O Espelho do Tempo
7 Sentimento abstruso
Edward abriu a porta apressadamente, ele parecia estar nervoso, tinha percorrido Nassau inteira em busca de Elizabeth, mas só teve noticias dela quando passou pelo mercado de peixes no porto e ouviu dois marujos conversando. Eles pareciam dizer que; "O velho capitão John Avey finalmente tinha arrumado uma jovem mulher para levar à sua cabine". Quando Edward ouviu os comentários, correu até o suposto navio do capitão.
–Saia de cima dela, John. Não quero ter que te machucar... Se bem que tu destruíste meu navio.
–Está levando isto para o lado pessoal, capitão? -Perguntou John voltando sua atenção toda para Edward e se afastando de Elizabeth.
–Não me leve a mal, mas tu sequestrou a menina que estou tentando salvar, não vejo circunstância mais pessoal que esta.
–Sequestrei? Claro que não, eu e a senhorita Elizabeth estávamos apenas tendo uma conversa séria, não é senhorita?
Elizabeth caminhou para o lado de Edward ignorando a pergunta de John. Ela só queria sair dali o mais rápido possível, seus pensamentos estavam embaralhados em sua mente. "Como John sabia do espelho?" era a pergunta que mais se repetia no interior de Ellie.
–Apenas... Vamos embora, por favor. — Ellie segurou na mão direita de Ed. — Só quero que tudo isso acabe.
Edward consentiu. Por mais que ele quisesse continuar ali para enfrentar John Avey e entender o que estava acontecendo, se retirar talvez fosse a melhor opção.
Os dois caminharam juntos até a poupa do navio de John, quando o velho capitão saiu de sua cabine. Ele olhava para Elizabeth com o mesmo sorriso gentil de antes.
–Quem sabe não nos encontramos por aí afora, garotinha.
Ellie o encarou com raiva e apertou forte a mão de Ed.
–Com certeza iremos capitão.
–Aguardo ansiosamente pelo nosso reencontro.
A menina e o pirata desceram do navio de John e antes de se direcionarem até o navio de Edward, Elizabeth olhou para trás confirmando sua suspeita; John já não sorria gentilmente, em vez disso seu sorriso parecia ser sarcástico e até mesmo malicioso. Tudo, menos gentil.
No caminho de volta ao navio de Ed, o silêncio marcou a caminhada. A garota queria se desculpar com o rapaz, mas parecia ter vergonha de admitir que estava errada, mesmo assim ela resolveu arriscar:
–Desculpe por ter saído mesmo você dizendo pra eu ficar no navio.
–Tudo bem Elizabeth, a culpa de certa forma não foi sua.
–Não. — Ellie parou de caminhar e olhou diretamente para Edward. — Eu sei que foi culpa minha, só estou pedindo desculpas para você não ficar bravo comigo.
–Não estou bravo.
–Você quer que eu te conte sobre o espelho, não é?
–Eu não voltei pra te salvar, não fui até lá por você. "O que é o espelho" ou "onde ele está"... Estas coisas não me interessam em nada.
Edward soltou da mão de Elizabeth e continuou seguindo o caminho até o navio, ela o seguiu logo atrás, mas depois parou de caminhar novamente. O pirata olhou para ela irritado:
–O que foi dessa vez?
–Me perdoe, por ter atrapalhado você, por ter sido idiota e ter seguido o John. Eu lhe contarei tudo sobre o espelho... Apenas... Não agora. Eu sei que não voltou por mim, sei que não se importa comigo, mas quero que saiba que fiquei feliz, por você ter feito aquilo, fiquei feliz por ter me salvado, Ed.
–Menina idiota... — Elizabeth encarou Edward, horrorizada, mas antes que pudesse xingá-lo, ele continuou. — Entenda uma coisa; eu nunca vou deixá-la morrer, pelo menos não enquanto for um dos meus marujos.
Edward sorria, e aquele sorriso confortou o coração de Ellie. Ela entendeu o recado; ele não estava bravo, ele a perdoou.
–Um dos seus marujos, é?
–Sim, um dos meus!Agora venha comigo, tenho uma surpresa para você no navio.
–Não, por favor, sem surpresas.
Os dois riram até que Edward estendesse sua mão novamente.
–Vamos princesa de calças, sua carruagem a espera.
–Já disse para não me chamar assim!
Eles seguiram juntos até o navio, e a garota não se importava com o que Ed tinha dito, ela sabia de certa forma, que ele escondia o que sentia. Ele havia mentido, assim como mentiu sobre a taberna estar fechada, mas ela não se importava.
De certa forma, ele a fazia sentir-se em casa. Ela se sentia segura ao seu lado, e talvez um dia, ela o entenderia assim como ele parecia entendê-la.
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