O Futuro Deles
8 777
Tão rápido quanto começaram, as curtas férias de verão chegavam ao fim. Pelo menos era assim que pensava Nadeshiko, que agora relembrava aqueles meros quatorze dias de descanso. As longas conversas com Taiga, os passeios com seus pais, os “campeonatos” de vídeo game com Mizura...– É, foi bom enquanto durou, mas é hora de voltar às aulas. – Falou a Rainha consigo mesma, procurando no enorme quadro qual seria sua turma daquele ano.– Oeee, Nadeshiko! – Uma voz a chamou e a garota reconheceu de imediato. Mizura abriu caminho entre as várias pessoas até chegar ao lado da amiga. – Já achou a sua sala?– Oi pra você também, Mizu-kun. – A loira cumprimentou sarcástica. – Não, ainda não achei. Por que? — Mizura apenas apontou para uma folha no quadro. A Rainha viu o nome do amigo e alguns a baixo, o seu próprio. — Ficamos na mesma classe... De novo.– Isso acontece todos os anos... Pra falar a verdade, eu já estou cheio de você.– Ehhh!!! – Nadeshiko encarou o garoto, indignada.– É brincadeira, sua boba... Ai! – Ainda sorrindo, Mizura esfregou o braço, dolorido pelo soco que a loira lhe dera.– Hump... não fale isso nem brincando! – A Rainha advertiu, logo voltando-se para o quadro novamente.Os olhos vermelhos da loira repentinamente se arregalaram; todo o seu bom-humor foi para as Cucuias e Mizura gelou ao sentir uma aura negra em volta da amiga. O olhar de Nadeshiko agora era pura raiva e incredulidade, e ela encarava sem parar um dos últimos nomes na lista de sua classe.– Yamabuki Tonora... – Ela murmurou, a voz carregada de ódio.Mizura não sabia o que falar, e não teve outra reação além de também encarar o nome da Yamabuki. Nadeshiko e Tonora juntas na mesma sala? Alguém estava querendo que aquela escola desmoronasse, só pode!– Ano, Nadeshiko...? – O Valete a chamou, ainda meio incerto. – É impressão minha ou eu estou mesmo ouvindo a voz da Yamabuki-san? – Indagou olhando ao redor.Nadeshiko aguçou os ouvidos e, ainda com o cenho franzido, ouviu também. Tonora falava com sua mãe ao celular:– Mamãe, por favor! eu sei que fiz feio no ano passado, mas pelo amor de tudo que é bom, não me deixe na mesma classe que aquela loira burra!!Aí já era demais! Nadeshiko encarou Tonora (ainda ao telefone) com uma expressão sanguinária, pronta para pular em cima dela e arrancar fio por fio daquele cabelinho. Mizura reparou no jeito da amiga e prontamente colocou-se à frente dela. Se não fizesse isso, o menu de hoje na cantina seria ensopadinho de Yamabuki.– Nadeshiko, pelo amor de Kami, não vá fazer uma besteira! – Ele advertiu.– Mas você não ouviu do que aquela coisa e chamou?!– Ouvi, e daí? Ela te chama assim desde o jardim de infância! Você não pode se deixar abater o tempo todo. Vem, vamos logo pra sala. – Pegou a loira pela mão e foi puxando-a para a classe.Chegando lá, foram para o fundo da sala e pegaram lugares lado a lado. Não demorou muito para que duas amigas de Nadeshiko se aglomerassem em volta da mesa da Rainha.– Nee nee, você já soube, Nadeshiko-chan?– Heim? Soube do que? – Indagou a loira.– Parece que temos um novo aluno esse ano. – Explicou Hami, uma grande amiga de Nadeshiko.– Aluno novo? – Repetiu Mizura na mesa ao lado. Ele e outro garoto conversavam sobre o mesmo assunto que as meninas.– Pois é. – O amigo do Valete fechou a cara. – Ninguém viu ele ainda, mas pergunta se isso está impedindo todas as garotas de babarem por ele?– Por que diz isso? – O arroxeado indagou, e o outro apenas indicou as meninas que conversavam atrás deles.– Eu soube que ele veio de Paris! – Declarou Hami toda animada.– E eu que a mãe dele é uma mangaká incrível! Imagine ele desenhando, deve ser uma perfeição! – A outra já tinha coraçõezinhos nos olhos.Ótimo, começaram as fofocas sem pé nem cabeça...– Meninas, não acham que estão exagerando um pouqui- — Nadeshiko tentou falar, mas nenhuma das duas a escutou.– A amiga da amiga de uma amiga minha me contou que pai dele é um famoso violinista!