O Diário de Sarah

8 Lembranças part 2 - Descobertas


Notas iniciais
E aí! Voltei, eu disse que voltaria! Graças a Deus a minha irmã já tá melhor e eu também estou. Este tempo um pouco afastada das escritas me deu algumas ideias. Comentem se vocês estão gostando da história, beleza?! Quero escrever só mais uns dois capítulos. Boa leitura! ^^

Lembranças part 2

—Sarah?!
—Sim, você estudou com ela no São Tarcísio, lembra?
—É uma loira?!
—Sim, é uma loira.
—Aaaah! Como poderia esquece-la?! Cadê ela? Como está?
—Ela está no hospital Matias Santa Cruz. E está com um câncer muito agressivo e, lamento dizer, mas os dias dela estão contados.- Samantha falou com um tom abismado.
—Como é que é, garota?! -Lucas se assustou.
—Sou amiga dela, cara, e sei o que to dizendo. A Sarah vai falecer logo, logo e nós, os amigos dela, precisamos de você o quanto antes!
—Puta que pariu, mano! Eu não esperava que acontecesse isso com a loira! Mas... porque vocês precisam tanto de mim, afinal?
—Porque desde do dia que vocês se despediram no primário, ela nunca mais te esqueceu, nunca mais se apaixonou...
—Tá dizendo que...
—Sim, a Sarah te ama, Lucas!

Um minuto depois

—E aí? Tudo pronto? -Clécio perguntou por telefone.
—Sim, sim... liguei pra ele e logo, logo tá aqui. -a ruiva lhe explicava.
—Vou ligar pro Patrick e o Samuca e avisar eles.
—Eu aviso a Tinna.
—Tá legal. E... Sam, a gente vai deixar que tudo ocorra naquela sala de hospital mesmo?! -ele perguntou curioso.
—Todo mundo sabe que ela adora praia, né? Podia ser lá.
—Sam... estamos agindo tão naturalmente esses dias... Parece até que não caiu a ficha de que...
—Parece mesmo viu, Keu...

* * *

Mais um dia havia se passado naquela porra de hospital e meus amigos tinham sumido do mapa de novo! O que será que estão aprontando dessa vez?! Já eram oito da manhã quando acordei e me direcionei ao banheiro para fazer minha higiene matinal. Parei em frente ao espelho e observei meus cabelos incompletos. Completamente incompletos! Estava com bastante medo de pentea-los e acontecer o mesmo que aconteceu naquela tarde de Domingo. Dei mais uma olhada sentindo uma raiva e tristeza ao mesmo tempo e fui tomar banho.

—Sah? -ela bateu na porta.
—Que foi Marcela?
—Não demora muito no banho, loira. A Quimioterapia é daqui a pouco. -falava pelo lado de fora.
—Cela, você pode me dar uma ajuda aqui? -minha voz saiu meio chorosa.
—Claro! O que fo... Anrrrrrrrr!!!! -Sarah?! -ela ficou boquiaberta quando entrou no banheiro e viu aquela cena.
—Me ajuda Marcela... -as lágrimas começaram a descer. -Meu cabelo...
—Calma... calma... -ela gesticulou com as mãos prevendo o que ia acontecer.
—AAAAAAAAAAH! -um grito de choro saiu dos meus timbres. -PORQUE?! O QUÊ EU FIZ PRA MERECER ISSO, JESUS?!
—Vem aqui meu amor... -a mulher de longos cabelos pretos pegou uma toalha e me acolheu.

Meu grito e choro foram foi tão altos, que as crianças na sala ao lado ficaram assustadas. Laila, que estava dormindo, assustou-se com o grito e levantou da cama na maior velocidade. Ela já estava indo pro banheiro, mas o bigodudo entrou no quarto.

