O Garoto De Reparos Da Rainha.

13 O tribunal do cara de fuinha.


Notas iniciais
Não me abandonem, leitores queridos ! Demorei mais cheguei com capítulo novo !
Devo dizer que escrevi um cadinho por dia essa semana, então se o estilo de narrativa estiver diferente em cada parte, é por isso, quando começava a pegar o embalo, já tinha que sair correndo !
Espero que gostem !

POV Leo.

Ao longe, Leo observava sua pretora bater de frente com um detestável menino loiro e esquálido. Octavian, ele supôs.

Queria ir até lá e ajudá-la, mas sabia que era muito mais provável que só atrapalhasse tudo. Tinha certeza que ela estava indo bem. Os romanos ainda não os haviam reduzido a pó e isso era bom.

Depois de certo tempo, viu Reyna voltar em sua direção com uma expressão indefinível. Quando chegou perto, viu que seus olhos estavam tempestuosos.

- O que houve ?

- Os romanos. Querem nos ouvir numa sessão do Senado e depois nos julgarão culpados ou inocentes. – Ela falava de maneira monótona e Leo não tinha certeza se gostava. Então apenas assentiu e pensou se seria prudente deixar o Argo ali sozinho.

Ao seguir a pretora, sentiu que os olhos de todos os romanos se cravarem nele. Alguns olhares raivosos, outros magoados e muitos com feições inexpressivas. Leo de repente começou a se sentir mal. Será possível que tivesse sido ele que causara tanta raiva, magoa e desesperança a aquelas pessoas ? Bem, ele havia incendiado o acampamento deles e muito provavelmente arruinado a única chance de convivência pacífica entre gregos e romanos. Afinal, talvez não fosse inocente.

Ali embaixo, Nova Roma era impressionante, mesmo que ainda estivesse se recuperando do bombardeio involuntário do grego. O Senado era absolutamente uma das maiores coisas que já tinha visto e com certeza era a coisa mais bonita e bem construída que já tinha visto, mas não sentia vontade de entrar lá. Era intimidador demais, como se estivesse na Roma original a séculos atrás. Ao seu lado, Reyna não parecia intimidada, mas ela era a pretora ali. Leo não pertencia aquele lugar.

Octavian ia a frente, gritando para que todos os romanos o seguissem. Uma multidão em filas entrava no Senado e ainda haviam vários fantasmas roxo entre eles.

‘’Que lugar esquisito !’’

Quando finalmente entraram, o barulho da turba ecoava nas paredes arredondadas de mármore, subia e descia pelas escadarias e retornava ao centro. Leo não era arquiteto nem era lá essas coisas em história, mas podia jurar que aquele tipo de construção fora projetado justamente para aquilo. Fazer as vozes retumbarem, os Lares cintilarem e o vento frio correr. Aquilo fora projetado para dar medo e desiludir qualquer um que não fosse romano.

O tempo passava de forma anormal. Incrivelmente rápido algumas vezes e incrivelmente devagar em outras. Quando caiu em si, o Filho de Hefesto estava sentado ao lado de Reyna, de frente a dezenas de romanos que lhe eram estranhos.

- Povo de Roma ! – Começou o menino com um lençol roxo peso porcamente as costas –Estamos aqui hoje para julgar esses... traidores! Porém, antes de fazermos qualquer julgamento, a lei nos obriga a ouvi-los. – O desdém na voz do garoto era tamanho que Leo sentiu vontade de chorar. Por que aquele menino os odiava tanto ?

- As leis romanas não o obrigam exatamente a nos ouvir, Octavian. Pelo menos, não se formos traidores, como você diz. Mas acho que teria problemas por aqui caso mandasse matar-nos agora, estou certa ¿ — Reyna parecia confiante e a vontade, como se tivesse passado a vida enfrentando julgamentos que podiam terminar muito mal. A multidão ganhou uma certa energia e o rosto de Octavian estampou o mais profundo escárnio possível.

- Só fale quando for convocada, pretora. Ou será que passou tanto tempo com os gregos que esqueceu-se dos bons modos ?

- Escute, cara de fuinha, não sei bem quem é você e nem porque está usando um lençol como capa e está sentado no lugar de rei romano, onde Reyna deveria estar, mas sei que nós gregos temos ótimos modos ! – Agora o rosto do augure apresentava uma surpresa desprezível.

- A regra de falar apenas quando for convocado vale para você também, graecus.

- Meu nome não é Greg. É Leo ! – Octavian revirou os olhos como se não pudesse acreditar em como aquele grego era idiota.

- Agora, se não houver mais interrupções, vamos dar inicio a sessão ! Mas antes, tragam os outros gregos para cá. – Um sorriso perverso atravessou a face do romano – Nossos réus talvez precisem de apoio moral.

Leo não fazia idéia do que ele queria dizer com ‘’apoio moral’’, mas ao perceber que Octavian falava de seus amigos, achou que iria entrar em combustão ! Alguns campistas de armadura saíram e quando voltaram, traziam acorrentados uns nos outros, os gregos.

