Victoria fora despertada pelas notas de piano que soavam por todo o quarto, abriu calmamente os olhos para identificar que o marido não mais dormia a seu lado. Sentou-se na cama olhando desconfiada para a porta

Mas o que será que acontecera para o idiota do sótão estar tocando novamente? Bom, talvez a melhora do outro não fosse de todo ruim afinal, sorriu maliciosamente enquanto a ideia se formava em sua mente

Levantou-se apressada da cama já retirando a camisola simples que usava e substituindo por uma transparente de tom negro, jogou um robe por cima para o caso de encontrar alguém pela casa e correu porta afora

Subiu pelas escadas mesmo tamanha a pressa de sua ação, quando finalmente chegara ao terceiro andar deixou que o robe caísse a seus pés, jogou os cacheados cabelos vermelhos para o lado e foi andando de forma sensual até a porta do sótão, tal como uma felina a caça

A música ficava mais alta a medida que se aproximava e quase rodopiou tamanha a alegria que sentiu ao forçar a maçaneta e dar-se conta de que estava destrancada. Empurrou o objeto de madeira calmamente com um sorriso de expectativa no rosto, sorriso esse que logo se desfez ao deparar-se com a figura feminina equilibrada na ponta dos pés dentro do cômodo, dançando de forma leve e elegante de costas para ela

Os cabelos acobreados presos no alto da cabeça, o tutu totalmente engomado e aberto em torno da cintura movimentando-se minimamente enquanto a bailarina realizava movimentos rápidos com as pernas ainda equilibradas na ponta dos pés, e então a música parou, a bailarina voltou a posição correta dos pés e lentamente foi virando-se na direção da ruiva

Os olhos de Victoria se arregalaram em assombro e todos os pelos do corpo se arrepiaram em reconhecimento aquela bailarina parada no meio do sótão a encarando com um sorriso perverso no rosto

— A sua hora está chegando – falou a mulher ainda sorrindo. Victoria sentiu todo o sangue congelar dentro do corpo e suas pernas bambearem

— Você está morta! – gritou para a bailarina – Morta! – a outra nada mais disse, com uma expressão enfurecida no rosto foi para cima da ruiva a passos duros e audíveis devido ao gesso da sapatilha batendo contra o chão de madeira. Victória encheu os pulmões de ar, pronta para gritar um sonoro socorro, mas antes que encostasse nela a bailarina sumiu

A ruiva respirava em arfadas segurando-se na soleira da porta ou suas pernas moles a levaria ao chão, dentro do peito seu coração batia tão acelerado que julgou ser possível ter um infarto ali mesmo. Seus remédios, precisava dos seus remédios! Onde estava a imprestavel da Angela que não trazia os seus remédios? Com um esforço sobre-humano forçou as pernas e saiu correndo dali

...

Emmett estava paralisado no lugar fitando o estranho a sua frente que o olhava em expectativa por uma resposta. Quanto tempo esperou por aquele momento? Muito tempo, no começo sabia que o irmão estava sofrendo assim como ele e Alice, e acreditava que quando estivesse pronto voltaria a falar, depois de um tempo, assim como Alice começou a puxar assunto com o irmão, fazer perguntas as quais nunca recebia uma resposta, até que finalmente deu-se por conformado e aceitou que o irmão não iria voltar a falar

E ali estava ele, diante de seus olhos falando, não podia acreditar, será que estava sonhando? Se fosse esse o caso, não queria acordar, queria ficar eternamente vivendo naquele sonho. A emoção era tão grande que sem poder aguentar-se sentou-se a cama e as lagrimas que fazia esforço para prender começaram a escorrer por seus olhos

Não queria chorar na frente do irmão, não queria que Edward o viesse como um fraco, mas também não conseguia conter-se. Levou as mãos aos olhos tentando esconder aquele momento de fraqueza

Sentiu o irmão ajoelha-se a sua frente e puxar gentilmente as mãos que escondiam o rosto, em meio a lágrimas olhou o estranho que também já tinha os próprios olhos marejados

— Me perdoe por isso, me perdoe por todo o sofrimento que causei – implorava Edward de joelhos a frente dele. Emmett levou a forte mão ao rosto do outro o acariciando

— Você não faz ideia do quanto eu esperei por isso, o quanto eu rezei para te ter de volta – fungou limando as lagrimas do próprio rosto – Você sempre foi a minha referência, a pessoa que eu tinha como exemplo de perfeição e foi tão difícil passar por todos esses anos sem você, foi tão insuportavelmente difícil não saber o que fazer e não ter pra quem perguntar, olhar para os lados e não ver ninguém, não encontrar ninguém me incentivando, ninguém me dizendo que eu iria conseguir

— Eu sei que o que passou não volta mais, e eu lamento muito por ter te deixado sozinho, mas eu estou aqui agora, e eu juro que a próxima vez que olhar pro lado eu vou estar lá. – Emmett não sabia o que dizer, existiam tantas coisas que gostaria de falar ao irmão, inúmeras palavras que se embaralhavam em sua mente que expressariam o quanto estava feliz por aquele momento e o quanto aquele homem ajoelhado a sua frente era importante para ele. Mas pensou em uma única frase que seria suficiente para representar tudo o que estava sentindo, o que já sentiu e o que sentiria eternamente

— Eu te amo irmão! – E antes que Edward tivesse oportunidade de dizer que também amava aquele homem imenso em que o irmão se tornara foi puxado para um abraço de urso que o desestabilizou e as lagrimas que antes segurava agora rolavam por seus olhos

Sentia-se como uma criança frágil e indefesa sendo embalada por alguém em quem confiava para lhe proteger do bicho papão

...

