O Dia Em Que O Jogo Se Tornou Real

7 Visão de uma pervetida... Cofcof, Teffy


Notas iniciais
Capítulo escrito, dessa vez, por minha amiga Teffy. Ela, além de ter colocado a visão dela do assunto, explicou muita coisa que talvez vocês não tenham entendido. Pode ter ficado grande, mas vale muito a pena =w='

Grand Chase é um bom jogo. Sério. Ainda melhor quando tudo se tornou realidade.

Quero dizer, eu sou uma garota. Tudo bem que sou gamer e coisas parecidas, mas estou ciente de que minha idade para o jogo é um pouco acima do normal. O que? É muito normal uma universitária jogar online, Okay?

O problema não é bem esse. O problema é que eu não só jogo como participo de algo chamado Role Player Game. Divertido, ótimo para passar o tempo, me ajuda a treinar com o português... Esse tipo de coisa.

Eu moro só com a minha mãe em uma grande casa com jardim, estudo nas horas vagas, nas horas que não estou jogando, e tenho um grande problema chamado insônia. Talvez por isso esteja descendo as escadas às cinco da manhã, para sentar um pouco no jardim.

Claro que, como uma antiga jogadora de RPG, eu decidi por ser um dos melhores personagens do jogo, quero dizer, na minha concepção, e adotei tanto seu modo de pensar como suas principais características e... Bom, ainda assim foi um susto encontra-lo, à paisana, sentado no meu sofá olhando para o céu.

Tipo, um susto sério. Algo como... Demorei algumas horas para entrar nos eixos e acreditar naquilo.

Você sabe, aparecer uma espada na sua sala já é algo estranho. Mas aparecer um guerreiro imortal, devorador de doces e pervertido nas horas vagas – isso eu cheguei ainda mais a conclusão quando o conheci pessoalmente – é algo tão absurdo que a única coisa que eu consegui falar foi uma sentença curtíssima.

- Okay, como diabos eu vou explicar isso para a minha mãe agora?

Convenhamos, eu sou escritora. Gosto de falar. Sou tagarela por natureza – afinal sou mulher. Por que infernos todas as palavras saíram correndo da minha cabeça?

- Explicar? Sem explicações, pirralha. – Ele sorria. Eu fiquei alguns segundos em outro mundo. – Quem precisa de explicações quando tem a personificação de um Deus à sua frente?

- Bom, eu. – Assumi. Ele pareceu franzir o cenho e eu me apressei em consertar. – Não, tipo, o que você esperava? Que eu me jogasse em seus braços e ficasse caidinha por você?

Ele pareceu pensar. Voltou a recostar-se no sofá, NO MEU SOFÁ, e olhou para o céu.

Vocês não estão compreendendo. Tem um Sieghart no meu sofá. Na minha casa. Um Sieghart. Um pedaço de mau caminho com uma personalidade perfeitamente atraente e irritante – ao mesmo tempo – pensativo no meu sofá!

Um fucking Ercnard perfeito-lindo-maravilhoso-e-gostoso Sieghart no meu sofá.

Eu preciso mesmo de um doce. Um pote de doces. Um caminhão de doces. Será que eu perdi meu cérebro hoje quando levantei da cama e só percebi agora?

- É, precisamente. – Sua voz cortou meu raciocínio. Olhei para seus olhos novamente. Esperava o que? Claro que estava analisando cada mínimo detalhezinho dele.

- O que?

- Eu esperava que você se jogasse em meus braços e ficasse caidinha por mim. – Fez suas as minhas palavras e eu fiquei um pouco perplexa o encarando.

Por um momento cogitei perguntar “Ah, se importa se eu voltar e começarmos novamente?” Mas acho que não ia ser uma cena muito usual ver sua vizinha, às cinco e meia da manhã, se atirar no colo de um cara, aos berros, vestida com um shortinho e uma blusa larga de dormir.

Pois é.

Pigarreei, tentando controlar meus pensamentos de fangirl. – Pulando essa parte, o que você está fazendo aqui? – Depois girei os olhos, olhando ao redor. – Aliás, isso é algum tipo de brincadeira? Tipo, você é um ator? Porque se for, meu querido, pode investir na carreira porque estou vendo o Sieghart personificado aqui. – Procurei com os olhos algum dos meus amigos sem noção, afinal vindo deles tudo é possível. – Aliás, como você entrou na minha casa?

E então veio uma gargalhada gostosa da parte dele.

Tipo, ele estava rindo mesmo da minha cara? O que é? Por algum acaso tem algo de errado comigo? Além dos cabelos desgrenhados por dormir e a roupa amassada. Funguei, irritada.

