O Diário de Cesar

O Diário de um Deus

Livro I

A Revelação

Uma história sobre o princípio de quase tudo

Ou

“A maior farsa de todos os tempos”

PREFÁCIO

O Diário de um Deus é o Diário de Cesar, que faz o leitor mudar tanto, que se pode dizer que não consegue ser mais o mesmo de antes da leitura desta obra, em que a história ensinada a partir do ponto de vista dos vencedores – o das entidades poderosas – que sempre comandaram e, por enquanto, continuam a decidir o que a grande massa humana deve pensar e como se deve agir, ocupando-se em disputar as migalhas que sobram a cada um, e que bilhões jamais terão o suficiente para uma vida digna, livre da escravidão que nos é imposta ao longo dos séculos.

Com extrema maestria Bridges Fredrick conduz a trama dos personagens Cesar, sua namorada Glaucia e muitos outros, de uma cidade da grande São Paulo a mundos longínquos, em uma preparação para uma guerra sem precedentes históricos, que definirá o destino desta humanidade.

O leitor será transportado com Cesar e sua família em naves com recursos simplesmente fantásticos e ficará torcendo – e muito – para que as peripécias enfrentadas por Cesar e Glaucia e seus futuros companheiros nas batalhas vindouras possam, sempre inesperadas, ser superadas, pois o leitor sentir-se-á também um novo deus, também responsável pela mudança necessária para que a grande metáfora Brasil-Humanidade-Universo se torne, no futuro, um grande centro de convivência, onde a ganância e a obsessão por poder e posses materiais desapareça completamente.

Caro leitor: entre nesta nave e sinta o que é percorrer um túnel espaço-temporal rumo a outros planetas, outros sistemas solares e outros Universos. Ninguém proíbe imaginar, muito menos ficar alienado a ideias político-religiosas que tentam manipular os pensamentos de cada um de nós. O que Cesar mostra poderá ser taxado de utopia, de perversão religiosa, de coisas de adolescente revoltoso, mas não deve ser negado, a quem quer que seja, dar-se o benefício da dúvida.

O que o autor pretende, ao criar suas personagens que enfrentam inúmeras e, com frequência, atrozes dificuldades, é mostrar que a luta é árdua, pois as poucas, mas poderosíssimas facções, que mandam no dinheiro e nos recursos naturais não serão fáceis de serem derrotadas. Bridges Fredrick quer dizer a cada um de nós: “pense o que quiser, mas não diga que não mostrei outro pensar diferente; se você quiser continuar pensando como antes é sua prerrogativa, porém há possibilidades diferentes”. O que aconteceu, de fato, em 11 de setembro de 2001? Existiu realmente um Jesus? Qual o propósito de sua eventual existência cerca de dois mil anos atrás? Seria realmente possível o homem ter pousado na Lua em 1969? Como essas, muitas outras perguntas serão feitas e grande parte das respostas Cesar deixará em aberto, para que o leitor possa concluir.

Termino este prefácio dizendo que não sou nenhum adepto das teorias de Bridges Fredrick, mas nem por isso me furto de refletir sobre tudo que ele estudou, pesquisou e deduziu para escrever seu livro. No final da obra, o autor coloca uma lista de endereços de internet, filmes e livros que ele consultou e que estarão também a sua disposição para serem verificados e que você, prezado leitor, possa, também, tirar suas conclusões.

Boa viagem a todos.

Roque Aloisio Weschenfelder

Professor aposentado

Revisor textual e crítico literário.

Premissas

Aviso ao leitor:

A intenção desta obra é a de convidar o leitor a questionar alguns fatos ditos como tal, o “pensar fora da caixa”. Propõe-se a ser um livro que reúna conceitos para que as pessoas possam pesquisar e buscar a chave para serem livres de dogmas e de preconceitos que só atrapalham a evolução. É possível afirmar que muitas obras de ficção, que é o caso desta obra, previram comportamentos e acontecimentos que presenciamos atualmente. Da mesma forma, pode-se questionar se os assuntos aqui descritos não teriam um considerável fundo de verdade. A escolha é, e sempre será do principal integrante que se dispuser a entrar nesta aventura: você, leitor.

Os assuntos vividos e presenciados pela personagem principal, Cesar Naven, em suas viagens, ao longo de aproximadamente dez anos, despertariam o interesse de alguns cientistas, ao menos daqueles que tentam criar uma teoria consistente sobre nossas origens e nosso destino nos universos. Muito do que será visto por ele em suas viagens ao passado poderia ser uma realidade alternativa; muito do que ele verá no futuro, uma possibilidade.

Trata-se, contudo, de uma obra de ficção. Qualquer correspondência com dados históricos, pessoas ou acontecimentos reais terão sido mera coincidência.