– Com tanta fama assim, eles devem ser pra lá de ricos! Já imagino uma mansão enorme...E mais um monte de comentários se seguiu, cada um mais doido que o outro. Parecia que a sala toda só falava disso, e assim continuaria se o arrastar da porta não fosse ouvido.– Se sentarem-se agora mesmo prometo que terão todas as respostas. – Falou o professor, Yuukiro; e logo em seguida só se ouviram os baques dos alunos se sentando. – Muito bem... para começar, como foram de férias?Enquanto Yuukiro cumprimentava seus alunos, do lado de fora da sala um garoto de cabelos azulados tremia de nervoso.– Calma, relaxa, vai dar tudo certo. – Kone repetia, só não se sabia se para o dono ou para ele mesmo. — É só respirar fundo e não estragar essa chance. Lembre-se, você nunca terá outra igual, e se cometer o menor errinho, sua vida já era.– Kone!! Você não está ajudando nada! – Saito reclamou. – E para de flutuar de um lado pro outro que já está me deixando tonto!– Não tenho culpa, também estou nervoso! – Retrucou o chara, logo suspirando para se acalmar. Tinha de passar segurança para Saito, ou aquilo realmente seria um desastre. – Tem certeza de que não precisa do Chara Change?– Tenho. – Saito ergueu a cabeça e encheu-se de coragem. Logo ouviu a voz de Yuukiro dizendo “pode entrar”. – Me deseje sorte.O garoto pisou na classe cheio de coragem, mas os olhares de todos sobre ele o deixaram mais nervoso do que esperaria. Fala sério, todos o encaravam e ele já ouvia cochichos por toda a sala! Tinham os “Ele é uma gracinha!” das meninas, os “Mais um para jogar com a gente” dos meninos e por aí vai...– Esse é o nosso novo aluno, Tsukiyomi Saito-kun. Gostaria de dizer algo para a turma, Tsukiyomi-kun?O garoto gelou e começou a suar frio. Mas não tinha jeito; não queria ser tachado como grosso logo no começo.– É... Oi. – Foi tudo o que conseguiu dizer sem que seu olhar vacilasse.– Ele foi transferido de uma escola na França, então vamos todos ajudá-lo a se sentir aceito, sim? – Os alunos concordaram. — Ótimo! Agora... Vejamos um lugar para você sentar, Tsukiyomi-kun. — Yuukiro olhou pela sala: Um grupinho de quatro garotas apontava incessantemente para o lugar ao lado de Tonora; Uma outra puxou a cadeira à frente da sua; e o Nikaidou até viu uma menina empurrar a amiga para deixar o acento vago. – Ah! Tem um lugar lá atrás, ao lado do Fujisaki-kun. – Yuukiro indicou a carteira.Saito andou até a mesa o mais natural que pôde, mas seu nervosismo era notável para qualquer um que quisesse ver. Achou por um momento que precisaria ir à enfermaria, quem sabe com um chazinho seu coração não acalmava? Aos pulos como estava não poderia ficar.– Certo, já chega. – Yuukiro encerrou os murmurinhos que ecoavam por toda a sala. – Vamos começas a aula.–---------------------------------------------------------------------------– Mas você, heim! O clube era de uma atividade que você gosta, seus pais com certeza não teriam objeções e aqueles meninos eram super legais!Durante o recreio, Saito preferiu somente andar pelo parque da escola, para conhecê-lo melhor e não correr risco de se perder. Mas depois da aula não teve escapatória, Kone praticamente o forçou a rondar todos os clubes, numa tentativa de se enturmar.– Kone, você deveria saber que fazer amigos não é tão fácil. Não é só ir chegando. – O garoto bufava.– Ás vezes é! Você que é tímido demais, por isso não fazia amigos lá na França. – O chara mostrou a língua num gesto infantil.– Essa eu nem respondo. – Saito fechou a cara. – Então, para onde é o próximo clube?– Ahn... você não sabe?– Claro que não. Quem não quis ficar assistindo aula para olhar por aí foi você, não eu.– M-mas... eu não vim por esse caminho, não conheço nada por aqui! – Kone se desesperou, e Saito não ficou atrás.– Como assim?! Eu estava te seguindo esse tempo todo! Arg, Kone, nós vamos nos perder!!– Acho que já estamos perdidos, Saito. – Murmurou o chara, olhando ao redor. – Bom, o jeito é continuar andando. Uma hora vamos dar em algum lugar. – Falou normalmente, continuando a flutuar.