O Espectro do Tempo

2 A Mulher Que Levou Um Tiro Por Mim


Notas iniciais
Oi gente, desculpa pelo atraso massivo para postar o segundo capítulo. A ideia era e ainda é postar um por semana, e eu vou tentar meu máximo pra me manter nessa linha. De qualquer maneira, seguimos com a história. No primeiro capítulo, acabei não deixando muitos comentários, mas nas notas finais, vou falar um pouco mais sobre ambos os capítulos, e sobre a história como um todo. Enfim, espero que gostem!

Para alguém capaz de controlar o tempo, sonhos são como viagens. Ter um sonho com o seu passado é mais do que apenas revisitar memórias. Eu sabia que eu estava lá, como uma terceira pessoa. Eu poderia ser visto, poderia mudar o curso da história.

Até hoje, os detalhes sobre o dia que eu ganhei meus poderes fogem da minha mente. Parece que uma névoa paira sobre essas memórias, me impedindo de ver e lembrar todos os detalhes.

Quando acordei, minha cabeça doía e eu tinha a ligeira impressão de que eu estava atrasado. Tipo, muito atrasado. Como alguém que consegue controlar o tempo, tendo literalmente todo o tempo do mundo, conseguia se atrasar para algo? Sendo eu. Basicamente.

Ok, resumo rápido do que aconteceu no meu mundo, como um todo, depois de ganhar meus poderes. De alguma forma, eu fui salvo da explosão do edifício do Centro de Pesquisas Keth. E, de alguma forma, eu sabia que meu irmão também havia sido. A explosão do CPK matou todos os indivíduos presentes no prédio, além de ter causado muitos danos à prédios adjacentes e a rua onde se encontrava. No total, pouco mais de 200 pessoas morreram na explosão, e mais 100 ficaram feridas, a maioria de forma grave. Durante 5 anos, instituições governamentais tentaram investigar possíveis causas da tragédia, retendo todas as informações e bens possíveis do CPK. Mas qualquer investigação levava a constantes andadas em círculos. Então, depois desses 5 anos, o Grupo Hayes e Siverson de Pesquisa e Desenvolvimento (GHSPD), empresa que tomou o lugar do CPK como grande polo de tecnologia e desenvolvimento, se interessou por parte das pesquisas e as solicitou. Hayes e Siverson construíram uma sede administrativa no lugar do CPK e passaram a expandir ainda mais.

Quanto a mim, passei 6 anos da minha vida aprendendo a utilizar meus poderes, bem longe de Aehon, minha cidade natal, longe da minha antiga vida. Tive um desentendimento com os responsáveis pelo meu treinamento e me afastei. Me reinseri no mundo com novo nome e novos documentos, e um novo objetivo: fazer o possível e impossível para achar o meu irmão.

Hoje tenho 24 anos, 10 anos mais velho do que era quando o Centro de Pesquisas Keth explodiu. Com o nome de Jonas Miller Landrum (sim, eu não troquei meu primeiro nome porque eu acabaria ficando confuso eventualmente), eu me tornei um funcionário do Grupo Hayes e Siverson. Mais especificamente, me tornei um supervisor de pesquisas sobre ondas gravitacionais e atividades temporais (basicamente a pesquisa recuperada de Larry Keth).

Mas não, não era para o meu expediente que estava atrasado, e sim para um compromisso no banco. Algo relacionado a uma falha no meu cartão de crédito ou algo do tipo. Tendo super poderes ou não, burocracia sempre é um saco.

Me arrumei da forma mais básica e rápida possível e saí de casa para as ruas de Capital City. Uma parte positiva de trabalhar em laboratório é que eu só precisava me preocupar em colocar uma calça jeans e sapatos, e podia pegar literalmente qualquer camisa dentro do armário. Até porque eu tinha que usar o jaleco por cima mesmo. Tinha dias que eu ia de pijama para o laboratório. Recomendo.

Andar por Capital City sempre me animava. A cidade fica no estado de District, a capital dos Estados Unidos (pelo menos, na minha terra). District quase sempre tinha dias ensolarados, porém não muito quentes. A cidade tinha um ótimo planejamento de arborização urbana que já existia há alguns anos, dando bastante charme.

Após alguns minutos de uma caminhada agradável, cheguei ao banco. Caixas eletrônicos azuis eram utilizados por pessoas que pareciam ter uma pressa excessiva, vestidos como se tivessem um cargo muito chato em uma empresa muito importante. Do outro lado da porta giratória com o detector de metais, estava os guichês de atendimento para as inúmeras pessoas que tinham problemas com o banco. Felizmente, não parecia haver tantas pessoas assim esperando, o que me deu um certo alívio.

Veja bem, os últimos quatro anos da minha vida haviam sido completamente normais. Ou tão normais quanto podem ser para alguém com um nome falso e super poderes. Eu me acostumei com a rotina e com a calmaria usual de Capital City. Tanto me acostumei que demorei a perceber que aquela não era uma calmaria tão usual. Em retrospecto, se fosse em outro momento eu já teria suspeitado de algo. Teria percebido que o mundo ao meu redor parecia mais lento, as pessoas andando mais devagar, até os pássaros batiam suas asas com atraso.

