Notas iniciais
Chamar de louca?? Podem sim! Essa one surgiu quando revia alguns filmes natalinos ja que estarei em casa morgando nos proximos vinte dias! Estava revisando sites e encontrei O Feitiço do tempo na integra. Lembro de ter assitido a este filme muitos anos atrás (como nao poderia deixar de ser!) e me divertido muito. Aqui, teremos um pouco de tensão, comedia e romance . Ao contrario de minhas fics regulares CM, Connor e Sarah serão coadjuvantes junto com Will, Nat, Ethan, April e Noah. Outra pessoa será o foco, por assim dizer muito embora a historia seja narrada não de um ponto de vista em particular. Mas vamos deixar de enrolação. Eis meu mais novo bebê! Deixem suas impressões e desde já um Feliz Natal a todas vocês! Bjinhos flores

“ Jingle bell, jingle bell, jingle bell rock;

Jingle bells swing and jingle bells ring;

Snowing and blowing up and bushels of fun;

Now the jingle hop has begun;

Jingle bell, jingle bell, jingle bell rock;

Jingle bells chime in jingle bell time;

Dancing and prancing in jingle bell square;

In the frosty air…”

Jingle Bell Rock

Cidade de Chicago, Illinois — Dezembro, 24

Narrador

Connor desperta, sobressaltado, ao escutar o barulho de algo caindo. Corre até a sala na esperança de encontrá-la, porém, mais uma vez, apenas o vazio o recebe.

Suspirando, o cirurgião abaixa-se, recolhendo automaticamente os cacos do vaso que o vento derrubara, quebrando-o, atirando os cacos na lixeira sob a pia, caminhando de volta para seu quarto, distraído, chocando-se com a mesinha de centro.

—Ai! Droga! – xinga, erguendo a perna, levando a mão ao local atingido, a sensação de dejavu o tomando de súbito.

Franze o cenho olhando a volta, confuso.

—Devo estar ficando maluco! – diz para si mesmo, prosseguindo seu caminho, mancando levemente, deitando-se novamente, acordando duas horas depois, pulando da cama mais uma vez, xingando ao notar que iria se atrasar para o trabalho.

Toma uma ducha rápida, veste-se, engole uma refeição rápida e frugal, saindo de casa o mais rápido possível.

O trânsito já se encontrava complicado devido à pesada nevasca que caíra durante todo o dia e a noite passada, dificultando a movimentação de veículos e pedestres, exigindo atenção e paciência, duas coisas que estavam lhe faltando ultimamente.

O cirurgião estaciona em uma das vagas reservadas, saltando rápido, olhando o relógio em seu pulso, correndo (literalmente) para dentro do hospital.

—Doutor Rhodes, pode me dar um minuto? – a voz da jovem enfermeira recém contratada chama sua atenção, mas ele a ignora.

Estava atrasado e ainda precisava ter uma palavra com Reese antes de subir ao encontro de seu mentor.

—Reese, posso falar com você? – pede, segurando-a pelo braço ao aproximar-se, impedindo-a sair da sala de dos médicos – É rápido, prometo – afirma, unindo as mãos ante a hesitação da jovem residente da Psiquiatria.

—Ok – assente a médica, retormando para o interior da sala novamente ao lado dele – O que há? Algum problema com a doutora Charles? – questiona, direta, levando as mãos ao bolso do jaleco, ficando tensa ao tocar a frieza do spray ali contido.

—Ela não sabe e eu no seu lugar jogava isto fora agora mesmo – a mesma enfermeira que chamará por Connor diz, passando entre os dois, indo postar-se no canto da sala, observando-os de braços cruzados.

—O que eu não sei? – Sarah interroga, olhando dela para o cirurgião.

—O paradeiro da doutora Charles. Não é isto que veio perguntar-lhe? – interroga a garota, encarando o cirurgião, que franze o cenho, confuso.

—Robin viajou sem me avisar...

—Ela sumiu, ou fugiu, sei lá, porque quis, e não disse nada a ninguém, nem a ela, só para adiantar as coisas! – exclama a garota, irritando a ambos.

—Olha só...

—Monique – lembrar-lhe a enfermeira.

—Monique – Connor repete – Não sei porque está fazendo isto, mas o assunto em questão não lhe diz respeito portanto...

—Devo ficar quietinha no meu canto e deixar que quebre sua cara de novo e não, ele não vai beijá-la, portanto não percam seu tempo! -exclama de repente, fazendo connoConnor e Sarah voltarem-se, deparando com Will, Natalie e Noah — Ou podem perder se quiserem já que tempo é o que mais temos ultimamente! – esbraveja a garota, ficando vermelha – Quer saber? Danem-se! – xinga, saindo pela outra porta, quase derrubando Ethan e April, que entravam, chorando copiosamente.

