O Fim De Um Para Sempre
1 O Encontro
Depois de muita espera, havia chegado o dia tão esperado. O dia em que eu ia encontrá-la.
Acordei e fiz as mesmas coisas de sempre, só que com a sensação de borboletas no estomago. Deve ser porque eu ia vê-la, e eu já havia esperado muito tempo pra isso. Enquanto escovava meus dentes, me perguntava ‘’ como será a reação dela ao me ver? Qual vai ser a minha reação ? O que vou fazer ? Será que beijá-la já é um começo? Acho melhor não, será uma surpresa pra ela, posso ate assustá-la e estragar tudo‘’
Normalmente, deixo meu celular no vibratório, para que nada me atrapalhe a noite ou me acorde cedo. Do banheiro pude ouvir a vibração do meu celular em cima do criado-mudo, meu coração acelerou, era sempre assim, sempre esperava que fosse ela tentando me acordar com uma mensagem daquelas como ‘’ Acorda meu amor, o dia esta lindo. Eu amo você ‘’
Mais não, a mensagem não era desse tipo, mas era dela. O nome dela estava como ‘’ Tani Salem ‘’ por algum motivo decidi que colocaria o meu sobre-nome junto com o nome dela em tudo. A mensagem dizia ‘’ Estou ansiosa. Chego no terminal daqui a algumas horas, quando eu chegar em São Paulo eu te aviso. Beijos ‘’
Coração acelerou – como sempre -. Eu não costumava tomar café da manhã, mais a ansiedade fez com que a fome chegasse antes da hora.
Leite com achocolatado, e um pão com queijo branco. Eu olhava para o relógio de cinco em cinco minutos, e parecia que o tempo não passava.
Entediada e ansiosa, peguei meu celular, meu fone de ouvido, e comecei a escutar Jota Quest, me fazia lembrar dela. Fechei os olhos, e comecei a lembrar da primeira vez que falei com ela, primeira vez que ouvi a voz dela, que a vi na web-can e da vez que dormimos as duas no telefone, tive que me conter para não gritar, eu precisava tirar aquela ansiedade e aperto de dentro de mim.
A ultima vez em que olhei no relógio, eram 9:00 da manhã, nunca tinha acordado tão cedo desde o tempo de escola, que por sinal não fazia tanto tempo assim, mais eu me sentia madura falando desse jeito. Bobagem.
Meu celular vibrou, interrompeu a música que eu estava ouvindo, se eu não me engano era ‘’Tonight the world dies’’ do Avenged, a banda que por sinal me uniu a Tani.
Meu celular vibrou novamente. ” Gata, to entrando em São Paulo, não vejo a hora rs ” Meu coração de novo brincando comigo, acelerou e ao mesmo tempo fiquei sem ar, tive que respirar fundo pra recuperar meu ”estado normal”.
Fui pro banheiro, coloquei Scream bem alto, e comecei tomar banho, nos azulejos eu escrevia os nossos nomes, um do lado do outro, nos unindo.
O banho durou uns 20minutos, tempo suficiente para o ônibus deixa-la no terminal. O celular vibrou, novamente interrompendo minhas musicas. Outra mensagem dela ” Estou te esperando. Estou com a blusa do Avenged, vai ser facil me reconhecer. Vem logo ta?”
Eu não sabia o que responder na mensagem para ela, coloquei somente um ”Estou a caminho minha pequena”
Me troquei, coloquei uma blusa do BVB, uma calça justa, e um all-star. Peguei as chaves do carro, eu estava tremendo, e sentia minhas mãos soarem e sentia elas geladas.
Entrei no carro, não pensei em nada, eu só queria ir logo ver a minha princesa. Não tive coragem nem de ligar o rádio.
Sai de casa bem devagar, não queria ser muito rápida, queria que ela montasse a cena varias e varias vezes em sua cabeça.
Minha casa ficava uns 15 minutos do terminal. No farol, fui ver como eu estava, puxei o quebra-sol, me espantei… Eu estava sem maquiagem, abri o porta-luvas e peguei meu delineador, era só o que eu precisava. Eu tinha exatamente menos de 2minutos ate o semafaro ficar verde.
Passei a maquiagem, o semafaro abriu.Acelerei o carro, ja não via a hora de chegar no terminal.