— Vick está tudo bem? – perguntou Carlisle olhando a esposa invadir o quarto com expressão assustada no rosto. A mulher parou abruptamente o olhando como se não esperasse vê-lo ali, os olhos saltados, a boca aberta e a respiração arfante respondiam sua pergunta, Victoria não estava bem e ele bem podia imaginar o motivo, a muito a esposa, assim com ele, era atormentada pelos fantasmas de seus erros, erros esses que ele também tinha o direito de receber os creditos

"Dias depois da morte de Elizabeth, como se ele já não tivesse assuntos em demasia em sua mente, Alice e Emmett completamente abalados com a perda da mãe, Edward trancado no sótão, mais uma bomba explodia diante de seus olhos. Victoria trazia-lhe a noticia de que estava gravida, não sabia mensurar em palavras o tamanho do desespero e da amargura que sentira com a noticia

Diferente de anos antes quando fora Elizabeth engravidando sem planejamento não conseguira ficar feliz com a noticia, não conseguia se ver sendo pai daquela criança, a amando, zelando, não conseguia se imaginar amando aquele filho que representava todos os erros que cometeu, que somente existiria para lembra-lo dia após dia o quanto imundo e imoral fora com a falecida esposa

E claro, como o perfeito pecador fraco que era, mais uma vez agiu errado, ao invés de apoiar a mulher que seria mãe de seu filho e que, por tantas vezes escutou seus lamentos, virou-lhe as costas, tirou licença do hospital e passou a evitar a mulher que nunca ia atrás dele em sua casa devido ao enorme respeito que tinha por seus filhos e a memoria da mãe deles

Até que em uma noite recebeu uma mensagem perturbadora da mulher que o deixou tão preocupado que correra de encontro a ela.

O prédio de quatro andares pichados, localizado na periferia da cidade ficava a bons cinquenta minutos de sua casa, dirigia a toda velocidade com medo de que a mulher cometesse uma loucura

Quando finalmente chegou estacionou o carro de qualquer forma na calçada sem preocupar-se se seria furtado ou não, correu para dentro do prédio antigo subindo as escadas apressado, nunca sentira tanta raiva por a amante morar em um prédio sem elevador como naquele dia

Quando finalmente chegou ao pequeno apartamento a porta estava entreaberta e ele já invadiu o local em desespero olhando ao redor a simples decoração do apartamento que caberia inteiro dentro de sua cozinha

— Vick? – chamou, já entrando dentro do único quarto do local onde uma ruiva contorcia-se e chorava em cima da cama – Vick o que está acontecendo? – perguntou alarmado juntando-se a ela na cama

— Carl querido me perdoa – falava em meio ao choro – me perdoa, eu não queria te obrigar a nada, então dei um jeito

— O que está dizendo Vick? – perguntou confuso enquanto tentava reconfortar o sofrimento da mulher em um abraço

— Eu nunca quis te obrigar a casar comigo, eu sei que foi isso que pensou, por isso tem me evitado, eu sei que você jamais colocaria uma pessoa pobre como eu para intervir na educação dos seus filhos! Eu juro que a gravidez foi um acidente, mas eu já resolvi o problema – nesse momento o choro da mulher se intensificou – Eu não queria, eu já o amava, mas o meu amor por você é maior, eu fiz por você

— Vick o que você fez? – perguntou assustado já prevendo a resposta

— Eu abortei! – praticamente gritou tamanho o desespero do choro – Eu não queria mas foi melhor assim, não queria que você me achasse uma golpista, não queria que ele fosse uma criança rejeitada pelo pai, nem que crescesse sabendo que os irmãos tem um império enquanto ele vive nesse buraco comigo, e acima de tudo eu não queria te perder! – Carlisle estava estagnado, em completo choque, mais uma vida se perdera grassas aos seus erros, não ficara feliz com a gravidez, mas também não pensara em momento algum em aborto, definitivamente a sua lista de pecados só aumentava

— Venha Vick, vamos para o hospital, talvez ainda dê tempo de reverter a situação – falou em desespero tentando ajudar a mulher a levantar-se

— Não! – gritou a mulher parando o choro por um minuto, mas logo se recompôs e voltou a chorar – não dá mais tempo, o feto já saiu, eu vi, era tão pequeno – aumentou o choro e Carlisle também não podendo mais conter-se bateu com a cabeça contra a cabeceira da cama e começou a chorar, ele era em definitivo um terrível patife, um grande e desprezível patife! Até quando suas atitudes continuariam refletindo nas pessoas a sua volta? Até quando continuaria impondo sofrimento as pessoas que o amavam?