Àqueles que desejarem colaborar com críticas, sugestões e, se merecido, elogios, queiram, por favor, enviar e-mail a bridgesfredrick@gmail.com. À medida do possível, responderei aos e-mails, pelos quais, antecipadamente, agradeço.

E se...

Eu sou Cesar, um filho das estrelas. Sou, no presente, o que todos vocês poderão ser no futuro, se quiserem. Um dia, quando a humanidade estiver livre das amarras do poder econômico, quando o “ser”, definitivamente, estiver à frente do “ter”, quando toda criatura souber que não precisa de intermediários para chegar ao seu próprio Criador, quando os vícios, para sempre, estiverem extintos, quando houver a conscientização de que todos nós somos um nos infinitos universos, quando a união para o bem de todos for o único objetivo, viver será um prazer indescritível, e posso assegurar-lhes que as barreiras do espaço-tempo deixarão de existir, toda e qualquer dúvida sobre nosso papel no universo acabará, toda dor e sofrimento terminarão, e inúmeras maravilhas estarão ao seu alcance. Sua herança divina estará, de direito e de fato, em suas mãos. As possibilidades serão incontáveis. A criação de mundos será uma de muitas tarefas prazerosas de sua existência infinita. Os mitos e lendas, que, atualmente, são assumidos como verdades, por alguns, serão apenas histórias pueris, pois vocês, sim, serão deuses. Eu mostrarei que é possível e lutarei contra aqueles que não querem que vocês saibam dessa verdade. Acompanhem minha vida; trilhem, vocês, seu caminho rumo ao infinito, pois infinitas serão suas habilidades. Não se prendam a conceitos e atitudes que lhe escravizem. Vocês são deuses em crescimento e serão deuses de uma forma que não há palavras para descrever. Desejo-lhes uma boa leitura. Pensem, reflitam. Vocês podem me questionar se eu tenho ou não razão, mas, e se...

PARTE I

CRESCIMENTO

Neo: O que é a Matrix?(1)

Trinity: A resposta está lá fora, Neo, ela está te procurando, e ela o encontrará se você desejar.

The Matrix© é de propriedade da Warner Bros, sendo detentora de todos os direitos da marca. – Nota do autor.

1 – Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Ou não?

— Como eu poderia acreditar nisso tudo, Hiero? Então, você me diz que quase toda a história está incorreta?

— Coube-me revelar o que vi e sei e, a você, decidir o que fará com essas informações. É sua prerrogativa e responsabilidade. Você pode, inclusive, escolher como e, se quiser, dizer às pessoas as verdades mais importantes de suas vidas.

— Você não me ouviu? Isso tudo é muito perturbador. Não consigo acreditar. Além disso, que provas você tem?

— Cesar, eu tenho muitas provas sobre tudo o que lhe digo. Eu tenho a intenção de lhe mostrá-las em breve. Se você achou que tudo o que falei mexeu com a sua cabeça – e é uma parte muito pequena do que sei e vi – já não tenho certeza se vai valer a pena mostrar-lhe as provas que você quer.

— Você sabe que sou curioso. Você está jogando com minha curiosidade, não é?

— Quem não está mexendo com a cabeça de todos, ou quase todos, os humanos? Você, mais do que muitos, já deveria ter se convencido disso, principalmente depois de tudo que lhe falei. Faça o seguinte: procure digerir, ao menos, alguns fatos que lhe contei, esfrie a cabeça e mantenha a mente aberta. Leve o tempo que for necessário. Se as suas crenças ainda não sofreram uma reviravolta, com o que vou mostrar, se estiver disposto e preparado, tudo o que você pensava saber vai cair definitivamente por terra. Agora vá. Um pouco é minha culpa por pensar que, mesmo com sua inteligência bem acima da média, você entenderia o que para nós é uma parte bem pequena e trivial de sua história. Vamos um pouco mais devagar.

— Sim, meu jovem – disse Hillel – você não se arrependerá de tudo o que verá desde que queira saber.

Despedi-me dos dois e fui para casa, cerca de quinhentos metros dali. Ao sair, ouvi um sussurro:

— Será que ele conseguirá encarar tamanha responsabilidade, Hiero?

— Shhh Hillel. Vamos conversar sobre isso mais tarde.

Fui para casa bastante pensativo. O que eles haviam me dito, certamente, renderia muita coisa para falar com as pessoas próximas, se é que não achariam que fiquei maluco, mas será que não fiquei? Bem, ainda sei meu nome e acho que isto é verdade. Pelo menos isto.