Parei meu Palio 2005 na frente de uma loja de roupas masculinas, mais não reparei no nome da loja. Desci do carro, ajeitei meu cabelo, que por um milagre estava ate que aceitavel.De longe eu consegui ver uma garota linda, com uma blusa preta larga, eu tinha certeza de quem era. Caminhei em direção dela, as pessoas que estavam ao meu redor ficaram invisiveis, e eu só conseguia ver a Tani. Ela veio em minha direçõ tambem, e começou a correr. Quando eu menos esperava, ela estava em meus braços, eu fazia carinho nela e queria que ela me encarasse para que eu a beijasse.
O cheiro dela, aquele cheiro fazia com que eu me apaixonasse ainda mais.
Ela era menor que eu, então pude ficar olhando um bom tempo para os seus olhos. Sem que eu pudesse perceber, meus labios se encostaram nos dela. Sentia a lingua dela passar lentamente na minha, e sua respiração estava lenta.
O seu beijo era doce, era diferente, eu nunca tinha sentido um beijo daqueles.
Os movimentos de nossas linguas foram ficando mais lentos, ate que paramos. Ela olhou para mim, e deu um sorriso de lado. Como podia ser tão linda?
Peguei em sua mão, e caminhamos ate o carro. Coloquei sua bolsa no porta-malas, e ela não parava de me olhar, aquilo estava me deixando corada ja, e cada vez que eu tentava não demonstrar que estava ficando constrangida ela ria e me dava um soco.
No carro, indo para casa, falamos sobre tudo, um pouco vida dela, um pouco da minha e de como foi a viagem dela ate São Paulo.
Eu não conseguia encará-la, eu estava envergonhada. Normalmente, eu nunca sei o que fazer quando estou perto de alguém que eu amo, eu sempre quero fazer tudo certo e tenho medo de algo dar errado.
No carro, chegando em casa, eu tentava identificar se ela estava dando sinais de algo que ela queria, ou que estava a incomodando.
Ela tirou de seu bolso da calça, um pen-drive preto e plugou no meu som do carro. Olhei pra ela de canto, e ela não parava de sorrir.
Como eu podia amar tanto essa garota? Só o sorriso dela, deixava tudo mais claro, me arrepiava.
Ela passou várias musicas, ate que parou na que, provavelmente ela já sabia que eu amava. Tonight the world dies.
O som estava no Maximo, ate que chegamos em frente de casa. Parei o carro, tirei as chaves e olhei pra ela, ficamos nos encarando por alguns segundos.
Eu não sabia se era o momento de beijá-la ou não, eu só não queria perder se quer um segundo ao lado dela, ate porque eu não sabia quando iria vê-la de novo.
Acariciei seu rosto, e fui me aproximando aos poucos. Meus lábios encostaram-se aos dela de um jeito mágico. O beijo começou lento, e com o passar dos segundos foi ficando rápido. Um calor veio do nada, e tomou conta do meu corpo.
Quando a coisa estava ficando realmente boa, e quente o celular dela tocou. Claro, não foi uma surpresa o toque de seu celular ser alguma musica do Avenged. Gunslinger.
Paramos o beijo com alguns selinhos. Consegui ler no celular dela escrito ‘’ Mãe ‘’.
Ela atendeu o celular, com uma voz delicada, tranquilizando sua mãe e reforçando várias vezes de que ela estava bem e que já estava em São Paulo.
Acho que a mãe dela estava fazendo inúmeras perguntas, porque estava na cara que ela estava ficando irritada. Depois de que ela convenceu sua mãe de que ela estava realmente em SP e de que estava bem, ela desligou o celular e começou a rir sozinha.
Inevitavelmente eu comecei a rir também, e tivemos ataques de risos e uma vontade louca de ir ao banheiro.
Abri a porta do carro ainda rindo, peguei as chaves e fui abrir o porta-malas. Ela pegou sua própria bolsa, e me puxou para que fossemos logo para casa. Abri o portão de casa em uma pressa, que seria capaz dos vizinhos acharem que estávamos fugindo de alguém.
Apertei o alarme do carro, e saímos correndo escada a cima. Ela me empurrava para que chegasse a minha frente, e eu a segurava e a puxava para trás.
Os gritos dela, eram altos, misturado com gargalhadas.
Eu dividia minha casa com a minha melhor amiga. Luiza. Paramos na porta da cozinha que era o primeiro cômodo depois do quintal. A Luiza estava parada olhando para a Tani como se ela fosse uma intrusa.
Não foi preciso apresentá-las, pois já tinham se conhecido e conversado via Skype, há alguns meses atrás.
Luiza deu um sorriso, e soltou um ‘’ Oi ‘’ super amigável, a Tani só acenou jogou a bolsa em cima da mesa e me puxou para que continuássemos a brincadeira.
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