Notas iniciais
Nyah: "O que gostaria de dizer ao leitor antes dele ler o capítulo?" Eu: Bem, eu acordei as 4:25 da manhã pra vir trabalhar e só vou sair daqui as 22:30...To muito feliz com isso(sóquenão)! Isso me ajudou a ter ideias para este capítulo. Eu reli, e achei coerente o que escrevi... Mas estou bêbada de sono, minha opinião não conta... Se algo estiver esquisito, me falem! Boa leitura!

– Mu...? – espantou-se o artesão – O que faz aqui?

– Eu moro aqui nesta cidade. Eu é que te faço essa pergunta: O que você faz aqui?

– Eu... ah... Eu também moro aqui. Quer dizer, isso é mais que óbvio. É que é um bom lugar para os comerciantes como eu. – tentou disfarçar o nervosismo.

– Tem razão. É mesmo. As pessoas daqui sabem valorizar o artesanato.

Eles ficaram algum tempo em silêncio, olhando para os lados.

– Vi que você está acompanhado. É um belo rapaz.

Aldebaran ficara vermelho

– Sim, ele é. E também é uma ótima companhia, mesmo não sendo de muita conversa.

– Achei que o que você mais gostasse em alguém fosse a conversa. O que fez de você gostar de alguém que não quer conversar?

– Que interessante. Em anos que estivemos juntos e você nunca entendeu que o que eu aprecio é a companhia.

O artesão fizera questão em enfatizar a última palavra. Sentia-se feliz por ter dito isso a ele. Realizado.

Mu olhou bem para ele e, com um sorriso cínico, disse:

– Me pergunto o que te fez ficar tão corajoso: seu novo amante, ou o fato de eu o deixar.

– Ora, como é que-

– Quem é você? – perguntou Afrodite. O florista encontrava-se na janela aberta. Ele olhava para o lemuriano com tal expressão que o artesão jamais imaginara ver no rosto dele.

– Afrodite... – disse Aldebaran – Mu já está de saída.

– É, já estou, Afrodite – ele olhou para o florista e deu um leve aceno com a cabeça. Depois se voltou para Aldebaran.- Até mais.

Ficaram olhando enquanto ele saía pela mesma porta que entrara. Seus cabelos presos numa fita vermelha balançando com a brisa, seu perfume de jasmim tomando conta do lugar.

– Sorte sua que ele o deixou – disse Afrodite, quase num sussurro.

– Como assim?

– Como ele sabe tanto sobre nós? – perguntou Afrodite.

– Ele sabe de tudo. Ele sempre sabe. Não adianta você apenas pensar. Ele vai ler seus pensamentos. É isso que ele faz.

– É algum tipo de cigano? O que ele é?

– É de uma raça quase extinta... Nunca me disse realmente o que o povo dele fazia. Que sei é que moram em montanhas, no Oriente. E, sinceramente, não tenho nem um pouco de curiosidade. A única coisa que sei é que sabe reparar qualquer metal, qualquer mesmo. Ele tem uma espécie de pó que usava... Nunca me deixava chegar perto.

Afrodite se aproximou do artesão e agarrou seu braço.

– Não se preocupe. Ele não vai nos fazer mal – disse o artesão, pegando na mão livre de Afrodite.

– Quero entrar.

Eles entraram e trancaram as portas. Afrodite sentia um arrepio. Talvez o vento frio de fora, talvez a presença repentina do ferreiro, algo o tirava do eixo.

–x-

– Ele perguntou por mim? – perguntou o garoto de cabelos ruivos.

– Não, mas sentiu vontade!

– Ele vai voltar a viver conosco?

– Não. Ainda não. Mas ele quer. Ele está se cansando da melancolia. É o tipo de pessoa que não gosta de se sentir solitário. Gosta de ouvir alguém falando.

– Não vejo a hora de tê-lo de volta! – ria o garoto.

Mu sorriu para ele, e pensou consigo: Eu também!

–x-

– Vamos, levante-se desta cama! – dizia Aldebaran enquanto puxava o florista pelos braços.

– Não quero! Estou cansado!

– Impossível! Você passou o dia todo deitado na cama. Vamos. Você ficou tão contente quando viu o circo chegando!

O artesão insistia. Derrotado, Afrodite aceitou. Vestiu-se e, bufando, aceitou sair de casa.

A noite estava clara. Mesmo com o frio que chegara as pessoas ainda assim enchiam as ruas. Todas animadas para ver o circo. O florista sabia que Aldebaran fazia isso por carinho a ele.

Depois de pagarem as entradas, foram ver tenda por tenda.

– Vamos ver o show de mágica! – disse o artesão.

– Vai ser só mais tarde. – respondeu o florista. Em seguida apontou para um cartaz: — Viu. Tem tempo ainda. Que tal os malabaristas?

– Como quiser. – sorriu o gigante.

