O Garoto De Reparos Da Rainha.
3 Corações e barcos quebrados.
Notas iniciais
Amanhã acho pouco provável que vá conseguir postar, mas domingo eu posto o
Espero que gostem !
POV Leo.
Quando Leo acordou e sentiu sua cabeça latejar de dor, soltou um típico palavrão em espanhol. Ele demorou alguns segundos para perceber que o Argo estava em movimento. Aliás, movimento era a palavra errada, aquilo era...era...aquilo nem tinha descrição. Leo tentou se levantar, mas com cabeça dolorida e o barco sacolejando daquele jeito, era quase impossível. O jeito então era engatinhar e Leo deu graças aos deuses por não ter ninguém ali para vê-lo naquela pose constrangedora. Engatinhou até os controles do barco e tentou puxar a alavanca do ‘’freio’’, mas ela estava emperrada. O filho de Hefesto xingou novamente. Por sorte, ele tinha instalado uma maneira de emergência para frear a trirreme. Leo levantou se segurando firmemente nos painéis de controle e ainda se sentido mal. Apertou uma sequencia de botões e lentamente o Argo foi parando. Leo encostou no painel e deslizou até o chão e jurou para si mesmo ficar ali o resto da vida, quando ele viu uma silhueta caída coberta por uma capa roxa amassada.
Apesar da dor de cabeça e da fraqueza nas pernas, Leo correu até ela. Reyna respirava normalmente mas seu rosto estava tenso. Leo pegou a mão dela, estava pegajosa de suor. Tinha que levá-la para algum lugar adequado. Então, com muita dificuldade, ele a pegou no colo e a levou para baixo, deitando-a na cama da primeira cabine aberta. Leo não sabia exatamente o que fazer, mas foi até a cozinha pegar um pouco de néctar para quando a pretora acordasse, pegou também um pano molhado na água gelada, aquilo era o melhor que o pobre Valdez apavorado conseguia pensar.
Ele se sentou ao lado dela e ficou esperando-a acordar. Enquanto isso, ele tentava loucamente se lembrar do que tinha acontecido. A última coisa de que se lembrava era de estar se contorcendo no convés do Argo e depois se sentira apagar. Mas então como e porque o navio havia desatado a correr ? O que acontecera para Reyna também estar desacordada ? E a pergunta mais importante, porque não estavam mais em Nova Roma ? Leo queria muito saber e lá no fundo sentia que tudo aquilo tinha a ver com ele. Que era culpa dele. Culpa ? Ah sim, ele tinha certeza que nada de bom teria acontecido para eles estarem naquela situação, então sim, culpa.
Um leve resmungo o tirou de seus devaneios confusos. Reyna estava se mexendo e abria os olhos lentamente.
- Graças aos deuses, Reyna ! Você está bem ?
- Eu... eu não sei....minha cabeça...dói...
- Ah sim, tome isso. Vai se sentir melhor – Disse Leo, entregando um cantil de néctar a garota que olhou desconfiada – Ora vamos, pretora, é só néctar.
Reyna aceitou relutante e bebeu um gole. Sua expressão se suavizou instantaneamente.
- Obrigada. O que aconteceu ? — Perguntou ela. Valdez deu um sorriso torto e disse baixinho
- Não sei, esperava que você pudesse me dizer, sabe ? — Então o rosto da garota mudou de alivio a raiva e frustração.
- Eu lembro o que aconteceu ! Você pôs fogo em Roma !
- Não foi aquele cara, o tal Nero...
- Não é disso que estou falando ! – Agora ela havia se levantado e apontava o dedo acusadoramente para Leo – Você se jogou no chão e então começou a ficar quente e então levantou e começou a explodir Nova Roma ! E tinha aquele áurea vermelha envolta de você e aquele sorriso maldoso e... – A expressão dela mudou de novo, dessa vez, para compreensão – A áurea vermelha ! Depois que você caiu, você ficou diferente, maldoso e descontrolado ao invés de apenas grego e sem noção...