- Não criança. Eu sou o Sieghart. A lenda, Sieghart.

- Você não está falando sério.

- Sim, estou.

- Sério mesmo?

- Sério mesmo.

Eu parei, o fitando. Meio que sem saber como reagir a essa informação. Ele com certeza estava tirando uma com a minha cara.

- Aham, acredito. – Cruzei os braços, soltando meu melhor tom de sarcasmo. Ele ergueu uma sobrancelha e depois se levantou, tranquilamente, andando até mim.

Não, andar seria um termo errado. Aquele pedaço de mau caminho veio quase que desfilando até mim, quieta, com cabelo desgrenhado e me escondendo atrás de um sarcasmo inexistente. Sieghart abaixou de leve o rosto, para me olhar bem de perto.

- Sim, eu sou o Sieghart.

Parênteses aqui, gente.

Só uma pessoa no mundo, imaginário ou não, pode ter um tom tão sensual e perfeito assim. Uma única só. Não estou exagerando. Sabe qual o nome dela?

- OH MEU DEUS, VOCÊ É MESMO O SIEGHART!

-

Não foi a ideia mais genial gritar. Mas, por favor, né gente... COMO EU, sendo a fangirl louca que sou, IRIA RESISTIR ÀQUELA VOZ MARAVILHOSA?

Talvez esteja hiper-reagindo, mas entendam o meu lado também.

O ponto é que, com o meu grito, metade dos vizinhos, e a minha mãe, acordaram. E eu fiquei com aquela famosa cara de “fodeu” e corri para fechar a porta. Tudo se acabou com a famosa desculpa de que estava lendo – um livro aleatório da estante – e um pedido para que eu parasse de gritar sem motivos.

Mas eu tenho um motivo. Um belo motivo – e bota bel o nisso – de porque tive um ataque. E esse belo motivo estava sentado na minha janela do segundo andar.

- Então, alguma explicação?

Ele suspirou. – Bom, sabendo quem você é, vou explicar rápido. – Concordei, inflando meu ego por saber compreender as coisas. – Sabe seu passatempo estranho que envolve ficar trancada com a cara num computador? – Afirmei. – É, ele é uma das causas de porque estou aqui hoje.

- O que é? Posso fazer milagres e realizar desejos? – Porque se puder, meu próximo desejo é você sem roupas, querido. Pigarreei.

- O que? Não, claro que não. – Ele riu, divertindo-se com minha ignorância. Revirei os olhos, mas sorri. – Alguém abriu um portal energético que liga Ernas à Terra. Nós, da Grand Chase, só conseguimos atravessar porque, aparentemente, temos uma ligação muito forte com vocês, terráqueos.

Eu ri. – Nós somos só pessoas normais, quero dizer, a grande maioria é. – Ele ergueu uma sobrancelha enquanto eu pensava nos absurdos que éramos juntos. – Como, possivelmente, poderíamos ter uma relação com vocês “ernianos”? – Imitei seu tom, fazendo aspas com os dedos.

Sieghart suspirou. – Na verdade, não sabemos. Aparentemente é por causa desse estranho mundo virtual de vocês, mas não temos como concluir nada ainda com a pouca informação que temos. – Eu ainda estava pensando o quanto seria interessante a teoria de ter desejos. Será que pedir um Sieghart com só uma fita de presente é muito fora do meu mundo? É melhor eu parar antes que comece a babar descaradamente. –... E também é por isso que precisamos que você retorne comigo.

Espera. Retornar com ele? Retornar com ele para onde? Eu realmente deveria estar prestando atenção ao invés de ficar encarando aquele poço de sensualidade.

Será que tenho direito a um cavaleiro – imortal – para me proteger também? Suspirei, tentando me focar no assunto.

- Você está prestando atenção em mim, Teffy?

Meu nome. A voz dele. Junção perfeita. – Atenção até demais, meu caro. – Assumi. Ele riu. – O que acha de uma fita vermelha... Tipo, uma fita vermelha?

Ele ergueu uma sobrancelha, sorrindo de canto. Nunca vi um sorriso ser tão cheio de malícia como o dele, mas apenas mordi o interior da minha bochecha e me conformei com a falta de respostas. Suspirei.

- Mas que diferença eu faria lá? – Resmunguei, resumindo-se a essa sentença digna de um mentecapto. O que é? Uso sim palavras difíceis, gosto delas. São todas umas órfãs, tristonhas, pedindo atenção e implorando para que sejam usadas no contexto certo.

