O Diário de Érika Agnes Darling
2 União de Dois Mundos
Notas iniciais
Querido diário...
Ufa! Nada como a tranquilidade de uma noite de sexta-feira para eu continuar a escrita da história de minha família. Onde eu parei mesmo? Ah sim, no encontro entre minha mãe Agnes e meu finado pai Erik. Então, vamos lá!
Passadas as primeiras emoções, Agnes contou a Erik toda a história que tiveram em vida. E esses encontros de lembranças se prosseguiram noite após noite, exatamente como nas histórias de Sherazade. Meu pai ainda estava preso ao limbo, mas seu coração etéreo agora pertencia novamente àquela bela mulher que lhe esperava em seu túmulo todas as noites. As histórias que ela lhe contava iam pouco a pouco se transformando em déjà vu, e lhe soavam tão familiares e naturais que não havia motivos para duvidar de sua veracidade. E então, assim como acontecera em vida, Agnes lhe conquistou novamente.
Apesar de estarem ambos enamorados, ainda não poderiam estar plenamente felizes, pois Erik estava preso ao limbo, e só conseguia visitar o Mundo dos Vivos algumas horas por noite. E então, em busca de uma solução para este dilema, Agnes passou a divulgar a situação dos dois por toda a vizinhança, mesmo que a maioria dos Sims sequer acreditasse nela.
Porém, um dia, o Laboratório Municipal de Sunset Valley entrou em contato com Agnes, informando-a sobre uma técnica experimental que a Equipe Secreta de Ocorrências Extraordinárias e Sobrenaturais estava desenvolvendo para permitir a permanência de Sims-Fantasmas no Mundo dos Vivos, e a convidou para submeter Erik a este procedimento, que não traria riscos além da chance de sucesso. Meus pais ficaram super felizes com a notícia, e aceitaram participar do experimento na hora. Então, num período do dia em que Erik estaria de repouso no limbo, Agnes levou seu túmulo ao laboratório, e esperou pacientemente na calçada do local durante algumas horas, pois o procedimento era secreto.
Os olhos de minha mãe brilharam quando viram meu pai flutuando, atravessando a porta do laboratório, vindo em sua direção em plena luz do dia. O experimento havia sido um sucesso, as amarras que prendiam Erik ao limbo haviam sido cortadas. Ele agora poderia ficar permanentemente no Mundo dos Vivos, como se fosse um deles.
A primeira coisa que Erik fez, depois de abraçar e beijar Agnes, foi pedi-la novamente em casamento. E é claro que minha mãe aceitou na hora! Ambos até poderiam ir atrás de uma raríssima receita mágica, chamada Ambrósia, que as lendas diziam ter o poder de transformar Fantasmas em Sims normais novamente. Mas meu pai estava feliz em sua nova condição etérea, desfrutando de vantagens que os vivos não possuíam, como a leveza de flutuar e atravessar paredes. E minha mãe já havia se acostumado com o sobrenatural, de modo que o que ela via em sua frente era o seu marido, e não uma assustadora presença fantasmagórica dele. Assim, decidiram que Erik permaneceria do jeito que estava, um lembrete não de sua trágica morte, mas sim de seu retorno triunfal ao Mundo dos Vivos.
Meus pais se casaram em uma cerimônia íntima, apenas com a presença de meus tios Gusmão e Cornélia e de meu primo Vladimir. Aprendendo com a primeira lua-de-mel, desta vez a viagem foi com destino à França, longe de praias e oceanos. Eles se divertiram muito lá. Minha mãe aprendeu a preparar vinhos caseiros e conversou com vários estrangeiros, que a ensinaram algumas cantigas locais. Meu pai também aproveitou a viagem para exercitar suas habilidades de fotógrafo.
Foi quando voltaram da França que ambos decidiram que era hora de realizar o antigo sonho do casal, e minha mãe enfim engravidou. Uma felicidade imensa tomou conta dos dois pombinhos, que procuraram obter todo o conhecimento possível para trazer sua criança à vida. Em seu íntimo, sabiam que seu filho seria fruto de dois mundos e, portanto, marcado pela presença da Morte desde o princípio de sua existência.
Tendo essa herança por parte de pai, o bebê teve seu gênero então escolhido pela mãe, que desejava uma menina. Agnes soube de uma antiga simpatia da vizinhança, que dizia que as grávidas deveriam comer três maçãs se quisessem ter um menino, ou três melancias para ter uma menina. Apoiada por Erik, Agnes resolveu seguir essa orientação, e no final da tranquila gravidez, tudo ocorreu como o planejado. Optaram por ter a criança em casa, pois não haveria no Hospital médico algum que entendesse as particularidades daquele bebe melhor do que um Fantasma, meu pai. E foi assim que eu, Érika Agnes, nasci.

Poxa, o sono chegou. Está tarde, é melhor eu ir dormir. Continuarei a minha história assim que meus deveres diários me deixarem novamente.
Beijos suaves de Érika Agnes Darling.
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