O primeiro da fila era Percy. Leo não tivera oportunidade de conviver com ele, mas já tinha ouvido falar muito no filho de Poseidon. Não se podia ir longe no Acampamento Meio Sangue sem se ouvir falar nele. Agora o vendo ao vivo, Leo não o achava grande coisa. O filho do mar parecia um bebê foca zangado com aqueles cabelos pretos bagunçados e os olhos verdes inocentes. Tinha um ar de rebeldia e energia que o filho de Hefesto aprovou.

Logo depois, vinha Annabeth. Leo teve de admitir que seu coração dera um salto ao vê-la a mercê dos romanos. A menina virara uma espécie de ídolo para ele. Ele gostava da teimosia impertinente e da gentileza distraída da filha de Atena. Além de tudo, ela trabalhava duro como uma filha de Hefesto e trabalho duro era algo do qual Leo entendia. Durante todo o tempo que se prepararam para a missão, Annabeth era incansável. Ela queria encontrar Percy novamente e ela iria encontrar. Leo admirava acima de tudo isso, essa lealdade orgulhosa da filha de Atena.

Atrás de Annabeth, vinha Piper. E só os deuses sabiam como ela conseguia ficar bonita estando naquelas condições ! Ela emanava uma energia gentil e preocupada que fazia com que as pessoas não se importassem muito com ela, não a considerando perigosa. Mas Leo bem sabia que o era. Seus olhares se cruzaram e Piper exibiu milhares de expressões de uma vez, da surpresa ao alívio. O filho de Hefesto pensou que se sua inocência dependesse dela, ele estaria salvo.

Depois de Piper, Jason. O romano sempre fora um exemplo para Leo, mas agora, Jason parecia destruído. Seu olhar vagava por cada rosto nos bancos e depois se perdia em algum lugar. Não parecia mais forte ou corajoso, parecia um homem que perdera tudo mas que não quer acreditar que perdeu tudo. Leo teve pena de Jason e se sentiu péssimo por isso.

Na sequência vinha uma garota quase tão bonita quanto Reyna. Ela era pequena e tinha a pele cor de chocolate. Seu cabelo era encaracolado e lembrava caramelo e seus olhos... seus olhos eram grandes e amarelos como âmbar, eram absolutamente lindos. A menina irradiava uma energia magnética, como se tivesse seu próprio campo magnético. Ela não parecia perigosa e terrível, mas os romanos de armadura que os escoltava a olhavam com respeito misturado com magoa. Definitivamente, Leo gostara dela.

E no final da fila, atrás da linda menina, vinha um garoto grande e talvez um pouco desajeitado. Ele sim parecia perigoso e terrível, isto é, se você não prestasse atenção ao rosto dele. Se olhasse o rosto, ele iria parecer um panda. O menino parecia mestiço, um nipo-americano, Leo pensou. Ele andava olhando para os lados, como se estivesse alerta. E frequentemente olhava para a menina a sua frente, como se para certificar que ela estivesse bem. O filho de Hefesto o achara gozado, portanto, havia gostado dele.

Ao terminarem de entrar, um a um, os gregos foram reparando de fato no ambiente. Quando o fizeram, olharam todos para Leo, que sentiu vontade de explodir em chamas !

- Ah meus deuses, Leo ! Você está vivo ! – Exclamou Piper, sorrindo gentil.

- Grande coisa ele estar vivo. Por causa dele, quase fomos mortos ! – Grunhiu o panda romano.

- Leo... como... o que... – Annabeth tentava formular uma pergunta, mas deviam ser tantas, que a filha de Atena não conseguia.

- Reyna ! – Exclamaram Jason e Percy ao mesmo tempo, o que fez como que Annabeth e Piper lançassem olhares não muito amigáveis em direção da pretora.

- Dois gregos e nosso querido ex pretor ? Se não lhe conhecesse, Reyna, diria que é filha de Vênus ! – Disse Octavian lentamente, fazendo suas palavras maldosas ecoarem pelo salão.

- Deixe ela em paz, cara de fuinha ! – Retrucou Leo, tentando parecer indiferente. Mas o augure sorriu, pois havia conseguido o que queria, uma confusão geral. Jason mandou Leo calar a boca porque Reyna precisava dele para se defender e Pecy mandou os dois calarem a boca pois ninguém precisava defender ninguém ali. Logo, todos os gregos e romanos falavam alto e discutiam.

Leo sabia que não deveriam discutir assim mas não conseguia evitar. Detestava a idéia de Jason e Percy prestarem tanta atenção em Reyna.

‘’E por falar em Reyna, onde ela está ?’’

POV Reyna.

Aquela era absolutamente a pior sessão do Senado de todas !

O espírito romano de Reyna estava se inquietando, vendo todos os seus campistas e os gregos brigarem daquele modo. E nem ao menos havia um motivo pelo qual brigarem ! Só havia uma pessoa feliz. Sentado no lugar da pretoria, Octavian sorria satisfeito. Até o final do dia estariam mortos. ‘’Perfeito’’, pensou a romana amarga.

