O Escolhido
7 Todo tempo do mundo
Notas iniciais
Pai de Sam: Nunca deixe que o medo de perder te impeça de jogar.
– A nova Cinderela.
– Não me diz que você fez isso?!
– Claro que foi né moleque.
– Como isso é possível ?
– Digamos que meu Teletransporte consegue romper barreiras. — respondo rindo.
Ele olha para todos os lados com muita atenção vendo cada detalhe do universo Divergente.
– Vamos, não podemos demorar, daqui a pouco eles chegam.
– Eles quem ? — pergunta.
– Você sabe, a Tris e o Uriah, etc. — respondo.
– E a gente pode falar com eles? — diz esperançoso.
– Claro que pode, mas vamos logo, temos que mudar de roupa antes. — sigo caminhando em direção ao Eixo
– Por que? — olho para sua roupa e ele entende o recado, esta vestindo uma camisa vermelha dos beatles e um jeans preto — Ah claro, um sem facção, entendi.
🌙
Continuamos caminhando e Pedro olha em tudo a sua volta admirado, não o culpo, estamos em nosso livro favorito.
– Caraca, isso real? Ou só está acontecendo na minha mente? — pergunta mais pra si mesmo do que pra mim, mas não deixo de rir com o seu pensamento.
– É claro que esta acontecendo na sua mente, mas por que isso significaria que não é real? — ele para e me olha, deve ter entendido o trocadilho.
– Você ta citando Harry Potter né? — pergunta confuso.
– Sim, Desculpa, as vezes eu cito partes de livros, filmes, músicas e a situação combinou muito com o que você falou.
– Não, tudo bem, eu acho legal.
Olho para frente e já consigo ver o Eixo, sorrio e Pedro segue o meu olhar.
– Não me diz que a gente vai fazer tirolesa? — pergunta surpreso.
– Olha, se você não quer que eu diga, eu não digo. — ele olha pra mim esperando uma resposta e eu continuo — mas vamos. — ele assente e continuamos caminhando.
Sei que tem alguma coisa de errado, ele não esta euforico como deveria estar, esta sério, suando frio.
– O que tem de errado?
– Nada. — se ele acha que me engana esta muito enganado, faço uma careta e ele continua. — Ta, tudo bem. Talvez eu tenha um pouco de medo de altura.
– Ah, nem é tão alto assim... Só uns cem andares.
– Cem andares Karina? !Nem a pau eu vou lá. Vem — segurou a minha mão me puxando na direção contrária — vamos passiar perto da sede da Audacia.
– Para de ser frouxo moleque! Não sei se você percebeu, mas estamos parecendo um sem facção, e não sei se você se lembra, mas os membros da audacia não gostam muito de sem facções! Seria mais seguro pular do abismo!
Ele parece considerar a ideia ao meu ver. Sei que é seguro fazer a tirolesa, ninguém nunca caiu .Bem, pelo menos eu acho que não, não me lembro de ter lido algo sobre no livro.
🌙
O Eixo se encontra atrás de nós nesse momento, enquanto eu olho para as esquinas tentando achar a certa, Pedro esta olhando o Eixo e murmura algumas coisas que não consigo entender, até que ele começa a me cutucar, isso está me irritando.
– O que que foi moleque? Não ta vendo que eu to meio perdida aqui?
– Calma esquentadinha! Aquela ali não é a....
– Tris.- o corto.
– Caraca ela é do jeitinho que eu imaginei! Ela ta vindo pr... Aiii Karina! — empurro ele rapidamente que cai no chão.
– Fica quieto moleque, não podemos chamar atenção esqueceu? — pode parecer neura minha, mas desde que vim para a Chigaco futuristica não gosto de chamar atenção, num mundo onde ter aptidão para mais de uma facção é perigoso imagina não ser desse mundo e ainda ter poderes, Jeanine Matthews iria me trucidar!
– E tu não podia ter virado pra mim e dito " Pedro, se esconde que ninguém pode nos ver"? — diz irônico alisando o braço.
– O que foi que deu em ti hoje? Ta todo estranho!
–Você que ta toda nervosinha! Vou ter que esfriar sua cabeça Esquentadinha? — provoca.
– Nem pense nisso senhor Pedro Ramos, a última coisa que eu quero no momento é ficar ensopada.
– E o que fazemos agora esquentadinha?
– Esperamos ela chegar mais perto.
