O Dilema da Ravena
1 One Shot
A luta tinha acabado, e eu só queria voltar pra casa.
— Ravena – disse Mutano correndo em minha direção.
Eu não quis ouvir, me teletransportei pra torre Titã e voltei pro meu quarto, confusa, muito, muito confusa, o Mutano tinha mesmo deixado a Terra de lado e ME SALVADO?
Não, estou vendo coisa.
Se bem que... Depois daquela história do Ciborg e a “maquina de casais” nos íamos nos casar. Meu coração pesou um pouco quando o Ciborg disse que estava quebrada. Ele mexe comigo, não posso negar que mexe comigo.
Ele estava mais alto agora, as brincadeiras ainda eram as mesmas, mas não eram tão irritantes, não quanto era antes. Mas mesmo assim, eu e o Mutano? Caramba como seria isso... Os lábios dele seriam doces ou salgados? Ele me beijaria de forma agressiva ou seria sensível comigo? Como parecia ser com a Terra?
Droga. Afastei os pensamentos da minha cabeça.
Fui andando até meu guarda roupa, passei as mãos pelas minhas capas, e lá estava minha roupa amarela, ri lembrando da história das Pernocas Poderosas.
Mutano olhou pra mim meio chateado quando coloquei a capa.
“Não, minhas pernas sumiram”.
Sorri, dei as costas e fui levitando, mas antes afastei a capa e mostrei minha perna, ele sorriu também. E então ele se transformou em um cachorro e começou a uivar pra mim. Balancei a cabeça e revirei os olhos e fui indo, quando tive certeza que ninguém estava vendo, por estranho que pareça, sorri de novo.
Droga Ravena, de novo revivendo isso. Estou parecendo uma idiota, agindo como a Estelar age quando o Robin esta perto. Suspirei e me afastei me jogando na cama e olhando pro teto, apesar disso eu tinha que admitir, a Estelar e o Robin eram lindos juntos, apesar dela ser lerda demais pra perceber que ele baba por ela. E se... Eu for tão boba quanto a Estelar? Mais boba que ela, por negar o que eu realmente sinto pelo Mutano, desde o dia em que ele trouxe a Terra pra torre e ficou todo apaixonadinho por ela?
Fechei os olhos me concentrando em uma música, e quando dei por mim estava um passo para dormir.
Estava sentada na cama do Mutano, olhei em volta do quarto e vi um grande aquário cheio de peixes verdes, é eu estava no quarto do Mutano.
— Como é que eu vim pa...?
A porta se abriu e Mutano me olhou incrédulo.
— Rach... O que está fazendo aqui?
— Eu... Eu... Eu...
Ele caminhou na minha direção ficando a centímetros de mim, se ajoelhou e tocou no meu joelho por cima da capa.
— Está tudo bem? Você parece meio nervosa.
— Eu... Mu... Isso é inaceitável, me desculpe eu não sei como vim parar aqui.
Afastei um pouco pra trás, virei minhas pernas e me levantei da cama, estava quase saindo do quarto quando ele pegou no meu Cotovelo. Fiquei tensa.
— Tudo bem, Ravena.
Continuei olhando pra frente, não ia me virar nem morta. Mas e se... Se aquela fosse minha ultima chance de dizer o que sinto a ele?
Me virei, respirei fundo, quando dei por mim já estava dizendo.
— Mutano me desculpa, eu não sei o que está acontecendo comigo, desde que você trouxe a Terra aqui eu não sei o que dizer, fico nervosa, irritada e enciumada cada vez que o nome dela é mencionado, e eu não consigo te dizer que eu acho... A... A... Alias, eu estou apaixonada por você...
Suspirei de novo, falei tão rápido que nem olhei seu rosto pra saber o sua reação, assim que olhei ele puxou meu rosto e me beijou.
— Gar...
— Psiu- sussurrou- você já falou demais.
Mas antes mesmo de cairmos no beijo, um som ensurdecedor ecoou no quarto e então, acordei. Me levantei e estava no meu quarto, sozinha, um sonho.
— Um sonho.
Eu tinha que parar com isso, tinha que esquecer de vez essa história de paixão, é falso, não vai acontecer comigo nunca. Sai voando do quarto, passando pelo corredor e esbarrando na Estelar.
— Ravena! – gritou. – O que houve?
Voei mais rápido até chegar a uma janela aberta e passei dali e voei até o jardim da Torre, no lugar de sempre, vendo o mar. Era o meu lugar favorito depois do meu quarto, dava pra ver o mar, e um pouco da cidade, me sentei com os pés balançando, o vento batia no meu cabelo. Pareceram se passar minutos, talvez horas. Até ouvir um barulho nos arbustos.
Só me faltava essa
O barulho continuou até sair um pássaro verde, e num piscar de olhos, Mutano estava na minha frente.
— Que droga Mutano, você me assustou.
— Desculpa.
Revirei os olhos, e voltei pro meu lugar.
— Porque saiu correndo daquele jeito? – disse sentando – se do meu lado.
— Você realmente se importa? Por que se não, não tem sentido você estar aqui. – disse puxando o capuz pra minha cabeça.
Ele estava me olhando, não precisava virar dava pra sentir. Mutano puxou o capuz pra baixo e eu olhei pra ele.
— Como me achou? – perguntei.
— Já vi você vindo pra cá algumas vezes.
Ri sem humor e voltei a olhar pra frente.
— Eu não te entendo Ravena, porque você me trata assim e depois me trata bem? Como se decidisse que gosta de mim e depois desistisse disso.
Olhei pra ele surpresa.
— Eu não...
— Ah você sim, — disse irritado- você faz isso o tempo todo. Como hoje mesmo, eu te salvo e você vai embora e não volta, eu tento ir falar com você e você sai voando e vem pra cá. Que diabos eu fiz agora?
Me irritei. Levantei e fiquei em pé na frente dele.
— Você é um babaca cego.
— E você é uma idiota que não se importa com os sentimentos de ninguém. – disse levantando a voz
— O dia tinha sido suficientemente difícil, mais do que o normal. E eu devo confessar que nunca pensei que tentar ser humana e controlar meus sentimentos seria algo tão complicado. É um saco, Mutano.
— Bem vinda à vida, Ravena.
— Você nem sequer presta a atenção que eu gosto e me importo com você, e isso deixa tudo ainda mais embaraçoso. Na maior parte do tempo eu só penso em socar sua cara, Mutano.
Ele me olhou surpreso tão surpreso que abriu a boca como se fosse dizer algo e não disse nada. Ficou em silencio perplexo, até que depois do que pareceram horas elas disse alguma coisa.
— É isso que a faz humana, Ravena.
— Não quero gostar de alguém que não sente nada por mim.
— Eu gosto de você, é isso que estou tentando te dizer, mas você foge de mim a dias.
Parei e olhei pra ele tão surpresa, que não consegui parar de piscar por uns bons segundos.
— Gar, não diga isso da boca pra fora.
Ele sorriu. Um sorriso mostrando todos os dentes.
— Você disse meu nome.
Suspirei derrotada.
— É eu disse.
E então, deixei tudo me levar, as incertezas, medos, certezas, deixei tudo de lado, tirei a capa e a joguei no chão, estávamos ali, Gar e Rachel. Só nos dois, finalmente juntos, ele deu um passo pra perto de mim e sussurrou.
— Eu gosto mesmo, mesmo de você Rachel.
E com aquela confirmação, puxei seu rosto pra perto e o beijei.
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