—O que aconteceu a ela? – April pergunta ao voltar-se para os demais, as expressões estampadas em seus rostos assustando-a – O que aconteceu com vocês? –refaz a questão , olhando do irmão para Will Halstead, Natalie Manning em seguida para Reese e Connor.

—Além de o fato de uma das enfermeiras mais tranquilas que temos no PS ter gritado conosco do nada ? – Natalie pergunta, estupefata.

—E a que beijo ela se referia? – Sarah interroga, encarando Will Halstead, erguendo os olhos na direção apontada por ele – Sério? – indaga, arqueando a sobrancelha.

—Sabe como é, a tradição... Felicidade e sorte no ano vindouro! – Noah lembrar, sorridente.

—Eu realmente não estou no clima – Connor declara, dando atenção a médica – Tenho que subir agora. Nos falamos depois? – questiona, ela acenando afirmativamente – Ok. Até mais – despede-se, saindo apressadamente, correndo até os elevadores, sendo interpelado pela garota novamente.

—Doutor Rhodes espere. Não suba, por favor! – Monique pede, enxugando os olhos, fazendo com que ele estancasse entre as portas do elevador, retendo-as – Se entrar naquela sala de cirurgia irá destruir sua carreira! – garante, desesperada.

—Como é? – interroga o cirurgião, dando atenção a seu celular, que tocava – Estou indo – avisa, soltando as portas, encarando a jovem, ouvindo-a implorar novamente antes que as mesmas fechassem.

—Por favor, não faça essa cirurgia! — implora a enfermeira encarando as portas fechadas.

O cirurgião sacode a cabeça tentando não pensar em tudo que acontecerá desde que acordara de madrugada até aquele momento, pensando em como aquele dia estava sendo estranho, saindo as pressas, indo ao encontro de seu mentor.

—Atrasado novamente – Ava Bekker fala em tom propositalmente alto, chamando atenção tanto de Latham quanto da família do paciente, todos voltando-se para o cirurgião.

—Me desculpem. O transito estava caótico – justifica-se, dirigindo um olhar furioso a colega, que sorri de volta.

—Tudo bem doutor Rhodes. O importante é que chegou. Vamos nos preparar para o procedimento. Senhor e senhora Holmes, nos vemos em algumas horas – despede-se, dando atenção a seus pupilos – Doutor Rhodes, doutora Bekker, vamos – chama-os, tomando a dianteira.

Após fazerem sua esterilização, os três adentram a SO onde a paciente já se encontrava devidamente preparada para o procedimento, que tem inicio imediatamente.

Quatro horas depois, deixam a sala de cirurgia abatidos, tentando entender o que acontecera, dirigindo-se para a sala de espera a fim de comunicar o acontecido a família.

— Não entendo. O que houve de errado? Nos garantiram que se tratava de um procedimento simples, sem maiores riscos, e agora nos dizem que a perderam! Como? Por quê? – Isaac Holmes questiona, apoiando a esposa em prantos.

—Não temos como lhe responder agora senhor Holmes. Fizemos tudo que estava ao nosso alcance, mas ela não resistiu. Lamentamos muitíssimo sua perda – Latham reitera, entrelaçando os dedos, sinalizando para Miss Goodwin, que se aproxima, convidando a família a acompanha-la até sua sala para tomarem as providências cabíveis, lhe lançando um olhar preocupado – Doutor Rhodes, doutora Bekker, comigo agora! – ordena, encaminhando-se para sua sala, eles o seguindo em silêncio , voltando-se para encarar os dois assim que entram no recinto – Então, qual dos dois vai me explicar o que aconteceu? – pergunta, olhando-os alternadamente.

—Cometemos um erro, está mais do que evidente – Ava Bekker começa dizer, aproximando-se dele – Tentei avisar que deveríamos ter optado por uma safena ao invés de ...

—Espere um pouco, está dizendo que a culpa é minha, é isto? – Connor a corta, irritado.

—Se a carapuça lhe serviu! – responde a cirurgiã, sem encará-lo.

—Estava lá também doutora, poderia ter feito algo...

—E fiz – afirma ela, voltando-se para Connor, furiosa – tentei concertar a merda que fez! – bufa.

—Escute aqui...

—Basta! Calem-se os dois – Latham ordena, respirando fundo, abrindo e fechando as mãos a fim de controlar-se – Não há, neste momento, como afirmar quem ou quê foi responsável pela morte da paciente. Iremos iniciar uma investigação interna para determinarmos – determina, voltando-se para Connor – Enquanto isto ocorre, está suspenso de suas atividades. Não entrará novamente em uma sala de operações até que eu tenha certeza absoluta que não foi responsável pela catástrofe de hoje – avisa.

