O Dia Em Que O Jogo Se Tornou Real
12 Visão do Sieghart: Disputa Amorosa?
Notas iniciais
Aquele caçadorzinho... Ainda acertarei minhas contas com ele. De qualquer maneira, vocês devem saber quem está escrevendo agora, não? Claro que sabem. Sou eu, o lindo e gostoso imortal que vocês amam e... Maldito lobisomem.
De qualquer maneira, essa não é bem a hora de ficar me vangloriando, apesar de querer, afinal o QG está sob ataque de uns loucos que vieram atrás dos OOCs. Apesar de que três deles soubessem exatamente de onde viriam os ataques – nunca vou admitir que isso realmente me surpreendeu – ainda assim estava sendo uma batalha acirrada.
Estamos em desvantagem de número, com certeza, mas nossas habilidades eram suficientes para derrota-los, ao menos os lobisomens estavam caindo rapidamente, mas aquele demônio gigante fazia questão de destruir todo o QG. Advinha em quem a ruivinha vai descontar toda sua raiva depois? Pois é e, arg... Sangue.
- Imortal, pare de se limpar e acabe logo com a sua parte dos lobisomens! Sabia que fazer time com você era inútil... – Resmungou o asmodiano ao meu lado, girei os olhos.
- Também não estou nada feliz em fazer party com você. Aliás, por que mesmo eu tenho que cuidar da sua tia de TPM? – Sorri de canto, derrubando outro lobisomem. De repente sinto uma pancada no meio das minhas costas, me fazendo cair sob um mago, encravando minha espada nele no meio do caminho. Olhei feio para trás.
- Ops... – Ele sorriu de canto, maldito. Ele que me esperasse.
Levantei novamente e não me dignei a lhe dar uma resposta, havia mais para me preocupar... Tipo minha OOC. Deixando bem claro aqui, para quem está com dúvidas sobre isso, ela é minha única fraqueza. Portanto tenho que protege-la. Só isso. Parem de me julgar, certo?
Quando limpamos a área ao nosso redor, pude reparar que as outras duplas ou trios também já terminavam seu trabalho, estávamos, finalmente, nos aproximando dos dois grandões.
- Sieghart, Dio... Para a direita, rápido! – O OOC do projeto de gato com humano gritou, fazendo com que eu pulasse, automaticamente, para a direita, me estapeando com o asmodiano quando ambos, por fazer o mesmo movimento, caímos embolados no chão.
Assim que me levantei pude reparar no Drall que agora varria o salão com sua gigantesca foice, obrigando aos OOCs correrem, protegendo-se aonde podiam, escondidos pelas grandes vigas que despencaram das laterais do salão.
Precisamente, estava o Drall adiante, ameaçando avançar para as escadarias, Vairne protegido por seu mini tornado de ‘eu-sou-fraco-por-favor-me-matem’ e toda a Grand Chase espalhada pelo salão, foi quando ouvi as ordens da ruivinha.
Um adendo aqui, sei que a chamo de ruivinha e pirralha e derivados, mas fique bem claro que ela é uma ótima líder, afinal é uma Sieghart, não?
- Múmia, Ronan, Zero, Jin e Azin parem aquela criatura! Ela não pode continuar avançando! Arme, Lire, Rey e Mari, precisaremos dos seus golpes de destruição, e rápido! O QG não vai aguentar muito tempo. – Sua voz falhava de leve, mas mesmo apesar do apelido me adiantei seguindo as ordens da ruiva e vi o outro canabanense sacar sua Égide e bloquear o ataque inicial, começando uma sequencia de golpes, acabei acompanhando seus movimentos.
- Dio, Holy, Lin, vocês vem comigo, temos que dar total suporte para as garotas e os OOCs, Ryan, sua ajuda com os totens seria ótima se não estiver muito ocupado. – Ele assentiu, jogando longe os outros lobisomens... É uma cena bem engraçada, se parar para pensar, até que ele se parece bastante com esses lobinhos. – Amy, traga sua bunda purpurinada até aqui também! Lass, você sabe o que fazer! – Foi o suficiente para que o ninja espertalhão sumisse na sua penumbra. – Quanto a você Frajo, confio em seu bom senso.