– Pra que? -Você vai ver.
🌙
Quando Tris já esta a uma distância consideravel começo a fazer a primeira parte do nosso código.
– Porque você ta assubiando? — pergunta confuso.
– É tipo o nosso código. Quando você achar que ela escutou me avisa okay?
– Okay.
Depois de alguns segundos assubiando vejo Tris sorrindo e olhando para todos os lados tentando me achar.
– Parece que ela ouviu K!
– Ótimo, segunda parte do código mode on. — Quatro relâmpagos seguidos foram ouvidos e já consigo ouvir o murmurio sobre eles de alguns iniciandos. Mais seis relâmpagos poderam ser ouvidos. É claro que nessa altura do campeonato Pedro ja tinha sacado minha jogada. Os quatro primeiros relâmpagos significavam uma referência a Quatro, os outros seis a Tris, juntos, os dez relâmpagos formavam o shipp Fourtris. E o assubiu era pra ter certeza que era eu, e não apenas uma chuva se aproximando, e também porque foi a primeira coisa que ensinei Tris fazer.
Quando ela já esta bem perto assubio mais 2 vezes pra ela ter certeza da onde estamos e vejo ela se afastar discretamente de Uriah e os membros da Audácia. Quero abraça-la, faz tempo que não a vejo, mas abraços são um comprimento da amizade, e mesmo se eu pudesse, Tris não esta acostumada com demonstrações de carinho.
– Careta! — brinco com ela assim que esta na minha frente.
– Zero! — ela devolve rindo. — Achei que não ia voltar mais!
– É que eu estive ocupada com algumas coisas, por isso demorei. — ela assente e olha para Pedro desconfiada. — Ah, esse é o Pedro, ele é diferente como nos duas.- eles apertam as mãos o qual é o cumprimento da Audácia.
– Então, pra onde ta indo? — pergunta.
– Estamos indo fazer uma especie de ritual de iniciação, mas não sei onde, nem o que vamos fazer.
– A gente pode ir junto? — pergunto e ela assente, mas ao olhar nossas roupas parece mudar de idéia. — Não se preocupa, nós vamos mudar de roupa antes. Eu deixei uma muda de roupa no Eixo por precaução. — digo para ela e me viro para Pedro.
– Vai você primeiro moleque. Só coloca uma blusa já que sua calça jeans já é surrada.
– Ta bom esquentadinha, já to indo.
– Rápido- retruco
Ele olha pra tras e começa a fingir andar em câmera lenta.
– Vai logo moleque! Esquece o Renato Russo que nós não temos todo tempo do mundo! — digo quase gritando e me lembro de um detalhe — e para de me chamar de esquentadinha!
– Depois não quer que eu chame de esquentadinha. — murmura.
Me viro para Tris e a vejo olhar para esquina onde os primeiros membros da audacia começam a entrar.
– Então, como anda a iniciação? — pergunto como se já não soubesse a resposta.
– Terrível, mas pelo menos sai em sexta colocação e consegui me safar de ser expusa. Mas ontem... Colocaram uma no olho de Edward. Tenho quase certeza que foi o Peter. — diz convicta.
– Ele ainda não parou de encomodar?
– Não.
– E o Quatro? — pergunto maliciosa.
– Ainda não o entendo direito, Chritina ainda tem medo dele acredita? — rimos — E esse tal de Pedro? Era da mesma iniciação que você? Quando se conheceram? Achei que fazia o tipo "garota solitária" — sempre foi curiosa, hoje não iria mudar.
– Não, ele é dois anos mais velho que eu. E bem a gente se conheceu.... É, huuum.... — onde nos conhecemos foi uma pergunta complicada. Quando decidi me aproximar de Tris no teste de aptidão e na cerimônia de escolha foi fácil. Inventei que era um membro da audacia e que não me encaixava em nenhum grupo por ser diferente deles,não demorou muito até eu conseguir a confiança dela, afinal, a conhecia como a palma da minha mão e sabia como e onde me aproximar. Agora, explicar porque eu sumia e voltava do nada me exigiu um pouco mais de criatividade, inventei uma historia pra boi dormir de que eu estava em uma espécie de missão para descobrir as causas divergentes, o porque de ser, o que significava, por que era perigoso, e porque muitos sumiam, morriam, etc. E nisso eu me infiltrava nas facções para tentar descobrir, não davam falta de mim porque eu trabalhava na grade que circunda a cidade, mas como nunca me notaram, não davam falta e por isso maioria das pessoas não me conheciam e como não tinha tatuagens tudo ficava mais fácil. Como boa altruísta que é Tris quis me ajudar com isso,dei piti e não deixei, aleguei que ela precisava se concentrar na iniciação, e depois se quissesse poderia ir comigo. Mas eu sabia que ela nunca iria. O destino dela é completamente diferente. Lembrei que Pedro estava de camisa vermelha, uma cor da amizade. — Eu estava indo pros campos da amizade e encontrei ele e um grupo de mais quatro pessoas também estavam vestidos como pessoas da amizade. Ficamos juntos e até lá pensavamos que eramos todos membros. Até que começamos a nos reconhecer sabe? Como eu reconheci você. Estamos juntos desde então procurando respostas.
