O Diário De Rose Hathaway
2 Primeira vez(es)?
Notas iniciais
Estávamos no carro há umas duas horas, e eu já não aguentava mais. Como qualquer dhampir eu era muito ativa, e ficar parada (ou em um carro) por muito tempo me entediava muito. No inicio, Lissa tentara me animar, mas desistiu e acabou pegando no sono, no colo de Andre. Após aquele beijo as coisas entre nós ficaram um pouco complicadas, mas no fim acabamos nos resolvendo. Eu fingia que aquilo nunca tinha acontecido, e Andre ficava feliz em não precisar falar sobre isso. Veja bem, ele era lindo, popular, bonito, e irmão da Lissa. Ou seja, nada disponível. E eu, sendo a garota excluída e esquisita que era, não me preocupava com esse tipo de coisa. Lissa e eu éramos felizes assim, e nenhuma fazia esforço nenhum para mudar. Me encostei no banco e acabei cochilando. Sonhei com uma festa na praia em que depois de tanta insistência do Andre, acabamos nisso.
FLASHBACK ON
Já estava perto do por do sol e ainda não estávamos prontas. Lissa queria ir bonita na festa, o que significava se arrumar, enquanto tudo o que eu queria é ficar debaixo das cobertas assistindo a algum filme. Era o que eu ia fazer, até ela me chamar em seu quarto para ajudá-la a escolher um vestido.
-Ei, Lissa, tem certeza de que quer ir a essa festa? – Gritei, parada no batente da porta.
Ela se virou, surpresa, e seus olhos me avaliaram. Seu rosto meigo, etéreo e lindo me encarava com a boca aberta.
-ROSE! Você não está pensando em ir de moletom na festa, não é? –
-Na verdade, Lissa… — comecei, acanhada – eu estava pensando que eu poderia ficar e….- Não consegui terminar. Na mesma hora, ela me interrompeu.
- Rose, se você não quiser ir eu vou te arrastar. Pelos cabelos, se precisar. E NEM MORTA você vai faltar à essa festa. É nossa primeira festa de verão! Nós temos que ir!-
Ao ver ela tão cheia de vida e animação, simplesmente não consegui negar. Rendi-me aos seus protestos, e a deixei me embonecar para a maldita festa.
Enquanto passava vários tipos de maquiagem em mim, conversávamos sobre o ano letivo, sobre o que havia acontecido nesse ano passado. Fui interrompida no meio de uma palavra logo quando Lissa jogou uma nuvem de pó sobre o meu rosto. Comecei a tossir, mas antes de sequer levantar da cadeira ela já havia me entregado um espelho.
-Espero que goste- Lissa mal conseguia conter seu próprio sorriso, e eu já estava preocupada com o que veria ali. A nossa imaginação na maioria das vezes é bem mais cruel que a realidade. Querendo acabar logo com isso, virei logo o espelho e abri os olhos. Meu queixo caiu. Fiquei imóvel por uns 5 segundos que me pareceram uma eternidade. Meu rosto….. estava perfeito. Lissa havia feito algum milagre em mim, com certeza. Meus olhos, oh, meus olhos castanhos, grandes demais para o resto do meu rosto, estavam escuros e sombrios, e, pela primeira vez, pareciam proporcionais no meu rosto. Eu queria abraçar e beijar e agradecer e reverenciar a Lissa, tudo ao mesmo tempo, mas passando meu estado de estupor, ela nem me deu chance. Já me puxou para um canto escolher uma roupa, e nem tive tempo de agradecer. Ela passou um vestido azul escuro, de cetim com decote em V pela minha cabeça, colocou saltos em meus pés e praticamente saiu correndo, gritando que estávamos atrasadas para a festa.
Andre acabou nos levando para festa em seu próprio carro, então não chegamos atrasadas. Quando Lissa falou “festa na praia”, eu logo imaginei o pôr do sol, hula-hula, frutas em cima da mesa e esse tipo de coisa, mas aquilo era completamente diferente. Música alta, pop-dance e eletronica pulsava em caixas de som que alcançavam quase a minha altura, uma pista de dança brilhante ocupava quase todo o lugar no canto havia um bar improvisado lotado de gente.
-Venham, vou enturmar vocês- disse Andre com uma piscadela. Eu estava um pouco receosa com tudo isso, mas Lissa estava nas nuvens, então a segui para o bar.
-Ãn…. Lissa… Eu não acho que seja uma boa ideia – disse, ao vê-la com um copo de vodca na mão.
