O Dia Em Que O Jogo Se Tornou Real

22 Visão da Teffy: A Missão em Arquimídia


Notas iniciais
Capítulo escrito pela Teffy pessoas =w='

Arquimídia. Seria mentira dizer que nunca sonhei com esse lugar, vocês não tem noção de toda a idealização que havia feito das florestas fechadas, os campos de batalha, anões e elfos, uns contra os outros, além das ruínas de Calnat.

Bom, a única coisa que eu posso dizer é que não é nada do que eu achei. Aliás, não está nem perto disso.

Quero dizer, minhas pernas doem, já tropecei em uns dois ou três bichos peçonhentos e, segundo o Sieghart, mal passamos do começo do continente. Quero dizer, quem diabos pensa em viajar tudo à pé meu Deus?

Inclusive, não sei se devo continuar com esse tipo de sentença... Quero dizer, eu deveria falar “Minhas Deusas criadoras!” ou afins?

“Ah, pelo amor de Ernasis!” Isso soa engraçado, tenho que admitir. “Por Armenian, não faça isso!” Juro que imagino os religiosos desse lugar “Glorificai a Lisnar, mortais!” Isso acabou me trazendo um sorriso ao rosto... Até, claro, eu me chocar com o Sieghart, para variar.

Ele virou-se pra mim e apertou minhas bochechas, percebi que seu sorriso era forçado, assim como o cenho franzido. A preocupação exalava de toda a existência dele. – Não posso negar que para você deve ser divertido, mas, por favor, evite citar o nome das Deusas assim, como qualquer coisa. – E voltou-se para continuar caminhando. Acho que o ofendi de alguma maneira. – Não ofendeu, só não consigo ouvir meus próprios pensamentos. Mantenha sua mente calada pode ser?

- ... Você realmente gosta de me pedir coisas difíceis, Sieg.

Okay, vamos manter minha mente calada.

Caladinha.

Sem um ruído.

...

AH MEU DEUS, AQUILO ALI É A BASE DOS ANÕES? Acho que meus olhos brilhavam. Acho que ouvi o Dio rir do susto que o Sieghart tomou também. Ops.

Bom, a verdade é que eu não tive muito tempo de pensar. Logo em seguida que eu vi as costas do moreno se tornando tensas pelo susto e ele virando-se – claramente já estava esperando o esporro que viria dele – tudo o que eu tive tempo de ver foi ele me empurrando para o lado enquanto avançava com a highlander em punho.

O machado passou assustadoramente próximo do rosto dele, porém parecia que ele tinha um total controle sobre o espaço que seu corpo necessitava e, somente, o dignou vários golpes com a espada, o desarmando e derrubando em poucos instantes. Realmente, Sieghart era impressionante no combate corpo-a-corpo.

E quanto a mim? Bom eu fiquei lá sentada, provavelmente com uma cara de perdida que só eu, olhando os chasers lutarem. Eram apenas alguns anões e, ao que parece, as coisas estavam se resolvendo rapidamente. Lire e Lin lutavam lado a lado, Lin mantendo os anões distantes enquanto a arqueira ocupava-se de lançar saraivadas de flechas e derrubar os pobres anões – que não eram tão pequenos assim. Acredito que se eles não fossem tão atarracados, não poderiam ser chamados de anões. Enfim, Arme ficou para trás, como sempre, usando suas magias sempre que possível e Sieghart e Dio protegiam os OOCs.

A mão então se estendeu na minha frente e eu sorri para a Any. – Vai ficar sentada aí com essa cara de bocó?

Eu ri. A Any sempre me fazia rir. – Sabe como é né. Sempre fico com essa cara de bocó para a bunda do Sieghart. – Ela riu de volta, divertindo-se e negando. Certamente se não estivéssemos em batalha viria um comentário qualquer sobre yaoi agora. Era o que se esperava de uma fujoshi e esse pensamento me fez rir.

Aproximamo-nos dos outros OOCs, facilitando o trabalho dos dois que tentavam nos proteger, tenho que admitir que o que realmente me fez ficar sem palavras foi a maneira certeira de o moreno agir. Ele era preciso, rápido e habilidoso e ao mesmo tempo em que eu achava tudo incrível, não pude deixar de sentir certa inutilidade me assumindo.

Eu não sei se vocês sabem, mas para um RPlayer é incrível a sensação que dá de você ser o personagem. De ser responsável por suas ações. De ser você, por entre linhas, quem vai derrotar o inimigo. Mas na vida real? Eu não passava de uma humana, um tanto tola, se quiserem me perguntar, olhando para tudo aquilo.

