O Diário Atrás Das Pedras
5 Os Destruidores
Notas iniciais
Mesmo depois de quase cem castelos tomados e muitas Deformações descobertas, O Arqueiro admitia que aquela era sua missão mais complicada. Todos as suas tomadas foram feitas de surpresa, com seu Tigre o apoiando, em lugares abertos e geralmente com o apoio de seus piratas. Ali, era o tipo e combate que ele odiava. Fechado, sozinho, e além de tudo. Ele era esperado.
Draco não estava de brincadeira, definitivamente. Escondido, ele tinha visto mais de quinze atiradores de elite, e cinco de seus melhores Heres Corvis. O Arqueiro estava mesmo em uma enrascada, adotou uma estratégia que pensou que nunca teria que usar. Atirar, esconder. Outra coisa que não se conformava era ter que retirar as flechas do copro abatido. Nas entrelinhas do interior do Coliseu, O Arqueiro iria precisar de todas. Se viu em uma fria quando a perspicácia de Atilla superou a sua. Cinco Heres Corvis o cercavam, sorrindo.
Quando o menino adentrou na gigantesca estrutura, pensou que seu corpo entraria em colapso, teria um infarto, um derrame, ou qualquer coisa assim. As duzentas mil esferas enxergadoras focaram nele, enquanto percorria a ponte que ligava o bastidor com o espaço principal. A areia era dura, e Fallcor deu graças. Para Ultor, um solo duro era o melhor. Mesmo assim, Fallcor teve o azar duas vezes: Era o último, ou seja, o mais cobrado. Sua cobrança aumentava por ser o seguido da apresentação de Sage, o que dispensa comentários.
Fallcor não tinha nada a perder. Não tinha planejado nada especial, e daria tudo de si. Uma vaga já estava reservada a Sage, e teria que disputar com outros dezenove as remanescestes. Williams também esperava muito dessa aprestação, só não previu como.
— Vamos a última apresentação. Seu nome é Fallcor, 13. Uma salva de palmas, por favor.
As palmas foram mornas e decepcionantes. Já estava difícil com o público, e a presença do rei só piorava as coisas.
Merlin inciou algo que a humanidade esperou quase dez milênios para acontecer.
— Merlin falando — Ele trouxe junto ao maxilar um objeto de comunicação. Créditos de seu amigo falecido. — Alvo F adentrando. Iniciem a entrada dos Destruidores. Luke, atento ao perímetro. Sem sinal de Bane. Eles estão escondidos, fiquem atentos.
— Luke respondendo. Não tirem os olhos de F. Sem sinal de Bane. Perímetro seguro.
— Merlin falando. Ativar protocolo Reforço Imediato, repito ativar protocolo Reforço Imediato, seção 11. Todas as unidades de reforço, seção 11.
Fallcor iniciou sua aprestação percorrendo o Coliseu, com saltos e desvios em alta velocidade, por pura sorte devida a espada, podia fazer uma apresentação como se imitasse um cavaleiro em batalha.
Merlin iniciou seu trabalho. Magicamente, ele estava dentro da Cabine Real, invisível. Com um feitiço mental, o vidro que isolava o rei e a corte, desapareceu. Merlin empurrou Williams para o vazio, enquanto todos gritavam de agonia ao ver o copro do novo monarca mergulhando assustadoramente rápido rumo ao chão, onde sua morte residia.
Os gritos chamaram a atenção de Fallcor, que raciocinou em quarto de milésimos de segundos. Ultor percorria a distância entre ele e o corpo apavorado tão rapidamente que até Fallcor se surpreendeu. Mesmo assim, não daria tempo. Colocando o espirito do joelho no hospital, Fallcor esperou mais dois segundos e deu um pulo do cavalo, se movimentando no chão, com o joelho raspando na areia dura.
Silêncio.
Silêncio.
Fallcor soltou um grito que partia do interior de sua alma. O local onde a luva o atingiu duas vezes, ardia e latejava. Fallcor conseguiu chegar ao lugar onde o copro de Williams atingiria o chão um incrível segundo antes. Outro fato assustador era o fato do franzino garoto que girava em torno dos quarenta quilos aguentasse corpo musculoso de quase noventa. O rosto de William estava pasmo, e quando conseguiu abrir os olhos, o fechou depois de um segundo.
— Você esta bem? — No calor do momento, Fallcor tinha esquecido as formalidades.
— Não... — Disse, turvo, antes de desmaiar.
Fallcor, ali, no canto da arena, então percebeu. O homem da luva era o mesmo que tentou assassinar Williams. De um momento para outro, Fallcor era o centro de uma trama muito maior e misteriosa. Sua cabeça estava piorando quando o levou aos bastidores.
Todos o aplaudiam, e Fallcor diante da multidão, não sabia o que fazer.
