O Dia Em Que O Jogo Se Tornou Real
1 Desconfiança
Notas iniciais
Uma ideia doida que surgiu na hora certa, típico de mim...
Pleno sábado e eu aqui, no computador, como sempre. Não tenho muita coisa para fazer no final de semana... Não sou o tipo de pessoa que tem um amigo em cada rua da cidade e que fica saindo por aí com eles. Prefiro ficar no meu mundo imaginário... Ou melhor, nosso mundo imaginário: Meu e dos meus amigos, o chamado RP (Role Play). Nosso pequeno mundo de Grand Chase... Até parece loucura. Cada um escolheu um personagem do jogo para interpretar, ou seja, cada um tem um Tumblr de tal personagem, e temos até um chat, onde se situa o QG (Quartel General) da Grand Chase, onde interpretamos os personagens. Fazemos missões, seguimos as regras, nos divertimos... Já me peguei pensando em como seria se tudo isso fosse real. Mal sabia eu que a minha vida podia mudar por causa dessa brincadeira.
Eu me chamo Marcelle, mas todos do RP me chamam de Celly. O personagem que interpreto? Lupus. O Caçador de Recompensas de Hades não é nem um pouco parecido comigo, foi um dos motivos que o escolhi para interpretar, seria um desafio. Aos poucos fui percebendo que o Lupus é apenas uma parte da minha personalidade, a pior parte por sinal. Tem gente que odeia o Lupus, mas gosta da Celly...
Vamos voltar ao sábado emocionante da Celly. Estava interpretando normalmente no chat, como de costume, até que vi uma sombra. Tive a impressão de ser um garoto, mas olhei para o lado e não vi nada, devia ser só a minha imaginação. Algum tempo depois , a sombra apareceu novamente... Virei e novamente não vi nada além da parede branca do corredor. Já estava começando a ficar assustada, até comentei isso no chat de bate-papo entre Oocs (É assim que chamamos a pessoa que interpreta tal personagem, por exemplo, Celly é ooc do Lupus). Teffy, ooc do Sieghart, disse que eu havia bebido alguma coisa e Any, ooc da Arme, disse que eu estava vendo gnomos (Me perguntei por que diabos ela achou isso). E o Carlos, ooc do Zero, ficou falando que o bicho papão viria me pegar (Mas o quê?). Acabei rindo e me esquecendo do assunto.
Fiquei no computador e perdi a noção do tempo, como sempre. Olhei no relógio e já eram duas da manhã, eu tinha que ir dormir. Já estava de pijama, havia tomado banho mais cedo, então era só pular na cama, e tudo estava muito tranquilo até eu olhar pela janela do meu quarto e ver algo que realmente não se vê todo dia. Eram dois olhos vermelhos como o sangue, que me encaravam. Impulsivamente dei um passo para trás e tapei a boca com as duas mãos, a fim de segurar o grito, tamanho era o susto que eu levei. Por um momento pensei que o maldito Carlos tinha razão, mas achei que era criancice demais acreditar nisso.
O brilho vermelho dos olhos desapareceu na escuridão depois de alguns momentos. Pensei ter visto algum demônio, mas era impossível... Coisas assim não existem. Concluí que era apenas alguma fantasia da minha cabeça, me deitei e dormi como se nada tivesse acontecido.
A noite passou e o dia raiou. Eu estava com aquela sensação de perseguição, exatamente como no dia anterior, após ver a sombra. Alguém estava me observando, eu tinha certeza disso. Quem, e por quê? Essas eram as minhas perguntas. Tentando ignorar tal sensação, meu dia correu normalmente. Entrei no chat do RP, e acabei me surpreendendo. Any dizia que havia uma “boneca” estranha em seu quarto, de cabelos roxos, parecida com a Arme; Teffy dizia ter visto a espada do Sieghart largada no sofá de sua casa; Carlos dizia ter visto o olho da Grandark na janela do quarto. Esses depoimentos só serviram para provar que eu não estava ficando louca. Mas então, o que diabos estava acontecendo?
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