-Ah Rose, deixa disso e vamos festejar! Afinal, tudo tem a sua primeira vez, não é? Ou vai dizer que não está louca para tomar um gole? – Ela me ofereceu o copo e eu experimentei um golinho. O liquido queimou na minha garganta e eu tive vontade de cuspir tudo fora. Vendo minha careta, Lissa me empurrou guela abaixo um monte de vodca, e fui obrigada a engolir. – Espera só, já já você vai estar querendo muito mais disso. – E sumiu da minha frente.
Sentei num dos bancos do bar. Eu estava um pouco tonta, e uma sensação de alegria extrema se apoderou de mim e, em poucos segundos eu queria provar o mundo. Haviam algumas garotas dançando na pista de dança, e a ideia me pareceu boa. Pedi para alguém me encher um copo e corri até elas. O mundo de repente parecia alegre e colorido, e eu nunca me divertira tanto. Lissa passou por mim várias vezes e estávamos muito loucas, e eu não vira mais Andre em lugar nenhum.
Estávamos dançando juntas, Lissa e eu, quando uma mão encostou no meu braço. Um cara lindo estava ao meu lado, e eu arregalei os olhos. Bom, se estávamos fazendo loucuras aquela noite, por que não?
-Sim?- perguntei, tentando parecer sedutora.
-Alec Conta. Como é o seu nome? – Ele pediu. Seus olhos eram azuis e cabelos, negros. Era lindo, lindo lindo demais. Ou isso, ou era só minha imaginação me pregando peças. Mas àquela altura da noite, isso não me importava muito.
-Prazer, Rose Hathaway – respondi, e saimos da pista de dança, conversando. Um tempo depois disso estávamos no maior amasso em um dos lados do bar, e Lissa havia sumido novamente. Me afastei do cara, prometendo que já voltava.
-Lissa? LISSA! – Gritei por ela. Minha boca estava seca, e eu queria me jogar no meio da água e beber o mar. Peguei mais um copo com alguma coisa, achando que era água, e fui atrás dela.
Péssima ideia. Aquilo era outro tipo de bebida alcoolica, mas uma parte de mim gostou. Decidi voltar até onde Alec estava me esperando, mas ele não estava mais lá. Lissa estava.
-Lissa!- Gritei, e corri atrás dela. Tropecei no meio do caminho e teria levado um tombo se ela não me apoiasse. Apesar do gesto, ela estava tão bêbada quanto eu.
-Rose, quem era aquele gato? O mesmo de antes? Você sabe, linda do jeito que é pode conseguir bem mais caras – Ela deu uma risadinha.
-Ah Lissa, esqueça isso. Venha, vamos fazer mais alguma loucura. – E a puxei para uma caixa de som, que continuava no volume máximo. Peguei um banco e escalei a caixa, ficando em cima dela. Tinha mais ou menos um metro e meio, e cabia eu e Lissa ali em cima, e começamos a dançar. O que me fez parar foi a sensação. Ânsia. Eu precisava ir no banheiro. Precisava..
-Rose, vamos sair daqui. – Lissa falou, observando o meu rosto. Ela me ajudou a descer da caixa bem a tempo de eu me abaixar no canto e vomitar. –Tudo bem?- Ela pediu
-A-acho que sim. Lissa, vamos para casa. Por favor. – De repente, eu comecei a me sentir mal. A euforia estava alta, mas a sensação ruim estava mais.
Andre não estava na mínima condição de dirigir, mas era o mais sóbrio entre nós e o unico que realmente sabia como controlar um carro, então rezamos para que chegássemos em casa salvos. Pelo menos, deu certo. Chegamos tarde, porém, e logo que subi para o meu quarto me ajoelhei no chão do banheiro e vomitei mais ainda.
FLASHBACK OFF
Aquela fora uma noite incrível e divertida, e pela primeira vez eu ficara com dois caras por livre e espontânea vontade. Fiquei bêbada também, e havia sido ótimo. Como eu consegui ficar tanto tempo longe disso?, eu pensava isso o tempo inteiro.
Fui acordada de repente por um barulho de buzina, e dei um pulo. Estávamos estacionando em uma lanchonete.
-Querem ficar aqui no carro ou comer alguma coisa, crianças? – perguntou a mãe de Lissa.
Nós três decidimos descer do carro e fazer um lanche, antes de seguir com a viagem. Ainda faltava muito tempo, e apesar de todo o conforto, aquilo era cansativo.
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