O Escolhido
1 Capítulo 1
Notas iniciais
“Onde estou?”, pensa um rapaz caído no chão severamente machucado.
A chuva cai forte em seu rosto, uma grande cratera paira ao seu redor. Escombros espalhados por todos os lados, corpos de soldados caídos no chão com algumas partes de seu corpo desmembradas e um grande exército a uma distância de 450 metros de seu corpo. Tendo perto de si somente algumas pessoas e uma garota apoiando sua cabeça em seu peito.
— Por favor — uma garota chorando em prantos fala desesperada — não morra.
A voz de choro da garota ecoa por seus ouvidos, deixando as pessoas que ali estão totalmente sem reação.
— Arya, ele… acredito que nem mesmo pode mais te ouvir — diz um jovem rapaz colocando sua mão no ombro da garota, com um certo tom de tristeza.
Sua visão embaçada, se deve pelo tanto de sangue que está perdendo, que o leva a pensar somente em uma coisa: “Eu… vou morrer?”
A espada encravada em seu peito o impedia de morrer de forma rápida, mas lentamente suga sua energia vital o deixando mais próximo de sua morte evidente. O céu se cobre de relâmpagos, o estrondo é facilmente escutado por todos a uma longa distância do local, a chuva e os raios que cai parece demonstrar a tristeza e a raiva dos deuses ao ver a única esperança de Alduin partir.
Em meio ao mar de estruturas destruídas, um homem de cabelos compridos e negros vestindo uma armadura preta se levanta, estando gravemente ferido e mal se aguentando de pé. As pessoas ali presentes se demonstram cheias de agonia e remorso em seus olhares.
Levando sua mão em seu rosto limpando o sangue que escorre e percebendo o restante de suas feridas, o homem começa a andar lentamente em direção ao grupo de pessoas que estão ao redor do rapaz caído no chão.
— Incrível... mesmo tendo minha espada encravada em seu peito, você se recusa a morrer — Com um olhar cheio de raiva e remorso, o homem emana uma incrível pressão sobre eles, fazendo com que caem de joelhos no chão sem poder fazer absolutamente nada e lentamente se aproxima.
Mancando, com o corpo cheio de feridas e sem um braço, uma das pessoas para em sua frente segurando uma espada reluzente.
— Não se aproxime mais ou… juro por tudo que é mais sagrado que custe o que custar eu te matarei — fala com um tom de hesitação em sua voz.
O homem então para de se mover, observando a situação.
— Esta espada, esta maldita espada — Levantando sua mão, uma lâmina negra se forma em seus braços.
— Não… se aproxime mais do Lucas seu mal…
Com um movimento de sua mão a cabeça do jovem que tenta proteger seus amigos voou pelos ares. O movimento de seu braço foi tão rápido que nem mesmo teve sequer hipóteses de reagir. Mesmo que desse para ver, não conseguiria fazer nada em sua situação.
— Pe… dro — A cor dos olhos de Arya se perde, aquele momento fez com que ela perdesse toda a gota de esperança que restava dentro de si.
Ela não foi a única a perder às esperanças, todos que ali estavam e presenciaram tal cena tiveram um medo enorme tomando conta de seu ser, não tinham mais brilhos em seus olhares, já haviam perdido totalmente à esperança de vencer aquela guerra e aquele homem.
Parando em sua frente, vê as lágrimas dela através da chuva caindo.
Um vulto de relance semeia o lugar, aparecendo uma pessoa ajoelhada vestindo uma armadura o reverenciando.
— Meu Lorde a tropa está em aflição. Os Reis demônios estão agindo estranho, creio que planejam uma rebelião já que o senhor está machucado…
“Tropa?” Caído no chão, Lucas não consegue nem sequer mexer sua boca para falar algo, restando apenas seus pensamentos.
— Mesmo à beira da morte você ainda me atrapalha — O homem se vira de costas e anda em direção de seu grande exército — por respeito à sua grande força não tocarei em seus amigos, mas… se decidirem intervir no que farei a seguir não demonstrarei piedade.
O sangue escorre de sua boca, o homem mal se aguentando em pé, demonstra força o suficiente para que seu exército não ouse desafiá-lo.
“Hades… juro, irei te matar não importa o que aconteça”, pensa Lucas olhando para Hades indo embora.
O tempo ao seu redor para e nada se meche, podendo ver cada gota da chuva. Um enorme silêncio toma conta de seus ouvidos, escutando somente passos vindo em sua direção. Uma pessoa misteriosa vestindo uma roupa velha amarronzada de capuz, com barba grossa e cabelos pretos, com a parte esclerótica de seu olho preta e a pupila de seu olho no formato de um relógio grego aparece diante dele.
— O que você deseja?
Lucas permanece em silêncio observando a situação.
— Perguntarei de novo… o que você deseja?
Não conseguindo dizer uma palavra sequer, tudo o que resta para Lucas é dizer em seus pensamentos o que quer.
“Eu… quero uma oportunidade de consertar tudo, uma chance de conseguir matar esse desgraçado e pôr um fim nessa guerra maldita. Sim, quero ser forte, desejo mais poder para poder proteger aqueles que amo.”
O homem misterioso acena com a cabeça parecendo ter escutado seus pensamentos.
— Sendo assim… realizarei seu desejo.
“Quem… é você?”
— … Ainda é cedo para você saber quem sou.
Ao estender sua mão para frente em direção do corpo de Lucas, um círculo magico aparece no formato de um relógio e nesse momento tudo o que ele já viu, tudo o que presenciou passou diante de seus olhos sem vida.
Admirando tal coisa tudo o que resta para ele é pensar se isto tudo é real, se realmente está acontecendo ou se é somente uma ilusão antes de sua morte. O homem fecha seu punho e tudo para... em um exato momento.
— Faça bom proveito de sua segunda vida...
De repente Lucas acorda assustado, se debatendo com sua mão em seu peito para ver se a lâmina ainda está encravada.
Sem entender nada, olha ao redor e percebe que está em um quarto, tendo uma estante de livros e um uniforme escolar em um cabide no guarda-roupa.
“Isso é… um sonho?”, pensa transtornado.
Não acreditando no que vê com seus olhos anda em direção a janela do quarto, abrindo as cortinas acinzentadas se surpreendendo com sua visão.
“Isso... isso é impossível. Estou na terra?”, pensa incrédulo.
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