O circo que Merlin montara estava pronto. O Coliseu estava isolado. Ninguem entrava. Ninguem saía. Todos os seguranças haviam sido brutalmente apagados
— Tragam os Destruidores. — Disse emfim.
Sua cabeça estava cada vez pior. Tinha que ser aquela maldita luva. Enquanto massageava a área e xingava de tudo quanto é nome seu atirador, percebeu que dali ele não sairia vivo. Três monstruosos ursos famintos o espreitavam lentamente, como se farejassem seu medo.
Seus reflexos o fizeram empunhalar a espada e vestir o escudo. Não tinha mais controle sobre seus atos. Por um momento de terror, estava ligado na oitava marcha e não tinha controle sobre seus atos. Sacudiu a cabeça, e voltou a si. Em um momento em que qualquer segundo mudaria sua chance de sobrevivência, ele tomou uma atitude.
Seja lá quem for o demônio dentro de mim, agora não é hora.
Fallcor fez a úncia coisa insensata a fazer naquele típico momento na vida de um jovem quando se defende de três ursos famintos:
Atacou.
Enquanto corria, em direção aos ursos, um tomou a frente, como se defendesse seu bando. Três de uma vez não daria muito certo. O menino agradeceu imensamente o instinto protetor do urso que o encarava.
O menino não se reconheceu enquanto deu seu primeiro golpe, e rapidamente recuou antes que a pata marrom rasgasse seu rosto em dois. Tinha corpo de treze, e força de vinte e cinco ; corpo de garoto e atitude de guerreiro.
O urso ficou de pé por duas patas, e Fallcor viu a oportunidade perfeita. Deu dois passos para frente com seu pé direito, e desferiu um golpe diagonal de baixo para baixo que dividiu brutalmente o urso em dois.
Todos gritaram.
Gritaram de susto, de alívio e de muitas outras sensações. Assistindo aquele horror sem ter o que fazer, o máximo que a população podia fazer era torcer por Fallcor.
Os dois ursos o espreitavam enquanto tentava se recuperar do ocorrido. O ódio por ele gerado nos ursos provavelmente estava em alta.
Por um momento terrível, viu a poça de sangue e o cadáver que gerou. Sentiu culpa por um momento, mas um segundo depois, aquilo o gerava satisfação. O menino de apenas treze tinha sede por sangue e mal podia esperar por matar os outros.
Ultor aproveitando o momento de pesar dos ursos, correu e se juntou á Fallcor. Salvando a vida do cavalo, Fallcor ordenou:
— Fique atrás de mim, no outro canto, vá!
E assim fez -se.
Sentindo a vibração de prazer, Fallcor grirou:
— Ei, seu verme com bafo de cadáver! — O segundo urso tomou a frente.
Foi só quando aconteceu que Fallcor se deu conta do que estava fazendo. Tinha inciado uma luta corpo a corpo com um urso duas vezes maior e provavelmente três vezes mais forte. Dava chutes e socos, sempre desviando dos revides. Quanto este levantou, passou por rolando por debaixo de suas patas, e antes mesmo deste se virar, Fallcor havia enfiado a espada em suas costas, tão profunda, que quando a retirou, o urso já havia partido, seu corpo caindo na areia.
Cansado, Fallcor não desperdiçou tempo com o terceiro. Partiu para cima dele, que vinha correndo sobre quatro patas, assustadoramente rápido. A pouco tempo do encontrão, Fallcor pulou, dando uma cambalhota no ar, e arremessando sua espada com a ponta para baixo, que atingiu o urso, que cedeu imediatamente. Olhou para o lado e viu que Williams tinha visto tudo.
Três Ursos mortos, um rei perplexo, um cavalo bonito, bem cuidado e marrento tirando onda, um Guerreiro aplaudido, com um joelho apoiado no chão, e a outra perna esticada. Segundos depois, desmaiado.
Talvez fosse o único de sua espécie que gostasse daquela parte da vida. A transformação.
O homem próximos dos quarenta anos corria nu pela sua floresta particular, cada vez mais rápido, e cada vez menos se importando com sua vida humana. Os pelos cresciam por todo seu corpo e de tantas vezes que acontecera, já quase não sentia mais a dor que irradiava seus ossos e fazia sua pele se rasgar por inteira. Quando o homem se jogou no chão, já não era mais homem. Era um gigantesco lobo albino, de olhos verdes, correndo como o vento, escalando uma pedra em forma de flecha, que lhe permitia uma visão privilegiada de seu domínio.
Viu outro lobo se aproximar.
— O que foi agora? — Perguntou, cansado, com a voz grossa lupina.
— Se manifestou de novo, senhor!
— Traga — o para mim. Imediatamente.
— Merlin foi mais rápido, senhor.
Se viu diante de um dilema.
— Reúna as alcateias, nós temos que agir.
Quando o outro lobo saiu, o albino desferiu um uivo para a lua cheia, que o outro lado do mundo escutaria.
Sabia que em breve veria velhos conhecidos.
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