O Enigma do Coração de Gelo
3 Orange walls!
Notas iniciais
Hoje o Len me acordou pulando em cima de mim... De novo!
-Acorda, acorda, acorda... – Que nem a gente fazia com a dona Odete quando era Natal, acho que para Len era algo equivalente.
-Estou acordada... Pare de pular seu acéfalo!-Eu disse com aquele bom humor matinal.
-Hein? O que é acéfalo?- Disse parando de pular.
-Nossa! Você é ignorante hein?-Eu falei cruzando os braços.
- O que é?
- Eu sei lá, li num livro... Mas tenho certeza de que é xingamento!- Falei passando a mão nos cabelos e sorrindo sem graça.
-Estou achando que a acéfala aqui é você!-Disse fazendo cosquinhas em mim.
-Deixa de infantilidade!- Eu falei entre risos.
- Você não acha isso não... Tá rindo!- Disse cessando a ‘’tortura’’ e deitando ao meu lado na cama- Ainda não consigo acreditar sabe?
- Que nós fomos adotados?
-Sim.
-Que isso? Nós somos os ‘’muffins’’ mais fofos do pedaço!- Falei em tom brincalhão mostrando a língua.
-Eles parecem bem legais né?- Perguntou olhando nos meus olhos.
-Sim... Eles parecem legais!- Eu estava sendo sincera... Substitua malucos por legais e dá nisso aí.
-Rin... Seja sincera comigo quando responder essa pergunta ok?- Disse em tom preucupado.
-Ok!-Falei sem pensar.
-Você estava chorando ontem de manhã?- Perguntou-me, parecia muito preucupado.
- Meus anjos! Vamos arrumar as malas, e depois comer panquecas especiais no café-da-manhã!- Disse a Sorridente Odete, dona do orfanato, me salvando pela segunda vez em dois dias, e curiosamente, no mesmo horário.
Len me olhou com um jeito que dizia ‘’ainda não terminamos essa conversa’’, eu gelei. Não queria que Len soubesse que eu estava chorando. Isso o levaria a perguntar ‘’ e porque você estava chorando?’’ e isso é tudo que eu não quero que ele saiba, não quero que ninguém saiba!
Nós arrumamos ás malas com todas as nossas coisas e depois fomos comer o café da manhã especial que Odete prepara sempre que crianças são adotadas ou fazem aniversário. Ou seja, estava começando a enjoar dessas panquecas especiais.
Mais ou menos meia hora depois a nossa nova família chegou, eu ainda acho que eles querem fazer experiências com a gente, mas estou feliz com eles.
Nós demos adeus para Odete e para as crianças do orfanato, enquanto nossos novos pais diziam que poderíamos voltar quando quiséssemos.
No caminho para casa nós descobrimos algumas coisas sobre nossa nova família.
O cabelo deles é natural... E ninguém entendeu o nosso espanto.
Agora eu acho que eles têm um laboratório químico, disse a Len que seu amanhecesse com o cabelo diferente, ele podia sair correndo, que eu fui corrompida. Ele me mandou parar de ser má.
Gakupo e Luka (papai e mamãe?) trabalham o dia praticamente inteiro (ela como designer de moda e ele com dono de uma academia samurai... Isso existe?) e como Gumi é mais velha, tem 16, ela vai ficar responsável por nós dois... Gumi riu sadicamente nesse momento.
E algumas outras coisas que eu prefiro não comentar...
Quando chegamos em casa, recebemos a seguinte noticia:
- Esse é o quarto de vocês!- Disse Luka-san abrindo a porta e mostrando um quarto branco, com uma estante de livros, duas mesas de estudos com notebooks em cima das mesmas e um beliche, uma samambaia... Espera... Duas mesas, dois notebooks e um beliche? Eu olhei para Luka-san.
-Ahn...Espero que não se importem de dormirem no mesmo quarto- Ela falou sem graça.
- Bom como vocês sabem... Estávamos esperando adotarmos só uma criança, de modo que ainda não temos outro quarto pronto!- Falou Gakupo soando calmo e impassível.
-Não, tudo bem! Sem necessidade de outro quarto- Eu corri para abraçá-los- Faz tempo que eu não fico muito junto do Len! – Eles sorriram, pareciam aliviados- O único problema é... A cama de cima é minha! Você não vai pular em cima de mim de manhã! – Falei isso na direção de Len e sai correndo me sentado na cama de cima.
- Tudo bem... Eu dou um jeito!- Ele disse em tom desafiador pondo sua mala em cima da cama de baixo.
- Agora meus muffins, é a surpresa da Gumi-chan!- Falou Gumi que correu para o que eu pensava ser seu quarto para pegar alguma coisa.
- Ela vai chamar a gente sempre assim?- Indagou Len para Gakupo e Luka.
-Até ela criar algum apelido que ela ache melhor... Sim!
-Voltei!- Exclamou a sorridente ‘’onee-chan’’’ trazendo consigo baldes de tinta amarela e laranja- Acertei?
-Acertou no que?- Perguntei.
- Ora... Na cor do quarto de vocês. Branco é muito impessoal! Eu tomei a liberdade de achar que essas são suas cores favoritas, porque até agora eu só vi vocês usarem elas!- Ela exclamou sorridente.
Gumi tinha razão, branco era muito impessoal. Mas, ela fala com se estivesse nos observando faz muito tempo. E como eu deduzi brilhantemente que ela comprou antes de virmos pra cá, ela simplesmente teve menos de um dia pra comprar, ou seja, só nos viu uma vez... E nos estávamos vestidos com essas cores.
Tudo bem porque... Ela acertou mesmo.
-É... Acertou!- Disse Len.
-Vamos lá... Levantem essas bundas preguiçosas da cama e vamos pintar esse quarto!-Exclamou Gumi muito animada.
Nós pintamos duas paredes de amarelo, uma de laranja e a outra deixaram branca, porque Gumi gastou a tinta laranja pintando teto, ela disse que era o crepúsculo, Len tentou argumentar, mas eu tapei a boca dele e disse que não se pode discutir com gente louca. E então falei pra Gumi que era muito lindo e poético, e até que era mesmo.
Luka-san fez salmão para comemorar, disse que só fazia salmão em datas especiais. Gumi sussurrou no meu ouvido que pelo visto todos os dias eram datas especiais.
Eu ri baixo, e então ela disse que iríamos passar a noite acordados para jogar verdade ou consequência, segundo ela, irmãos devem se conhecer, eu acho que ela quer mesmo é ver as conseqüências, o Len provavelmente vai tentar me perguntar o porquê de eu estar chorando, mas ele vai ver, não vou deixar.
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