- Obrigado.
-... e quando eu bati com a cabeça, vi a áurea deixando seu corpo. Sr.Valdez, você estava possuído !
- Possuído ? Tipo, por um espírito ? Como “O Exorcista” ?
- Não. Quer dizer, não sei. Mas não era você, era a áurea vermelha! Temos que voltar e contar para os romanos !
- Ah claro, vamos voltar para o lugar que incendiei para que seus amiguinhos romanos façam churrasquinho de Valdez ! – Reyna olhava para Leo como se o garoto tivesse criado mais uma cabeça.
- Está me dizendo que vai fugir ? É desleal a ponto de deixar seus amigos prisioneiros no Acampamento Júpiter por sua causa ? — E um tapa na cara teria doído menos. Leo não tinha pensado em seus amigos. Ele causara aquela confusão, deixando seus amigos a mercê de uma legião inteira de romanos furiosos. Deveriam estar no mínimo encrencados, levando em conta que estivessem vivos, é claro.
- Escute, señorita pretora, preciso que me diga exatamente o que aconteceu e então nós vamos dar um jeito. – ‘’Não posso fugir dessa vez, por mais tentador que seja.’’
Reyna relatou com perfeição os acontecimentos e Leo ouvia pasmo a tudo. Quando a pretora lhe contou sobre as pedras e armas atiradas ao Argo II, o filho de Hefesto começou a se preocupar de verdade. ‘’Deveria ter instalado uma camuflagem para esses romanos. Eles têm idéia do quanto é difícil construir uma trirreme para ficarem arranhando minha pintura ?’’. Leo se levantou resoluto quando o relato chegou ao fim e se encaminhou rapidamente para fora do quarto, deixando uma Reyna surpresa a segui-lo com passos apressados.
- Onde está indo ?
- Preciso saber o estado no qual o Argo se encontra para podermos seguir para Nova Roma. Me diga, pretora, você já viu algum dragão de perto ?
- Dragão ? — Ela parecia surpresa a até mesmo um pouco assustada. — Você tem um dragão a bordo ? — Leo sorriu misterioso para Reyna e continuou andando sem dizer nada.
Ele estava se sentindo péssimo. Primeiro, ele colocara a mãe em perigo e por conta disso, ela havia morrido. Agora, havia colocado seus amigos em perigo e se tinha uma coisa que Leo levava a sério na vida, essa coisa era a lealdade para com seus amigos. Ele faria o que fosse para salvá-los, mas sequer se lembrava do que tinha feito e nem ao menos sabia onde estava ou se havia como voltar para o acampamento romano. E se voltasse e encontrasse os amigos vivos, eles acreditariam que toda aquela confusão fora um acidente ? Os romanos acreditariam, mesmo tendo Reyna como testemunha ? Leo tinha sérias dúvidas a respeito disso.
Eles andaram em silêncio por toda a extensão do corredor e pararam em frente a uma pesada porta de metal que dizia ‘’Cabine de Comando’’. O cômodo não era de fato uma cabine de comando, era mais uma oficina misturada com quarto, onde Leo criava novos projetos, consertava armas e equipamentos do navio e dormia. Lá dentro havia uma escrivaninha apinhada de rascunhos, canetas, compassos e outros materiais de escritório misturados com ferramentas pequenas e pedaços de equipamentos desmontados. Na mesma parede da escrivaninha, mas do outro lado do quarto, ficava um painel de ferramentas maiores em cima de uma pesada mesa de madeira lascada cheia de armas, escudos, ventiladores, ipods e tudo o que se pode imaginar. A cama de Leo ficava num cantinho, junto com um pequeno criado mudo, como se dormir não fosse a maior preocupação do filho de Hefesto. Mas o mais impressionante ficava bem no meio da parede. Entre a escrivaninha e a mesa de trabalho, se encontrava a parte de dentro da cabeça de um enorme dragão de bronze.
