Peguei minhas coisas e levei meu celular pro banheiro pra ouvir musicas enquanto eu estava no chuveiro.

Passei as 240 musicas do meu celular e parei na Laserlight da Jessie J, uma das melhores cantoras em minha opinião...

Liguei o chuveiro e me lembrei da data que estávamos dia 30 de Maio, um dia antes do aniversário dela, da Tani. Seria uma desculpa perfeita para fazer uma surpresa, tanto de despedida quanto de aniversário.

Demorou em torno de uns 20minutos o meu banho, ate porque eu já estava planejando tudo, sonhando um pouco quanto alto.

Enquanto eu estava no banho, a Tani estava na sala vendo GG.

Como pode ser tão viciada em séries?

Caminhei em direção ao meu quarto, me troquei. Coloquei uma blusa branca, um moletom cor de creme com um zíper, e uma calça preta.

Fui de encontro com a Luiza, ela iria comigo comprar a surpresa dela. Peguei as chaves do carro que estavam em na mesa de centro da sala.

- Amor já volto. Super rápido.

- Uhum, ta, ta.

Ela nem deu muita atenção, estava travada, vidrada naquele episódio.

Saímos de casa, eu e a Luiza, ouvindo Jessie J no ultimo volume, no carro, rindo feitas duas idiotas e quase não prestando atenção no movimento dos carros na avenida.

Demoramos uns 15minutos para chegar ao shopping, entramos no estacionamento e a dificuldade pra achar vaga estava imensa, pois estávamos a poucos dias dos dias dos namorados.

Depois de rodar e rodar aquele inferno de estacionamento achei uma vaga para idosos.

Naquela altura do campeonato, eu não queria mais nem saber se podia ou não.

Fomos em uma corrida só para dentro do shopping. Passamos por vitrines e mais vitrines, ate que chegamos a uma loja que conseguia iluminar e quebrar o encanto de qualquer outra loja que ficasse próximo dela.

Namorados, casais e mais casais, olhando as vitrines, comentando e escolhendo alianças.

Pois é, eu estava na porta da ‘’ Casa das Alianças ‘’ pronta para dar um passo maior no meu ‘’ rolo ‘’ com a Tani.

Entramos na loja, fui rápida e pratica. Escolhi a que ali mais me agradava. Uma de outro branco, com um acabamento quadrado.

Uma moça se aproximou, apresentou-se. Era Juliana, uma morena de

aproximadamente 1,76 de altura, olhos claros e um jeito muito meigo.

Pedi para que ela gravasse nossos nomes, nada fora do normal. Sem que eu percebesse, o tempo passou, muito mais rápido do que eu esperava, já eram 17hr30.

Juliana me disse que ficariam prontas no dia seguinte, perto das 15hrs. Descemos as escadas rolantes em direção ao estacionamento, andando rápido pois Tani estava sozinha em casa.

Achamos o carro, tinha um homem muito mal encarado encostado na pilastra ao lado do meu carro, todo de preto me encarando.

Retribui o olhar maldoso, entramos no carro, engatei a ré e saímos.

Chegando no portão de casa, Luiza abriu o portão, guardei o carro e subimos as escadas correndo. Sempre apostávamos corrida na escada, pra saber quem subia mais rápido. Ela sempre ganhava.

Já tinha escurecido, o céu estava mais do que estrelado. A noite estava clara, a Lua estava linda. Noite de lua cheia. Isso me lembrava meu filme favorito ‘’ Querido John ‘’

Passamos pela primeira porta da sala, estava trancada, a luz da sala estava apagada e só dava para ver a luz da televisão iluminado somente metade do cômodo da casa. Consegui ver isso através da vidraça da porta.

Quando cheguei no corredor vi que a Tani estava no quarto, ajeitando suas coisas em pequenas bolsas e ás colocando dentro de sua mala. Perguntei se ela queria ajuda e ela negou, limpando seu rosto.

Ela estava chorando.

Tentou esconder, virando o rosto a todo momento em que eu tentava encará-la. Quando eu finalmente consegui, limpei uma lagrima que ainda estava escorrendo em seu rosto e disse que a amava, ela só abaixou a cabeça concordando com o que eu estava falando.

Peguei algumas peças de roupas que estavam dobradas ao lado da cama, e fui colocando-as dentro da mala.

Não agüentei a vontade de chorar. Lagrimas e lagrimas caiam do meu rosto.

Eu não queria que aqueles dias tivessem um fim, mais parecia que quando eu estava ao lado dela tudo passava muito rápido.

Doía saber que eu iria dormir sem ela, acordar sem ela, e só sentir o seu cheiro no meu travesseiro.

Com a sua mala já pronta, eu a abracei e começamos a chorar feitas duas crianças, como se estivessem prestes a arrancarem algo de nós, algo que já nos fazia parte.

E ficamos ali, paradas, nos beijando e aproveitando aquele momento como se fosse o ultimo de nossas vidas.

Deixei sua mala ao lado da minha mesa do computador. O qual eu não mexia, nem o ligava há um bom tempo. Aquilo era um milagre.

Tani saiu do quarto, e foi em direção ao banheiro. Ouvi o barulho do chuveiro, entrei no banheiro, ela já estava dentro do boxe.

Escovei meus dentes, limpei minha maquiagem e fui direto para o quarto.

Abri meu guarda-roupa, meus pijamas ficavam na primeira gaveta, desde quando eu tinha 10 anos minhas roupas tinham essa ordem.

Pijamas, blusas, blusas de frio e moletons. Eu tinha coleção de moletons. Peguei um pijama cumprido, sentia muito frio à noite, por mais que estivesse calor.

Me troquei e me joguei na cama. Fiquei com a cabeça coberta e com o rosto totalmente afundado no travesseiro.

Fiquei pensando em como seria minha vida daquele momento em diante. Depois de alguns minutos senti uma mão quente em minhas costas, ela estava com o cabelo molhado, com uma blusa de botão branca e de calcinha.

Controlei meus pensamentos, ou pelo menos tentei.

Ela passava as costas de seus dedos no meu rosto. Não tinha como não sorrir.

Ficamos deitadas, conversando sobre como foi a reação da sua mãe ao saber que ela sairia do seu estado, para ir ver uma pessoa, uma garota de tão longe. Rimos a noite inteira, ate que pegamos no sono.

- ACORDA MULHER!!! DUAS E MEIA DA TARDE – Luiza gritava feito uma descontrolada

Dei um pulo da cama, e senti meu coração pulsar muito forte e muito rápido;

-Ta ficando louca caralho?

- Se troca, a gente tem um compromisso!

Me troquei o mais rápido que pude. Tani estava parecendo um cadáver, não se mexia, só dava pra ouvir sua respiração.

Já trocada, peguei uma fruta, as chaves do carro. Fomos indo para o shopping, os semáforos estavam todos verdes, só para me ajudar.

Na porta da loja, conseguimos avistar Juliana mais do que ocupada, mas deixou o que estava fazendo em veio em nossa direção para nos atender. Ela veio com uma caixinha preta de veludo na mão.

Caminhamos ate o caixa, paguei as alianças e fomos para a praça de alimentação.

Eu não parava de olhar para as alianças, eu não estava dando muita atenção para as coisas que Luiza estava falando. Eu só planejava em como pedir aquela garota em namoro.

Luiza, por sua vez não largava o celular, provavelmente estava falando com o seu namorado por sms. Nos falávamos pouco.

Assim que comemos, fomos direto pra casa. Eu pensando em como perguntar pra Luiza se a presença da Tani, ou a minha falta de atenção estava a incomodando.