O Diário de Wakai

1 Dia vinte de fevereiro do ano 2000


Bem, hoje tive um dia estranho e encontrei algumas coisas muito estranhas, digamos que seja uma coisa estranha, mas vamos lá.

Acordei com um frio desgraçado, mais um dia de verão que cai neve, eu sei que é estranho, mas eu não queria sair, não dava pra chegar na escola de carro pois tinha nevado a noite toda, e como sempre minha mãe tem uma solução doente mas funcional:

Um Coturno com cordas enroladas.

Olhei pra aquilo com um olho só aberto, metade do meu cérebro ainda dormia, então pronunciei:

– Ah...mãe...não...frio

Aquele Ah saiu como um vomito, poxa, quem com o mínimo nível de sanidade iria para escola? Foi então que repentinamente meu cobertor foi puxado. Imagine a sensação de um balde de água fria... Pois é, um balde de água fria é coisa boa comparado com isso, e de quebra é claro, um pequeno sermão:

– Wakai, larga a mão de ser vadio, quando eu tinha 12 anos ia para escola a pé, caminhava 4Km, você só tem andar 5 quadras, anda logo e levanta.

Levantei com a esperança de que anoiteceria rapidamente, acreditem, aconteceu isso anteontem, minha mãe acordou e foi dormir, afinal era escuro e ela não costuma olhar o relógio, mas isso não vem ao caso.

Apos a incrível façanha de levantar, nem escovei os dentes, estava igual um zumbi, me vesti mais rápido que o flash e fui tomar café, como é bom comer frango frito de manha.

Peguei todo material, respirei fundo com coragem, pensei "Força que a merenda hoje é chocolate quente". Aquele negócio que a mãe fez funcionava, caminhei até a escola com um pouco de dificuldade mas cheguei, só vi um guarda sendo digerido por um cobertor em quanto dormia em pé.

Ao entrar na escola você ouvia o incrível som do NADA. Eu sabia que ninguém ia até a escola, aqui é Brasil Mano, não é o Japão que minha mãe morava, é só acabar a luz que o povo fica em casa, mas ok, não tinha ninguém, invadi a sala de informatica pois se eu voltasse pra casa não ia ser bom.

Liguei o primeiro pc que vi, estava muito ruim de fuçar na net, mas eu estava olhando um sitezinho de terror, uma história de um voo que tinha morrido todo mundo por que um fantasma apareceu, estava empolgante, até do nada dar tela azul e eu cair pra traz com um susto FDP, mas isso não nada, o interessante é que O COMPUTADOR BOTOU UM OVO.

Estava frio, eu não tinha chocolate quente, o pc estava em fumaça e um ovo branco com riscos azuis estava na minha frente. Claro, não vamos esquecer que é verão e está nevando e minha mãe tinha feito eu ir a escola com uma bota toda enrolada com cordas. NORMAL O DIA NÉ!

Ocomputador continuava exalando aquela fumaça, olhei pra um lado e para o outro, peguei o ovo e evaporei do lugar, fui até uma sala qualquer e coloquei o ovo na mesa, sentei observei...COMO UM PC BOTA UM OVO? Branco com riscos azuis, é cria do Internet Explorer? podia dar uma boa gemada!

Andei até a cozinha, peguei uma frigideira bem grande e coloquei azeite, deixei ela esquentar bem e quebrei o ovo... SURPRESA! Não tinha gema, e a clara tinha dois olhos e uma boca. Ela olhava pra mim e tremia igual vara verde até que saiu um singelo "Poyo".

Tudo bem, era só uma gema de ovo com vida, nada de mais mas era irritante, aquela coisa me seguía gritando irritantemente "poyo, poyo, poyo, poyo", então olhei e gritei:

– POYO POYO O CARAMBA, ta me enchendo o saco, volta la pro pc que é tua mãe, cria do internet explorer!

A criatura parou, nisso eu levantei e sai correndo, em quanto ela me olhava estática e tremelica. Estava indo pra casa, a final já era hora, me perguntando "sera que aquela coisa ta me seguindo?" então resolvi voltar par averiguar.

Lá estava ela, presa no meio da neve, tremendo e arrochada, gritando poyo como se não houvesse amanha... Sim eu tive pena e me senti mal, não consegui deixar aquela coisa pequena presa ali aos berros em uma rua deserta.

cheguei em casa e minha mãe estava frenética na cozinha cozinhando mais que a Ana Maria, isso não era ruim mas era um pouco exagerado. Avisei que cheguei e ela mandou eu não demorar para almoçar pois teria macarrão com galinha. levei aquela coisa pra meu quarto,a cobri pois estava com frio, peguei uma cadeira e sentei na frente da cama.

Depois de um longo tempo pensando (10 segundos) disse:

– Pois bem, eu te trouxe aqui seja la o que você for, então como tudo que você diz é Poyo, vou te chamar de Poyo. Agora espera um minuto ai que vou pegar comida, você deve ta com fome também.

O Poyo fez um sinal que parecia sim, então peguei um prato enorme de macarrão com frango. A mãe disse que eu ia morrer se comesse tudo aquilo, mas nem dei bola e voltei pra o meu quarto, o Poyo estava lá com os olhos brilhando e a barriga roncando (se é que tem barriga aquilo)

Bem, mais um fato incrível para hoje...AQUILO COME PRA CARAMBA!!! ele é do tamanho da minha mão e comeu a "pequena" montanha de macarrão que eu havia trazido. Eu não conseguiria esconder aquele bicho por muito tempo, então chamei minha mãe:

–MÃE, VEM AQUI QUE EU QUERO TRE MOSTRA UM TROÇO.

Ela veio rapidamente e expliquei a situação, disse que ele me seguia e inventei que achei na rua. Graças a deus ela foi razoável, disse que eu poderia ficar com ele, mas que teria que tomar conta direito e que se largasse pelo ela iria jogar na rua.

Durante a tarde o Poyo dormiu dentro segundo prato de frango com macarrão que havia comido, em quanto isso eu lavei a louça e deixei ele lá, melhor dormindo do que falando. depois disso fiz um chocolate quente e fui pra o meu pc, comecei a pesquisar sobre Poyo mas não encontrava nada que parecesse com o ele. Já era 19h, eu não havia feito nada a não ser ver um filme, pesquisar sobre o Poyo e jogar um pouco, Foi ai que a minha mãe gritou:

–WAKAI CORRE AQUI NA SALA AGORA.

O Poyo acordou, fui na sala e a televisão mostrava minha escola enfumaçada, foi quando lembrei que deixei a frigideira ligada de manha. O guarda dizia que ninguém tinha ido a escola, e minha mãe não estava nem ai sobre a escola pegar fogo, ficou me enchendo sobre eu não ir para lá.

O lado positivo de tudo isso é que não tenho culpa de nada, a escola pegou fogo e amanha não tem aula. Por hoje é isso, mais um dia normal em um verão com nevascas. Agora em quanto escrevo o Poyo come um pão e toma água.

AMANHA NÃO TEM AULA o/.