- Senhoras e senhores ! Romanos de todas as idades ! Eu lhes apresento Festus, o feroz dragão de bronze que transforma os inimigos em frango frito ! – Exclamou Leo em voz teatral.
- Festus ? Mas festus não quer dizer ‘’feliz’’ em grego ?
-Ah si, como no ? Eu tenho a sorte de conhecer a única romana do mundo que fala grego ! – Resmungou Leo. ‘’Porque nunca levam Festus a sério ? Eu teria medo de qualquer dragão, até mesmo do dragão feliz !’’
POV Reyna.
O quarto-oficina de Leo era incrível e o dragão de bronze a tinha assustado até o minuto em que o grego disse que o nome dele era ‘’Feliz’’. Era uma coisa tão tipicamente grega que Reyna teve que segurar o riso para não ofender Leo, que olhava para Festus com orgulho e afeição. Ela tinha a impressão que o dragão e o garoto tinham uma história, mas não estava disposta a ouvi-la agora. Naquele momento, tudo o que a pretora queria era saber como uma enorme cabeça de dragão de bronze os ajudaria a voltar para Nova Roma.
- Quer ver como ele funciona ? — Perguntou o filho de Hefesto. Reyna assentiu – Bem, veja só, é simples ! Eu peço a ele para que faça um relatório de danos e em pouco minutos saberemos exatamente a nossa situação.
- Ele imprime relatórios ? — Perguntou a garota, achando que Festus devia ser a impressora mais impressionante do mundo.
- Imprime ? Quem falou em impressão ? Olhe e aprenda, mulher. – Leo então fez uma pose pomposa, arrumando os suspensórios e numa voz autoritária disse – Festus, relatório de danos, por favor.
O dragão emitiu um série de cliques incompreensíveis para a pretora, mas Leo parecia entender perfeitamente e sua expressão se tornava cada vez mais séria. Quando o dragão emitiu seu último ruído, o grego olhou com os olhos arregalados para Reyna.
- O estado do Argo não é nada bom. O apedrejamento não danificou quase nada do barco, mas o mal manejamento do painel de controle gerou uma sobrecarga no sistema interno, que agora está quase totalmente pifado.
- E quanto tempo vai demorar para consertar ?
- Essa é a pior parte. Segundo Festus, consigo arrumar os danos externos e internos em 10 dias, com uma pequena margem de erro.
- Dez dias ? Não podemos demorar dez dias ! Temos que chegar lá agora mesmo se quisermos ter alguma esperança de que a missão contra Gaia funcione e se quisermos tirar seus amigos com vida do Acampamento Júpiter !
- Eu sei, Reyna, mas Festus nunca se engana. Se ele diz que esse é o tempo que vamos levar para consertar, então é !
- E depois que estiver consertado, quantas horas levaremos até o acampamento ?
- Horas ? Reyna, você tem alguma idéia de onde estamos ¿ Viemos parar do outro lado do país ! Quando empurrou a alavanca, os circuitos danificados enlouqueceram de vez e nos fizeram viajar numa velocidade sobre humana ! Vamos levar dias para chegar a Nova Roma.
- Mas é só acionar essa super velocidade novamente !
- Por causa dela, os sistemas internos de comando estão fritos. Mesmo que eu soubesse como fazer isso, não iria adiantar nada.
Reyna estava prestes a chorar de frustração. Dias ? Eles não dispunham nem ao menos de horas ! Talvez Leo estivesse mentindo. Talvez tudo aquilo fosse uma armadilha ! Mas ela não podia acreditar. Leo era a própria imagem do desespero e impotência. Ele estava tão frustrado quanto ela. E se iriam passar os próximos dez dias juntos, teriam que confiar um no outro.
- Escute pretora, talvez eu consiga consertar em menos tempo. Também podemos nos locomover enquanto conserto. Devagar, é verdade, mas já será alguma coisa, não ? — Reyna não ode deixar de sorrir diante da disposição de Leo fazê-la se sentir melhor. Talvez passar os próximos dias com ele não fosse assim tão terrível.