– Ei, espera por mim! – Sem outra opção, Saito foi atrás do chara.Os dois sefuiram em frente, cheios de confiança. Mas uma meia hora depois, aquele caminho parecia que não acabava mais.– Sinceramente, qual o tamanho dessa escola?! – Saito gritou cheio de raiva. Não aguentava mais andar.Kone, que também havia parado, olhou em volta e acabou vendo uma estranha estrutura mais à frente. Aquilo era... um observatório??– Ei, Saito, quem sabe não tenha alguém ali que possa nos ajudar? – Apontou para o lugar, e o dono teve de focar a visão para enxergar direito.– Hum... Acho que não. Quem iria observar as estrelas durante o dia?– Mas que arrisca, não petisca. Vamos lá! – Kone incentivou, dando um pequeno loop no ar quando o dono cedeu.– Está certo, damos uma olhada.Mas quando abriu a porta do lugar, só faltou o queixo cair da mandíbula e os olhos saltarem das órbitas. Saito não acreditava no que via. Como podia o céu noturno durante o dia?– É bonito, não é? – Uma voz tirou o garoto do transe.Ele passou os olhos pelo lugar e encontrou, numa das primeiras poltronas, um homem. Ele tinha a aparência já cansada, mas os olhos brilhavam ao fitar as estrelas– Desculpe, não sabia que tinha alguém aqui.– Não tem problema. – O homem se levantou e fitou o garoto. – Você é o novo aluno, não é? Tsukiyomi Saito-kun. – O garoto concordou com a cabeça. – Muito prazer, sou Amakawa Tsukasa.– Prazer. – Saito sorriu, mas logo se lembrou porque estava ali. – Ah, é! Você saberia me dizer para-– Onde ir? – Tsukasa completou. – Deixe-me adivinhar, você se perdeu, certo? – Mais um aceno em concordância. – Bem, você poderia ir até o lago, é só seguir um pouco mais a diante. Muitos estudantes ficam por lá, algum deles pode te ajudar.– Strike! – Kone comemorou. Finalmente Saito falaria com alguém, a não ser que quisesse continuar perdido por aí.– Obrigado. – O garoto agradeceu. Fechando a porta, não pôde ver o pequeno sorriso que Tsukasa dera.–-------– Lago a diante. Lago a diante. Lago a diante! – Saito repetia para não esquecer. Mas quando se deparou com o lugar, uma raiva o tomou. – Aquele vovô me enganou!! – Gritou enfurecido.Acontece que o tal lago existia mesmo, mas não havia sinal nenhum de pessoas por perto! O Tsukiyomi começou a bufar, e num impulso pegou uma pedra na borda do lago e atirou.Plofh! Foi esse o som que distraiu o azulado. Ele olhou para o lado e reparou que a pedra que atirou não deu nem um pulo.“Será que esse dia pode piorar?!” – Saito questionou em pensamentos.Quando morava em Paris, havia um parque pouco frequentado perto de sua casa. Sua atividade preferida para o fim de semana era ir até o lago, onde ele e o pai faziam por horas uma competição de atirar pedrinhas. Além de ser o único momento pai e filho que tinha, Saito também adorava porque ele sempre ganhava. Era campeão nisso, e agora não conseguia fazer a pedra dar nem um pulo?!– Ah, é o que veremos. – Ele pegou outra pedra e começou a se preparar.Kone decidiu descansar no galho de uma árvore, ele conhecia seu dono e sabia que ele não iria parar tão cedo. E, infelizmente, o chara estava certo. Saito já estava jogando a minutos e não parecia querer desistir. Já fizera a pedra dar três pulos, mas agora queria fazê-la chegar do outro lado do lago.– Formato bom, peso adequado... – Ele checava a pedra milimétricamente. – É essa daqui.Saito preparou, tomou impulso, e ia lançar quando... Zoom! Uma pedra passou por ele em alta velocidade, alcançando o outro lado do lago e só parando por se chocar contra uma árvore.– O segredo está no pulso. – Saito se virou deu de cara com um garoto. O reconheceu de imediato; era meio impossível não reconhecer aqueles cabelos roxos e longos. Era o tal Fujisaki, que se sentava do seu lado. – Gosta de jogar pedrinhas?– C-como você fez aquilo? – Questionou o Tsukiyomi, ainda embasbacado.– Já falei, o segredo está no pulso. – Mizura se aproximou do lago, ficando ao lado do outro. – Tudo depende de como você lança, tá vendo? – Atirou mais uma, que pareceu fazer um replay da pedra anterior.