– E já descobriram alguma coisa? — pergunta esperançosa.
– Ah, bem nós... — vejo Pedro chegar e me calo, salvo pelo bongo!
– Pronto, sua vez Esquentadinha, fui o mais rápido que pude. Deixei minha roupa no mesmo lugar okay?
– Okay. — respondo e me viro para Tris — depois eu te conto.
🌙
Viramos na esquina e nos espalhamos ao caminharmos pela Michigan Avenue, uma rua que deveria ser movimentada mas que esta fazia. Vejo Tris olhar para cima e sigo seu olhar, daqui já da pra ver o edifício Hancock, um pilar negro de vigas entrelaçadas, o mais alto edifício ao norte da ponte. Quanto mais nos aproximamos os membros começam a correr, e nos disparamos para tentar alcança — los. Esbarrando os ombros uns contra os outros nos esprememos por um conjunto de portas abertas na base do edifício .Um vidro de uma das portasesta quebrado e só resta uma moldura vazia. Eu e Tris passamos por lá sem problemas, mas Pedro tem certa dificuldade devido sua altura, quem mandou ser alto?
Paramos em frente aos elevadores e logo Uriah e Zeke — seu irmão que não é nada parecido com ele, já que é franzino e baixo, enquanto Uriah é o contrário — começam a "discutir" sobre os elevadores.
Entramos nos elevadores e Tris faz uma cara de dor e encara uma menina de cabeça respada, que agora reconheço ser Lynn.
– Qual será o andar? — a mesma pergunta.
– Cem. — Tris responde.
– E como você sabe? — retruca de braços cruzados.
– Lynn, vamos — diz Uriah tentando amenizar a situação. — seja simpática.
– Estamos em um edifício abandonado de cem anderes com membros da Audácia, como você não sabe? — devolve no mesmo tom e a garota se cala. Pedro olha pra mim sorrindo de orelha a orelha a ver cena do livro se reproduzir na sua frente.
🌙
Ao chegar ao telhado fico atrás de Tris na fila para tirolesa, ela está ansiosa, contando os segundos para ir, admito que estou um pouco nervosa, mas Pedro esta a ponto de sair correndo.
– Pedro, você não vai desistir não é? — sussuro.
– Não sei não esquentadinha, eu to com medo. — confessa.
– Pedro pensa comigo, quando que você ia ter uma chance dessa na vida? E quando vai ter de novo com a Tris fazendo isso junto com a gente?
– Nunca. — constata.
– Vai ficar tudo bem, vai ser divertido, lembra de como a Tris se sentiu? Olha só que paisagem linda! Quando vai poder ver ela assim de novo? Ainda mais passar por cima dela?
– Você ta falando desse pântano, vasta e marrom em todo os lados, tocando o horizonte, sem vida? E do outro lado a cidade que não difere muito do pântano, inanimada? — pergunta irônico.
– Você entendeu moleque. Presta atenção, é a vez da Tris.
🌙
Quando chegou a minha vez, fui de cabeça como manda o figurino, queria me sentir um pássaro. Fui o percurso quase que inteiro de olhos fechados, abri apenas algumas vezes, ia muito rápido, talvez por causa do meu tamanho e peso, não sei,mas o vento batia tão forte no meu rosto aque eu tinha dificuldade de abrir os olhos. A sensação é única, um misto de medo, alegria,adrenalina e alivio.
Agora é a vez de Pedro, já consigo enxergar ele daqui, mas está estranho. Meio desajeitado. Penso ser normal por ele estar com medo, mas parece que não é.
O arnês se rompe. E ele cai.
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