—Está me considerando culpado? Disse que iria investigar mas já está me considerando culpado, não é? – questiona o cirurgião, lutando para manter o controle.

—Tem feito uma série de escolhas infelizes ultimamente doutor Rhodes. Mal tem dormido e duvido que esteja se alimentando de forma decente. Isto tudo está começando a refletir em seu desempenho, portanto, para o seu bem, tire uns dias de folga e isto não é negociável Connor – frisa, os dois homens encarando-se por breves segundos antes que o cirurgião lhe desse as costa, batendo a porta ao deixar a sala.

Cego pela dor e raiva, Connor sequer espera a chegada do elevador, descendo pelas escadas até a emergência, seguindo direto para a sala dos médicos , mal notando o rebuliço reinante na recepção da emergência.

Pegando suas coisas, dirige-se para a saída, detendo-se ao ver a enfermeira que tentara alertá-lo.

—Tinha razão – declara, fazendo a garota voltar-se para ele — Não sei como sabia, mas estava certa. Não deveria ter entrado naquela sala. A paciente morreu durante o procedimento e posso ter sido o responsável. Estou suspenso – revela, amargo, saindo sem esperar resposta.

—Suspenso?? Isso nunca aconteceu antes! – exclama a garota, fazendo menção segui-lo, sendo impedida por Sarah, que a retém pelo braço obrigando-a encará-la.

—Como sabia? Sobre o spray, como você sabia? – interroga visivelmente tensa.

—E sobre a traição do marido da paciente de Nat? Como sabia sobre isto antes de nós? – Will, que se aproximara, tendo a Pediatra a seu lado, ambos olhando a enfermeira espantados.

—Eu....- Monique começa, a explicação que ensaiava morrendo em sua boca ao escutarem a forte pancada seguida por gritos de socorro.

—Maggie, ligue para os bombeiros e mande alguém aqui fora – Albert, um dos seguranças pede, aflito – Doutor Rhodes, ele bateu o carro na coluna de concreto, está preso nas ferragens – anuncia, fazendo com que Will, Ethan, Sarah, Noah e Nat saíssem em disparada para o lado de fora.

—Isso também nunca aconteceu antes – Monique sussurra, espantada, correndo ao encontro da equipe, parando aterrorizada, ao ver a cena – Oh meu Deus! – exclama, recuperando-se rapidamente, se unindo a equipe que realizava os primeiros socorros – É minha culpa. Tudo minha culpa – recrimina-se, chorosa fazendo Sarah e Nat se voltarem para ela – Tentei alertá-lo pensando que ajudaria, mas só o deixei mais nervoso – afirma, olhando de uma para outra – Tentei avisar a todos vocês, mas tudo que consegui foi piorar o que já estava ruim – lamenta-se, recuando para deixar Kelly Severide e Matt Cassey passarem.

—O que houve? – questionam os bombeiros, dando a volta em torno do veículo .

—Marcha...errada – Connor balbucia, a cabeça sobre a direção, fazendo uma careta de dor.

—Ele engatou a marcha errada, ao que tudo indica, e acelerou chocando-se com a pilastra – Ethan explica, deitado sobre os destroços da frente do carro pressionando o ferimento no braço do médico, contendo parcialmente o sangramento.

—Vieram rápido – Will elogia, examinando o colega e amigo.

—Estávamos aqui perto, terminando de atender um chamado quando ouvimos o comunicado – Severide explica – Cruz, traga a tesoura rápido – ordena, o bombeiro correndo de volta para o caminhão, retornando segundos depois com o que lhe fora pedido.

—Tenha cuidado Kelly, as pernas dele estão presas – Will avisa, agachado junto a porta do motorista, continuando a examiná-lo.

—Que...estúpido...fui – Connor diz, arquejando.

—Fique quieto, não piore as coisas ainda mais – ralha o ruivo.

Durante os minutos seguintes, os bombeiros trabalham em conjunto com os médicos conseguindo retirá-lo do carro com relativa rapidez, pondo-o sobre a maca.

-Vamos direto para a sala de cirurgia – Latham, que descera assim que fora informado do acontecido, ordena, assumindo o controle do atendimento.

_Não se preocupe. Vou concertar tudo, prometo. Amanhã farei tudo correto. Desta vez não vou falhar! – Monique sussurra ao ouvido do cirurgião acompanhando a maca enquanto entram no PS, parando junto à ilha da emergência, seguindo-os com o olhar.

—Ok, vai nos contar o que está acontecendo mocinha, e vai fazê-lo agora! – Will decreta fazendo-a voltar-se para encarar o grupo que a observava atentamente.

