O Filho De Hades
5 Levado
Bianca... Era Bianca. Ou não. Não era possível, ela morrera. Aquilo era um fantasma, mas se era a coisa a coisa mais próxima que chegaria de Bianca, Nico decidiu ignorar aquilo. Empurrou o pensamento para o fundo da mente, investiu, então em apreciá-la. Linda, forte, morta. Aquela imagem, não passava de um nada. Casa palavra dela doía, não havia como negar. “Tocá-la, preciso tocá-la”. Avançou a mãe em direção a seu rosto. Tremendo. Chorando. Confirmando que não passava de uma imagem, sua mão atravessou o rosto de Bianca (o que pareceu não incomodá-la). Mas bateu a sensação novamente: estavam sendo observados. Bianca desapareceu depois. O ar da noite atinge forte sua nuca, seguido de uma bufada... Ar quente. Gente, monstro, morte.
Ele era conhecido. Alto e forte. Uma pena. Nico disparou, apesar de tudo Nico podia ser rápido!, Mas o outro também. Nico o conhecia de algum lugar. Pense. Pense... Luke! Nico pensou alto de mais, com medo que Luke tivesse ouvido seus pensamentos. Com mais alguns metros e umas arfadas Luke alcançou sua presa. Nico parecia tão pequeno e impotente na frente de Luke que parecia uma covardia ver um perseguindo o outro. Luke agarrou o pobrezinho pelo ombro e prendeu uma coisa, que Nico não sabia o que era, em seu pescoço. Foi cavando, doía. Nico deu um gritinho de dor que soou feminino de mais até mesmo pra ele.
–AAAAAAh! Que é isso? Me solta. O que quer de mim?- Luke aperta a mão na boca de Nico, que tenta se soltar com uma pézada forte no pré de Luke. O que só o fez ficar com mais e agarrar Nico com mais força.
Nico estava com medo. Lágrimas rolaram, frias, pelo seu rosto.
–Isso aqui é caso você queira tentar ser espertinho e viajar nas sombras. Alguma dúvida?-Luke era sarcástico.
Nico ironicamente associou-o à um gato, que brinca com sua presa antes de destroçá-la. Nico era, infelizmente, a presa, e Luke não via a hora de devorá-lo sem dó. Nico receava a hora que isso fosse acontecer.
Nico estava cansado, tentou inúmeras vezes fugir de Luke com golpes e pontapés. Tudo isso resultava em mais dor para ele mesmo. Até entender que quanto mais tentasse, pior seria para ele mesmo, já estava com uma espada no pescoço.
Depois de um tempo caminhando, Nico pensou onde estava aquele idiota servo. “Deve ter ficado com medo e fugiu” pensou “Esse aparelho que foi enfiado em mim, também deve impossibilitar de me comunicar com ele” Nico esqueceu todos os problemas depois de ver um iate, branco, Alguma coisa nele lhe dizia que não podia ser coisa de mortal. Talvez tenha sido o enorme bicho verde e com chifres na proa do iate. Ou as mulheres com pernas de ferro e outra de... Urso? Repugnantes de mais para ser coisa de mortal. “Devo estar muito cansado” pensa, mas sabe que não. Sabe que algo o espera. Esse algo é a sua salvação, ou a causa da sua destruição. Com uma cacetada na cabeça, ele cai desmaiado no chão...
Sabe-se lá como, ele foi levado para uma cela no interior do iate (sério? Uma cela num iate?)O Chão frio, liso e duro. Quer dizer, se foi sequestrado daquele jeito não esperava um cinco estrelas, mas aquilo... Sua noite iria ser bem longa. Alguns, muitos, minutos depois as duas mulheres com perna de prata e urso chegaram. Eram brancas, de mais, assim como Nico. Uma delas trazia uma bandeja, imaginava ser sua comida, Nico não percebera o quanto estava faminto. A bandeja deslizou por baixo da grade. Voraz, Nico avançou. Um cheiro, ruim e pútrido, forte e enjoativo lhe atingiu em cheio o nariz, assim como a imagem do terrível conteúdo da bandeja: um monte de coisas viscosas e marrons amontoadas. Imaginou se aquilo não ia se mexer, se era algo vivo, esperava que não. De imediato rejeitou empurrando para longe.
–O que é isso?
–É melhor não saber- disse uma mulher cyborg-urso.
–Então me diga o que querem comigo
–Aaah, isso nosso lorde irá dizer.
–E esse daí demora? – pergunta. Rezando para ter saído mais confiante do que lhe pareceu. Entre risadas uma delas diz:
–Não iria se referir a ele assim se soubesse o que ele pode fazer com quem o desrespeita.
Nico recua. Estava com medo desde que foi reclamado como filho de Hades. E deixou seus sentimentos á flor da pele poucas vezes, permitiu, então, que venham. As lágrimas brotam, assim como mais gargalhadas das mulheres cyborg-urso. E pragueja contra Hades, a morte de Bianca, Luke, o maldito iate e até um inseto em sua cela. Mas em meio disso tudo um nome lhe faz retomar á realidade. Percy Jackson, acima de tudo, não protegeu Bianca. Luke vinha, o corredor escuro, equivocadamente os olhos dele brilham em um tom amarelado, como uma cobra, mas Nico podia jurar: não brilhavam antes. Isso lhe lembrou de algo. O aparelho no pescoço. Levou o dedo e sentiu o pequeno aparato metálico, seguido de dor, lancinante, irradiando, parecia em chamas. Mal se suportou e afastou a mão, a dor parou de imediato. Então fez uma nota mental “nunca tocar ali” e rezou para Luke não ter visto. Não queria demonstrar fraqueza.
–Como vai nosso convi... Mas que cela é essa? Sem conforto algum, e essa comida?- Luke parecia surpreso com o estado das instalações de Nico. Nico se acendeu. Mas foi detonado pelo sorriso malicioso e frio de Luke, seguido da risada sarcástica- Está perfeito!
Nico quis desabar. Os olhos marejavam.
–Eu tenho um pedido ao senhor, di Angelo- Luke tenta parecer formalmente ridículo.
–E como espera que colabora sem ao menos me alimentar direito?
–Você não terá escolha- o mesmo sorriso frio toma conta de novo o rosto de Luke. – Ora mas como eu sou ruim. Um servo deve conhecer seu... dono.
“Ninguém é meu dono” pensa Nico irritante. Mas corta o pensamento porque é mais ou menos isso que Luke é no momento. Então rebate com algo mais simples e certeiro.
–Eu sei quem você é — a única certeza de que ele tinha desde que chegara ao iate – Luke, filho de Hermes.
–Também- a resposta o deixa totalmente descoordenado — sou também, embora ainda seja uma pequena parte de mim, Lorde Cronos.
Então é isso? Nico estava diante de Cronos? O próprio titã? Esse pensamento o deixara enojado. Mas faz a única coisa á se fazer quando se está com medo e diante do senhor do tempo: se ajoelhar. Sua atitude deixa Cronos/Luke satisfeito, o que alivia visivelmente Nico.
“Passo um: não ser morto” pensa
Antes que Cronos/Luke possa se virar para ir, Nico o interrompe.
–Prometo ajudar, mas com uma condição.
Cronos/Luke parece intrigado mas o encoraja á continuar
–Eu mato Percy Jackson!- Nico da um sorriso malicioso que deixa seu novo lorde bem orgulhoso.
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