—Mas o que está acontecendo aqui mesmo?!
—A Sarah tá gritando no banheiro. -ela apontou. -Não vai até lá cara, ela tá nua! -o impediu.
—Vamo amor, vem... -enquanto isso, Marcela tentava me levar para fora.
—Não, eu não quero ir...! Vou morrer aqui dentro mesmo! Olha aqui Cela... OLHA AQUI! -peguei alguns fios do chão e os mostrei a moça.
—Eu sei, eu sei que é inaceitável, Sarah. Mas se você se cuidar, eles vão crescer de novo. Olha aí, você já tá ficando fraca. -ela me segurou, quando apresentei sintomas de tontura.
—Sarah?! -bigodão entrou no banheiro, ainda bem que eu já estava de toalha.
—Sai daqui, filho da puta! Você só vive de segredos e mentindo pra mim! Você falha como médico! -exclamei.
—Doutor Carlos, é melhor o senhor voltar outra hora, a Sarah está abalada, por favor, saia. -Marcela tentou ser calma, pois também se irritara com o médico nos últimos dias.
—Okay! Só vim avisar que a sua Quimioterapia é logo em seguida. -e saiu.
—Vem Sarah, vai ficar tudo bem, vem... -em seguida, Laila entrou no banheiro pra me ajudar também.

Elas me colocaram sentada na cama e me vestiram com roupas quentes, pois aquela manhã estava meio fria. Logo depois, um enfermeiro entrou no quarto com uma máquina de raspar cabelo na mão. Vocês devem estar pensando que eu entrei em pânico e sai correndo, né? Mas não! Simplesmente deixei que ele fizesse seu trabalho.
Laila ficou ao meu lado segurando minha mão, enquanto as lágrimas caiam inconformadas. Não havia som de choro, ou de soluço, só o barulhinho da máquina. Eu só queria estar correndo pela praia com os meus amigos...

Horas depois...

Autora: Melhor do que ler, é ler ouvindo uma boa trilha sonora! Então, vamos lá, recomendo vocês lerem esta parte ouvindo Bring Me To Life da banda Evanescense. Vamos lá, soltem o som! u.u

—Sah, você tem que comer... -ela tentava colocar cereal na minha boca.
—Desse jeito você vai ficar igual um palito, hein? -uma voz masculina ecoou o quarto.
—Patrick?! -me virei. -É você?! -sorri ao ver meu amigo.
—Com touquinha e tudo! -ele deu uma voltinha. -Não, não... eu vou até aí te abraçar, não precisa levantar. -ele me impediu de levantar mesmo ainda estando parado na porta.
—Dá pra você parar de andar no passinho da tartaruga e vim logo aqui?! -sorri e me irritei ao mesmo tempo ao ver ele brincar comigo daquele jeito.
—Pareceu um funckeiro falando. — zombou.
—Vem aqui logo porra!!! -e sorrindo, ele veio até mim e matou aquela vontade que eu tinha de abraça-lo por dias.
—Você tá com uma bolinha bonitinha na cabeça, hein? -ele passou a mão pela minha careca.
—Ah, seu arrombado!! -lhe dei um tapa

Autora: Aê... sem ofensa aos funckeiros, viu? Bem, voltando...

—Nossa...! Como eu tava com saudades! Porque demorou tanto de vim me ver?! -o olhei com brilho nos olhos.
—Tava tendo muita correria esses dias pro meu lado, entende? Mas agora eu to aqui!
—E o resto da turma? Cadê o Samuca? A Sam? A Tinna? O Keu...? -sentei-me direito para encarar esse que sentou ao meu lado.
—Acho que eles vão vim daqui a pouco... -coçou o cabelo por debaixo da touquinha cinza.
—Ah... Laila... esse é Patrick, meu melhor amigo!
—E aí como vai? Olha... ela também tem uma bolinha na cabeça! -sorriu e apontou
—To bem e você?
—Ele é um gato, não é amiga? -o olhei com um olhar malicioso.
—Opai... Já disse pra tu parar de me chamar de gato, porque de gato eu não tenho nada! -ele sorriu e ficou envergonhado.
—Affs! É só um elogio! Você é bonito sim e acabou! -exclamei, em seguida, os três riram.

