu um passou em falso para trás e tropeçou. Agora, a criatura estava em cima de sua espada, estava com o ombro a queimar em carne viva e encurralada no chão. ‘’Maravilha’’
Podia ver Leo atrás do monstro, longe demais para ajudá-la. Ele a olhava com o misto de desespero e medo. O martelo pendia de sua mão, coberto de meleca. Reyna sabia que o grego faria o que pudesse para atrasar a Hidra, mas duvidava que ele conseguisse fogo a tempo. Então de repente, Reyna viu as mãos do garoto soltando chamas, pequenas de início, mas foram ficando maiores, mais quentes.
- Ei minhocona cabeçuda, porque não pega alguém do seu tamanho ? — Gritou o menino antes de fazer a Hidra explodir com uma imensa bola de fogo e fazer Reyna perder a consciência diante do calor da explosão.
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