Eu sentia falta de Edward com todas as minhas forças. E, dessa vez, a situação era ainda pior do que nos últimos meses — os conturbados e terrivelmente longos meses em que fui abandonada em Forks. Deixada no breu pelos Cullen. Isolada dentro de minha própria (e entorpecida) cabeça.

A grande questão é: como as coisas chegaram a esse ponto? Nesse maldito ponto onde nem minhas escapadas da realidade com meu melhor-amigo-lobisomem ou minhas peripécias recheadas de adrenalina, como brincar de pular de penhascos e quase morrer afogada, anulam a maior das verdades. E a verdade é que eu precisava de Edward. Ele devia estar aqui, do meu lado, e não do outro lado do Atlântico.

Tudo bem, estou embaralhando as coisas pra quem não soube do incidente em Volterra.

Alice previu minha morte. Edward, por sua vez, leu a mente de sua irmã e, consequentemente, o meu futuro trágico. Entretanto, a visão de Alice estava incompleta — por causa dos lobisomens da reserva indígena, os poderes da vampira mais fofa do universo não foram capazes de me ver sendo salva das águas gélidas e turbulentas de La Push. Viva.

Edward, sabendo do acontecido pela metade, decidiu acabar com a sua vida, e a única maneira de fazer isso era convencer os Volturi de Volterra a colocarem um fim no terrível sofrimento de me perder. Vai entender.

E foi aí que as coisas saíram completamente dos eixos.

Rosalie não esperou mais do que alguns milésimos de instante para correr de volta para Forks e poder verificar por si mesma se eu estava, de fato, morta e enterrada. É claro que foi uma enorme surpresa para ela me encontrar de pé no meio do meu quarto comendo macarrão instantâneo. Afinal, eu não tinha virado comida de minhoca.

Confesso que esse encontro, entre todos os meus outros encontros passados com vampiros, fora o mais apavorante. Achei que ia morrer quando a mulher loira e esbelta à minha frente começou a socar (e destruir) a parede do meu quarto. E só o que eu conseguia fazer era perguntar por ele.

"Edward está bem? Onde ele está? Eu preciso saber, Rose!"

Ela cerrou os dentes mais reluzentes que eu já vira em toda minha vida e me fuzilou com os olhos parcialmente dourados — estavam cor de ferrugem na época — e disse "Colocando a corda no pescoço. Na Itália."

A situação me foi explicada entre gritos e pragas, mas eu entendi que Rosalie me culpava pelo que estava acontecendo. O que não deixava de ser verdade, mas aquela não era a hora de me culpar, afinal, ela dizia que era minha obrigação salvá-lo, caso contrário...

"Vou me certificar de que a visão de Alice seja concretizada." ela franziu o cenho. Eu estremeci, pensando comigo mesma que Rose devia estar perturbada de tal maneira com tudo que estava acontecendo que sequer se deu conta da falta de sentido no que fazia.

Quais eram as chances de eu salvar Edward por minha conta? Era muito mais provável que ele fosse salvo por alguém como ela, que estava perdendo tempo destruindo meu simplório quarto.

A prova de que as coisas tomaram um rumo bem diferente do esperado, é que tanto eu como Edward continuamos vivos. O problema é que uma distância do tamanho do Oceano Atlântico ainda nos separa. E tudo isso é culpa do que se passou em Volterra algumas semanas atrás.

Notas finais
Reviews? Prólogos são breves e introdutórios, você não esperava nada mais que uma breve introdução, não é? xD