— Eu te amo Carl! Por favor não me deixe! Eu aceito qualquer migalha! – implorava a mulher em meio as lagrimas – Eu sei que em algum momento você vai precisar encontrar alguem para te ajudar, para administrar a casa, cuidar dos seus filhos. Oh meu Deus aquelas pobres crianças não podem crescer sem uma figura feminina para orienta-los, eu sei disso e sei que não sou qualificada para isso, mas por favor não me deixe! Não agora! Eu não vou aguentar, se você me deixar juro que me mato – ameaçou grudada no colarinho da camisa dele

Os olhos de Carlisle se abriram ainda mais, não podia aguentar, não aguentaria o peso de mais uma morte em suas costas. Não amava Victoria, mas gostava dela, era uma boa moça, e realmente o amava, não tinha duvidas quanto a isso e ela tinha razão, seus filhos precisavam de uma figura feminina para ajudar na criação deles

E foi ali, naquela situação difícil e dolorosa que ele decidiu, não mais erraria, não mais teria culpa na dor de ninguém, dali em diante ele agiria sempre de forma correta, sabia que essa atitude não o absorveria dos erros anteriores, mas o impediria de adquirir novos erros

— Casa comigo?"

...

Alice olhava no espelho a imagem refletida enquanto finalizava a maquiagem, era um novo dia, o aniversário de morte de sua mãe passou e ela precisava reassumir sua mascara de menina forte, precisava levar o café da manhã a Edward e mostrar que estava ali por ele, que não importava o tamanho do problema que ele estivesse enfrentando ela sempre estaria ali por ele

Foi tirada de seus pensamentos por três batidas fracas em sua porta, suspirou desanimada, acreditava que ainda teria mais alguns minutos antes de reassumir seu lugar de alicerce daquele triângulo, com passos lentos foi até o objeto de madeira ficando surpresa com quem estava parado do outro lado

— Edward? – perguntou confusa. Mas o que será que estava acontecendo para o irmão bater a sua porta pela manhã? Será que estava passando mal? Mas antes que tivesse oportunidade de perguntar o que aconteceu o estranho a pegou pela mão a puxando em direção a cama e sentando ali ainda a olhando de uma forma que Alice não soube decifrar

Imitou o ato do irmão e sentou-se frente a ele que ainda segurava sua mão a olhando profundamente nos olhos, seja lá o que levara Edward a seu quarto não era bom, os olhos do irmão estavam lacrimejantes e isso a deixava ainda mais aflita

— Obrigado. – os olhos da menina se abriram e ela levou a mão a boca diante a surpresa, o coração batia em ritmo acelerado em seu peito e sentia os próprios olhos já enchendo-se de lágrimas, e como se tivessem invertido os papeis a fala lhe fugiu completamente naquele momento. – Você sempre foi a princesinha dessa casa, uma bonequinha delicada que trouxe o cor de rosa para nossas vidas, sempre meiga e delicada, tão frágil que eu tinha medo que se quebrasse com qualquer movimento mais brusco que eu ou Emmett fizéssemos. E olha só que ironia, eu que sempre estava tão preocupado com a bonequinha foi quem quebrei, e você, a toda delicada princesinha foi quem segurou os meus pedaços

Alice engoliu em seco ainda olhando o irmão, lagrimas silenciosas escorrendo por seus olhos contrastavam com o sorriso doce que ela mantinha ao escutar as palavras do mais velho

—Ainda que eu viva cem anos e dedique todos os dias da minha vida a te agradecer ainda assim, não teria agradecido o suficiente, obrigado por não ter desistido de mim mesmo quando eu mesmo já tinha desistido

— Eu faria tudo de novo e farei novamente quantas vezes forem necessárias. Somos irmãos e irmãos não desistem um do outro!

...

Isabella não sabia explicar o que estava sentindo, era uma sensação jamais experimentada por ela, olhava-se no espelho enquanto escovava suavemente os cabelos procurando pelo o que estava diferente

Não notava nada de diferente, sua pele, seus cabelos, seu corpo, tudo estava exatamente igual para ela, mas sentia-se diferente, sentia que alguma coisa tinha mudado

Viu pelo espelho a mãe entrar no quarto e parar de braços cruzados a olhando com um sorriso emocionado nos lábios

— Mãe? – chamou virando-se para a mulher que agora tinha os olhos lacrimosos – Mãe aconteceu alguma coisa? – perguntou alarmada se aproximando mais da mulher que nada dizia apenas a observando

— Minha pequena mulher – falou a mulher com emoção e Isabella a fitou confusa – Eu te amo tanto – cantarolou a mãe a abraçando ternamente, Bella se deixou envolver naqueles abraço gostoso e cheio de significados

Talvez, fosse verdade o mito de que as mães sempre sabem das coisas que acontecem com seus filhos, essa era a única explicação para o comportamento estranho da mulher naquela manhã

A mãe não perguntou nada e ela também não falou, mas no intimo ambas sabiam o que tinha acontecido, e estavam felizes por compartilharem daquele momento tão único entre mãe e filha

...