—Vou contar sim, mas prefiro fazê-lo uma única vez, amanhã de manhã, antes do turno começar e este maldito dia se repetir novamente! – exclama, afastando-se sem maiores explicações, deixando-os estarrecidos.

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Connor desperta sobressaltado correndo para a sala, estancando ao entrar no ambiente, olhando a volta, a sensação de dejavu o acometendo mais uma vez.

—Mas o que...?? – interroga, visualizando o vaso quebrado, o alerta de mensagem recebida em seu celular chamando sua atenção.

Caminha até a bancada da cozinha pegando o aparelho, franzindo o cenho ao ler o texto que recebera.

“Se sair agora pegara pouco trânsito e além de não se atrasar irei explicar o que está acontecendo. Ou tentar. Só não sei se acreditara em mim. Por favor, nos encontre no terraço do Med. Monique”

—O que há para ser explicado? – questiona-se o cirurgião, fazendo o caminho de volta para seu quarto – Hoje não! – exclama, desviando-se da mesinha, o sorriso em seu rosto morrendo ao tomar ciência do que acabara de dizer, olhando para o móvel estarrecido – Que diabo está acontecendo? – volta a se questionar, decidindo aceitar o convite recebido.

Após arrumar-se e tomar um breve desjejum, pega seu carro dirigindo-se direto para o hospital, cumprimentando o pessoal do turno da noite que se preparava para sair, caminhando a passos firmes até os elevadores, entrando, apertando o botão que leva ao terraço, retendo as portas ao escutar o pedido suave.

—Segure, por favor! – Sarah pede, acelerando, entrando de um salto – Obrigada – agradece, erguendo o rosto para o cirurgião – Oh, bom dia doutor Rhodes – cumprimenta postando-se a certa distância dele.

—Também está indo para o terraço? – pergunta, direto, a reação dela confirmando – É, está – diz ele , suspirando, recostando-se a parede interna em silêncio até que o elevador parasse – Damas primeiro! – exclama, ganhando um sorriso doce que lhe causa uma sensação estranha no estomago.

Os dois seguem até o terraço notando não serem os únicos no lugar.

—Bom dia a todos – Connor cumprimenta fazendo o grupo voltar-se para os recém chegados.

—Ah, que bom, estão todos aqui – Monique declara, aliviada – Por um segundo pensei que não viriam – admite, sentando-se.

—Olha, vou te dizer que estive assim de não vir – Ethan Choi admite, usando os dedos para exemplificar – April me convenceu após mostrar a foto que você enviou-nos – confessa.

—Qual foto? – Will pergunta, franzindo o cenho.

—Esta aqui – April abre a imagem na galeria de seu celular deixando-o boquiaberto, olhando espantado para Connor, que arqueia a sobrancelha – Quer ver? Não sei se deveria mas...- April questiona, entregando o aparelho com relutância ao cirurgião, este ficando chocado com o que vê – Pois é. Eu mesma custei acreditar! – admite a enfermeira.

—O que significa isto? – Sarah pergunta, segurando o celular com mãos trêmulas , olhando da imagem para o homem a seu lado.

—Ele não é um fantasma, não se preocupe – Monique garante, chamando atenção para si – Sinto ter tido que tomar providências tão drásticas mas sabia que, no caso do doutor Choi, acreditaria mais em imagens do que em palavras – diz, sorrindo pequeno – Não imaginam o quanto rezei para que a imagem não sumisse!

—O que significa isto? O que está acontecendo afinal? – Connor verbaliza a pergunta de todos, a jovem tomando uma respiração profunda antes de começar a falar.

