O Dia Em Que O Jogo Se Tornou Real
28 Visão da Celly: Capítulo Final
Notas iniciais
Espero que tenham gostado, me desculpem por qualquer coisa. Bom, aí vai...
– Espere aí, Astaroth! – Uma voz impediu o outro de vir com tudo contra nós, e por incrível que pareça, era a voz de Mateus. Ainda estava tentando me acostumar com aquela nova forma dele, uma espécie de Mateus misturado com Azin.
Aliás, todos estavam assim. Eu mesma estava mais alta, meu cabelo tomou uma tonalidade mais clara, virando um castanho claro; meus olhos agora estavam cor de sangue e eu estava com a roupa do Lupus, e por incrível que pareça, não ficou ruim em mim. Eu literalmente cresci, aumentando de tamanho, apenas... Além de ter ganhado as habilidades do Lupus. A voz dele ainda pode ser ouvida em minha mente, e isso chega a me incomodar um pouco.
Mas vamos voltar à situação em que nos encontramos.
– Qual o problema, garoto? – Astaroth resolveu parar para ouvir Mateus, por incrível que pareça. Talvez quisesse se divertir um pouco mais com a nossa desgraça.
– Será que você tem, hm, um tempinho? – Ele colocou as mãos para trás, fez sinais chamando Laura e Any (Lire e Arme) para perto dele – Por que todo esse plano idiota, afinal?
Astaroth começou a contar toda a história de drama dele, mas admito que nem eu prestei atenção. Mateus cochichou alguma coisa para as duas garotas, que saíram dali em seguida. Eu não sabia o quê, mas ele tinha um plano. Sempre teve um plano em situações como essa; Astaroth estava tão concentrado em sua própria história que não reparou nada de anormal. O único a perceber alguma coisa foi Duel.
– Bela historinha... Para boi dormir – Sua expressão era séria, mas tinha o sarcasmo estampado em suas palavras. Astaroth estressou-se.
– O que foi que você disse, garoto? – Colocou ambas as mãos em sua espada, pronto para tirá-la da bainha a qualquer momento.
Olhei para Mateus com um olhar preocupado, era como se perguntasse “o quê infernos você está fazendo?” apenas com minha expressão. Ele só me lançou um sorriso irônico, acho que quis dizer que eu não devia me preocupar.
– Não se acha o maior dos maiores guerreiros? Por que não tenta me pegar então? – Soltou uma risada.
– Acabarei com você primeiro, pirralho – Sem pensar duas vezes, Astaroth avançou. Ao contrário do que todos pensaram, Mateus virou-se e começou a correr, tinha a velocidade incrível de Azin em seus pés.
– Astaroth, seu grande idiota! – Bradou Duel, irritado e de certa forma surpreso. Acho que ele nunca imaginou que Astaroth fosse cair em algo assim.
– Mas o quê inf-... – Minha fala fora cortada pela metade quando Astaroth caiu na primeira armadilha: Armadilha Élfica, da Laura.
Claro, Mateus queria cansar o inimigo. Havia várias armadilhas instaladas pelo local, armadilhas élficas e de gelo. Quanto mais Astaroth se enfurecia, mais o garoto provocava. Ao ver que o inimigo já estava suficientemente cansado, o garoto virou-se para Any.
– Agora, Any! – Gritou.
– ARMADILHA DE GELO! – A garota criou uma armadilha maior e mais resistente que as outras, aprisionando Astaroth lá dentro. O outro urrou de raiva, mas nada podia fazer.
– Genial! – Exclamou Luvizotto.
– Já te falei que você está muito gay com essa aparência neko? – Vinícius, que estava logo ao lado de Luvizotto, observou.
– E você, com esse cabelinho branco? – Retrucou o projeto de gato negro.
– Ah, cale a boca – Vinícius revirou os olhos – Você é o gatinho que gosta de brincar com bolas, se é que me entende – Riu.
– EI! – Enfureceu-se o outro.
– Duel, sinceramente, o que você ainda faz ao lado de alguém tão idiota quando Astaroth? – Mateus aproximou-se do asmodiano.
– Se dominarmos esse mundo, eu poderei ter Edna de volta. Isso é claro – Falou o outro, inexpressível.
