O dia começou cedo em Nassau, Elizabeth acordou com a luz do sol atingindo-lhe a face e Edward cutucando-lhe as costas.

–Bom dia princesa de calças, como foi passar a noite no barril?

–Nada bom para as minhas costas, aliás, pare de me chamar de "princesa de calças".

–Elizabeth é um nome muito comprido para se pronunciar, na verdade, seu nome me dá sono.

–Você não precisa me chamar de Elizabeth, pode me chama de "Ellie".

–"Ellie"... Hum... Não parece tão ruim, irei te chamar de Ellie então.

–E como eu devo te chamar?

–Pode me chamar de Edward.

–Mas esse é seu nome, quero chamá-lo por um apelido... Já sei, vou chamá-lo de "Ed".

–"Ed"? Da onde você tirou esse nome?

–Não é um nome, é um apelido.

–Um ape... O quê?

–Deixa pra lá, de qualquer forma te chamarei de Ed.

Elizabeth levantou-se do barril e seguiu para o timão do navio.

–Aonde você vai princesa de... Digo... Ellie?

–Nós não vamos navegar hoje?

–Não, hoje eu e a tripulação sairemos para resolver alguns assuntos pendentes. Fique no navio.

–O que? Ficar no navio? Você quer que eu fique mofando aqui enquanto você sai para se divertir?

–Ontem você não parecia achar ruim a ideia de "mofar" aqui. -Edward virou-se de costas para Elizabeth e com uma voz séria continuou — Não saia do navio.

Elizabeth ficou irritada com a atitude do rapaz, ela queria entender por que não poderia andar livremente por Nassau assim como todos os outros piratas do navio.

Ela decidiu que sairia de qualquer forma e assim que Edward se afastou um pouco para conversar com um marujo, ela andou rapidamente em direção à rampa que ligava o navio ao porto, porém quando estava prestes a sair, alguém lhe agarrou pelo braço.

–Eu disse para não sair!

–Meu braço... Está me machucando

Edward olhava fixamente para Elizabeth, e não demonstrava um sorriso sequer no rosto, ele estava sério e por um momento, a menina sentiu medo daquele olhar que, penetrando-lhe a alma, dizia "fique".

Quando se deu conta de que estava machucando a garota, Edward soltou-a e pediu desculpas.

–Não queria machucá-la... Apenas, por favor, não saia.

–Por quê? Por que não posso sair?

–Por que tem alguém... Que você deve evitar.

–Quem?

A boca de Edward fechou-se tão rápido quanto se abrira. Ele parecia vacilar. Seus olhos percorriam a região como se estivessem buscando por algo ou alguém suspeito. Ele afastou-se de Ellie, chamou a atenção de alguns marujos e, caminhando para fora do navio, disse:

–Apenas não saia. Retornarei em breve, prometo.

A garota ficou olhando a figura de seu amigo sumir em meio às pessoas. Ela não ficaria ali. Não iria simplesmente mofar na poupa do navio.

Assim que Edward sumiu, Ellie desceu do navio e andou pelas estradas de terra da ilha. Nassau era uma ilha cheia de piratas, só havia piratas. Piratas bebendo, conversando, brigando... Eram todos de certa forma, assustadores para Elizabeth. Ela tentava manter a calma enquanto olhava as vitrines de algumas lojas. Predominantemente, havia lojas de bebidas, mas também havia algumas lojas de armas e roupas, estas que chamaram a atenção da menina. Eram vestidos de todas as cores, formas e tamanhos.

A garota parou para admirar um vestido que lhe chamara a atenção, ele era de um verde tão intenso e possuía rendas brancas.

–Combina com teus olhos.

Um velho com uma cicatriz no rosto se aproximou da menina.

–Meu nome é John Avey.

Elizabeth se assustou com o comentário e com o homem que surgiu do nada a seu lado, a menina ignorou o tal "John" e dando-lhe as costas andou com passos apertados até o navio. Ela se lembrou automaticamente de Edward dizendo-lhe para que não saísse do navio. "Droga, deveria tê-lo ouvido" pensava a menina.

–Não tão rápida moçoila, só quero conversar. -Disse o homem segurando Ellie pelos braços. -Sou um velho conhecido do pirata que anda contigo, aquele homem esbelto de 25 primaveras, olhos azuis, cabelos loiros presos por uma fita vermelha.

A menina cessou sua relutância, porém continuava olhando para o homem de forma desconfiada.

–Edward?

–Sim! Edward, o pirata.

–Capitão. — corrigiu a menina.

–Tanto faz garota. Vamos, venha, quero mostrar-lhe meu navio.

Elizabeth não queria ir com aquele senhor, mas de certa forma, tirando a cicatriz ele parecia ser simpático, além disso, ela queria provar a Edward que podia andar por Nassau sem temer alguém.

Ela seguiu o homem até seu navio, um navio bem maior que o de Edward, de madeiras negras e detalhadas.

–É um bom navio.

–É maior que o de Edward.

–E garanto que bem melhor também. Venha, quero lhe mostrar algo.

O capitão John parou em frente a sua cabine abriu a porta.

–Não sei se deveria... — Elizabeth não estava segura sobre a situação. — Edward diz que mulheres não podem entrar em cabines, talvez eu deva ir embora agora.

A garota ia se afastando quando John segurou-lhe uma das mãos.

–Por favor, quero lhe mostrar algo, e creio que seja importante.

Ellie olhou para John que sorria gentilmente para ela, então olhou em seguida para a cabine do capitão e decidiu entrar. A garota deu uma última olhada para a ilha e então andou calmamente até a cabine.

–Isto mesmo... Fique a vontade.

John entrou logo depois de Elizabeth, ele sorria gentilmente para a garota, mas assim que a porta se fechou seu sorriso desapareceu.

–Então Elizabeth, nós precisamos conversar.