Bom, eu devo estar com uma cara bem engraçada, porque o moreno está realmente tentando segurar o riso. Ele, por fim, suspirou. – Preciso que você retorne porque é o único jeito de te manter segura. Eu vou te manter junto comigo. – Uma pequena pausa e então Sieghart olhou para mim maliciosamente, de cima a baixo. – Afinal, sem você, eu deixarei de existir.

Tentei controlar meu grito de fangirl e torci as mãos para não pular em cima dele. – Você é um puta de um imortal bem mortal, hein.

Ele riu.

-

Faz uma semana. Uma exata semana desde que um Sieghart apareceu no meu sofá e atropelou a minha vida de uma maneira que só ele conseguiria. Literalmente atropelou, porque, convenhamos, não é todo dia que o cara que você interpreta – e era completamente fictício. Digo, completamente mesmo. – aparece na sua vida assim, como um estalar de dedos.

Estou indo para Ernas – imagine só! – e pretendo não ser muito inútil. Depois de uma longa caminhada até o meio do nada – é sério – eu finalmente consegui ver uma luz arroxeada, meio tremulante, adiante no caminho.

- Nem acredito nisso. – Resmunguei baixinho, ele pareceu ouvir.

- O que?

- Conhecer Ernas! – Admiti, erguendo as mãos e gesticulando, empolgada. – Ir até o QG, conhecer Serdin. – Então parei onde estava e olhei para ele, que também parava, erguendo uma sobrancelha. – Conhecer Canaban! Eu preciso mesmo conhecê-la. É muito diferente daqui?

— Não, não muito. – Ele voltou a andar e eu o segui. Enquanto ele parecia atento a todos os detalhes, me aproveitei para dar uma boa olhada em seus ombros dispostos de maneira altiva e fui descendo o olhar por seu dorso, até suas... – Chegamos!

Tive que parar antes que acertasse o rosto em suas costas. – Onde, Canaban?

Ele riu. – No portal. Vamos? – Assenti e segui atrás dele através daquela coisa roxa oval. Literalmente. Quando estávamos do outro lado, só pude ver uma longa pradaria de gramas verdejantes e um céu azul límpido. Sorri, encantada.

Essa era uma das poucas visões que me faria tirar os olhos do moreno ao meu lado.

Mais adiante consegui ver uma construção cercada, depois do muro, árvores. Aumentei o sorriso instantaneamente. – É mesmo o QG?

- É mesmo o QG. – Ele ainda estava parado do meu lado, parecia ter toda a paciência do mundo. Agora, para completar, só faltava uma manada, ou seja lá qual for o coletivo para dragões, até outro dia, inexistentes, de gorgons passar voando.

E não é que os desgraçados estavam lá? – O que, nunca viu um gorgon na vida?

- Não. Quero dizer, sim! Mas não ao vivo e em cores. – Respondi no automático, repensando que ainda estava votando em ser a teoria dos desejos.

Ou que não fosse um sonho, por favor, não seja um sonho.

Só voltei a raciocinar quando ele riu, me fazendo parar de devanear com desejos ilimitados e possibilidades de milagres. – Vamos logo, novata.

-

Por mais que eu tenha sido uma das primeiras a estar no QG, de fato, não demorou muito para que o resto da cambada aparecesse, cada qual com seu respectivo personagem, faltando apenas o Mateus e a Lue.

Foi então que me dei conta de um detalhe importantíssimo. – Sieg? – Chamei-o, fazendo com que ele tirasse sua atenção da confusão armada entre o Dio e seus dois ooc’s. – Uma pergunta.

- Fale.

- Sabe, além de nós, os interpretadores de personagens, havia também alguns NPC’s – ele ergueu uma sobrancelha nessa hora e eu, automaticamente corrigi, explicando-me. –... Alguns civis relacionados à Grand Chase e... Bom, e os boss.

- Sim, e?

- Eu interpretava alguns boss. – Ele concordou. – Mas isso você já sabia. Mas e a Lue? – Antes que o imortal reclamasse “quem é Lue?” eu completei. – Ela é a ooc da Edna.

-

- Quem, em nome de Lisnar, é a Edna? – A loira perguntou. Não posso dizer que não me afeiçoei à elfa, mas seu tom monocórdico muitas vezes me fazia ter vontade de enfiar a cabeça dela na privada e pedir para que botasse mais emoção em suas palavras... Além de uma bondade irritante.

Quem respondeu, na verdade, foi a Any, ooc da Arme. – Edna é a amada do Duel, morreu faz tempo já.