Cheguei em casa por volta das dez da noite, cumprimentei minha mãe, que me disse algumas palavras que não me lembro bem; eu falei que estava cansado e fui para meu quarto.

Alguns minutos depois, Erica bateu a minha porta e disse que queria conversar. Deixei-a entrar, meio a contragosto.

— Teco (é assim que Erica me chama praticamente desde que aprendeu a falar), você sabe que, apesar de te achar meio esquisito, gosto muito de você. O problema é que a vizinhança está falando do seu comportamento estranho. Você passa pelas pessoas e nem diz bom-dia. “Seu” Carlos me disse que está muito sentido com você. Ele diz que lhe acenou num outro dia e você nem respondeu!

— É mesmo! Depois eu percebi isso – falei meio sem jeito – eu gosto das conversas com o velho Carlos. Não foi por querer. Quando o vir, vou me desculpar.

— Tem mais, a dona Lina, fofoqueira que nem ela só, disse que te viu falando sozinho – continuou Erica – veja se presta atenção. Não se lembra de quantas bobagens ela falou do nosso pai, para nós, quando ele nos deixou? Quer que a vizinhança toda lhe olhe estranho?

— Tá bom, tá bom. Vou ficar mais atento com esse povinho atrasado. Se eles soubessem... – disse eu, em tom de mistério.

— Soubessem do quê? – perguntou Erica indignada – veja lá, hein? Você está tramando alguma coisa?

— Não, não, deixa para lá. Fique tranquila. Está tudo bem.

— Tem mais – emendou Erica – veja se dá um pouco mais de atenção para a nossa mãe. Ela perguntou bastante de você, e acha que seu comportamento está um pouco estranho. O filhinho preferido dela...

— Que é isso? Tá com ciúme? – falei brincando – que culpa eu tenho se sou tão especial?

Percebendo meu tom de brincadeira, ela se limitou a dizer:

— Sei. Além de tudo, sua humildade de sempre...

— Ela está precisando de alguma coisa? – perguntei eu, meio interessado.

— Acho que só quer conversar, não deve ser nada de mais. — Está bem, agora vai dormir que já é tarde. Amanhã falo com ela um pouco mais – disse eu, querendo encerrar a conversa.

— Vou mesmo! Amanhã tenho uma prova de História, daquela professora chata. Até amanhã.

— História. Para mim está cada vez mais para “ficção”. Tudo parece falso agora. Mas, não entrei em polêmica e tratei de me “livrar” logo da minha irmã. – Até amanhã, Erica. Descanse bem.

Aquela noite foi muito difícil para dormir. Sentia que estava com um peso e uma preocupação muito grandes na minha cabeça. Tudo o que haviam me ensinado nesses anos estava revirado, sentia-me enganado, um pouco triste e desconfiado de tudo.

De repente, senti que “algo” pulou em cima de mim. Era o Bonifácio, nosso gato, que é branco, com algumas manchas de preto; uma delas, que lhe dá muito “charme”, e é a que fica na parte esquerda do nariz. Tem os olhos muito azuis da cor do céu, e é um tanto vesgo. Quase sempre um “sujeito” mal-humorado, mas que é muito querido pela família, e por mim também.

O Bonifácio e eu temos uma ligação muito forte. Certa noite, há alguns anos, eu estava voltando do futebol, mais ou menos às oito horas de uma terça-feira, depois de uma tarde bastante chuvosa; foi quando vi um gatinho sujo, molhado e que parou bem em frente a um carro, miando alto no meio da rua.

Ao ver a cena, corri para frente do carro, de maneira bastante precipitada e imprudente, confesso. O carro parou, eu peguei o gatinho como as mães deles costumam fazer, pelo “cangote” e o levei para casa, que ficava mais ou menos dois quarteirões de onde tudo aconteceu. O gatinho ficou quieto todo o percurso. Ao chegar a minha casa, eu o coloquei no chão. Imediatamente, ele passou repetidas vezes sua cabeça em meu braço esquerdo e eu tive a clara sensação de que aquilo era um sinal de gratidão pelo resgate. Ele estava espirrando, deveria estar com resfriado devido à chuva que deve ter enfrentado, e decidimos que iríamos cuidar dele até que conseguíssemos um lar definitivo. Preparei uma caixa de papelão e o acomodei com alguns panos que o aqueceram e permitiram que ele descansasse um pouco. No dia seguinte, nós o levamos ao veterinário, para os primeiros cuidados; compramos a ração para filhotes, os potes de comida e água, uma casinha de pano e os medicamentos. Na semana seguinte, ele foi vacinado e, dois meses depois foi castrado, seguindo as recomendações da veterinária, que estimou sua idade em cerca de quatro meses quando eu o resgatei.

