O Espaço do Silêncio
1 Decifrando Sinais

Às vezes, a parte mais difícil de amar alguém não é o sentimento em si, mas o que fazemos com a ausência que essa pessoa deixa. Ficamos guardando um lugar à mesa, um espaço na cama e uma frequência no rádio, esperando que a qualquer momento a porta se abra e tudo volte a fazer sentido. Vivemos de pequenos sinais, de entrelinhas, de canções que parecem falar diretamente conosco na calada da noite.
Mas a verdade mais dura — e, ao mesmo tempo, a mais libertadora — é que o amor não deveria ser um enigma a ser decifrado. Quem quer estar junto, faz o caminho de volta sem precisar de metáforas. Quem quer ficar, não constrói a saudade.
Decidir fechar uma porta não significa que o que foi vivido perdeu o valor, nem que o amor sumiu do peito. Significa apenas que você cansou de esperar em uma estação onde o trem já passou. Significa escolher a sua própria paz, o seu sono e a sua saúde mental em vez de uma esperança que só te mantém presa ao chão.
Não se cobre para parar de sentir ou para encontrar um novo amor amanhã. O coração não obedece a prazos. Mas dê a si mesma o direito de recolher os seus pedaços, mudar a rota e caminhar em direção ao seu próprio abraço. O silêncio que hoje assusta, amanhã será o espaço onde você vai se reencontrar.
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