Infelizmente, eu só fui perceber isso quando eu entrei no banco. O que quer que estivesse causando a anomalia, se intensificou. Tudo ao meu redor ficou ainda mais lento e mais... “pesado”. Minha visão ficou turva, uma dor leve começou a surgir atrás dos meus olhos e por um momento minhas pernas tremeram. Então, tudo voltou ao normal. Um segurança pareceu perceber que eu não estava bem e fez menção de me ajudar. Mas antes que ele desse o primeiro passo, eu senti uma arma nas minhas costas.

—Ninguém se mexe, caralho! — Ele gritou, enquanto pressionava meu pescoço com o braço e levava a arma à minha cabeça. —Se não o baixinho aqui morre.

“Baixinho?”, pensei para mim mesmo. “Ok, a gente pode focar depois no comentário sobre a altura e focar na arma que tá apontada pra sua cabeça agora?!” pensei logo em seguida. Tudo bem que eu tinha 1,78m, mas não era motivo suficiente para me chamar de baixinho (ok, juro que vou voltar para a história).

Me forcei a ficar calmo e analisei a situação ao redor. O assaltante não era muito mais alto e não parecia ser muito mais forte do que eu, o que significava que se eu fosse hábil o suficiente poderia me livrar dele, mesmo sem poderes (dica 1: tente aprender a se defender mesmo se você tem poderes. Dica 2: não tente se defender contra um cara armado a não ser que você tenha certeza de que não vai estar arriscando muito sua vida ou a vida das pessoas ao seu redor). Como era uma situação que muitas pessoas estavam próximas a mim (e a maioria estava em pânico), considerei usar meus poderes para me livrar. Porém, assim que tentei fazer isso, senti a anomalia de novo. A dor na minha cabeça ficava mais forte, me impedindo de focar no que eu estava tentando fazer.

—Abaixa a arma. — Uma mulher disse, tentando se aproximar de nós. Ela parecia ter mais ou menos minha idade, cabelo loiro preso em um rabo de cavalo, e os olhos azuis estranhamente seguros para alguém que estava basicamente pedindo para tomar um tiro. —Você não quer fazer isso, ok? Você não precisa. — Ela falava com a segurança de alguém que já tinha visto isso antes, que já tinha vivido algo parecido.

—Eu não pedi sua opinião! — Disse o assaltante, apontando a arma para a mulher que tentava me ajudar e atirando nela.

Um homem gritou desesperado perto da porta, seguido por outra mulher que estava atrás de mim. Isso fez o assaltante hesitar por um momento. Sem meus poderes, tive que aproveitar essa hesitação como oportunidade, antes que as coisas saíssem ainda mais do controle.

Joguei minha cabeça para trás com toda força possível, acertando o nariz do nosso sequestrador, o que o atordoou o suficiente para que eu puxasse o braço dele para baixo e tomasse a arma dele. Depois, girei meu corpo e acertei uma cotovelada no rosto do homem, logo depois acertando um chute e um soco que o fizeram cair desacordado no chão do banco.

Por um segundo, senti um leve orgulho de mim mesmo. Mas, logo depois, minha cabeça voltou a doer, mais forte ainda. O mundo ao meu redor girou, e eu caí ao chão com a tontura, enquanto minha visão escurecia. Minha última visão antes de desmaiar foi ver a mulher que levou um tiro por mim respirando de forma ofegante no chão.

Notas finais
Olha eu aqui de novo. Vamos às notas dos capítulos. O primeiro capítulo, como vocês viram, foi basicamente uma introdução, pra vocês saberem como e quando Jonas ganhou seus poderes, além de outros detalhes que vão ganhar mais importância no seguimento da história. Vocês vão ver. Já o segundo capítulo trás Jonas ao presente, trazendo mais detalhes importantes e interessantes sobre o que aconteceu com ele e o mundo ao redor nos dez anos que se passaram após o acidente que o deu poderes. Além disso, esse capítulo começa a introduzir levemente Jonas na jornada que ele deve seguir nessa história, embora ainda não seja muito claro para ele. A tendência da história vai ser essa, em alguns capítulos Jonas vai visitar seu passado para poder explicar e lembrar fatos importantes do mesmo, e em outros a história segue seu curso normal no presente. Só pra avisar. Por fim, quero falar que essa história faz parte de um conjunto de outras história. Não vou entrar muito em detalhes, mas posso dizer duas coisas. Você não vai precisar necessariamente ler essa história para entender o contexto de outras futuras, e vice-versa. E as histórias não vão ter sempre uma conexão muito óbvia entre si. Resumindo, é só o começo. Enfim, me estendi demais nessas notas. Obrigado por ler o capítulo e meus pensamentos aleatórios. Até a próxima!