Uma sorridente Alice descia as escadas grudada ao braço do irmão mais velho quando viu a responsável por toda aquela felicidade que estava sentindo entrar na sala de jantar já devidamente uniformizada para a escola trazendo uma cesta de pães em mãos

Não pode deixar de notar que a menina corara quando seus olhos encontraram com o do irmão, para logo em seguida abaixar a cabeça constrangida e colocar a cesta em cima da mesa onde todos já iniciavam o desjejum

— Bella, você hoje toma café conosco – disse Emmett levantando-se e já puxando uma cadeira para a adolescente que o olhou confusa. Alice sentia vontade de gargalhar da cara que a madrasta fazia ao olhar a atitude do enteado

— Emmett? O que significa isso? – perguntou a vaca ruiva em choque

— Significa que estamos dando honra a quem a merece – respondeu Alice terminado de descer as escadas e já se dirigindo aquela que já considerava sua cunhada a muito tempo – Muito obrigada – sussurrou no ouvido da garota a puxando para um abraço apertado

— Eu agradeço, mas... – iniciou desconcertada

— Nada de mas! – Proclamou Alice

— Você é nossa convidada! – emendou Emmett firme

— Vocês estão loucos! Loucos! Eu não vou aceitar fazer a minha refeição sentada em uma mesma mesa que a serviçal!

— Ótimo! – Todos os olhos voltaram-se para o estranho que ainda tinha a voz enrouquecida, Emmett e Alice com sorrisos deliciados, Bella e os demais totalmente surpresos – A sua presença nos causa indigestão de qualquer forma, você já pode se retirar! – Victoria ficou paralisada no lugar olhando embasbacada o enteado mais velho, a fitando com repulsa. Em seu interior perguntava-se se estava tendo outra alucinação

— Edward, meu filho! – iniciou Carlisle colocando-se de pé, a voz chorosa de emoção. Todos os músculos do corpo pulcionando para que puxasse o filho em um abraço, o estranho porem não mudou sua atitude em relação ao patife com o qual infelizmente compartilhava o DNA, virou-se com um sorriso tímido para sua pentelha que o encarava boquiaberta e sem poder conter-se roubou-lhe um rápido beijo de encostar de lábios

— Bom dia – falou temeroso de que a voz lhe falhasse, existiam tantas coisas que gostaria de dizer aquela pentelha, tantos sentimentos se misturavam em relação a ela dentro dele que mal podia definir em palavras o que aquela menina intrometida significava para ele, mas não ali, não naquele momento e sem duvidas não cercado por pessoas que nada tinham com o que eles partilhavam, ainda que essas pessoas fossem seus irmãos. O sorriso do estranho aumentou ainda mais diante a expressão surpresa petrificada no rosto da menina, era realmente curioso que logo Isabella Swan não tivesse o que falar

— Venha, vamos tomar café – chamou ainda sorrindo e a puchando em direção a cadeira que Emmett ainda segurava de forma cavalheira. Tinha noção dos sorrisinhos debochados dos irmãos direcionados a ele a pentelha mas não se importava, estava muito ocupado admirando a garota mais intrometida que já conhecera

— Isso é um absurdo! Eu não aceito essa garota sentada a minha mesa! – Gritou Victoria saindo de seu transe e colocando-se de pé, as duas mãos espalmadas em cima da mesa, e o estranho esqueceu da pentelha ali e virou-se para a concubina de seu progenitor

— Sua mesa? – perguntou em tom mais elevado caminhando em passos lentos na direção da ruiva – Você se refere a mesa da minha mãe? A casa da minha mãe? Ao lugar da minha mãe que você matou para conseguir? – falou a ultima frase com o rosto a centímetros do da ruiva, os olhos totalmente enfurecidos e as mãos fechadas em punhos. Estava pronto a soca-la e a ruiva sabia disso já que se encolheu no lugar, a expressão transbordando em medo

— Edward por favor, — começou Carlisle segurando de forma delicada no braço do estranho que não desviou os olhos dos da ruiva – Hoje é um dia muito feliz para todos nós, não vamos estragar ele – implorou. O estranho fingiu não escutar o apelo do outro, mas sabia que ele estava certo, era um dia importante para ele e não perderia tempo com nenhum daqueles dois assassinos. Virou-se para sua pentelha que parecia temerosa o olhando

— Você já tomou café? – ela apenas assentiu – Certo, eu perdi a fome, vamos – pegou a menina pela mão e a puxou para fora deixando uma Victoria abismada para trás

Do lado de fora o estranho diminui o ritmo de seus passos e agora já andava lentamente enquanto ainda segurava a mão de uma silenciosa Isabella, o que estava o perturbando, precisava saber o que aquela pentelha estava pensando

— Isabella Swan muda é realmente uma grande novidade – provocou na intenção de escutar a voz dela nem que fosse em uma resposta a sua provocação

— Não tanto quanto Edward Cullen todo falante – respondeu em igual nível de provocação com um sorriso discreto nos lábios, o que fez o estranho sorrir também

— Você prefere que eu não fale? – se ela o preferisse mudo nunca mais diria uma palavra, e não importar-se-ia com isso desde que sua pentelha estivesse satisfeita

— Muito pelo contrário – respondeu de imediato – tudo o que eu mais quis desde que te conheci foi que você falasse comigo – confessou timidamente e o sorriso do estranho se alargou, assim que passaram pelos portões da casa Edward encostou-se ao muro da mansão Cullen e puxou Isabella para seus braços depositando um beijo no alto da cabeça dela

— Não gostei de acordar sozinho hoje – reclamou fazendo um biquinho de falsa indignação. Isabella por sua vez corou muito mais do que em seus primeiros dias quando era pega bisbilhotando as coisas no sótão e abaixou a cabeça escondendo os olhos do estranho que segurou gentilmente no queixo dela o levantando para cima a obrigando a olhar para ele

— Você se arrependeu? – perguntou temeroso da resposta

— Não. Mas por favor, não vamos falar sobre isso – o estranho prendeu os lábios tentando segurar o riso. Era no mínimo curioso que a pentelha sempre tão decidida estivesse envergonhada da noite que passaram.

