O Dia em que a Morte Chorou
1 "O Dia em que a Morte Chorou"- Capítulo único
Notas iniciais
Espero que gostem das estória :3
Em algum lugar silencioso do universo as duas entidades se fizeram presentes, a vida, também conhecida como Vdia, se aproximou com toda sua luz do nascer, a pele morena coberta por vestes brancas, os cabelos crespos enfeitados com uma coroa de flores e os mais brilhantes olhos castanhos. Por mais que tivesse aparência sua idade não podia ser definida, passando desde uma mulher jovem a uma criança, tudo em poucos segundos, mas no final formando aquela entidade que ele enxergava no momento.
Já a morte, ou Etrom, chegou com a sombra do morrer, os tecidos marrons avermelhados cobrindo a pele branca, cipós trançados lhe adornavam os cabelos ruivos, juntamente com os olhos puxados que eram negros e profundos.
Ambos não sabiam o real sentido de estarem ali, por mais que fossem entidades poderosas nem tudo estava sobre suas mãos. Sem que ao menos falassem uma palavra Etrom caiu de joelhos sobre o plano inexistente e em um instante puderam ser vistas pequenas gotículas prateadas flutuando, a morte estava chorando. Todo o peso que abitava seu ser estava sendo liberado naquele momento, ele nem ao menos sabia o porquê direito, mas sentia sua mente fervilhar com as várias perguntas que já havia feito em sua existência até ali, parecia inevitável não chorar.
Vdia sentiu-se de certo modo culpada, afinal sua presença causava isso, os questionamentos, as indecisões, era algo no qual ela não controlava, era de certo modo uma consequência. Sem receio algum aproximou-se mais alguns passos e se ajoelhou ao lado dele.
—Assim como tu abrigas todas as minhas almas, neste momento eu te abrigarei. — seus braços envolveram-no em um abraço reconfortante, para Etrom parecia ao mesmo tempo instável e acolhedor.
— Me pergunto o porquê de estar me sentindo tão culpado, sempre compreendi minha existência, mas agora me sinto devastadoramente inútil, errado e horrendo. — Por mais que estivesse entre as lágrimas e dor sua voz saiu tão doce como sempre foi.
Vdia sabia que almas eram levadas pelo seu canto, tão atrativo e melodioso, calmo e sereno. Etrom levava a todos para o caminho correto, os guiava e impedia de se perderem pela escuridão do abismo. Por mais que carregasse a sombra da morte Vdia sabia que assim como ela também possuía escuridão ele possuía luz. A luz do nascimento.
Vida era só o momento após nascer e morte seria só o momento depois de viver. O nascimento era algo que dependia dos dois, um momento entre a vida e a morte, nem um, nem outro.
— Etrom você não é inútil, quanto mais errado e horrendo. Caso tema ser só escuridão não se esqueça de que a luz do nascer abita em ti, caso tema sua escuridão não esqueça que trás aos aflitos e sofredores paz, que leva todos, independente de quem forem de modo gentil e doce. Você acolhe e consola todos em seus braços, não diga mais estas coisas, principalmente a alguém que é a causa disto. — Por mais que Vdia fosse à vida, ela também tinha sua escuridão, sabia dela, mas não podia controla-la.
— Todos têm seu lado bom e ruim, luz e escuridão, e isto também se aplica a nós. A vida causa nas pessoas dúvidas, sentimentos e sensações incríveis, mas ela também pode causar coisas ruins. Eu deveria dizer que sinto muito, mas se o fizesse estaria negando quem sou além de não poder controlar que destino as almas terão em vida. Todos tem o livre arbítrio de decidirem os caminhos que querem tomar. — Naquele momento Etrom se acalmou e desfez vagarosamente o abraço, encarou os tão brilhantes olhos castanhos e tomou novamente a mesma decisão que já tinha feito eras atrás.
—Quero continuar acolhendo as almas, quero continuar dando origem ao nascer, quero continuar a cantar melodias doces para os que se foram. – Com aquilo Vdia sabia que ele só queria continuar sendo ele mesmo.
A entidade que por mais inacreditável que pareça, possuía luz e carinho pelas almas, para aqueles no qual ele levava, para todo aquele tão vasto universo que os cercava. Etrom nunca seria horrível, afinal Vdia sabia ele possuía tanta beleza em seu ser que nem a alma mais pecadora seria capaz de leva-la.
Sentados sobre o vazio Etrom cantou para Vdia uma de suas melodias como agradecimento, esta soou tão gentil como as outras, ecoando pelo espaço infinito e trazendo paz aos corações aflitos.
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