Eles se sentaram na frente. Viram dois homens, extremamente iguais aos olhos desavisados, um de cada lado da tenda. Eles estavam no topo do trapézio. A única coisa abaixo deles era o chão. Olharam um para o outro e deram um risinho. Afrodite tinha olhos que enxergavam longe. Conseguia presenciar cada expressão deles, mesmo de tão longe. Percebeu que eles espelhavam os movimentos. Seus olhos se arregalaram quando eles pularam juntos. Seu coração disparou achando que um deles cairia direto no chão, mas voltou ao normal quando o outro o segurou. Vira esse número dezenas de vezes, com muitos artistas, quando criança e sempre tinha a mesma reação. Mas com os gêmeos era diferente; parecia muito mais real. Depois, como se não fosse o bastante o salto, era hora de brincar com fogo.

Bastões foram acesos e as chamas estalavam. Um começou a jogar para o outro e, quando a platéia percebeu, mais bastões estavam em chamas e rodando de uma mão para outra. Eles andavam pelo palco, subiam e desciam os obstáculos e riam ao fingir um acidente, suas risadas estridentes ecoavam pela tenda. Por fim, eles engoliram as chamas, deixando, então todo o local no mais escuro breu.

Os sons das palmas foram aumentando e, quando a luz voltou, nenhum dos gêmeos estava mais lá. Estavam sentados na platéia, juntos dos espectadores. Um deles, o mais sério, estava ao lado de Afrodite. O cheiro de algo queimado estava pairando no ar, e o florista sabia que vinha dele. Mandou-lhe uma rápida piscada e se levantou. Ambos subiram no palco e agradeceram. Depois, sumiram novamente.

Do lado de fora, Aldebaran e Afrodite andavam lado a lado. O gigante parecia incomodado. Ele percebera.

– O que foi? – perguntou o florista, olhando para cima.

– Nada...

– Nada não te deixa com essa carranca. Ficou bravo por causa do trapezista, não foi?

– Sim... – disse o artesão, fazendo bico.

– Não vou te deixar por nenhum trapezista, nem que ele seja dois.

A calma na voz do florista era de dar inveja. Aldebaran nem falar nada e o outro sentira que ele estava mal. Da mesma forma que sentira que o gigante se animou com tal comentário.

Andaram mais um pouco e o artesão parou.

– O que houve?

– Nada... É que acho que vi um cliente promissor logo ali. Não se importa se eu for até ele, não é?

– Claro que não. Vá lá! – ele sorriu.

O gigante saiu andando em uma direção, enquanto que o florista em outra.

– O que pensa que está fazendo? – perguntava o artesão ao lemuriano.

– Nada... Kiki apenas acenou para você. Ele sente sua falta!

O garoto ruivo abraçava Aldebaran enquanto o mesmo o segurava no colo. O artesão o vira acenando para ele, enquanto Mu o acompanhava, ambos andando na direção dele. Com medo que o florista os visse e ficasse mal como ficara mais cedo, ele resolveu ir sozinho, mesmo tendo que mentir para ele.

– Tem se alimentado direito, Kiki?

– Sim!

Os olhos do garoto brilhavam. Aldebaran era seu herói. E para o gigante era o mesmo. Amava o garoto como a um filho.

– Isso é muita covardia, Mu... – falou Aldebaran, os pequenos braços do menino cercando-lhe o pescoço.

O lemuriano mais velho apenas sorriu.

–x-

O florista andava sozinho, admirado com tudo. Tinha algum dinheiro consigo e usou para comprar uma goma. Gostava de doces, mas fazia tempo que não se dava a esse luxo.

Entrou numa tenda pequena. Procurou pelas cadeiras. Estava crente que era uma tenda de show. Foi quando viu uma mesa com espelho. Era particular. Virou-se para sair e levou um susto.

Lá estava ele, parado, os braços caídos e as mãos fechadas.

– Desculpe. Não quis invadir.

– Não invadiu. Esse camarim nem é meu.

– O que faz aqui, então?

– Vi você entrando e vim atrás. Queria continuar nossa conversa. Você saiu com tanta pressa.

– Achei que não quisesse falar comigo. Não tem raiva de mim?

– Porque teria? – perguntou ele.

– Não fui eu que fiz você se afastar de seu irmão?

– É, você foi o motivo... Mas isso não vem ao caso. Ele sempre me escrevia contando como você o deixava feliz. Depois de ter ver eu reli as cartas. Ele realmente o amava. E os desenhos que ele enviava...

– É, ele desenhava muito bem. Fui eu quem o convenceu de vender quadros pintados por ele mesmo.

– Eu sei. Ele me contou.

– Eu tive de vender todos os que ele me deu. Retratos meus... Foram parar em algum quarto de colecionador. Eu sinto falta daquelas pinturas.

– Veja bem... Não estou dizendo que vou te dar as cartas, mas... Quer ver os desenhos?

– Eu posso? – os olhos do florista brilharam.

Eles saíram da tenda juntos e foram para outra, alguns metros à frente. Ao entrarem, ele foi direto a um baú. Destrancou o mesmo e abriu. As coisas lá dentro estavam muito limpas. Afrodite percebeu que ele mexia ali com freqüência.

– Pode se sentar. – ele apontou para um banco atrás do florista.

