O Espelho do Tempo
12 Alto mar
Era a primeira vez que Ellie empunhava uma espada e no fundo ela sabia que não podia bobear, pois se ela falhasse John a mataria.
Ela se preparou para atacar. Arqueou o corpo.Prendeu a respiração. Suas pernas se moveram tão rápido que seus olhos não puderam acompanhar o ritmo e ficaram focados em uma única coisa; a perna de John.
A perna do velho capitão já estava um pouco cortada devido à tesoura com a qual a garota o havia golpeado. Em um movimento rápido, a garota direcionou a espada para a perna do capitão mas seu ataque foi bloqueado.Seu movimento havia sido rápido, mas não o suficiente.
–Elizabeth! -Gritou Edward.
Edward ficou boquiaberto quando viu John bloquear o ataque de Ellie e a jogar no canto do quarto. Ela estava ferida.
–Parece que nunca manejou uma espada, doce garotinha. — John foi se aproximando até que colocou a ponta de sua espada na garganta da menina. -Acabou.
Quando estava pronto para desferir o golpe na garota, John foi interrompido pela espada de Edward.
O sorriso do velho capitão sumira quando este notara que Ed não estava sério, pelo contrário, ele estava sorrindo.
–Aprenda uma coisa, princesa de calças. -Edward empurrou sua espada contra a de John. — Essa espada que o John possui, se chama Rapieira.
A garota tentava, em vão, estancar o ferimento na barriga que John havia lhe causado, mas desviou seus olhos e os fixou na espada. Era uma espada comprida e estreita, bem diferente da espada de Ed.
–Esta espada, é famosa em Portugal, Itália e Espanha, quem a possui são nobres e membros da elite, e ela é usada apenas por aqueles que são muito bons em combate.
O rapaz segurou firmemente sua espada contra a de John e, em com único impulso, empurrou o velho capitão que recuou alguns passos.
–Vá princesa de calças. -Disse Edward sorrindo para a garota. — Cuidarei deste moribundo.
Elizabeth não pensou duas vezes, tentou se levantar e caminhar para fora da sala, porém não conseguiu sequer dar dois passos. Não que a dor dos ferimentos estivesse insuportável, mas o fato de que estava abandonando Edward a incomodava, ela olhou para o velho capitão e notou como seu corpo se movia rapidamente, dando-lhe a impressão de que era leve. Diferente dela, o jovem pirata lutava desde muito cedo, pertencia ao mar e mesmo que fosse perfurado duas vezes pela espada de John, permanecia em pé ignorando a dor.
Ela não podia deixá-lo para trás e foi olhando ao redor que ela teve uma ideia.
A garota se aproximou de sua mesa no meio do quarto e começou a empurrá-la rapidamente. Empurrar a mesa não foi difícil para Ellie, pois mesmo que ela estivesse ferida, a vontade de proteger Edward era maior que qualquer dor presente em seu corpo.
John estava ocupado de mais atacando e bloqueando os ataques de Edward para perceber que a garota empurrava a mesa em sua direção e, quando notou era tarde de mais.
–O QUE ESTA FAZENDO SUA PESTINHA!?
Ed percebeu a intenção de Ellie e rapidamente a ajudou a empurrar o velho capitão para fora do navio.
–Espero que saibas nadar, senhor. -Disse Edward sorrindo.
John foi arremessado para fora do navio, caindo em alto mar.
Quando John surgiu entre as águas, nadou de volta ao que sobrara de seu navio chamando sua tripulação que voltou rapidamente aos comandos do capitão.
–Não vai impedi-lo, Ed?
–Não, seu navio está muito danificado devido aos nossos contra-ataques, vou deixar que parta.
Ellie parecia mais tranquila agora que o perigo iminente havia passado, mas sua barriga começava a doer de uma forma infernal. A garota começou a se abaixar e curvou-se sobre o ferimento.
–Preciso... De um médico.
Edward levantou a garota e a levou cuidadosamente para a cama, ela estava mais pálida que o normal. Sério, ele tentou acalma — lá.
–Thomas... Ele pode ajudá-la.
–Thomas não é um médico!- Bradou a menina.
–Mas ele pode ajudá-la, não se mexa.
O jovem capitão saiu às pressas da cabine, ele estava nervoso e preocupado de mais para ouvir as reclamações de Ellie.
–Como se eu tivesse opção... -Cochichou a menina. -Eu só queria que tudo isso não passasse de um sonho...
Mas não era um sonho, seu ferimento era real, o sangue em suas mãos era real e especialmente, sua dor era real.
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