O Filho Do Submundo Olimpiano.

1 Capítulo 1- O destino chama.


Era mais uma monótona e fria tarde de quinta feira. O Sol tinha acabado de se pôr. Um menino, voltando de um dia estressante na escola (como sempre, mas falamos disso depois), andava por uma trilha no bosque na ala sul (era chamado assim pelo pessoal local) em meio da neve de pós-inverno. Ainda estava claro. O menino tinha pele branca, mais ou menos 15 anos, olhos negros profundos protegidos por um óculos de armação prata com uma caveira negra. Ele usava jeans surrado, tênis da Nike preto com cadarço roxo, camisa preta com letras pratas formando "Tragam mais Avrils e matem os Biebers". Fazia o estilo roqueiro.

Ele escutava música distraído até ouvir algo em meio as árvores.Tirou o fone e olhou para os lados, nada. Continuou andando, agora mais alerta.

Alguns minutos depois, chegou ao condomínio onde morava. Era bonito lá. Casas uniformes, cada uma com sua decoração que vinha desde enfeites ridículos de natal até bichinhos empalhados, esses que o menino parecia odiar. A rua lá dentro era cercada por duas calçadas onde as pessoas levam seus cachorros poodles chiques, pobres bichinhos tosados em formas bizarras e na "moda". Cada casa tinha um caminho de pedra ate a porta de entrada e um jardim de grama (para aqueles que cuidam) cortadas perfeitamente e como dito antes com bichos empalhados ou duendes com renas de plástico. O menino chegou a sua casa tirando o tênis, sujo de lama e neve, na porta e foi na cozinha para fazer um lanche. Sua mãe, uma mulher branca, cabelos castanhos com uma mecha roxa de lado a fazendo parecer uma adolescente (nada de extraordinário, pois ela tinha cara de adolescente), chegou com algumas compras pedindo ajuda para carregar:

–Não te vi chegar- Falou ela pondo as compras na mesa.

–Ah, acabei de chegar, entrei pela ala sul. — Falou ele separando as compras em congelados e biscoitos.

–Sabe que não gosto que você venha por ali. — Falou ela num tom de repreensão e ao mesmo tempo preocupação.

–Eu sei, mas até hoje não contou o motivo. Ah qual é mãe, é só um bosque. — Ele sentou numa cadeira e começou a comer seu sanduiche de manteiga de amendoim.

–Depois conversamos, e limpe essa boca.- Ela deu um lenço para ele e foi para a sala tentando evitar contato visual.

Mome sabia que não teria conversa agora então subiu para seu quarto. Oh, desculpem-me a indelicadeza de não descrever sua casa. Era uma linda casa de madeira de dois andares como todas as do condomínio. Diferente das outras, não tinha nada de fino em decorações. Era somente guitaras reais (putz, eu falei somente?) nas paredes , roxas, em todos os cômodos menos no banheiro e no quarto de Mome. Uma escadaria reta com corrimão branco como uma tradicional casa canadense. O quarto de Mome (corrigindo, o sótão de Mome) era o lugar mais isolado e alto da casa. Era legal, pois era a única casa com uma escada espiral no corredor do segundo andar até o enorme (e igualmente único) quarto/sótão daquele condomínio. Enfim, ele deitou na sua cama que era de madeira negra com um macio colchão de algodão e ficou olhando para o teto com seu fone escutando "Walk" do Foo Fighters. A parede desse quarto era repleta de pôsteres para tirar a sem graça cor pura da madeira, pois era o único cômodo sem pintura nenhuma. Ele jogou a mochila em sua cadeira que ficava virada para a mesinha do notebook e começou a cochilar.

Naquele cochilo,Mome teve um terrivel pesadelo com sua mãe. Os dois corriam em uma floresta que Mome desconhecia. Era escura com árvores totalmente sem folhas e pareciam mortas. Não se dava para ver o chão devido a enorme quantidade de fumaça branca assustadora. Seria um péssimo lugar para acampar. Ele ficaria com muito medo se não tivesse o mesmo pesadelo a dois anos. E ele ainda se lembra da noite do seu aniversário de 13 anos. Eles não paravam por nada. Nada. Atravessavam todos os obstáculos. Suas feições, apesar da escuridão, não eram de medo, eram de pânico e cansaço.