Suspirei e mordi o lábio inferior, tensa pela situação, mas foi a movimentação dos galhos que me fez sair dos devaneios. Automaticamente me lembrei de todas as coisas que sei sobre o território em que estamos. Base nos anões? Isso só pode significar uma coisa... Estamos no meio da arena da guerra entre elfos e anões.

Virei-me para onde vi o movimento e vi um dos elfos assassinos pulando ao redor de onde estávamos. Awesome, se não formos mortos por anões, os elfos terminam o serviço. Pude perceber que, claramente pelo Sieghart e eu estarmos conectados, ele percebeu e dirigiu seu olhar até as copas, procurando por inimigos.

Virei então para a Carol e o Lucas. – Vocês dois, quietos! – Foi um sussurro, admito, mas a adrenalina estava a toda em meu sangue e, talvez, se elevasse o tom de voz ele saísse esganiçado. – Se continuarem com a algazarra que estão fazendo, irão atrair mais inimigos. – A garota automaticamente se calou, ela era um tanto tímida e ainda não tinha convivido muito comigo, nem mesmo pela tela do computador.

Lucas foi quem perguntou bem baixo dessa vez. – O que houve Teffy? – Any também me olhava agora, preocupada. – O que aconteceu?

- Lucas, meu amor, pensa comigo. – Murmurei no meu sarcasmo de sempre. Ele até mesmo soltou um sorriso com isso. – Onde é que nós estamos?

- Arquimídia. – Ele falou, porém seu tom era incerto. Eu afirmei. – E o que tem?

- Estamos próximos à Base dos Anões. – Desenhei na palma de minha própria mão, como se fosse um mapa. – Vocês se lembram de que os chasers são encurralados aqui e fogem pelos túneis e depois são transferidos para a capital Anã? – Todo esse tempo eu desenhei linhas, como se fosse o percurso, novamente só vi a Any e o Lucas afirmarem, foi aí que continuei. – E vocês sabem qual foi o motivo disso?

- Não. Eu não leio a história do jogo. – Bati em minha própria testa e depois não resisti dar um soco fraco no ombro dele, com raiva.

- Seu asmodiano de quinta! – Ele riu, sabia que eu sempre chamava quem eu queria ofender assim. – É um MMOSPG, em outras palavras Massive Multiplayer Online Story Playing Game, você deveria ler a história antes de tudo. – Murmurei brava e ele fez um sinal para que eu continuasse logo. – Arquimídia só está destruída assim porque está havendo uma guerra entre os elfos negros e os anões.

- ... Hey, eu me lembro disso! – Any comentou. – E o foco principal da guerra é... – Seu rosto tornou-se pálido, Lucas também já tinha entendido o problema. Eu virei os olhos e continuei.

- Eu avistei uns elfos ao redor, temos que nos manter atentos. – Laura também se aproximou do círculo em que nós três estávamos, trazendo a Carol em um semi-abraço. A OOC da Lire realmente parecia afetada.

- O que está acontecendo aqui pessoal? – Ela perguntou com seu tom de voz baixo. A esse ponto todos nós sussurrávamos enquanto os únicos ruídos além eram os da mata e o choque entre armas e armaduras. – Por que essas caras tensas?

- A nossa Wikipédia particular nos lembrou de uma coisa muito importante. – Eu franzi o cenho para a Any, que nem se deu o trabalho de corrigir. Oras! Eu não era uma Wiki, era apenas fã. Armei um bico, incomodada. – Essa é um dos principais focos de guerra de Arquimídia, seria bom se não fizéssemos mais barulho e saíssemos o mais rápido possív-...

Sua frase morreu na garganta e seus olhos arregalaram, eu rapidamente olhei na mesma direção e pude ver o elfo batedor que tinha uma rota traçada contra as duas outras garotas. Sem pensar duas vezes eu me joguei sobre elas, empurrando-as para o chão e, sem saber exatamente o porquê, acho que era o “lado” Sieghart me afetando, me pus na frente delas, a fim de protegê-las.

Any soltou um grito abafado e tudo o que pude ver foi uma parede de chamas subindo na minha frente. Dei dois passos para trás, procurando a Arme com o olhar, é claro que eu reconheceria um ataque desses. Barreira de Fogo? Quem nunca?

Mas, para minha surpresa, lá estava ela compenetrada em sua própria luta. E o pior? Ela usava o cetro.

Não que eu acredite em exclusividade de ataques por armas, mas a maga mesmo tinha comentado que preparava suas magias cedo no dia e para usar as magias da “ultima classe”, termo que a fazia erguer a sobrancelha, sem entender, e rir, era preciso que ela estivesse com seu cajado em mãos.

Eu tremi. Tinha passado realmente próxima de me machucar sério agora e o olhar prata pesado caiu sobre mim, enquanto Dio finalizava os elfos.

