Cena IV

Pierrot, Arlequim, Estudantes

ARLEQUIM- Está melhor, amigo?

PIERROT- O vinho é um santo remédio...

PRIMEIRO ESTUDANTE- Conte-nos que dor é essa

Que amor é esse.

PIERROT- Pois bem,

Ébrio como estou

A dor não atinge-me tanto

A saudade não castiga-me tanto

A solidão não mata-me tanto

Aquela mulher,

Aquela Vênus,

Quando a vi... ah meu Deus!

Minha vida se tornou esse pesar

Meu martírio é esperá-la

Nem sei se algum dia voltarei a vê-la

Quero crer que sim...

SEGUNDO ESTUDANTE- Senhor Pierrot, se me permite dizer, acho que temos a solução...

PIERROT-Vou poder ter Elodia pelo menos um segundo ao meu lado?

SEGUNDO ESTUDANTE- Muito mais do que esse tempo limitado meu senhor, poderá tê-la sempre que quiser!

PIERROT- Por favor, mostre-me como!

SEGUNDO ESTUDANTE- Poderá usar um artifício que aprendemos na escola de medicina.

PRIMEIRO ESTUDANTE- Está falando de...

SEGUNDO ESTUDANTE- (interrompe) Com isso senhor Pierrot poderá tê-la (tira do bolso um pequeno frasco)

ARLEQUIM- O que é isso?

PIERROT- (segurando o frasco) Que líquido é esse?

PRIMEIRO ESTUDANTE- Só uma gota que a pessoa em poucos minutos cai em um sono profundo.

PIERROT- Nunca usaria uma coisa dessas em minha Elodia, se eu a quero, tem que ser de acordo com a vontade dela.

Se não me quiser, a única coisa que me restará será o padecimento.

Mas forçá-la, nunca!

ARLEQUIM- Mas Pierrot, é uma ótima oportunidade!

PRIMEIRO ESTUDANTE- Pense direito senhor Pierrot, tudo pode ser muito mais fácil.

PIERROT- Já disse que não o farei!

SEGUNDO ESTUDANTE- Senhor imagine tê-la em seus braços pelo menos uma única noite....

PIERROT- O que me propõem está fora de cogitação!

Que amante leviano seria eu

Se forçasse minha musa a fazer algo que não o queira

Se algum dia eu conseguir tê-la junto a mim

Não será por esses meios!

Como poderia um dia fazer tal coisa?

Não com minha Elodia!

[Pierrot sai]

Notas finais
Fim do Segundo Ato