- Se está morta, porque infernos quiseram interpretar ela? – A ruiva perguntou, resmungando irritada. Elesis faltava pouco subir pelas paredes de tanta raiva.

- Boa guerreira. Bons status. Boa história. – Respondi, automática, atraindo olhares dos outros. – O que é? Eu estudei a história do “jogo”. – Fiz aspas com os dedos.

Mari, ao lado de sua ooc, ajeitou os óculos, compenetrada em seu pequeno livro, não o manual típico que ela carregava, até hoje me pergunto como ela consegue ler aquilo depois de acertá-lo tanto na cabeça dos outros, deve ter sangue que não se acaba, respondeu, técnica. – A existência de um laço, trouxe a Edna de volta à vida, segundo meus dados.

Essa aí era outra que eu tinha vontade de afogar em uma poça de água, se deixassem.

- Mas isso não faria dela uma pessoa sem alma? – Frajo perguntou interessado. – Porque a alma dela foi usada para a reintegração da Rey. – Eu concordei com a cabeça.

- Isso é porque, provavelmente, ele deseja usar a alma dessa tal de Lue para reavivar sua amada. – A azulada respondeu outra vez, ainda sem retirar os olhos do livro.

Sou só eu que estou com uma vontade louca de tomar aquilo das mãos dela e jogar de cima de uma ponte? Odeio pessoas que não falam olhando nos olhos. – Trocar a alma de um corpo é tão fácil assim? – Celly, à minha frente, perguntou.

- Você se surpreenderia de como é o tráfico de almas em Ellyos. – Lupus afirmou, mesmo que mantivesse pouco interesse em nossa conversa, olhando pela janela.

- Mas matar a Lue não significa exterminar com a Edna? – Perguntei. Tinha uma raiva quando conseguia pensar em milhares de questões, nenhuma resposta.

- Não é matar, é trocar a alma. – Arme explicou, me fazendo olhar para a baixinha. Já cheguei à comentar que ela tem umas bochechas que dão vontade de morder e uma carinha de criança indefesa?

Isso, claro, até ela soltar meteoros na sua cara.

- Isso se for esse o caso. Afinal, nenhum de vocês foi procurar por ela. – Caio anunciou, me fazendo, novamente, concordar mentalmente com alguém. – Ela pode estar, muito bem, sentada na casa dela com sua rotina típica.

- Pff, nada é tão fácil assim, terráqueo. – Olhei para trás. Ah, lá estava o Azin... E um garoto desconhecido. Supus que era o Mateus. O que? Eu conheço os nomes, sou péssima com rostos. – Vimos Duel fugir com uma garota, com certeza é a Edna.

Eu trancafiei um suspiro na garganta, olhando brevemente para cada um dos rostos dos guerreiros. Eles estavam compenetrados na informação, pensativos quanto ao que fazer.

- Se esse é o caso... – O moreno ao meu lado iniciou, ele parecia tranquilo, apesar de sério. – Temos um problema. Mas podemos juntar o útil ao agradável. – Ficamos todos em silêncio, esperando uma resposta. Foi Elesis quem respondeu, certeira.

- Vamos caçá-lo e mata-lo. – Sentenciou, ele concordou com a cabeça. – Vou passar as novas informações para a comandante. – Sieghart assentiu, novamente, e ela virou-se, pisando duro porta a fora. Caio a seguiu.

- Possível que ele tenha alguma coisa a ver com toda essa confusão. – Mari murmurou, olhando para seu livro novamente. Tinha ajeitado seus óculos sobre o nariz.

- Afinal, ele roubou as essências dos Deuses, não é? – Ryan perguntou, meio encabulado por levantar a voz contra o silêncio que estava se espalhando entre os presentes na sala.

Davi olhou para seu IC e concordou. – Ele também está com planos junto com o Astaroth.

Eu finalizei. – E Berminard quer ter o controle sobre a pedra das almas para abrir fendas dimensionais. Isso sim explica o aparecimento de um portal na Terra.

Suspirei, meio incomodada com a situação. Por mais que muitas vezes tudo aquilo parecesse irreal, agora envolvia, seriamente, a vida de uma amiga nossa. O que me surpreendeu mais, depois disso, foi o fato que a Mari ergueu os olhos de seu livro para falar.

- Se os portais são fendas dimensionais, acredito que tenhamos um grande problema. – Fez-se um silêncio opressor. – Nossas realidades estão em rota de colisão. Por isso os laços se mantiveram tão fortes...

Íris engoliu seco, completando. – É quase como se fossemos as mesmas pessoas, não é?

Mari apenas concordou.

Notas finais
Não se esqueçam de dar opiniões u-u'