O Diário de Elizabeth Christie
1 Prólogo
Mystic Valley era uma cidade pequena em Montana, com cerca de 3 246 habitantes e definitivamente era um lugar onde nada fora do comum acontecia. Era uma cidade comum, embora geralmente pacata. E era para Mystic Valley que Lavínia Ashwood estava indo.
Fazia alguns anos que sua avó, Margareth, havia falecido, e havia muito mais do que só alguns anos que ela tinha deixado Mystic Valley para trás. Agora, após anos de abandono, a mãe de Lavínia implorou para que a filha fizesse o favor de ir dar uma olhada na antiga casa da avó e visse seu estado, assim como escolhesse e se desfizesse de alguns móveis, se possível.
De início, Lavínia ficou revoltada; quem quer passar o verão inteiro em uma casa velha? Mas então esfriou a cabeça e concordou que talvez não fosse tão ruim. Talvez a fizesse bem sair da cidade grande um pouco. E, ei, a vista conforme dirigia era maravilhosa!
Claro, se não estivesse atenta ao GPS do carro, com certeza teria se perdido vários quilômetros atrás, mas, graças a Deus, nada disso aconteceu. Podia ver as montanhas ao longe enquanto acelerava pela estrada, que estava deserta a não ser por alguns carros ou caminhões. Abaixou o vidro da caminhonete para sentir o vento em seu rosto.
Estava um dia bonito, ensolarado mas não quente, e algumas nuvens no céu indicavam que poderia chover mais tarde. Com sorte, já teria encontrado a casa da avó quando esse 'mais tarde' chegasse.
Passou, finalmente, pela placa verde onde estava escrito "BEM-VINDOS À MYSTIC VALLEY" em letras brancas. Perfeito. Podia ver crianças brincando em uma praça, adultos conversando e até mesmo adolescente saindo de um restaurante. Nada incomum, nada fora do normal. Contornou rapidamente aquele perímetro.
Vendo uma loja de livros que parecia antiga, resolveu parar para pedir uma informação. Parou a sua querida Ford Ranger preta — presente de seus pais — em frente a loja e entrou, tentando ignorar os olhares curiosos que as pessoas na rua lhe lançavam. Um sininho tocou quando abriu a porta e uma jovem ruiva, que aparentava ter a sua idade apesar de baixinha, apareceu atrás do balcão, sorrindo.
— Em que posso ajuda-la? — perguntou.
Naquela loja, não somente vendiam livros — que lotavam grandes prateleiras de acordo com seus gêneros — como também vendiam todos os tipos de quincarias do mundo. Colares de pedras coloridas, gatinhos de cerâmica e até mesmo um crânio havia ali. Lavínia se lembrou de Hamlet naquele momento.
— Na verdade, agora não estou com tempo para observar melhor a loja. — retribuiu o sorriso — Preciso de ajuda para encontrar exatamente esse endereço. — entregou um pedaço de papel a garota, que ergueu as sobrancelhas.
— Essa é a antiga casa de...
— Constance Goodwin. — Lavínia a cortou — Eu sei. Ela era minha avó, mas faleceu tem alguns anos. Precisei vir no lugar de minha mãe dar uma olhada na casa.
— Compreendo. — a ruiva sorriu — Sou Anastácia Grayson. — estendeu a mão.
— Lavínia Ashwood. — Lavínia apertou a mão estendida.
Após uma breve orientação, Lavínia soube onde deveria ir e se despediu prometendo que voltaria a loja assim que pudesse.
Alguns minutos depois, chegou a casa e se assustou com o estado em que estava. Conservada, sim, mas completamente deixada de lado. Folhagens já haviam crescido em alguns lugares em volta da casa.
Lavínia esfregou a testa e passou a mão pelos cabelos, frustrada.
Aquele seria um longo verão.
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