—Melhor sentarem-se. Todos – sugere, aguardando-os fazerem para só então iniciar sua narrativa – O que vou lhes contar agora parece irreal, maluco, fruto de uma mente perturbada, impossível de acontecer....Mas está acontecendo! – assegura – Este dia, o dia vinte e quatro de Dezembro , está se repetindo – afirma, esperando o impacto de suas palavras cessar para prosseguir – Tudo começou....- para, pensativa – Pra ser honesta nem sei mais quando começou! – admite, levando uma mão ao queixo – Só notei na terceira, ou quarta vez, não sei, quando reparei que a conversa das pessoas na fila do café era a mesma todos os dias. Não era parecida, nem igual, era literalmente a mesma. Cada palavra, cada frase, cada interjeição, absolutamente tudo era igual! – conta – Quando verbalizei a fala da mulher a minha frente sem errar uma letra sequer antes que ela o fizesse, me assustei. E quando o mesmo aconteceu no dia seguinte julguei estar ficando louca. Por isso, resolvi gravar o áudio. Eu não estava louca. Tudo e todos estavam agindo exatamente da mesma forma, como se o dia fosse exatamente o mesmo – diz, observando-os atentamente – A partir daí comecei a observar e seguir cada um de vocês para saber se haviam percebido o mesmo que eu. A doutora Manning pareceu-me, em determinado momento, ter notado, mas logo retomou sua rotina exatamente igual aos outros dias – faz nova pausa, suspirando – Aos poucos fui percebendo que todos, excerto eu, continuavam a repetir a mesma rotina sem nenhuma alteração. Foi quando pensei que poderia ser a causadora, de alguma forma, dessa situação. Por isso escrevi um bilhete para mim mesma alertando para não vir trabalhar, caso esquecesse de tudo. Só que uma vez que se perceba o que está acontecendo, não se esquece e isto tem sido meu tormento particular — declara sincera – Vi vocês sofrerem, serem magoados, agredidos, feridos, demitidos e até mortos tantas vezes ultimamente que não suportei mais. Até ontem, por assim dizer já que ontem é hoje e amanhã também será hoje...- novo suspiro pesaroso seguida por breve pausa – Até agora não havia interferido mais incisivamente. Limitei-me a dar dicas discretas, ou fazer coisas, tipo esconder seu spray de pimenta – aponta para Sara, esta abrindo e fechando a boca, surpresa — Que alterassem o mínimo que fosse para tentar quebrar o ciclo repetitivo, mas nada dava certo. Por isso fui mais agressiva ontem .... e deu nisso ai – aponta o celular de April – Depois desse estrago, resolvi reunir vocês, já que tudo parece estar ligado a nós, e me incluo nesse grupo, de alguma maneira. Precisamos pensar juntos para descobrirmos o que fizemos de errado e corrigir para este dia finalmente terminar! – conclui, olhando-os esperançosamente.

—Por que acha que fizemos algo de errado, partindo do pressuposto que está correta em sua suposição desse dia estar se repetindo interminavelmente e que acreditemos nisso? – Will pergunta, os demais anuindo com movimentos de cabeça.

—Bom, pra começar, porque os fatos que estão se repetindo são exclusivamente os deste bendito dia – repete a enfermeira pacientemente – Em segundo lugar, como disse, tenho observado suas ações, depois que revi as minhas, logicamente, e sei de alguns erros que cometeram, como jogar spray de pimenta no rosto de um paciente mais exaltado o que ira lhe custar, na melhor das hipóteses, uma suspensão doutora Reese – alerta, a residente olhando-a surpresa – Assim como atacar o marido de sua paciente também não é uma boa estratégia doutora Manning. Deveria confiar mais em doutor Halstead e o senhor não deveriam desistir tão facilmente – avisa, ambos trocando olhares curiosos – Usar o relacionamento de vocês para convencer um paciente a fazer algo que não quer, por mais bem intencionado que estivesse sendo, mesmo tendo descoberto algo inesperado, não é legal doutor Choi – afirma — Quanto ao senhor doutor Sexton, um pouquinho de humildade viria bem a calhar. Reconhecer que precisa da ajuda de sua irmã ou de qualquer outro não é sinal de fraqueza, vai por mim – sugere, voltando-se para Connor – Já no seu caso, só posso sugerir que estude sua paciente com bastante calma. Ou deixe a doutora Bekker realizar a cirurgia, não sei. Seu caso é o único que não entendo porque não tive chance ver o que aconteceu lá dentro – admite – Terá que seguir seus instintos – sugere – E se duvidam de mim, lhes contarei passo a passo o que irá acontecer hoje. Sintam-se a vontade para descobrirem, por conta própria, que estou falando a verdade – diz, começando a enumerar fatos, frases e acontecimentos a serem observados pelo grupo a fim de verificarem a veracidade do que dizia – Hoje já começamos diferente de outros dias por conta desta reunião. Qual será o efeito prático: não faço a menor ideia! Contanto que não veja mais nenhum de vocês morrer pra mim está ótimo- declara, levantando-se, olhando o relógio em seu pulso – Hora de ir para minha fila de café escutar a mesma conversa mais uma vez – diz, começando a caminhar de volta para o interior do hospital, estancando, voltando-se para eles – Antes que esqueça: ficar em casa não adiantou nada, como já deu pra perceber, e tenham cuidado com o que fizerem. Não tentem atrapalhar ou ajudar uns aos outros. Sempre que tentei fazer isto o resultado foi desastroso. A foto no celular da April é uma prova – alerta, retomando seu caminho.

Durante todo o dia, eles observam os acontecimentos a sua volta comparando ao que a enfermeira havia lhes narrado, concluindo, ao final do dia, que ela estava certa.

No dia seguinte, o mesmo para ser exato, começam a tentar corrigir suas atitudes a fim de interromper o ciclo de repetição.