– Legal... — Se quiser, posso te ensinar. – Propôs o arroxeado; e Saito concordou com um aceno de cabeça e um sorriso. – Ainda não me apresentei. Me chamo Mizura, Fujisaki Mizura.– Saito, Tsukiyomi Saito. – O garoto se apresentou, seu sorrindo só aumentando.– É um prazer, Saito. Espero que sejamos bons amigos.O azulado sorriu serenamente, seu coração pulando de alegria. Finalmente teria um amigo!– Viu, bebezão! Eu disse que fazer amigos era fácil. – Kone provocou, surgindo de repente atrás do dono.– Você tem um Shugo Chara!!! – Mizura não pôde conter um berro.– Você pode ver ele?! – Saito também gritou.– Vem comigo num lugar? É rapidinho! – Pediu o Fujisaki. Mas nem esperou uma resposta, foi logo puxando o azulado pelo braço, correndo o mais rápido que podiam.–--------------------------------– Cadê aquele idiota do Fujisaki? Era pra gente estar já na metade disso aqui!! – Taiga berrava enfurecida, encarando de tempos em tempos a enorme pilha de papéis que os Guardiões tinham de organizar. Ela e Nadeshiko foram juntas para o Royal Garden assim que a aula acabou, mas Mizura estava demorando demais. – Eu já disse e repito, Nadeshiko: Não vou mexer um dedo nesses papéis até aquele preguiçoso chegar!! Até parece que vou fazer todo o trabalho dele e... Nadeshiko? – Só agora a ruiva reparou que a Rainha não devia estar ouvindo uma palavra de suas reclamações. A loira olhava incessantemente para a cadeira onde Shaoran se sentava. Em outras palavras, a cadeira do Rei. – Você tá bem, amiga? – Perguntou preocupada.– Como vai ser agora, Taiga? – Nadeshiko apenas murmurou, ainda fitando o mesmo lugar. – O posto de Rei é o único que não deve ficar vago nos Gardiões. O Rei é o líder, e que grupo de qualquer ser vivo pode ficar sem um líder?– Mas Nadeshiko, não precisamos de um rei. Você é nossa Rainha e é uma ótima líder. – Taiga tentou levantar o ânimo da amiga.– Eu posso até ser, mas... – Nadeshiko suspirou. Ela pensou em Shaoran, em seu pai, e até em seu tio-avô. Queria tanto ter um Rei tão bom como eles ao seu lado. — ... não gosto da ideia de deixar o posto de Rei vazio.O clima pesou, e Taiga não conseguiu falar mais nada. Embora fizesse uma ideia dos pensamentos da amiga, não conseguia imaginar o que falar para ela no momento. O silêncio era total, e parecia que assim continuaria, até que:– NADESHIKO!!! SANJOU!!!– Mizu-kun? – Nadeshiko levantou-se de supetão.Logo as portas do Royal Garden foram abertas e um Mizura esbaforido surgiu em frente às duas. Mais atrás estava um garoto, que praticamente desabou no chão ao ser solto pelo Fujisaki.– Eu achei... E-eu... achei... Espera, me deixa respirar... – Mizura se apoiou na mesa, ainda arfante. Parecia ter corrido uma maratona.– O que aconteceu com você, Fujisaki? – Questionou Taiga. Foi quando reparou no garoto praticamente desmaiado no chão. – E quem é esse?– O aluno novo? – Nadeshiko indagou ao reconhece-lo.– Era isso que eu tinha para falar. – O arroxeado enfim se recuperou. Ergueu Saito, que ainda tinha as pernas bambas pela corrida. – Acho que achamos nosso novo Rei. Ele tem um Shugo Chara!– Um Shugo Chara? Sério mesmo? – Exclamou a Rainha– Fujisaki, se isso for uma brincadeira...– Não é brincadeira! – Declarou uma vozinha. Todos olharam pra frente e viram um chara desconhecido. – Caramba, como você corre, garoto! É da equipe de corrida ou o que?– Na verdade eu faço aulas de...– Foi uma pergunta retórica, gênio. Ninguém quer saber da sua vida. – Taiga interrompeu, claramente o provocando. Mizura ficou tão distraído por responder que acabou soltando Saito, que caiu de bunda no chão.– Itai... – O azulado resmungou, esfregando o local dolorido.– Você está bem?Saito abriu minimamente os olhos para ver a dona da voz, mas assim que o fez a dor pareceu sumir. Aqueles olhos vermelhos eram... a coisa mais linda que já vira da vida. O rosto da garota em si era delicado e belo, e os cabelos loiros complementavam a visão.– Que linda... – Ele sussurrou, baixo demais até mesmo para Nadeshiko ouvir, mas mesmo assim seu pânico foi enorme. – Q-q-q-quero dizer... N-não! Não foi isso que eu quis dizer! Você realmente é, mas...