Mome, então, acordou suado e ofegante. Olhou pela janela. Já era de noite, mais ou menos 9 horas. Sua mãe entrou no quarto com uma anotação na mão com cara de “você fez denovo...”. Aquilo partia o coração de Mome. No geral, sua mãe não se preocupava com essas coisas, na verdade, ela fazia o tipo relax nas nuvens. Enfim. Ela ia vindo com o papel, mas deixou o cair quando viu a expressão facial dele. Ela correu e o ajudou a sentar, pois ele estava quase desmaiando:

–O quê aconteceu Mome. Ai deuses. – Ela falou com uma cara que Mome conhecia bem, cara de quem sabe o quê está acontecendo e não quer dizer.

Mome, para deixar bem claro, não era popular na (ou melhor, nas) escola. Todos o olhavam diferente ou até mesmo não o notavam (mentira, ele sabe que sim). Ninguém falava com ele e nem nada. Tudo isso não era pior que sua mãe o escondesse seu passado. Ela nem por decreto falava no pai dele. Ele mesmo não sabia onde tinha nascido só sabia o país, Canadá. Cidade? Não. Lugar? Também não. Era tudo tão misterioso que de uns anos para cá (quando começou a sentir falta realmente dessas informações), começou a querer saber e questionar sempre, mas sempre recebia cortes dela como “falamos disso depois”, “isso não é assunto para o momento”, mas o momento nunca chegava. Nunca.

Ela passava um pano molhado com água morna na testa dele. Ele começou a melhorar e depois de alguns minutos já estava bem:

–Sempre a mesma coisa. Isso está acabando comigo. – Ele botou a mão na cabeça pela leve dor.

–Fique quietinho, ainda não passou a dor totalmente pelo visto. – Ela passou a mão na testa dele.

–Pelo menos não está com febre- Ela falou reunindo todo o material de medicina. Na verdade, era só uma toalha, um termômetro e alguns remédios, mas enfim.

–Ok Ok, eu estou bem. Pode ficar tranquila comigo. Não tenho mais cinco anos tá? – Ele riu. Queria que ela não ficasse preocupada. Na verdade, queria, mas não queria que ela tivesse um troço.

Ela saiu do quarto com palavras de mãe como “se cuida”, então, ele ficou sozinho. Ele pegou sua guitarra e começou a tocar (tantas em casa e não saber tocar é brincadeira). Ele tocou incansavelmente até que lhe deu sono. Foi tomar um banho e escovou os dentes. Deitou em sua cama e ficou olhando o teto um pouco. Pegou seu headphone e começou a escutar o mesmo de sempre, rock. Como de costume, o mesmo pesadelo invadiu sua alma naquela noite, mas agora estava diferente, sua mãe estava presa a correntes negras e assustadoras. Parecia uma sela. Estava tudo escuro. Talvez, por seus tijolos que eram pretos ou pelo fato de não haver luz, mas de alguma forma, Mome via tudo claramente:

–ME SOLTA SEU IDIOTA. NUNCA ACHARÁ ELE. NUNCA! – A mãe de Mome gritava.

Uma voz ecoou na sala. Não uma voz comum. Era algo como a mistura de cantor lírico com um tom maligno ou frio:

–Já o achei e agora... – Ele foi interrompido por algo que Mome também não pode ver. Uma vós estranha arranhada e continua. Ele jurava que parecia vós de réptil:

–Meu messsstre. Achei o menino. O ssssequessstrarei hoje messsmo.

Antes que Mome pudesse gritar a visão mudou, agora estava num lugar lindo com gramado verdinho, crianças com camisetas corais e uma música no fundo. Mome tentava achar a fonte do som e conseguiu. Não conseguia ver direito, mas era uma garota com um violão. Viu que era branca com cabalo preto e mecha vermelha na franja. Não deu para ver muito, mas ela também vestia camisa laranja com algo escrito que ele não conseguira ler. A música ecoava nas árvores e o vento batia em seu cabelo. Um homem montado em um cavalo branco (bom, era o quê parecia) chegou e começou a falar com ela:

–Temos um caso sério em mãos- O homem falou. A expressão dele penetrou na alma de Mome como se ele fosse descobrir todos os seus segredos.

–Quíron, tem que ser agora? Vou perder o almoço. Estou com fome... – Ela parou de falar e se levantou quando percebeu a cara dele.

–O-ok. Eu vou! Onde ele está?- Ela ficou nervosa, e depois de ele dizer algo ela saiu em disparada.