— Você é linda! – falou pela primeira vez aquilo que sempre pensara sobre a menina desde que a viu pela primeira vez, e que só aumentara depois de conhecer a fundo a historia da adolescente

Antes que Isabella tivesse oportunidade de dar qualquer resposta ao elogio o estranho a puxou para um beijo que foi prontamente correspondido, os braços da moça circularam o pescoço dele como sempre fazia enquanto o beijava e suas mãos permaneceram firmes na cintura que já parecia pertencer a ele

Tão logo iniciaram o beijo o tão costumeiro cantar de pneus conhecido por ambos foi escutado próximo a eles os fazendo intensificar ainda mais o carinho na esperança de que aquele momento não acabasse

— Não, não, não! – Um Jasper afobado se colocou entre o casal obrigando-os a se separarem com sorrisos divertidos nos rostos olhando o amigo que fingia espanto perante a situação – Nós somos uma quadrilha! Nada de casal! – fazia uma falsa carranca enquanto apontava o dedo em riste para os amigos – E outra Edward Cullen, Isabella é minha melhor amiga, você precisa da minha bênção antes de ficar agarrando ela por ai!

— Bom dia para você também Jasper – falou o estranho alargando ainda mais o sorriso ante ao espanto do amigo por escuta-lo falando

— Edward! – gritou jogando as duas mãos para o alto como era costume fazer quando queria dar ênfase as próprias afirmações – Que alegria meu amigo! Que alegria! – exclamou se atirando aos braços do amigo, o sorriso no rosto era tão grande que Edward julgou ser possível romper a pele da face do amigo

— Eu acho bom o senhor ter boas palavras para mim Edward Cullen – cobrou Rosalie com a mão na cintura fingindo estar ofendida pelo irmão ter escutado o estranho antes dela

— Bom dia minha loira favorita – falou o estranho ele próprio se dirigindo a amiga e a puxando para um abraço de urso a levantando do chão e girando no lugar

— Vamos ou perderemos a hora – lembrou Jasper o sorriso ainda fixo no rosto. O estranho colocou Rosalie de volta ao chão e já pegou a mão de Isabella a puxando para o carro – Não! – gritou Jasper novamente separando o casal – Nada de casal quando estivermos os quatro reunidos, somos uma quadrilha e não vamos deixar nada estragar nossa amizade certo? – disse sério e o casal assentiu – Independente do que esteja rolando entre vocês dois, se tiveram algum desentendimento ou briguinha boba de casal, isso – girou o dedo apontando para os quatro – não vai acabar! Vamos ser para sempre quadrilha

— Quadrilha! – gritou Rosalie tentando por fim a tensão criada pelo irmão em uma manhã que deveria ser somente de comemorações

— Quadrilha! – gritaram os outros três animados e se juntaram em um abraço grupal em meio a risos e apertos, os quatro amigos permaneceram agrupados em um abraço frouxo onde podiam ver o rosto uns dos outros, o sorriso e os olhos brilhavam em emoção pela força da amizade que nutriam entre eles

— Pra sempre! – declarou Edward constatando que aqueles estranhos com os quais não tinha ligação sanguínea nenhuma se tornaram tão importantes para ele quanto os próprios irmãos

— Pra sempre! – um a um os outros três repetiram a afirmação chegando a mesma constatação que o estranho

E ali, em frente aos portões da mansão Cullen, o quarteto de amigos selaram o pacto mais inatingível de suas vidas, não importava o que o futuro reservasse para eles, seriam amigos para sempre!

...

— Um brinde ao mais novo falante desse grupo – propôs Jasper levantando o copo de plástico com coca-cola para o alto

— Um brinde a amizade! – declarou Rosalie juntando o próprio copo ao do irmão

— Aos recomeços – declarou Edward também levantando seu copo

— Ao passado que nos tornou quem somos hoje, e a todas as possibilidades que o futuro nos reserva – concluiu Isabella e em meio a gritos empolgados os amigos brindaram naquele fim de tarde chamando a atenção dos outros clientes da lanchonete onde estavam

— Mas então – iniciou Jasper roubando uma batata frita da irmã – onde vai ser nossa viagem de formatura? – os irmãos já tinham conversado sobre aquilo, toda a turma do terceiro ano estava combinando de ir para a Disney em comemoração a formatura, porém, os gêmeos sabiam muito bem que Bella não teria como custear uma viagem daquele porte, e conhecendo a personalidade da amiga tão bem quanto conheciam sabiam que ela não aceitaria que eles a presenteasse com o passeio e nem sabiam se seus pais também aceitariam que dessem tal presente a amiga levando em consideração que já teriam dois adolescentes para arcar com as despesas da tal viagem.