– Você é retardado ou o quê? Não está vendo o nosso atual estado? Nós nos juntamos com nossos ICs, somos uma pessoa só. Obviamente isso aconteceu com Lue e Edna, então se pode dizer que ela está viva!
– Mentiroso!
– Deixem-me fora disso! – Aproximou-se Lue. Sim, ela havia virado um misto de humana e asmodiana, sua aparência ainda assim lembrava muito a verdadeira Edna. Se tal fenômeno foi capaz de recuperar a consciência da verdadeira Edna, eu não sei.
– Edna... – Sussurrou o asmodiano, observando atentamente Lue.
– Vê? Edna está viva!
– Não é a Edna, é só uma amiguinha de vocês que está muito parecida com ela. Vocês se uniram... Agora é impossível eu ter a Edna de volta... Malditos sejam!
– Está falando com se a culpa fosse nossa! Esse é um efeito colateral da junção das duas dimensões, nem nós sabíamos que isso iria acontecer. Ganhamos a forma física de nosso ICs, me impressiona o fato de ainda estarmos com nossas consciências intactas, o que pude perceber foi a prevalência da consciência e do sexo do OOC, mesmo que ainda possamos escutar as vozes dos ICs em nossas mentes. Vocês não estavam pesquisando sobre isso, Duel? Astaroth encobriu esse fato de você para poder obter a sua ajuda. E você, tolo como é, acabou acreditando – Mateus tinha razão em tudo o que disse. Duel ficou alguns momentos sem palavras.
– Esse garoto... – Murmurrou Astaroth, irado.
– Astaroth... Seu grande imbecil... – Duel olhou para a armadilha onde estava o outro – O amor por Edna me cegou. E você só se aproveitou disso.
– O quê não foi muito difícil, meu caro – Em um belo combo com sua lâmina, desfez a armadilha de gelo que o prendia – Terei que sumir com todos vocês... Começando por você, garoto irritante – Avançou rapidamente contra Mateus, que no momento estava distraído com alguma coisa. Instintivamente entrei em sua frente e travei uma batalha entre lâmina e armas de fogo.
“Ou você é muito genial, ou muito idiota” Dizia Lupus em minha mente.
– Saia da minha frente, caçadora! – O inimigo tentava me golpear com a espada, sem muito sucesso. Mesmo um pouco cansada, o tempo parada foi suficiente para eu conseguir me mover ao menos um pouco agora. Era uma batalha difícil para ambos os lados, acabei realizando vários golpes apenas com duas scarlets, golpes que eu nem sabia que conseguia fazer; típico. Mas em dado momento, acabei deixando uma brecha não intencional, foi o que bastou para que Astaroth me derrubasse. Vir-me-ei, e sua lâmina estava indo de encontro a mim.
Foi quando outra lâmina entrou na frente e foi de encontro com a espada inimiga, salvando minha vida. Era Carlos, empunhando a Grandark.
– Não vou assistir você sendo perfurada por uma espada novamente – Ele disse, começando uma bela batalha com Astaroth. Tudo o que eu pude fazer foi afastar-me.
“Seu rosto até corou agora, garota... Hilário”.
– Cale a boca, Lupus – Sussurrei baixo.
Sim, aquela era de fato uma bela luta. Mais uma vez alguém provando que o peso da Grandark pode ser uma vantagem ao invés de uma desvantagem; Astaroth teve sérias dificuldades para acompanhar o ritmo de Carlos. Vários golpes seguidos de ambos fez daquela uma das melhores batalhas.
– Dança da Perdição! – Isso acabou derrubando Astaroth. Carlos já estava consideravelmente cansado.
– Está mais do que na hora de acabar com isso – Duel apontou uma mão para o inimigo, criando uma fenda.
– Não se atreva, infeliz... – Astaroth tentou dizer algo, mas fora engolido pela fenda antes.
– Ahn... Onde dava a passagem daquela fenda? – Perguntou Saa, um pouco tímida.
– Para algum lugar da Fornalha Infernal... – O asmodiano encarou-a com um olhar sério. Ela encolheu-se de vergonha, fiquei com vontade de apertar as bochechas dela de tanta fofura em uma pessoa só...