Mome então acordou mega ultra suando. Parecia uma cachoeira. Foi tomar banho para se livrar de tudo aquilo. Depois desceu para a cozinha que ficava no primeiro piso da casa e pegou um copo d’água. Ele ouviu algo se rastejando. Pelo horário, umas 8 horas, aquilo não era tão assustador, mas era estranho. Quando ele foi ver o quê era a campainha da porta da frente tocou. Reparando que sua mãe não estava em casa ficou pensando em seu sonho e ficou nervoso. “Será que ela está bem?... Seria possível aquela...” ele pensava. A campainha tocou de novo. Algo estava errado . Ele pegou uma guitarra de plástico decorativa da parede e botou nas costas e com a outra mão ele abriu a porta devagar:

–HAAAAAA... – Ele gritou. Ficou muito vermelho quando viu que era só uma bandeirante vendendo biscoito. Era estranho, pois ela não estava assustada:

–Olá, gostaria de comprar biscoitos?- Ela falava com uma vós rouca e meio estranha. Mome já estava nervoso.

–Ah, não. Sou Diabético! Não posso – Ele falou meio sem graça, mas logo fechou a cara quando viu o sorriso maligno da menina.

–Ah, sssem problemass. Eu comerei você então. – Ela de repente se transformou em um monstro maior que o garoto que se assustou e saiu correndo.

Os dois corriam pela casa, bem, ele corria, ela rastejava com duas grossas cobras que substituiam suas pernas, mas não era nem um pouco devagar. Mome corria mais que em toda sua vida, ele estava desesperado enquanto aquela mulher com escamas verdes e corpo de cobra dupla o perseguia sibilando ferozmente. Ela derrubava e esmagava os moveis e decorações da casa. Mome pensou como a mãe dele ficaria irritada em ver aquilo, mas logo se lembrou de que ela havia sumido. Um jato de raiva surgiu no peito dele e ele gritou. Num surto pulou lá se cima do segundo andar e uma rachadura abriu se no chão. Ele rapidamente, vendo que ela a perseguia, pegou um pé de metal de mesa e cravou na rachadura e quando ela pulou de lá de cima , ficou presa na estaca de metal. Ela soltou um grito de dor e tentava se soltar. Aquilo serviu para Mome se trancar na cozinha e se armar com garfos e facas. Silêncio:

–Ai meu Deus. Ok. Estou tendo alucinações, só pode!- Ela falava quase morrendo de cansaço. Ele andou lentamente até a porta da cozinha e olhou pelo olho-mágico. Deu um grito quando a bandeirante monstra atravessou a porta com sua mão tentando agarra lhe. Com um reflexo rápido, cravou a faca em seu braço o prendendo na porta:

–O quê quer de mim sua monstra?! – Ele falou se afastando. Ele então decidiu não ficar ali para ouvir a resposta , saiu de casa pelos fundos e ficou no jardim olhando para ver de o monstro tinha sumido. Não, não sumira. Ela saiu pela parede derrubando todo um lado da casa atrás dele:

–Você é meu filho da morte!- Ela sibilava.

–Me deixa bicho feio!- Ele passou pelo quintal vizinho que pareceu não notar a mulher cobra e o dirigiu um “olá” amigável.

Ele correu, e muito. Ele bancava o acrobata quando a bicha louca rodava a baiana e tacava um duende de jardim como dardo com aqueles chapeuzinhos pontudos. Ele sabia que não iria aguentar por muito tempo e foi isso que ele aconteceu. Entre o centésimo e o centésimo primeiro duende ele caiu tentando desviar. Quando ela se aproximou ele pensou algo como “vou morrer agora”, mas como um milagre, quando ela se aproximava, uma flecha que parecia mágica a atingiu, fazendo a se resumir em pó.

Mome, com os olhos arregalados, olhou em direção ao ponto de onde aquela salvação divina tinha chegado. Havia uma carruagem de ouro com vários detalhes, eram tantos que Mome quase não conseguiu distinguir todos. Uma garota desceu dela. Ele não conseguia ve-la direito, pois o forte Sol das dez da manhã estava em seu rosto. Quando ela chegou mais perto, Mome a reconheceu. Era a mesma que havia visto em seu sonho. Pele branca, lisa, de olhos castanhos brilhantes a luz do Sol. Seu cabelo era escuro, ele não conseguiu ver se era castanho ou preto, mas o quê chamou a sua atenção foi a franja vermelha que caía em seu olho direito. Vestia jeans, tênis comum e a mesma camiseta da visão, uma camiseta laranja que agora ele podia ver o quê estava escrito (que era uma coisa complicada, pois era disléxico. Esqueci-me de citar isso, desculpem-me): ACAMPAMENTO MEIO SANGUE.