- Está bem. Sei que vai fazer o que pode, Sr. Valdez. Eu também farei o que estiver ao meu alcance para ajudá-lo, mas não será muito, porque não entendo quase nada de mecânica.
A pretora viu um enorme sorriso louco se abrir no rosto do sujo de graxa do grego a sua frente. Ela podia ver o quanto ele estava cansado e percebeu a ela mesma estava se sentido exausta. Ambos precisavam de uma boa noite de sono antes do dia seguinte. Ambos precisavam pensar sobre o que fazer a seguir. Tudo o que Reyna queria era um banho e roupas limpas e algo para comer.
- Deve estar cansada, señorita. Porque não vai dormir um pouco ? Pode escolher qualquer cabine. Temos um bom estoque de roupas limpas e novas no depósito, vou pegar para você. Enquanto isso, porque não toma banho ? Foi um dia...esquisito. – Disse Valdez, como se lesse os pensamentos da pretora. Reyna assentiu agradecida e se dirigiu para o corredor e escolheu a primeira cabine que encontrou. Na cabine havia uma cama, um pequeno guarda roupa e uma escrivaninha. As paredes eram cor de madeira suave e havia um exótico filtro dos sonhos pregado em uma das paredes. Reyna sempre achara filtro dos sonhos bonitos, mas não acreditava em sua utilidade. Ela se sentou diante da escrivaninha onde se encontrava um fino livro de contos indígenas, um caderno que a pretora não ousou abrir no momento e dois porta retratos. No primeiro se via uma menina de cabelos desfiados, trançados com penas, ao lado de um homem bonito que se parecia muito com ela. Ambos tinham traços cherokee e sorriam. No outro porta retrato havia uma foto da mesma garota, que agora tinha os braços envolta da cintura de Jason, que a olhava com carinho, e Leo, que olhava para câmera fazendo uma careta. Reyna se lembrava de ter visto a garota descer do Argo II e chegar junto de Jason, mas estava tão nervosa que sequer dera atenção a esse fato. Mas aquela foto não deixava dúvida, aquela era a nova garota de Jason. Ela era completamente linda.
- Reyna, peguei algumas roupas que achei que eram do seu tamanho, mas não tenho certeza se... – Leo foi entrando no quarto sem bater e pegou a pretora olhando a foto dos três. Ela se sobressaltou e largou o porta retrato. Leo deve ter percebido que ela não queria falar sobre aquilo, porque simplesmente lhe estendeu as roupas e disse que se ela precisasse de mais alguma coisa, ele estaria no fim do corredor. Reyna agradeceu e lhe desejou uma boa noite.
A garota tomou banho, vestiu as roupas que lhe serviram perfeitamente e deitou-se. Achou que pegaria no sono imediatamente, mas não pegou. Sua cabeça estava cheia demais. Ela pensava em Nova Roma, no que faria quando chegasse lá. Ela pensava na missão contra Gaia e no que ela faria caso o estrago provocado pelo acidente de Leo fosse permanente e os romanos resolvessem não cooperar com os gregos. Ela pensava em Jason e na garota cherokee que estava com ele. Reyna se sentia uma menina boba pensando nisso, mas não podia evitar. Ela sentira falta de Jason durante o tempo que ele esteve fora e naquela manhã ela sentira o coração se encher de esperança ao vê-lo de novo, mas tudo em vão. Jason não se lembrara dela como Percy se lembrara de Annabeth e acabou conhecendo uma garota nova.
Reyna começou a deixar escapar finas lágrimas. Ela precisava daquilo naquela noite. Só por aquela noite ela seria uma semideusa assustada com o futuro e uma garota com o coração partido. No dia seguinte ela voltaria a ser a forte e altiva pretora Reyna.
Fale com o autor