– Eu realmente sou o que? – Questionou a Rainha, e só então Saito se tocou de que ela não havia escutado.– Ah... n-nada, nada! – Tentou desconversar.Ainda meio desconfiada, Nadeshiko se levantou. Somente quando ela se afastou que Saito pôde reparar onde estava... Ou melhor, onde ele estava??– Etto, que lugar é esse?– Mizu-kun, não me diga que você simplesmente arrastou ele para cá sem explicar nada! – A loira brigou, e Mizura coçou a cabeça, rindo envergonhado. – Aff... tudo bem, nós explicamos agora pra ele. – Ela se virou para Saito, que mais uma vez ficou vidrado naqueles olhos. – Vamos sentar. Ou prefere ficar aí no chão?O Tsukiyomi riu sem graça e rapidamente se levantou, tentando esconder as bochechas levemente vermelhas.– Para começarmos direito, qual o seu nome? – Quem perguntou foi Taiga.– Ah, é mesmo! Meninas, esse é Tsukiyomi Saito. – Mizura apresentou. – E Saito, essas são: Sanjou Yuiki Taiga.– Oi! – A ruiva cumprimentou.– E Hotori Nadeshiko.– Oi. – Sorriu a loira."Nadeshiko..." – Saito sorriu abobado.– Então, você já sabe o que são os Shugo Charas, Saito? – Nadeshiko indagou.– Sei, sim. O meu pai também teve um e ele me explicou. — Eu também te disse um monte de coisas. Nem queira tirar meu crédito! – O chara do azulado reclamou.– Está bem, Kone, me desculpe.– Ele é bem fofinho. – Comentou a Rainha.– E agora eu tenho alguém para conversar. – Nakuro acrescentou. Saito observou os dois charas indo para uma casinha de boneca (?) e só então reparou numa coisa.– E vocês dois, não tem shugo charas?– Ainda não nasceram. – Mizura e Taiga responderam ao mesmo tempo, como se tivessem ensaiado. A Sanjou fuzilou o garoto com os olhos, e para não ficar atrás o Fujisaki também a encarou.– Não vão começar, né? – Foi só Nadeshiko repreender que eles se aquietaram, Taiga meio a contragosto. – Enfim, Saito, você ouviu falar dos Guardiões? – O garoto afirmou com a cabeça. Ouviu falar do concelho estudantil da escola que recebeu esse nome. – Bom, somos nós.– Legal, mas... o que eu tenho haver? – Indagou o Tsukiyomi.– Acontece que ano passado nossos integrantes mais velhos se formaram, deixando dois cargos vagos. – Começou Mizura.– Eu já ocupei o posto de Às, mas o outro ainda está vago. – Taiga continuou.– O posto de Rei dos Guardiões. — Falou Nadeshiko, sem disfarçar o tom sério na voz. – A condição principal, praticamente única para ser um Guardião, é possuir um Shugo Chara. Você é o único aluno daqui além de nós que tem um, Saito.– Deixa ver se eu entendi. Vocês querem que eu faça... parte do concelho, é isso? – Saito concluiu.– Exatamente. Mas nós não estamos te obrigando, estamos convidando. – A loira sorriu, perdendo toda aquela seriedade. – E então, Saito, você aceita fazer parte dos Guardiões?O garoto parou um pouco, pensando. Se aceitasse poderia fazer amizade, todos ali pareciam legais; faria uma atividade extra curricular, o que era ótimo... e tinha gostado daquela garota, Nadeshiko. Seria um jeito de vê-la todos os dias.– Eu aceito.–------------------------------– Finalmente o Rei chegou. – Tsukasa pegou a carta de baralho e colocou-a ao lado das outras três. – Agora sim os novos Guardiões estão completos.– Tsukasa-san? – Kira o chamou, batendo na porta do velho observatório e entrando logo em seguida. – Está tudo em ordem?– Tudo como as estrelas previram, Kira. – Ele respondeu calmamente, fitando o céu. – Mas o caminho a partir de agora será mais traiçoeiro. Eles precisam estar bem preparados.– Eu confio neles, Tsukasa-san. – Declarou a secretária. – São crianças muito especiais, e Nadeshiko-san é ótima líder.– Realmente, Nadeshiko tem um senso de liderança que só vi em Tadase. Sem falar que sempre segue seu coração. – Dando um sorriso arteiro, Tsukasa aproximou um pouco mais as cartas do Rei e da Rainha.– O que vai acontecer agora, Tsukasa-san?– Ainda não sei ao certo, mas somente de olhar para o céu, sinto que grandes coisas virão. Afinal, as estrelas começaram a se mover.
Fale com o autor