O Filho de Dionísio
5 Capitulo 5 - O deus do vinho
Notas iniciais
Passava das 15 horas e o sol estava escaldante. Caminhamos em torno de 2km até adentrarmos a floresta. Estava tudo calmo, o que era um mal pressentimento. Olhei para Emilly e vi no seu olhar que ela estava pensando a mesma coisa que eu. Alguma coisa estava errada.
Porém, para o nosso engano nada aconteceu. Caminhamos mais 1km adentro na floresta até chegarmos a uma colina. Pude ver um arco de pedras do estilo grego onde estava escrito em grego antigo, mas que eu pude entender perfeitamente, Acampamento Meio-Sangue. A vista era maravilhosa. Pude ver de lá o acampamento inteiro. Um conjunto de 20 chalés formando um maravilhoso conjunto.
– É incrível não é mesmo? — Disse Emelly, lendo meus pensamentos — Ali temos a parede de escalada — Ela disse apontando uma enorme parede de pedras que expelia lava enquanto alguns campistas subiam — Ali o refeitório — Disse apontando uma bela construção estilo grega.
E continuou apresentando o Acampamento apontando seus respectivos lugares.
– E finalmente, ali temos a casa grande.
Bem, não era difícil de enxergar. Era um enorme casarão (como já dizia o nome) pintada de azul. Na varanda, estavam um homem de cadeira de rodas de um lado, e outro homem incrivelmente parecido comigo. Tinha cabelos escuros, e bochechas rosadas. Era meio gordinho e vestia uma camiseta com estampa de Leopardo.
– Isso é cheiro de morangos? — perguntei.
– Sim — Respondeu Thiago — Vendemos morangos para ajudar nas despesas do acampamento. S.r D nos ajuda a cuidar das plantações.
– Mas como você soube disso? — Perguntou Emilly.
– Eu vi — Menti. Na verdade havia sentido o cheiro.
– Bem, vamos logo antes que algum monstro apareça — Nos apressou Thiago.
Voltamos um pouco e passamos pelo arco de pedras. Senti uma energia percorrer meu corpo. Calculei que deveria ser a barreira mágica, então olhei para os lados e avistei um grande pinheiro. Nos pés da árvore havia alguma coisa brilhando. O velocino de ouro, e para guardar o velocino, descansava um enorme dragão em cima do mesmo.
Fomos para a casa grande, onde conheci o homem na cadeira de rodas.
– Missão concluída — Disse Thiago, antes se ajoelhando ao homem de camiseta de leopardo (o que achei meio estranho) — Trouxemos ele em segurança.
– Isso é muito bom — Disse o homem que agora se voltava para mim — Seja bem vindo meio-sangue — Ele disse levantando da cadeira de rodas revelando um corsel branco — Meu nome é Quíron, sou o diretor de atividades.
Bem, pensei em dizer "Obrigado senhor" ou talvez me ajoelhar também, mas a única coisa que saiu na hora foi:
– VOCÊ É UM CENTAURO? — Perguntei perplexo — Não é um monstro também?
Emilly me beliscou no braço.
– Não sou um monstro — Disse o homem rindo — Sou de total confiança.
– A, bem, me desculpes, mas é que sabe, hoje até um motorista de ônibus tentou me atacar.
– Tudo bem — respondeu o homem calmamente.
– Bem vamos — Disse Emilly — Vou te levar até os chuveiros para que tome um banho e possa começar as atividades diárias.
Concordei com ela e me segui ela, mas antes de ir, percebi que o outro homem me olhava. Ele não tirou os olhos do seu jogo enquanto estávamos ali. Decidi ignorar e seguir Emilly.
– Aqui estão suas roupas novas — Disse Emilly me entregando uma camiseta laranja do acampamento e uma calça jeans — Vejo você por aí.
Ela correu em direção a uma construção (grega também) verde, com flores e pequenas árvores em volta. O chalé de Deméter, presumi.
– Até — disse baixinho olhando-a correr magnificamente com seus cabelos negros parecendo ondas. Estava apaixonado por essa menina.
Depois do banho, encontrei Thiago. Ele me devolveu minha espada, agora junto com a bainha, e me mostrou minhas atividades.
Tinha aula de equitação com pégasos. A instrutora era uma bela filha de Afrodite chamada Lauren.
Depois disso, fui para o treino de esgrima. Era realizado numa arena enorme com arquibancadas ao redor. Diferente de equitação de pégasos, eu me dava muito bem com esgrima. O instrutor era um jovem filho de Ares chamado Jack.
Depois disso tive um aula sobre a mitologia grega com Quíron e então uma corneta soou no acampamento. O sinal do jantar.
Já estava praticamente me sentindo em casa. Não me lembrei de minha avó e meu avô, era tudo tão... maravilhoso que não tive tempo em pensar neles.
Como não havia sido reclamado ainda, me sentei a mesa de Hermes, o deus dos viajantes.
– Bem, antes de nos banquetearmos quero dar alguns avisos — Disse S.r D se levantando da mesa principal do refeitório — Depois do nosso jantar, temos a Capture a Bandeira. Preparem suas equipes e se direcionem a floresta. E tem mais uma coisa. Thomas Malkon. Se aproxime.
Os cochichos se silenciaram e todos os olhares se voltaram a mim. Pude ver Emilly me olhando graciosamente da mesa de Deméter e Thiago do outro lado, em uma mesa cheia de sátiros. Não fazia a mínima ideia do que aconteceria a seguir, mas Emilly me lançou um sorriso e isso me deu coragem em seguir.
– Sim? — Perguntei.
– Seja bem-vindo — Ele disse sorrindo e estralando os dedos — Seja bem-vindo ao Acampamento Meio-Sangue meu filho.
No início não percebi, mas acima de mim havia uma imagem holográfica de um Thyrso (uma espécie de cetro com folhas e vinhas. Uma pinha na ponta) em cima da minha cabeça.
– Quem é você? — Perguntei confuso. Eu mal conhecia aquele sujeito e ele me chamava de filho.
– Sou Dionísio criança.
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