– Pessoal... O portal... – Mateus não parou de olhar desde o momento em que se distraíra e quase fora morto. O portal começou a tremeluzir, a imagem de ambas as dimensões começou a ficar turva. Era óbvio: nosso tempo havia acabado. Toda aquela luta... Para nada?
– Nosso tempo acabou?! – Indignou-se Teffy.
Duel apenas olhava espantado o portal, parecia conformar-se aos poucos com seu próprio fim, e não era o único. Cada um se abraçou a um amigo, como se fizessem seus últimos desejos, falassem suas últimas palavras. Eu abracei-me a Carlos.
– Já que vamos morrer de qualquer jeito, posso te confessar uma coisa? – Ele disse a mim.
– O quê? – Eu não conseguia esconder o meu medo, mas isso não importava agora.
– Sabia que eu te amo? – Ele sorriu para mim. A única coisa que eu pude fazer foi sorrir de volta.
– Sabia que eu também te amo? – Tentei dar o meu melhor sorriso, acho que foi o suficiente.
Os únicos que não se abraçaram foram Mateus e Íris, por um simples motivo: Íris estava marchando até o portal. Mari devia estar dizendo em sua mente o que ela deveria fazer... Ela pegou uma das pedras da alma e começou a sussurrar algumas palavras que pareciam ser da língua canaltiana antiga. A pedra brilhou e foi arremessada ao portal que estava quase se “quebrando”.
Branco, nada. Foi tudo o que ainda era possível ver, a luz branca quase cegou todos nós. Mas aos poucos foi sumindo.
E lá estávamos nós, caídos no chão e abraçados uns aos outros feito idiotas, em um mundo que não parecia ter acabado. O grande portal havia sumido, mas nós ainda estávamos com os traços de nossos ICs. Ficamos abraçados até nos soltarmos repentinamente, ainda confusos com o que aconteceu. Até o próprio Duel estava surpreso.
– Desculpem-me, não consegui desfazer a união das dimensões, era tarde demais... – Lamentou-se Íris.
– Mas o quê aconteceu? – Teffy perguntou.
– Um poderoso feitiço antigo... Mari o achou em um dos vários livros, enquanto fazia pesquisas. Nunca achamos que fosse realmente necessário... Consegui impedir o fim do mundo, recitando um feitiço que os juntou de vez – Explicou – Podemos dizer que agora a Terra virou um grande RPG.
Mateus gargalhava sem parar, não sabia se era do fato de nos ver abraçados feito tontos ou do fato de ficarmos assim até o resto de nossas vidas. Viramos guerreiros permanentemente, isso é algo até... Bastante interessante.
– Oi mãe, virei uma espadachim imortal, tudo bem? – Zombou Teffy.
– Não se preocupe, isso foi adicionado à memória das pessoas, como se fosse algo completamente comum – Sorriu Íris.
– Então acabou tudo...? – Eu estava custando a acreditar, era verdade. Por fim nós acabamos fazendo uma pequena comemoração ali, nos abraçando uns aos outros e fazendo coisas idiotas.
Depois disso, cada um foi para sua casa, encontrar suas famílias, e agora não precisávamos mais de um RP para nos encontrar. Poderíamos nos ver pessoalmente quando quiséssemos, com os meios de transporte bastante exóticos que o mundo de Grand Chase trouxe.
Acabou... Realmente muito difícil de acreditar, acabou. Como seria minha vida daqui para frente? Cursar o Ensino Médio e sair em missões nas horas vagas é bastante divertido, se querem saber. A voz de Lupus sempre me aconselhava e me salvava em momentos de crise pessoal ou mesmo no meio de batalhas. O mundo tornou-se, de certa forma, um lugar melhor...
Nunca irei me esquecer dessa grande aventura... Sim, valeu muito a pena. E aposto que todos que participaram dessa aventura vão se lembrar para sempre, assim como eu. Será que algum dia eu passarei por experiência parecida?
FIM.
Notas finais
@Edit: Desculpem-me, eu realmente queria escrever uma segunda saga. Mas acabou acontecendo algumas coisas e... Desculpem... Eu não consigo explicar, simplesmente não dá. Agradeço a compreensão (se tiver alguma).
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