É óbvio dizer que, o que era um lar temporário, ficou definitivo. O Boni, depois de alguns cuidados e dedicação da família, ficou grande, forte e bonito.

Naquela noite, ele estava um pouco mais carinhoso do que de costume. Fiquei com ele até às três da manhã; depois coloquei-o de volta na cama dele e voltei para meu quarto. Dizem que os gatos têm uma sensibilidade para perceber nosso estado de espírito, que veem coisas que nós não conseguimos. Passei a gostar dos gatos após perceber a inteligência e a independência que eles têm. São seres especiais. O nosso Bonifácio já está com oito anos; ainda é brincalhão como quando era mais jovem, mas só quando ele quer. Tem uma personalidade forte, mas é gentil e carinhoso, um pouco mais comigo do que com minha mãe e Erica. É muito amado por todos da casa.

De volta àquele assunto que passou a me incomodar, com Hiero e Hillel, fiquei me perguntando por que eu fora escolhido para saber o que eles estavam falando na nossa conversa mais recente. Já faz algum tempo que os conheço; eles têm a aparência de uns sessenta anos e são muito ativos; auxiliam de forma voluntária em um hospital próximo, na administração e provimento de fundos.

Hiero, com quem tenho conversado mais, me disse que eles são irmãos, ambos, viúvos, que não se casaram desde então. Costumam acordar bastante cedo, fazem exercícios, jogam tênis três vezes por semana e têm um restaurante vegetariano em uma cidade próxima. Foi lá que os conheci e passamos a ter uma grande amizade. Eles têm uma filosofia de vida que eu admiro muito; por vezes, nos dias frios, participam de mutirões distribuindo sopas para os moradores de rua, perguntando se os mesmos desejam ir ao albergue para se abrigarem do tempo; distribuem cobertores àqueles que insistem em permanecer na rua, deixam algum alimento e até conversam com alguns deles; interessam-se pelas histórias, pelo que passaram até que terminassem nas ruas.

Há pessoas de todos os níveis de educação, até professores universitários que, infelizmente, alguns, devido ao uso de drogas, perderam tudo: família, amigos, casa e até a dignidade. Para vários é um caminho sem volta, mas Hillel conseguiu recuperar um deles, o André, que trabalha como que um gerente do restaurante, orientando os clientes onde se sentarem, organizando o movimento das funcionárias que abastecem as bandejas de alimento e que fazem a limpeza das mesas.

Muito simples e educado, certo dia, após o fechamento do restaurante, André me contou sua história: seu irmão mais velho assassinara sua esposa e seus dois filhos, por pura inveja da felicidade dele, o que lhe causou uma depressão enorme. Seu irmão nunca foi preso, mas, segundo ele, a “justiça de Deus” foi feita: em uma discussão de bar, foi morto por um adolescente drogado que, ao lhe pedir dinheiro, foi rechaçado aos pontapés. Levou dez facadas e morreu ali mesmo.

André, por sua vez, procurou fugir da dor, que o consumia, no álcool e depois no crack. Vendeu o resto do que possuía para sustentar o vício, inclusive sua casa. Foi parar na rua, onde foi espancado, roubado e até alguns adolescentes, ditos “de família” e com boas condições financeiras, tentaram pôr fogo no seu corpo, jogando gasolina. Quando foram riscar o fósforo para concluir o atentado, Hillel apareceu e protegeu André da morte certa, expulsando os delinquentes.

André agradeceu imensamente a Hillel, que lhe perguntou se desejaria trabalhar. Ele respondeu que sim e já está no restaurante há dois anos, sem faltar um dia sequer e sem qualquer incidente; ao contrário, é um funcionário admirado pelos colegas e por todos os clientes do restaurante. Sempre educado, de fala pausada e amigável, jamais o vi nervoso ou de mau humor.

Ele conta com um salário mensal, recebe ajuda com o aluguel de um apartamento pequeno, próximo ao trabalho e deve ter seus cinquenta anos.

Voltando aos motivos de terem me escolhido para supostas tão importantes revelações, só pude imaginar que fora ao acaso, ou que simpatizaram comigo. Mal sabia eu que os motivos eram muito mais fortes.

Eu ainda não sabia o que faria com tantas informações. Poderia escrever um livro, contar, a todos que conheço, o que eu soubesse; enfim, estava desorientado. Eu precisava mesmo de um tempo para pensar. A responsabilidade de saber de tantos fatos poderia ser demasiado pesada e, se não mantivesse certo equilíbrio, certamente eu enlouqueceria.

Recostei-me na cama, fechei os olhos e procurei esquecer, ainda que temporariamente, os acontecimentos.

Notas finais
Em breve, o capítulo 2.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!