Então, a essência de liderança falou mais alto. Reyna foi andando até próximo ao augure. Respirou fundo e num único assovio, calou a multidão transtornada.

- Ordem ! Não viajei metade do país enfrentando as forças do Tártaro para chegar aqui e ser morta por desobediência alheia. – Estava furiosa e não tinha receio de mostrar – Romanos, nossos princípio são a honra e a coragem, mas não estou vendo nenhum de vocês exibindo isso agora. Gregos, os acolhemos de bom grado em nosso acampamento, portanto, são hóspedes e deveriam respeitar quem os acolhe. Agora, passemos para o julgamento. Sentem-se e ouçam-me.

Todos obedeceram. Reyna ainda tinha o poder de persuasão, a marca da liderança. Octavian podia até se dizer pretor e querer fazer valer sua vontade, mas era Reyna quem realmente mandava ali.

A pretora começou a contar sua história desde o tour pelo Argo até o momento que Leo avistou Nova Roma. Claro, ela ocultava os detalhes pessoais como a intimidade que ela e o grego passaram a ter, mas Leo sempre a interrompia fazendo insinuações que a deixavam fervendo de vergonha e raiva. Quando terminou de lhes contar, sentou-se novamento ao lado do filho de Hefesto e ficou esperando.

Octavian levantou e pigarreou.

- Espera mesmo que acreditemos nisso, pretora ¿ Seu amiguinho graecus foi possuído e incendiou metade do acampamento e você fugiu para salvar a outra metade ? — Ele deixou suas palavras no ar por alguns segundos. – Sabe qual é meu veredicto ? Culpada, mentirosa e traidora !

- Mas é tudo verdade !

- É um absurdo ! Quem acreditaria em você ?

- Eu acreditaria ! – Exclamou Annabeth – Isso é Gaia tentando nos fazer ficar separados. Reyna diz a verdade !

- Mas é claro que uma grega acreditaria. Vocês estão do mesmo lado !

- Sim ! Temos de ficar todos do mesmo lado ! Você não entende, Octavian ? — Respondeu a filha de Atena. O augure franziu o cenho como se tivesse pensado no assunto, concordado e não gostado.

- Annabeth tem razão, Octavian. Detesto a idéia de ficar mesmo lado que você tanto quanto você detesta a idéia de ficar do mesmo lado que eu, mas temos que fazer isso, cara ! – Disse Percy. Internamente, Reyna sorriu, pensando que o filho da Grécia tinha um espírito romano que nem ele próprio não imaginava.

Nos bancos, os romanos começaram a falar. Havia um murmúrio de concordância geral, embora relutante. Afinal, os filhos de Roma eram orgulhos, não burros. Todos ali sabiam que o único jeito era a cooperação.

Ao seu lado, Leo sorria. A pretora tentou imaginar os motivos pelo qual ele estava sorrindo. Talvez ele estivesse feliz por rever seus amigos, talvez ele estivesse feliz por ver os romanos tendo o bom senso de ajudar, talvez ele estivesse feliz por saber que não seriam mortos naquele dia, talvez estivesse feliz simplesmente por estar ao lado dela.

- Chega ! – Berrou Octavian, vermelho de raiva com a multidão exaltada. – Já causaram muito tumulto por hoje ! E acredito que nossos centuriões não estejam em condições de fazer um julgamento justo depois dessa confusão. Adiemos o veredicto para amanhã !

- Você não pode fazer isso, Octavian ! – Ferveu Reyna.- Não pode tomar esse tipo de decisão. Não é o pretor por direito !

- Tão pouco você, Reyna. Temos quatro pretores. Dois traidores, um grego e eu, o único verdadeiro romano. Logo, eu sou o pretor por direito ! Eu tomo as decisões finais e eu decido que vamos deixar para amanhã.

Os centuriões fizeram menção de protestar, mas Octavian levantou a mão, fazendo sinal para que se calassem.

- Por hoje, levem os gregos de volta as celas e acompanhem nossa pretora até seu quarto na ala pretorial.

- Deixe-me com os prisioneiros !

- Para que armem contra mim e contra Roma durante a noite ? Nunca ! – O sorriso maligno do augure era frio como o inverno. – Levem-nos daqui !

Os romanos de armadura começaram a dirigir os gregos para fora. Reyna tentou contestar, mas foi impedida. Quando olhou para Leo, este ainda sorria. Ele a olhou sorrindo e piscou para ela.

- Esta tudo bem, rainha romana. Só espero que consiga dormir bem sem seu greg traidor aqui !

A pretora lhe sorriu de volta e teve vontade de dizer que ele era o graecus traidor mais corajoso que ela conhecia. Mas simplesmente sorriu levemente e ficou olhando enquanto os romanos levavam Leo e toda a sua inocente esperança embora.

Notas finais
Gostaram ? Espero que sim !
Amanhã vou postar mais um, já estou na metade do próximo o
Não fiquem tristes por estar acabando, o capitão Leo Sparow irá salvar a todos da tristeza !
Muuuuito beijos, meus amores !