É realmente incrível como alguém pode me deixar feliz com apenas um ''oi''! Patrick tinha esse dom, o de me fazer sorrir e esquecer dos problemas nas situações mais desagradáveis e difíceis. Sem dúvidas, o meu melhor amigo!
Mas naquela tarde, notei que seus olhos estavam diferentes. Eles expressavam uma saudade mais que o normal, algo estava o abatendo e não deixaria que aquilo durasse mais!

—Lai, você pode nos deixar a sós um momentinho?- fiz um sinal com as mãos e implorei.
—Claro Sarah! Até mais Patrick! -ela se despediu e fechou a porta.
—Vai... me conta o que você tem logo de uma vez. -o olhei sorrindo de lado.
—Você percebe mesmo, hein?! -sorriu sarcástico. -Eu tava lembrando do dia que a gente se conheceu... -ele se jogou na outra cama. -E também daquele dia... -um silêncio tomou a sala, porque eu não sabia o que dizer. Em seguida, olhei para ele e seus olhos brilhavam em lágrimas.
—Realmente, foi um dia inesquecível... -concordei. Estávamos lembrando do dia em que nos conhecemos.
—Eu odiaria te perder, Sarah... ainda mais assim. -suspirou.
—Eu também, Patrick... Quantos dias eu tenho?
—Não pense nisso agora, minha loira. -ele veio do meu lado e suas íris castanhas se encontraram nas minhas verdes.
—Patrick... -ele interrompeu a fala colocando seu dedo indicador na minha boca. Em seguida, me seus lábios macios colaram nos meus e suas lágrimas começaram a cair.
—Eu te amo, Sarah!

Autora: Uhuoo! Que beijão, hein?! Quem dera se fosse eu... ;-; Zoas! Podem tirar a música. Bem, voltando...

Descobertas

''Nosso verdadeiro amor, às vezes, pode ser aquela pessoa que consideramos o melhor amigo...''

—Gente, gente... -ela desceu as escadas respirando ofegante. -O Lucas, o Lucas...
—O que tem ele?! -perguntou Samuel ainda concentrado no seu PSP.
—Ele... arrr, arrr, arrr... -ela colocou as mãos em seus joelhos.
—Fala logo Samantha! -gritou Valentinna.
—ELE NÃO VAI VIM MAIS!
—É O QUÊ?! -todos gritaram em coro.
—Ele é doido?! -Samuca largou o PSP para encarar a amiga melhor.
—Como assim não vem mais?! Nós não combinamos com ele?! Ele não disse que viria ver a Sarah?! -Clécio estava tentando ser paciente.
—Sim, mas ele disse que não quer participar de dramas!
—Mas que filho da puta! -exclamou Valentinna dando um soco na almofada a qual apoiava o braço.
—Quando o Patrick souber disso, ele vai pirar, cara! -disse Samuel preocupado.
—Acho que vocês estão esquecendo de um detalhe...
—Qual detalhe, Keu?! -os outros três amigos perguntaram em coro voltando suas atenções para o menino alto de pele parda.
—Galera, pensem juntos... Quem vocês acham que ama a Sarah mais que a própria vida?! -o rapaz se inclinou pra frente colocando as mãos nos joelhos.

Os quatro amigos se encararam e entenderam o que Clécio queria dizer. Chegaram a sorrir maliciosamente e um alívio surgiu em seus corações, porém lembraram de uma coisa.

—Galera... -Samuel chamou atenção.
—Diz aí, Samuca. -pediu Valentinna.
—O dia tá chegando... -o menino de cabelo liso, pele clara e sarninhas nas bochechas, suspirou.
—Se pudesse, eu impediria essa merda de acontecer! -disse Keu deixando a mágoa lhe tomar.
—Vamo fazer com que isso termine em sorrisos! -Tinna levantou e olhou para todos com atitude em sua postura.
—Você tem um plano? -perguntou Sam.
—Iiiiih...! quando ela dá esse sorriso... pode ver que lá vem coisa! -disse Samuca rolando os olhos.
—Bora, Tinna, larga de palhaçada e fala logo.

Continua...

Notas finais
-''Eu só queria estar correndo pela praia com meus amigos...'' Também queria estar correndo com eles, Sarah... Bom embalo nas noites de sábado pra vocês. ^^ Até segunda!