O Diário De Um Morto
3 O começo de uma morte.
Notas iniciais
A taverna era feita de madeira e estava quente e abafada, homens se amontoavam no balcão gritando por bebida e dançarinas. As mesas de centro estavam ocupadas por soldados bêbados e armados, uma mistura que geralmente resulta em mortes. Eu caminhava calmamente para o balcão observando a tudo ao meu redor. O taverneiro era um homem gordo e feio, sua cara era mais redonda que sua barriga e possuía olhos esbugalhados e vermelhos. Seus cabelos eram loiros, mas eram tão sujos que um olhar desatento diria que eram negros. Trajava um grande avental de couro e servia dois homens quando eu me aproximei.
_Ei homem! Quero um quarto e uma caneca de hidromel, já!
O homem me olhou espantado. Mas mesmo assim obedeceu como um grande porco gordo e gritou por uma caneca de Hidromel.
O gordo taverneiro colocou a caneca em minha frente e deu-me as costas para abrir uma pequena gaveta e puxar uma chave de chumbo velho e encardido.
_São 1000 zenys senhor. –Ele me dizia enquanto balançava levemente a chave na minha frente.
Entreguei os zenys na mão do taverneiro e agarrei a chave arrancado-a da mão dele. Dei as costas e segui para o segundo andar da Taverna.
Antes de começar a subir as grandes escadas de madeira eu ouvi alguns gemidos e um choro baixo. Voltei o olhar para a taverna e vi três homens cercando uma garota de cabelos negros. Eu andei vagarosamente enquanto os homens tentavam agarrar a garota. Estiquei minhas mãos para o pescoço do primeiro homem um careca com um olhar sedento e faminto. Puxei o pescoço dele jogando-o para trás em uma mesa. O Segundo era magro, mas tinha músculos fortes e bem trabalhados e repetindo o processo eu agarrei-o por debaixo das axilas e o joguei na quina do balcão. O Terceiro agarrava o seio da garota e eu não hesitei puxei o main gauche e rasguei a mole carne de seu braço, um ferimento superficial, mas serviria de aviso. Agarrei-o pelos cabelos negros e o joguei de encontro a seus companheiros. Dei as costas para a garota a fim de olhar meus adversários.
_fique onde está.
A garota se encolheu e me obedeceu ficando parada olhando tudo atentamente. Eu dei três passos e agarrei novamente o careca levantando-o pela gola da camisa.
_Mas que merda você planejava fazer com a garota? –Gritei para ele-
O homem nada disse, limitou-se a puxar o aço da bainha e tentar enfia-lo em mim. Esquivei por pouco de sua espada longa. E me defendi de outro golpe com o katar. Os outros dois vieram para cima de mim, um com uma Tsuguri e o outro com um punho de ossos. O homem careca desferiu mais um golpe e me acertou no ombro formando uma grande poça de sangue no chão. Eu me abaixei e saltei me jogando de encontro a sua barriga enfiando o katar em seu estomago. Ele chorou e lamentou, mas por fim caiu no chão inerte. Seus companheiros ainda vinham para cima de mim e eu me preparei para lutar, separei as pernas um pouco, virei o main gauche da mão direita ao contrário em direção ao chão e o outro em direção ao teto e corri para me juntar ao inimigo. Defendi a Tsuguri e desviei do punho assim que eles vieram em minha direção. Arremessei um main gauche em direção ao cara magro e musculoso e o matei acertando-lhe no pulmão. O outro, o cara do punho veio para cima de mim e gritou.
Seis bolas de energia azul giraram ao redor de seu punho e vieram mortalmente e em alta velocidade ao meu encontro. Eu sabia que se fosse acertado com certeza iria morrer.
Desviei no ultimo segundo e ele acertou o chão provocando uma grande explosão estourando o piso de madeira fazendo grandes lascas voarem de encontro ao seu rosto. Aproveitei o momento e rasguei o seu pescoço.
_Sinto muito. –falei arrancando o main gauche de seu pescoço com um puxão.
Olhei ao meu redor e percebi todos no recinto me olhando perplexos e amedrontados. Eu nada fiz a não ser dar as costas pra eles e ir até a garota.
_Você está bem?
_Sim, Obrigada. Obrigada por me salvar – ela falava isso enquanto abaixava a cabeça envergonhada-
_Sem problemas! Agora venha! Você não deve ficar aqui. –Dei as costas para ela enquanto subia às escadas de madeira ouvindo a leve batida de seus pés me seguindo.
O quarto era bem mobiliado para uma taverna como aquela, uma grande cama de casal com lençóis brancos e lavados, uma latrina e uma janela que dava uma bela visão da cidade. Eu entrei no quarto e me sentei na cama.
_Qual seu nome?
A garota fez alguns segundos de silêncio, mas finalmente falou.
_Ray, Meu nome é Ray. E o seu?
_Devan, e você tem família?
_Não senhor! Eu a perdi minha mãe noite passada e ando vagando tentando achar um rumo.
_E seu pai? Ele morreu também?
_Nem cheguei a vê-lo , ele abandonou minha mãe antes de eu nascer e não sei nada sobre seu paradeiro.
_Tudo bem. Acho que por hoje já basta de perguntas, você deve estar sobrecarregada. Durma um pouco e amanhã a gente conversa direito. E por favor Rey, pare de me chamar de senhor.
Ela fez uma cara envergonhada e me olhou de um jeito malicioso.
_Deixe de ser besta garota! É claro que não ira dormir comigo. –disse entendendo seu olhar
Tirei a mochila das costas e puxei meu saco de dormir.
_Você irá dormir na cama, eu fico no chão. –disse rudemente-
Estendi o saco no chão e me deitei e olhei para o teto esperando a garota se mover.
_Vamos! Não vai se deitar?
_ham? Desculpe!
Ela deita-se e eu apago o fogo na vela fazendo o quarto escurecer.
_Boa noite.
Notas finais
----------[=======================-
Fale com o autor