Um a um corrigem suas ações repetindo-as invariavelmente até que a última situação, o último erro fosse corrigido , no caso a cirurgia da qual Connor partipava , reunindo-se sempre antes do plantão começar a fim de entender porque o dia ainda estava se repetindo.

—Tem certeza que não esqueceu nada Connor? Nenhum detalhe? – Will pergunta, acompanhando o amigo com o olhar, este andando impacientemente de um lado para o outro.

—Absoluta! – garante – Tentei deixar Latham e Bekker cuidarem do caso sem mim, deixar a paciente morrer, por mais que me doesse, a fim de saber se era para acontecer ou não, descobrir meu erro e corrigi-lo salvando sua vida, tentei tudo, absolutamente tudo e nada! – exaspera-se o cirurgião, inquieto – Por que o dia ainda está se repetindo? Por que não quebramos o ciclo?

—Porque ainda há algo a ser corrigido, está mais do que evidente! – Natalie exclama – Temos que repetir nossos passos exatamente igual ao dia que originou toda essa loucura...

—Não exatamente igual. Temos que manter os acertos, ou seja, a correção de nossos erros – Will adverte.

—Bem lembrado – Ethan anui – Façamos o seguinte: repetiremos tudo passo a passo, cada mínimo detalhe em nossa mente e ações. Antes de irmos embora hoje à noite reunimos na sala de repouso para uma avaliação final e veremos se algo faltou ser corrigido ou refeito, o que acham? – pergunta, todos concordando – Perfeito! Vamos nessa! – convida o médico, animado.

—Queria ter o entusiasmo dele! – Monique resmunga, caminhando desanimada para o interior do hospital.

—Pense no lado bom: não estamos envelhecendo nem um dia sequer! – Noah brinca, envolvendo-a pelos ombros, fazendo-a acompanhar seus passos rápidos.

—Isto supostamente deveria nos animar? – Reese pondera, as mãos no bolso do jaleco, sobrancelha arqueada.

—Na mente dele, talvez – Connor comenta, oferecendo o braço para ela segurar – Pelo menos um de nós está se divertindo com essa bizarrice toda – comenta o cirurgião, o toque suave da mão dela em seu braço trazendo uma sensação de conforto que há muito não sentia, separando-se dela apenas quando chegam a emergência.

Durante todo o dia esmeram-se em repetir cada gesto, cada ação bem sucedida, reunindo-se, conforme combinado, na sala dos médicos logo após encerrarem o turno.

—Conseguimos, mais uma vez, repetir nossas ações com perfeição – Will comemora ao terminarem o “relatório” do dia – Acho que agora poderemos ter nossas vidas de volta.

—Assim espero. Estou louca para comemorar o Natal, finalmente, com Owen – Natalie admite, pesarosa.

—Seu desejo é uma ordem! – Will exclama , abrindo a porta, sorridente, a sogra da namorada entrando com o garotinho nos braços.

—Owen... Helen o que veio fazer aqui? – questiona, recebendo o filho nos braços.

—O doutor Halstead pediu para trazê-lo, disse que fariam uma pequena comemoração antecipada – explica a mulher, olhando o relógio em seu pulso –Bem, agora que está entregue, vou a um baile. Não me espere acordada! – avisa, acenando — Feliz Natal para todos – deseja, retirando-se.

—Feliz Natal – respondem em coro, Monique fazendo uma careta de desagrado.

— O que foi agora? – Will interroga, impaciente.

—O filho da doutora Manning não estava aqui em nenhum dia anterior. Não sei se foi uma boa ideia trazê-lo. Pode alterar de alguma forma o ...

—Corro o risco – corta-a o médico, olhando a felicidade da namorada, enlevado.

—Além do mais, gestos como este devem contar pontos positivamente –Noah afirma, sentando na ponta da mesa.

—Eu sei, mas justo agora que conseguimos refazer nosso passo direitinho, corrigindo tudo, cada mínimo detalhe....

—Uhum, uhum, na verdade ainda não refizemos tudo – interrompe, fazendo-a voltar-se para ele, Will, Nat, Ethan e April fazendo o mesmo, retendo o ar nos pulmões – Um fato, um único fato, tem nos passado desapercebido e, por conseguinte não foi corrigido ou alterado.... Caramba, estou irado por não ter notado isto antes! – exclama, socando o ar.

—Vai dizer do que se trata ou teremos que adivinhar? — Sarah pergunta, cruzando os braços, estressada.

—Por uma dessas coincidências inexplicáveis, o mesmo fato está se repetindo neste momento – afirma o médico.

—O que, Sarah ficar brava com você?- April indaga, fazendo-os rirem.