Sentou-se ao lado dele com um bolo de cartas nas mãos.

– Essa foi logo que ele te conheceu.

Afrodite pegou a carta com poucas palavras escritas e deu uma rápida olhada nela. Flava apenas que Giovanni conhecera uma pessoa.

– Essa foi logo que vocês deram o primeiro beijo.

Ele corou. Não conseguia acreditar que ele contara algo assim a outro homem. Ele próprio guardara aquele momento tão intimamente. Sentia-se envergonhado por outra pessoa saber.

– Este foi o primeiro desenho seu que ele enviou a mim.

O florista pegou a folha bem conservada e olhou cada detalhe com atenção. No desenho, seus olhos olhavam diretamente para quem o segurava. Seu sorriso era aberto e os cabelos pareciam cair sobre parte do rosto. Seus braços desnudos pareciam esticados, mas não estavam terminados. Notou um esboço de uma mão próximo ao rosto. O desenho olhava de cima para baixo. Era a primeira noite deles.

– Então foi isso que ele desenhou na manhã seguinte... – comentou o florista em voz baixa.

– Tenho outros, também... Veja este.

Em todos os desenhos o florista aparecia quase sempre de sorriso aberto, ou com um riso enigmático. E em todos eles tinha o foco do olhar sempre para quem o olhava. E vendo todos aqueles desenhos, vieram as lembranças.

– Pode ficar com eles. – disse ele. – Valem mais para você do que para mim.

– Muito obrigado!

Seus olhos se encheram de lágrimas. Soltou um suspiro e se abraçou aos papéis.

– Infelizmente não tenho nada a lhe dar. Tudo o que restou de quando estávamos juntos foram minhas lembranças.

– Saber que ele vivia feliz já é algo a me dar...

– Sobre a morte dele... Algumas pessoas acharam que eu o matei... Eu jamais faria aquilo, nem que ele merecesse.

– Eu acredito. – disse o artista.

– É duro viver com a culpa de algo que não fez, principalmente quando se sente tão só e saudoso.

–x-

– Duvido você acertar! – gritou Mu enquanto Aldebaran levantava o martelo.

O gigante levantou a marreta e desceu-a com velocidade, fazendo com que o alvo subisse e acertasse o sino. Todos em volta gritaram em comemoração. O prêmio foi para o garoto, claro, que abraçou-se ao artesão com carinho.

– Obrigado, Aldebaran!

– Que bom que gostou!

Andaram alguns metros e o artesão deu-se conta de algo.

– Esqueci de Afrodite! Já faz tempo que o deixei!

– Ele deve estar entretido com algum espelho, ou alguma flor... Vamos para aquele ali!

– Não, Mu... Eu preciso encontrá-lo. Não é certo o deixar sozinho.

– Ora, ele deve estar se divertindo sozinho por aí! Divirta-se conosco! Não quer ver Kiki feliz?

O lemuriano apontava para o garoto enquanto falava. Usaria toda e qualquer artimanha para conseguir o que tanto queria. Aldebaran de volta,

– Não, agora não posso... Nos veremos novamente, mas eu o procurarei...

– E sabe onde me encontrar?

– Eu procurarei... Não se preocupe!

Sorriu para o garoto e acenou para o adulto. Saiu andando a procura do companheiro.

– Mu! Por que ele não pode ficar com a gente?

– Tenha calma Kiki! Ele vai... E sei exatamente onde conseguir ajuda...

–x-

Naquele instante ouviram-se vários gritos e risadas. Palmas batendo e a animação se espalhando. Foi breve, mas serviu para tirá-los da tenda.

– Alguém deve ter acabado de ganhar um prêmio... – comentou o artista.

– Como pode ter tanta certeza?

– Depois de anos num circo, você aprende a diferença... E também porque vem de lá, e é lá que ficam as barracas de jogos e gincanas.

Ambos riram.

– Obrigado... Ah...

– Shura. É diferente, eu sei... – ele sorriu.

– Por quanto tempo vai ficar aqui?

– Não muito, eu acho... Mais alguns dias... Talvez algumas semanas.

– Então ainda o vejo aqui... Isto é, se não se incomodar em me receber.

– Nunca me incomodaria.

Eles apertaram as mãos e, num instante de nervosismo, Afrodite abraçou o circense. Foi rápido, mas serviu para deixá-lo embaraçado.

– Desculpe. – disse o florista tentando esconder a face.

– Não tem problema... Além do mais, fazia um bom tempo que não recebia um abraço.

Ele sorriu para Shura.

– Até mais, então...

Deu as costas a ele e se misturou a multidão.

– Belo rapaz, não é mesmo? – disse a voz atrás dele.

– O- o quê? – espantou-se o artista.

– Se você me ajudar, ele pode ser seu...

Notas finais
Ai que sono!!! Ta bem, vamos lá! Sobre Mu saber do Shura, no próximo capítulo entre em detalhes sobre tal informação... Sobre meu trabalho escravo, eu tenho direito a refeições :D Bjos e até o próximo capítulo!