— Ótima pergunta Jasper! Por que de jeito nenhum eu vou aceitar ir para a Disney com aqueles fracassados da escola – declarou Rosalie – Sem contar que Disney está fora de moda – completou mordendo despreocupada o sanduíche enquanto piscava de maneira inocente seus enormes olhos azuis

— Eu acho que não vai rolar viagem alguma para mim – confessou Isabella prestando demasiada atenção a seu próprio lanche

— Então, é que temos uma casa de praia na Florida – começou Jasper se esforçando para ser convincente

— Ah verdade! – emendou Rosalie como se tivesse acabado de se recordar do imóvel – era do vovó e meu pai não consegue se desfazer devido as lembranças, é uma casa ótima e o lugar é lindo. Isso sim é uma coisa moderna, passar um tempo de qualidade em um lugar tranquilo com as pessoas que realmente foram importantes para você durante a sua formação

— E nós temos milhas aéreas suficientes para as quatro passagens, não precisamos nos preocupar com nada. O que me dizem? Uma semana de sol, mar e água de coco pra comemorar nossos suados diplomas?

— Eu topo! – declarou Edward de imediato – embora eu não tenha certeza de que terei um diploma a ser comemorado – finalizou rindo despreocupado

— Mas é claro que você terá, — afirmou Isabella de forma autoritaria como sempre fazia quando o assunto era estudo — suas notas não estão tão ruins e você poderá fazer esse trabalho de recuperação de ausência que o professor falou

— Sim você terá! – concordou Rosalie – mas voltando a viagem, você também topa né Bella? Eu não quero fazer viagem alguma se não formos os quatro – os três olharam em expectativa a amiga que se encolheu no lugar

— Vocês tem certeza que não vai ter problema gastarem as milhas de vocês comigo? Por que vocês sabem, minha mãe não...

— Não seja absurda Isabella! – interrompeu Jasper – É claro que não terá problema, são só milhas, os Halle quase nunca viajam

— Bom, nesse caso, então vou falar com a minha mãe – os gêmeos comemoraram a fala da amiga com bateres de palmas empolgados – Rose você vem ao banheiro comigo? – tentou achar uma fuga do momento constrangedor e logo as duas se afastavam da mesa

— Então a Disney está fora de moda? – começou Edward com um sorriso divertido nos lábios. Jasper olhou o amigo e em seguida deu de ombros

— Ela não teria como pagar – falou girando o canudo no copo de maneira despreocupada

— Eu poderia pagar a dela – respondeu de imediato — não que eu tenha vontade de ir para a Disney, uma coisa mais privativa somente entre nós me parece melhor mesmo

— Eu sei. Mas você melhor do que eu sabe que ela não aceitaria – completou Jasper – O que me lembra que precisamos conversar – o estranho o olhou fixamente devido a seriedade do tom do outro – Você é meu brother, e a sua felicidade é também a minha, mas aquela garota é a minha melhor amiga Edward, e eu juro por tudo o que eu acredito e tenho como crença que vou arrancar as suas bolas com as minhas próprias mãos se você a fizer infeliz – ameaçou o olhando firme nos olhos e o estranho relaxou em sua postura e abriu um sorriso torto

— Antes de qualquer outro significado que ela tenha para mim, antes de qualquer desejo que eu possa ter sobre ela, antes de qualquer outra definição de sentimento que eu nutra Isabella Swan também é a minha melhor amiga Jasper. Muito mais do que um estranho no sótão eu fui um estranho no poço, um poço fundo e escuro, submergido em muita dor e amargura e foi ela quem entrou nesse buraco pra me resgatar, foi ela quem me mostrou que apesar de qualquer dificuldade é possível continuar vivendo, foi ela quem segurou a minha mão e me mostrou o caminho para fora desse lugar escuro em que eu estava – Jasper engoliu em seco escutando o amigo desabafar

— Entenda Jasper, eu não estou dizendo que estou curado, longe disso, também não estou dizendo que você e a Rose não significam muito para mim e nem que não fizeram parte de tudo isso assim como meus irmãos, mas ela é diferente, foi por ela sabe? Foi ela quem iniciou tudo isso, enquanto todos diziam não ter mais jeito foi ela quem empinou o nariz na boca do poço e disse “me deem uma corda, eu vou descer!” E é por isso que eu te digo com toda a certeza, você não precisa se preocupar com nada, por que eu mesmo arrancarei minhas bolas se um dia entristecer aquela garota

...

— Pílula do dia seguinte? – gritou uma assombrada Rosalie na calçada da lanchonete

— Fala baixo Rose! Você quer que todos escutem? – Implorou Isabella tampando a boca da amiga com as mãos e olhando para os lados a procura de possíveis ouvintes da conversa das duas. Rosalie se encolheu também olhando para os lados

— Eu não acredito! Vocês... Vocês... Ah seus danadinhos – gargalhou do claro constrangimento da amiga

— Rose! – repreendeu Isabella – vai me ajudar ou não?

— Claro que vou te ajudar! Amigas são pra essas coisas, mas você precisa prestar atenção, pílula do dia seguinte não é uma bala que você pode chupar sempre que der vontade e eu sou muito nova pra ser tia, por tanto previnam-se corretamente!