—Nops! Mas tem a ver com ela...e com doutor Rhodes – diz, voltando-se para os dois – Doutor Rhodes, faria a gentileza de olhar para cima? – pede, o cirurgião atendendo.

—Tá de brincadeira! – Will e Ethan exclamam ao mesmo tempo olhando a direção indicada pelo irmão de April.

—Foi bem ai que aquele dia começou – Noah relembra, saltando a mesa – Agora lembro com precisão. Estavam conversando quando entramos, doutor Halstead e eu, a doutora Manning segundos depois. Mostramos o visgo a vocês e se retirou dizendo que não estava no clima enquanto você – aponta para Sarah – Brigou comigo mandando-me crescer por ter, desculpe ai – pede, erguendo uma mão para Connor – Por ter xingado doutor Rhodes pela falta de espírito natalino – conclui, voltando a sentar.

—Ele está certo Connor. Havia acabado de abrir meu turno, Nat e eu estávamos conversando sobre os preparativos para ceia, que nunca comemos, diga-se, visto que Owen estava com uma senhora febre ao chegarmos em casa...

—E Helen de cama – Nat relembra, olhando-o abismada – E hoje ambos estão bem! – vibra.

—Estão dizendo que toda essa loucura bizarra começou por nossa...Por minha culpa? Por não ter beijado Reese quando pediram? – Connor questiona, incrédulo.

—Não – Will responde rápido – Estamos dizendo que este é o único momento do dia que não sofreu nenhuma alteração portanto...- deixa a insinuação no ar.

—Vamos lá Connor, não precisa ser um beijo de cinema. Apenas um beijo simples e pronto – April argumenta, enroscando o braço ao de Ethan.

—Nem vamos olhar se preferirem – Noah sugere, dando as costas aos dois, fazendo Monique sorrir – Tem um sorriso lindo sabia? – comenta, a enfermeira corando.

—Não custa tentar não é? – Connor pergunta, olhando diretamente para Sarah.

—Não, não custa – anui a médica, ficando sem graça a medida em que ele se aproxima, retendo o ar ao senti-lo segurar suas mãos, levando-as aos lábios, beijando-as para logo em seguida deixar um beijo rápido sobre os lábios da médica , um contato leve, suave, delicado, não mais do que um roçar de lábios.

—Será que agora vai dar certo? – Monique questiona após alguns minutos, quebrando a magia do momento – Admito: estou sem coragem de ir para casa, ficar sozinha, aguardando o dia raiar. Nem dormir tenho conseguido – revela.

—Não seja por isso – Noah diz, saltando da mesa, celular em mãos, discando um número – Oi, vocês ainda estão entregando ceias prontas? – pergunta, aguardando a resposta – Estão? Beleza. Poderia entregar uma no Chicago Med? ...Sim. Ótimo. O que? ..para quantas pessoas? – interroga, erguendo os olhos, contando rapidamente – Oito? – indaga, olhando os demais, que acenam afirmativamente – Ceia para oito pessoas e uma criança – acrescenta, desligando feliz – Não tinha nada marcado mesmo..Ou melhor, até tinha – corrige-se ante o olhar da irmã – Mas isto aqui se tornou tão importante quanto – afirma – Amanhã, e teremos o amanhã – pontua, apertando os ombros de Monique – Celebro com o restante de minha família...Nossa família – diz, piscando para April.

Quando o pedido é entregue, não apenas os oito, mas os demais plantonistas, ceiam em volta das mesas agregadas na sala de repouso, todos rindo, conversando , contando e cantando canções e historias natalinas madrugada adentro, levando a alegria a alguns pacientes de enfermarias próximas.

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Gaffiney Chicago Medical Center ( Dezembro, 25 – 06:00 a.m)

Narrador

—Sarah? Sarah, acorde! – a voz rouca e suave de Connor junto a seu ouvido faz a médica sorrir deslizando uma mão pela almofada....

Que almofada!?? – o pensamento a faz despertar, sentando rápido, corando ao perceber que afagava o peito do cirurgião onde deitara a cabeça em algum momento acabando por adormecer.

—O que houve? Onde estamos? – pergunta, olhando a volta, notando os demais colegas deitados em colchonetes pelo chão da sala.

—No Med – Connor informa, acariciando seu rosto com o dorso da mão – Nenhum de nós conseguiu ir embora. Ficamos protelando até finalmente o sono nos dominar. Ethan, Will e eu trouxemos alguns colchonetes da fisioterapia quando fui verificar os sinais da senhorita Holmes- conta.

—Ela está bem? – quer saber a médica, sorrindo para April, que despertava, espreguiçando-se.

—Está ótima! – comemora o cirurgião, olhando-a intensamente, fazendo-a reter o ar nos pulmões.