De qualquer maneira, lá estávamos: O front de batalha bloqueando o avanço quando, sempre que possível, as meninas lançavam seus feitiços mais poderosos. De quando em quando, também, a limãozinho lançava sobre nós alguns de seus buff’s de batalha.
- Dio, por favor né, controle sua tia! – Gritei para o asmodiano, o fazendo grunhir alguma coisa. Eu disse que estava lutando, não dando tudo de mim.
- Pare com isso imortal imbecil. – Ele jogou longe um lobisomem, pude ouvir seu ofego. Ele provavelmente estava cansado tanto quanto a todos os outros. – Sou asmodiano, não um demônio.
Adiante, pude ver tanto Jin quanto Azin – pela primeira vez na vida, acredite em mim – lutando juntos e não se matando. Eles jogavam Vairne de um canto ao outro, entre socos, chutes e afins. O demônio começava a se irritar, soltando uma áurea arroxeada, não pude ver muito mais que isso, afinal de contas, ou era minha curiosidade ou minha cabeça.
Prefiro minha cabeça, diga-se de passagem.
- Sieghart! Você está muito desatento hoje! – Ronan gritou para mim, bloqueando outro ataque. Como aquele escudo aguentava tanto? Perguntas que nunca serão respondidas. O garoto fantoche também dava tudo de si entre ataques usando a espada e mudanças de forma, da GD, claro. Lass só reaparecia quando bem lhe apetecia, atacando onde a guarda abria-se e causando um dano considerável.
- Okay, só não queria destruir ainda mais o QG, azulzinho! – Resmunguei, me aproximando em uma corrida rápida, mandei-os se afastar, em poucas ordens, e para que Jin e Azin trouxessem o outro para perto. Quando estava tudo nos conformes, inclusive uma ruiva possessa gritando lá atrás por eu ter desobedecido suas ordens e os olhos preocupados de todos nas minhas costas, eu me botei totalmente de frente com meus inimigos.
Meus inimigos, porque eu serei responsável de trazer os dois abaixo.
Sim, eles já estão bastante feridos, as magias e ataque já tinham suas marcas, mas, afinal de contas, quem é o herói? Claro que serei eu a botá-los abaixo. Desviei de outro ataque, sentindo todas as chamas que se contraíam dentro de mim pedirem para sair, de uma só vez.
Em uma magnífica explosão. – Segurem-se aí, pirralhos...
- Velhote o que você pen-... – A ruiva parou o que dizia quando a voz da minha OOC pirralha destacou-se.
- Sieg, você vai destruir o QG! – Eu não respondi, apenas olhei para trás e sorri de canto. – Espera, você não pode usar a ultimate dentro do QG, as paredes podem não aguentar!
Ultimate? Acho que ela se refere à mesma coisa que eu, apesar do nome estranho.
- Extinção das Almas! – Foi o suficiente, as chamas deixaram meu corpo, violentamente, e explodiram em diversos gêiseres de fogo roxo, limpando toda uma área a minha frente. Quando o ataque acabou, ajoelhei cansado.
O que? Também canso, apesar de ser gostoso, lindo, perfeito, maravil-...
- SIEGHART! – O grito me fez olhar adiante, vendo o corpo gigantesco do Drall cair na minha direção. Levantei-me rapidamente, correndo para a lateral do demônio, visando fugir do esmagamento, que seria bem doloroso.
Ao final, fui obrigado a me jogar no chão, rolando pela poeira, mas evitando que o corpo dele me esmagasse. Acabei ficando lá mesmo, deitado no meio da poeira, respirando ofegante, até que a cabeleira azul aparecesse no meu campo visual, estendendo sua mão ensanguentada, para ajudar-me a levantar.