— Eu sei – respondeu Isabella começando a caminhar junto a amiga em direção a farmácia, a todo momento olhava para trás se perguntando se os rapazes realmente não as viram saindo da lanchonete

— Mas então, me conta... Como foi? – perguntou a loira empolgada ao lado dela a olhando em expectativa. Isabella apenas sorriu de canto lembrando-se da noite que passara ao lado do seu estranho, todo o cuidado e carinho que ele teve para com ela – Ah seus danadinhos. A noite foi tão boa que Edward até soltou a língua – gargalhou novamente entrando na farmacia

— Em que posso ajudar? – perguntou simpático o rapaz atrás do balcão e as duas amigas se olharam ambas constrangidas em pedir a medicação. Mas logo Rosalie se recordou do quanto a amiga estaria encrenca caso não passassem por aquele momento e ela como uma boa amiga tinha obrigação de ajudar, então pigarreou voltando a olhar o atendente

— Bom... Uma amiga nossa... Isso! Uma amiga nossa, nem eu e muito menos ela – deixou claro tocando com as duas mãos a amiga parada a seu lado para que o rapaz compreendesse – uma amiga nossa que não está aqui agora está precisando de uma pílula do dia seguinte – sussurrou o nome do remédio para que mais ninguém escutasse e o rapaz olhou de uma para a outra claramente se divertindo com o constrangimento de ambas

— Certo – respondeu com um sorriso virando-se para a prateleira repleta de pequenas caixas – Aqui está – falou o rapaz entregando a caixa para a loira que pegou o objeto com a ponta dos dedos e o jogou rapidamente dentro da bolsa como se fosse algum tipo de droga ilícita que estavam comprando – Diga para a sua amiga que eu sei que não é nenhuma de vocês duas, que esse remédio não pode ser tomado com frequência – orientou – ela precisa de um anticoncepcional regular – olhou de uma para a outra – caso ela não tenha idade para procurar um medico sozinha e não queira dizer o que está acontecendo para a mãe o preservativo é a melhor opção se não quiser pegar uma doença ou ter uma gravidez indesejada, que na idade de vocês atrapalharia todo o futuro brilhante que as aguarda

Novamente as duas se olharam de maneira assustada e Isabella engoliu em seco

— Vamos querer o preservativo também – sentia seu rosto pegando fogo e tinha total convicção de que estava completamente vermelha naquele momento. O atendente sorriu entregando dois pacotes laminados a ela, pacotes esses que foram prontamente arrancados das mãos dele por Rosalie e jogados dentro da bolsa da mesma forma que a medicação. A loira ainda olhou para os lados a procura de espectadores enquanto mantinha a bolsa presa firmemente junto ao peito

...

Isabella estava deitada em sua cama olhando para o teto com um sorriso discreto nos lábios enquanto analisava os fatos do ano que estava prestes a se finalizar. De fato não fora um bom começo, perder a única casa que podia verdadeiramente chamar de sua foi difícil, o primeiro ano sem o pai fora extremamente doloroso, a duvida de se conseguiria reerguer a mãe e tira-la da função de empregada domestica a afligia diariamente

No entanto, fora ali, naquela minúscula cidade que compreendeu o verdadeiro significado da palavra amizade, fora graças ao emprego cansativo da mãe que conhecera o tão falado primeiro amor

Dizem que existe um porquê por trás de cada situação vivenciada por cada pessoa e ela estava começando a acreditar que tudo o que acontecera em sua vida se devia ao fato de que ela precisava encontrar Edward, não sabia o que o futuro reservava para eles, mas tinha total certeza de que o presente fora orquestrado para que estivessem juntos

Como que em respostas aos seus pensamentos a porta se abriu iluminando parcialmente o quarto e revelando a silhueta do estranho parado ali, Bella olhou para o lado certificando-se de que Angela e a mãe de fato estavam dormindo e logo em seguida voltou ao estranho que não entrara no cômodo e fazia gestos para que ela o acompanhasse

Rapidamente levantou-se e saiu atrás do homem que não sabia mais se podia classifica-lo somente como amigo

— Aconteceu alguma coisa? – perguntou ao estranho que andava despreocupado e mudo a seu lado, em suas mãos um cobertor cinza. Mas o estranho nada respondeu, apenas a olhou com um sorriso tímido nos lábios a puxando em direção ao jardim

Quando finalmente chegaram ao jardim o estranho estendeu a cobertor no chão e sentou-se nele a convidando com a mão para que fizesse o mesmo. Isabella aceitou a mão estendida e sentou-se de frente para o estranho. O vento gelado do começo de inverno arrepiando-lhe a coluna

— Eu convivi com a dor da perda de minha mãe todos os dias desde que ela aconteceu, eu me fingi de morto durante quase seis anos, eu vivi um inferno o qual não desejo a ninguém mas estava conformado com isso, estava satisfeito na verdade, me parecia muito justo que eu sofresse, eu acreditava cegamente que eu precisava sofrer pela morte da minha mãe pois eu a amava – suspirou olhando as próprias mãos