—O que? O que foi? – Monique e Noah acordam sobressaltados, olhando a volta, confusos – Acabou? – a jovem enfermeira questiona, pondo-se de pé.

—Acredito que sim – Connor diz, levantando, estendendo a mão para Sarah, convidando-a fazer o mesmo, ambos olhando pela porta de vidro em direção a ilha da emergência onde a movimentação de um novo dia começava – Vamos lá fora ver? – convida, ela anuindo com um gesto de cabeça, deixando-se conduzir por ele, os demais os seguindo, cada um levando suas coisas consigo.

—Bom dia belos adormecidos! Resolveram fazer um acampamento de Natal e nem me convidaram não é? – Maggie acusa, indo até eles – Feliz Natal Sarah, Connor – deseja, beijando o rosto de ambos, dando atenção aos demais – Feliz Natal meus amores! – deseja, abraçando e beijando um a um.

— Não acredito nisso! – Monique exclama, olhando a volta sem preocupar-se em conter o choro – Finalmente acabou! – comemora.

—Pois é.... Agora, o que acha de almoçar na casa de minha família? — Noah convida, pondo um braço sobre seus ombros enquanto caminham em direção a saída – Minha mãe adora ver a mesa cheia ! – garante, fazendo-a rir.

—Ele não muda não é mesmo?- Ethan pergunta, envolvendo April pela cintura.

—Não, não muda – anui a enfermeira, olhando-o de soslaio – O convite é expansivo a você, sabe disso não sabe?

—E como sei! – frisa o médico sorrindo, erguendo a gola de seu casaco.

—O que acha de irmos para casa, trocarmos de roupa, e depois patinar no gelo? –Nat sugere, olhando carinhosamente para Will, que carrega Owen nos braços.

—O que desejar farei. Hoje sou todinho seu! – diz, piscando para ela.

—Obaa! – exclama de volta, sorrindo, arrumado a gola do casaco do filho, repetindo o gesto com o seu e o de Will.

—Quais seu planos para hoje Sarah? – Connor pergunta fechando seu casaco enquanto a aguarda responder.

—Ainda não sei – assume, olhando os três casais a sua frente – Ficar em casa, ler um bom livro, tomar um bom vinho, assistir reprises de filmes e desenhos antigos, ouvir música talvez...Relaxar – enumera.

—Aceitaria companhia? – pergunta, ansioso – Não quero ficar o dia inteiro sozinho – confessa o cirurgião, olhando-a.

—Se levar o vinho – condiciona a médica calçando suas luvas, ajustando o casaco ao corpo, fechando-o.

—Proposta aceita – afirma o cirurgião, rindo – Alias, podemos compra-lo no caminho para seu apartamento junto com outras coisinhas com as quais poderemos preparar nosso almoço, o que acha? – sugere, oferecendo-lhe o braço mais uma vez.

—Vai cozinhar para mim? – indaga a medica, enlaçando seu braço ao dele, caminhando um direção ao estacionamento, chocando-se com Noah e Monique, que haviam parado sem avisar – O que foi? Por que essas caras? – pergunta tensa, fazendo os dois casais mais a frente estarem e se voltar para eles.

—O que isto em suas mãos? – Connor pergunta, franzido o cenho intrigado.

—Panfleto convidando para assistir uma peça natalina – explica o médico, fazendo nova careta – É a historia de um reporte do tempo que vai até uma cidadezinha no interior fazer uma reportagem de fica preso....Ao mesmo dia que se repete! Estão a fim de ir? – pergunta, olhando-os

—NÃO! – a resposta vem em coro.

—Me inclua fora dessa! – Will declara.

—A mim também – Nat anui.

—Prefiro o Grinch – April afirma.

—E eu qualquer outra coisa – Ethan assegura.

—Vinho, livros e música estão de bom tamanho para mim – Connor garante.

—Assino embaixo – Sarah declara, todos retomando a caminhada rumo ao estacionamento.

—Nem se atreva a me perguntar! – Monique avisa, o dedo em riste, girando nos calcanhares, seguindo-os.

—Nossa, foi apenas uma sugestão! Onde está seu espirito aventureiro pessoal? Pessoal? Gente?? Me esperem! -Noah pede, correndo, alcançando-os, pondo o braço sobre os ombros da enfermeira, rindo divertido.

“....What a bright time, it's the right time

To rock the night away

Jingle bell time is a swell time

To go gliding in a one-horse sleigh

Giddy-up jingle horse, pick up your feet

Jingle around the clock Mix and a-mingle in the jingling beat

That's the jingle bell rock

That's the jingle bell

That's the jingle bell

That's the jingle bell rock!”

Notas finais
Espero que gostem. Bjinhos Flores
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!