Assim que me pus de pé pude observar a faceta fechada do asmodiano. O que era agora?
- Descontente Dio? – Resmunguei para ele, fazendo-o fechar ainda mais a expressão. – O que é, não estão te comendo direito, asmodiano?
Observei-o revirar os olhos, com aquela expressão de asmodiano chupando manga. – Claro que não, imbecil. A culpa não é minha que o heróizinho de Vermécia – Quem ele estava chamando de ‘heróizinho’? Espero que não tenha sido eu, do contrário ele está morto. – deveria se preocupar com o que está fazendo, e não pensando na morte da bezerra!
- Não vejo nenhum heróizinho, acho que deveria falar seus problemas pra ele. – Resmunguei. Pude reparar na faceta assustada dos outros ao nosso redor, provavelmente com medo d’eu perder a cabeça. Oras, eu não sou a ruivinha para me irritar com tão pouco.
- Falo sério, imortal babaca! – Nossa hein, isso parece ofensas da minha avó. O que, vai me chamar de traquina também? – Você não fez nada durante toda a batalha! No final quis dar um showzinho? Você acha que isso é algum tipo de brincadeira?
- Quem é você para se meter, asmodiano? – Retruquei. Okay, ele realmente havia pisado nos meus calos. – A culpa não é minha que ninguém faz nada nesse grupo! Você é o que menos faz, com essa sua foicezinha inútil!
- Sieg, calma... – Ouvi a voz de alguém, mas pouco me importei. Avancei outro passo, ficando frente a frente com o, levemente, mais baixo.
- Foice inútil? Está pedindo para morrer, de novo, highlander? Ou esqueceu-se já que fui eu quem acabei com sua existência precária uma vez?
Eu ri. – Acha mesmo que você pode me derrotar Dio? Você não é nada além de um qualquer sem poderes abandonado em Ernas. Juntou-se à Grand Chase porque a líder teve pena de você. – Grunhi, cuspindo as palavras. Certo, talvez tudo aquilo não fosse verdade, mas ofender era mais importante nesse momento... Ainda estou incomodado com o ‘heroizinho’. Observei ele levantar a foice e apontar, diretamente, para o pescoço da Teffy, parada logo ao meu lado. – O que pensa que está fazendo, demoniozinho?
Ela tinha uma tranquilidade que parecia quase natural, mas certamente não era. Ele continuava com a foice em riste. – Acabando com você da maneira mais rápida. Se essa humana imunda deixar de existir, você também deixará!
Eu revirei os olhos, mas antes que avançasse sobre o asmodiano de vez, a garota simplesmente afastou a foice de seu pescoço e olhou feio para o cabeça de carneiro. – Por favor né Dio, como se eu tivesse medo de você.
Okay, ela era, com certeza, sem noção.
Ou sabia blefar muito bem.
Acho que minha cara é de tanta incredulidade quanto à do asmodiano.
Foi quando eu vi a Any rir, baixinho. O que essas garotas têm hoje? Distribuíram meus doces batizados por aí? – É verdade... É meio que de consciência geral que apenas o IC pode machucar seu OOC, nada além disso.
- E se essa regra não fosse válida, ainda tem o fato que nós, moderadores, que somos os responsáveis pela tabela de punição, magic anons e inimigos. Fazer brotar inimigos do chão não deve ser difícil. – Ela parecia pensativa. Eu já disse que toda minha raiva se esvaiu porque estou seriamente na dúvida entre cair na gargalhada ou temer os “moderadores”?
- É a regra básica... Nunca se ameaça um moderador. – Completou o Frajo, sentindo-se o tal. Acho que ele era um desses também.
Foi quando o Dio, sem avisar, simplesmente atacou com a foice. Eu ainda entrei na frente, protegendo minha OOC com o corpo, mas o corte foi lateral, certamente a atingiria também.
E qual foi minha surpresa ao ver a foice, literalmente, ser repelida e sair voando.
