O Doutor Suja-se De Vermelho
1 Prólogo
Notas iniciais
Londres, 2087. A capital está devastada. Entulhos e mais entulhos por todos os lados. O Big Ben caído por cima de outros prédios, o Parlamento completamente destruído. Um homem ergue-se de dentro de uma pequena fenda em uma formação rochosa. Seu nome é Ash, e ele já teve uma vida diferente. Ash veio de tempos diferentes. Pensando ter bebido apenas o suficiente para dormir e acordar em seu próprio tempo, como o Sábio havia lhe ensinado, Ash bebeu uma gota a mais da estranha poção e dormiu por cem anos a mais do que o planejado. Agora, ele não sabe o que fazer, nem para onde ir. Como a vida pode continuar para Ashley J. Williams, funcionário exemplar da S-Mart, a partir de agora?
Sem saber o que fazer, Ash começa a tentar descer por entre os escombros à sua frente. Logo, ele encontra uma rua um pouco menos destruída que as outras, porém com uma cratera enorme à direita. Ele pára em frente à cratera, ergue sua mão esquerda à altura da boca, formando uma concha, e passa a gritar, sem muita esperança:
-Olá! Olá! Alguém pode me ouvir? Alguém? Ninguém!? Nenhum filho da puta aqui pra me explicar o que diabos aconteceu com o mundo? Por favor! Alguém!
Ash logo percebe que está falando sozinho. Lágrimas começam a rolar, e se acumulam na longa barba que foi formada pelos séculos de hibernação. Caminhando um pouco mais pela rua, ele percebe algo intrigante. Vento. Não havia vento há dois, nem cinco, nem há dez minutos atrás. De onde está vindo esse vento? Certamente não é natural. Virando a esquina, Ash vê que o vento está se originando de um ponto específico na calçada, um lugar que não parece estar destruído, nem rachado, nem danificado de forma alguma, como o resto da cidade. Um ponto aparentemente ileso de tudo. Chegando mais perto do ponto, Ash pensa estar ainda sob o efeito da poção do sono profundo, pois não consegue manter atenção em um lugar só. Seus olhos desviam, como se ele não quisesse ver o que está ali.
De repente, uma porta se abre. Sim, uma porta surge no ar. E então Ash percebe: o lugar onde estava olhando não era um ponto ileso. Era uma cabine, uma cabine azul, com um letreiro em letras brancas sobre um fundo preto no topo escrito "POLICE PUBLIC CALL BOX". A porta abre-se e de dentro sai um homem com uma cara bastante confusa, vestindo uma roupa um tanto estranha, com um talho de aipo preso no casaco. O homem, sem desfazer a expressão de confusão, olha fixamente para Ash e diz, com um sotaque tipicamente britânico:
-Bom, parabéns, você danificou o circuito camaleão! O que quer comigo?
Ash, trêmulo, mal tem forças para responder.
-Circuito... o quê? Quem é você, senhor calça-chique? O que diabos está acontecendo por aqui?
-Eu sou o Doutor. E você, quem é? Não é alguém das redondezas, eu presumo.
-Doutor? Doutor quem?
-Ora, acho que nunca vou me livrar dessa pergunta, não é mesmo? Venha, entre. A TARDIS precisa recarregar por um tempo, enquanto isso, quero que me conte sua história e a desse lugar.
-O que? Mas... o que diabos está falando, homem!? Eu acabei de acordar e está tudo desse jeito. Não venha querer me culpar como Arthur fez! Eu o ensinei! E posso ensinar a você também! Você quer um pouco?
-Acalme-se, rapaz! Não tenho nada a ver com isso, e pelo que diz, você tampouco. Acabei de chegar aqui neste lugar, da mesma forma que você também acabou de acordar, pelo que diz. Agora, queira acompanhar-me à sala de estar da TARDIS, vou fazer um chá e podemos conversar sobre sua... situação. Será um prazer tentar ajudá-lo, é o que faço de melhor.
-Certo, vamos ver. Não tenho mais nenhuma opção, ao que me parece. É, estou indo mesmo. Mas, onde mesmo você quer tomar chá? Na sua sala de estar? Mas os prédios e casas estão todos destruídos, não há nada!
-Hahahaha. Apenas siga-me, sim?
Ash entra na cabine de polícia azul, seguido pelo Doutor, que fecha as portas.
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