- Você está maluca? – Ele me perguntou baixo, eu encolhi os ombros e mordi o lábio inferior.

- Não poderia deixa-las se machucarem. – Admiti e, quando olhei para trás, ambas as garotas tinham lágrimas nos olhos. Às vezes eu esquecia que eram apenas crianças, duas das mais novas da GCT, levantei os olhos então para o imortal. – São crianças, Sieg, não podia deixa-las se machucarem. – Pausei e, por algum motivo, senti o olhar dele acalmar. – Sou moderadora, tenho responsabilidades com essas crianças, mesmo que diferentes agora.

Ele soltou um suspiro e pude ouvir claramente sua voz. Eu não posso reclamar, faria a mesma coisa. Sorri, sabendo que aquilo era um pensamento do imortal, e ele me retribuiu o riso. O asmodiano então se aproximou.

- A maga não criou essa barreira. – Sim, eu já tinha percebido isso, Dio. – Quem foi?

Nenhum de nós soube o que responder, Lucas ainda ajudava Laura a se levantar e depois estendia a mão para a Carol. Para minha surpresa eu ouvi a voz da Any.

- E-Eu... – Ela gaguejou. Gente, a Any não gagueja. – Eu na hora pensei que seria útil usar essa magia para protegê-las, eu... – Olhei então para ela. A garota olhava suas próprias mãos, surpresa demais. – Eu acho que fui eu quem usou.

Pausa.

O QUE? Você pode usar as magias da Arme? COMO ASSIM?

- Fecha a boca Teffy, vai entrar moscas. – Obedeci a ordem e engoli em seco, ainda olhando para a garota. – Como assim você pode usar as magias da Arme? Isso pode ser de grande ajuda. – O imortal comentou ainda parado ao meu lado, solícito. Dio já havia se voltado para as copas, analisando em busca de algum outro inimigo.

Aos poucos pude notar que os outros chasers se aproximavam, cansados. Any engoliu em seco e continuou. – Eu não sei. Eu sei que eu imaginei a magia, sabia que elas estavam em perigo e pude ver que vocês dois – Fez menção ao humano e ao asmodiano. – estavam longe. Isso me desesperou e, de repente, foi como se algo de dentro de mim tivesse sido puxado e, assim, surgiu a barreira de fogo na frente da Teffy.

O tom surpreso da maga me fez olhar pra ela. – Que incrível Any! Quando voltarmos para o QG vou te ensinar todas as magias que sei e vai ser tão incrível e-...

Lire puxou as bochechas da roxinha, para que esta parasse de falar. – Estão todos bem por aqui?

- Graças a Any sim. – Murmurei. Pude sentir o olhar feio que o Sieghart E o Dio me lançaram. Sorri amarelo. – Claro, além do Sieggy e do asmodiano.

Lin riu e depois virou os olhos para as duas OOCs que ainda choravam. Laura tinha enxugado as lágrimas, agora somente sua respiração acelerada denunciava o medo que sentira. Carol, por outro lado, ainda soluçava baixinho, com o rosto enfiado nas mãos. – Está tudo bem, vocês duas. – Ela sorriu. Um sorriso meigo demais até mesmo pra Lin. – Nós nunca deixaríamos nenhuma de vocês se machucar.

Carol então parou de sorrir e abraçou a sacerdotisa.

Uma cena muito fofa, se quiserem me perguntar, exceto pelo fato que estamos no meio de uma zona de guerra.

- Você está certa. – Novamente o murmúrio do Sieghart, aquele que me tira do sério. Gente do céu, eu preciso de um desse amarrado na minha cama. Hilário como passado a adrenalina minha cabeça volta a funcionar como uma coisa confusa. De canto de olho notei o sorriso brincalhão que surgira no rosto suado do imortal. – Vamos continuar grupo. Ainda temos um longo caminho para percorrer antes de voltar para o QG.

Soltei um muxoxo. – Andar mais?

- E você. – Ele apontou para mim. – Evite me dar mais sustos.

E eu ri enquanto observava ele tomar as rédeas do grupo e voltar a ditar o caminho com perfeição. Lucas ainda passou por mim, dando um leve empurrão, acho que ele notou que eu ainda tinha um sorriso bobo no rosto – O que fazer? Tem como resistir ao Sieghart? – e eu retribuí com um soquinho amigável.

O resto do caminho foi calmo, como o início, eu ainda estava maravilhada com aquele território novo – apesar de ser totalmente diferente do que eu previa – e, agora, também estávamos mandando a Any tentar soltar bolas de fogo em cada passarinho que achávamos, sempre com a mesma resposta: Imagine se o Ryan estivesse aqui, já tinha mandado matar vocês dois.

E mais risos.

Notas finais
Não se esqueçam de dizer o que acharam u-u'