-
Passaram-se dois dias e meio. Nada daqueles três – Lupus, Celly e Carlos – aparecerem.
Estávamos à toda, tentando consertar o QG – entre discussões, mudanças de humor e eventuais ataques. A ruivinha dava ordens e nós tínhamos a opção de cumprir ou não... Claro que a opção do “não” era um método mais doloroso.
Eu sei que, no final das contas, estava eu “limpando” os arredores do QG com um ancinho. Falo limpando entre aspas porque depois acho alguém para fazer meu trabalho, a sombra da árvore parece muito mais confortável nesse momento.
O problema real é que eu começava a me preocupar. Não com aquele caçador imbecil, mas aquelas duas crianças, que nem desse universo são, sozinhas com um mercenário não pode ser uma boa ideia. Principalmente quando eles demoram muito para voltar.
Segundo a Mari, provavelmente era uma tática para que “se adversários ainda permanecessem ao redor da base” como se não fossemos perceber isso “evitaria que eles fossem emboscados”.
- Ai, seu imbecil. Pare com isso.
- Sobre o que você está falando, humano? – Eu reconheceria essa risada de qualquer lugar. – Eu não sou o culpado de nada.
- Vocês dois, sério, parem com isso.
Olhei para trás. Lá estava o grupinho fugido. Aposto que estavam em seu momento romântico a três, mas que diabos, por que demoraram tanto? – Ah, então aí está o grupinho de amantes.
- Calado imortal. – Já disse que adoro esse título? Sorri para eles, enquanto me levantava. Por mais que estivessem meio maltrapilhos, é verdade, afinal passaram três dias na mata, pareciam ao todo bem. – O que faz aqui deitado?
- Limpando o jardim. – Respondi. Ambos os humanos olharam ao redor e depois olharam para mim. O que foi? Eu em algum momento devo ter arrumado alguma coisa. Além do que, fazendo ou não, teria uma ruivinha para me esganar na mesa durante o jantar.
- Não me parece muito... Erm... Limpo. – A garota comentou. Sorri para ela. Meu sorriso sempre derrete garotinhas tipo ela. Recebi três olhares feios em troca.
- Claro que não está limpo, esse preguiçoso nunca faz nada. – Não me dei ao trabalho de responder o caçador, ainda estou incomodado: estou perdendo a prática em encantar pessoas?
- Bom, eu preciso de um banho. – Carlos comentou. – Mas não vou agora.
- O que foi, sentindo-se ameaçado, humano? – O caçador alfinetou. Espera, o que estava acontecendo ali, na minha frente? – Dou razão à você, se quer saber. Afinal, sou eu.
Era isso mesmo?
Lupus estava discutindo com alguém por conta de uma garota? Debulhei-me em risos e ele pareceu ficar furioso, acho que entendeu errado o sentido.
- Lupus, meu querido, você deveria mesmo investir em garotas, mas deixe a humana para o humano.
- Tsc, não quero ouvir isso de um imortal que está caidinho pela mortal que o “interpreta”.
E saiu de lá pisando duro. Acho que eu realmente o deixei bravo e se deixei, foi por um motivo claro: eu estava certo. Isso parecia também bem refletido no rosto do OOC do Zero, que mantinha a faceta fechada e a menor que tinha uma cara estupefata.
- Eu... Vou entrar... Preciso falar com ele para tirar algumas dúvidas. – Ela comentou, meio aturdida e seguiu os passos do caçador pelo jardim lotado de folhas. Olhei então para o restante, ouvindo apenas o crec crec crec das folhas após as passadas.
- Então... O que está acontecendo, caro interpretador de um fantoche controlado por uma espada? – Sorri de canto. O que? Minha curiosidade era verídica e eu tinha um prato feito nas mãos para perturbar a vida do Haros por alguns anos.
- Acho que a frase que ouvi resume tudo. – Ele tinha uma expressão que eu não sabia definir bem. – “Eu vou fazer de tudo para ganhar ela de você”.
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