— Eu estava realmente conformado com o tipo de vida que escolhi viver, mas ai você chegou e mechou com todas as convicções que eu tinha, e eu ficava tão irritado quando você bisbilhotava a minha vida, mas não era por que você estava sendo intrometida, eu ficava irritado por que de alguma maneira você me fazia sentir vontade de abandonar o meu luto, você me fazia sentir vontade de estar vivo, de te acompanhar nas brincadeiras com os amigos, eu sentia vontade de ser o motivo das risadas que você soltava quando estava com o Jazz e a Rose e isso me irritava muito por que eu não podia entende? Eu tinha que sofrer pela minha mãe

— Durante muito tempo eu neguei a mim mesmo a realidade, eu não queria acreditar que a minha mãe morreu, me trancar naquele sótão e esquecer que o mundo existe foi a maneira que eu encontrei para fugir disso, eu imaginava todos os dias que ela abriria aquela porta, me sorriria docemente como só ela sabia fazer, beijaria o alto da minha cabeça e me pediria para tocar enquanto ela dançaria pelo sótão

Se calou por alguns segundos para recuperar a fala e mesmo de olhos fechados uma lagrima escorreu por seu rosto, lagrima essa que rapidamente foi enxugada por Isabella que nada dizia, ela sabia que o estranho precisava colocar para fora os sentimentos aprisionados dentro dele e esperaria que ele fizesse isso em seu próprio tempo

— Eu a amava, eu a amo! E nada nunca, nem ninguém vai poder mudar isso. E uma nova pessoa entrando em minha vida, um novo sentimento nascendo dentro de mim era tão errado, eu não podia, eu acreditava que se deixasse de sofrer, que se saísse do meu luto significaria que eu estava esquecendo a minha mãe e isso nunca vai acontecer, eu nunca vou esquecer ela, os momentos que passamos juntos, os ensinamentos que ela me deu, nunca!

— E ai você insistiu, — sorriu olhando a adolescente nos olhos – uma perfeita intrometida insistente, e essa vontade de viver, de seguir em frente foi crescendo e eu não estava mais conformado com a dor, a mágoa não me parecia mais o melhor caminho a seguir, e todas as vezes em que eu buscava uma direção você era o único caminho que eu encontrava, você era a direção em que eu queria seguir

— Você foi a luz em meio a minha escuridão, foi quem destrancou a porta para que eu saísse. – novamente o estranho ficou em silêncio a olhando de maneira profunda e emocionada e agora foi a vez de Isabella deixar escorrer uma lágrima, mas não uma lagrima de tristeza visto que ambos sorriam

— Eu espero sinceramente que você me entenda, como sempre fez durante todo o tempo em que nos conhecemos. Eu estou doente Bella, eu tenho uma doença muito séria, vi minha mãe morrer vítima dessa mesma doença. Você é tudo o que eu mais quero no mundo, estar a seu lado, ser o seu companheiro, o seu amigo, seu amante, seu tudo que você quiser que eu seja é o maior desejo que tenho hoje. Porém, eu ainda não estou pronto para isso, eu tenho total consciência de que apenas dei o primeiro passo de muitos que ainda virão

— Eu quero que você possa se orgulhar de mim e de estar a meu lado e sei que isso ainda não é possível, e por isso, e somente por isso, não vou te obrigar a assumir nenhum tipo de compromisso comigo hoje, eu quero que você saiba que a porta está aberta e você pode ir embora a hora que você quiser e eu não a culparei se for

— Mas eu quero assumir um compromisso com você Isabella, aqui, no jardim da minha mãe que eu tanto venero – repousou a mão carinhosamente no rosto da menina a olhando ainda mais fundo nos olhos – Eu te amo! Amo com todas as forças do meu ser, e sei que vou amar para sempre. E eu juro pra você que vou me esforçar todos os dias para ser um homem digno de você, eu vou me curar Bella, eu vou seguir em frente de verdade e um dia vou me tornar um homem que você se orgulhe e que tenha condições físicas e emocionais de estar ao seu lado zelando por ti, e quando esse dia chegar, ai sim, eu vou te prender e você será eternamente minha — Isabella respirava em arfadas, queria dizer que ele já era esse homem, mas sabia que o estranho protestaria e aquele não era o momento para discussões

— Eu também te amo Edward e não vou a lugar algum. Esperarei o quanto for preciso e estarei sempre a seu lado pronta para te tirar de quantos sótãos forem necessários

O estranho novamente sorriu e se ajoelhou perante a garota que imitou o ato dele diminuindo toda a distância que os separava

Em meio a alagrimas de emoção trocaram um longo beijo selando o compromisso que firmaram um com o outro ali

Não eram necessários rótulos para definir o que existia entre eles, ambos se amavam e estariam ali um pelo outro. E pra quem fizesse questão de um rótulo, eles já tinham um muito bom e bem antes de qualquer outro sentimento aflorar dentro deles

Eram amigos, e o seriam para sempre! Como que em forma de bênção, um vento soprou pelo jardim desprendendo algumas rosas das roseiras que os cercavam, fazendo com que as pétalas voassem por sobre o casal que permanecia unido em um beijo repleto de sentimentos e significados

Continua...

Notas finais
Boa noite pessoas lindas Oh eu de madrugada postando capitulo kkkk preparadas para o fim do OES? Vamos ter por volta de somente mais três capítulos e o epílogo. Bjus nos vemos nos comentários