O Destruidor de Ampulhetas

1 Capitulo -302.3, O projeto que irá mudar o mundo


O despertador toca, Matt se mexe e sem abrir os olhos procura-o para poder desligar e acabar com o barulho. Em seguida abre os olhos e ouve sua própria voz em sua mente: “Faltam apenas trezentos e dois dias”.


- Ah! Como isso me perturba – Matt senta na cama e relaxa os músculos.


- O que foi Matt? – perguntou Mille, sua esposa, e ouvindo em sua mente “Faltam quinze mil duzentos e seis dias” – É sobre o seu tempo não é?


- Sim, falta muito pouco tempo pra mim e isso me perturba, mas eu estou disposto a acabar com essa maldita voz antes do meu tempo acabar. – Matt já de pé em seu quarto.


Alguns minutos se passam, Matt de mala feita vai ao quarto de seu filho, Mario e o acorda.


- Bom dia pai! – diz Mário bocejando e esfregando a mão em seu rosto, e logo ouvindo: “Faltam vinte e cinco mil trezentos e vinte e cinco dias”.


- Pretende me acompanhar nessa aventura? – Pergunta Matt com a mala na mão.


- O quê? Pai, você não disse sério ontem, quando disse que iria viajar por muitos lugares, disse? – Mario levanta rapidamente ficando agitado.


- Sim vou e decidi levar você comigo, mas claro, isso se você quiser vir.


- Claro que eu quero.


Mille estava na porta do quarto vendo seu filho entusiasmado correndo pelo quarto procurando alguma mala, abrindo guarda-roupa e pegando roupas e jogando-as na cama, então decidiu ajudá-lo.


- Já que não tem jeito filho, eu faço sua mala, desça logo com seu pai e vão tomar o café da manhã que eu já preparei na cozinha.


- Obrigado mãe! – Mario pulou da cama e saiu correndo.


- Ele tem dezessete anos, mas às vezes age como uma criança de apenas dez. – disse Matt saindo pela porta. – Muito obrigado por deixá-lo ir comigo, eu também gostaria que você fosse.


- Eu preciso ficar, você sabe que eu ainda não posso ir. – disse Mille com um sorriso forçado.


Matt deu meia volta e beijou sua esposa, em seguida desceu as escadas e foi até a cozinha tomar o café.



Matt terminou o café e logo pegou sua mala abriu as abas laterais e as usou como mochila colocando-as nas costas, Mario terminou o café e sua mãe lhe entregou uma mochila grande, que estava cheia e pesada.


- Nossa mãe, você colocou todo meu guarda-roupa aqui dentro? – perguntou Mario sentindo o peso.


- Lógico que não Mario, eu apenas coloquei o necessário, é que tem uma toalha e alguns lençóis fazendo peso extra na mochila, você vai precisar delas.


- Ah! Entendi, brigado mãe! – Mario deu um beijo e um abraço em sua mãe e saiu pela porta da sala chamando seu pai.


Matt abraçou sua esposa, beijou-a, lhe disse algumas belas palavras de amor e saiu atrás de Mario. Mille o acompanhou e ficou olhando pela porta até os dois desaparecerem de vista pela estrada de terra entre as árvores da floresta.


Matt e Mario olharam pra trás e acenaram brevemente para sua casa e para Mille.



Assim, Matt deixou sua casa e levou seu filho consigo para algum lugar onde nem mesmo o próprio Matt imagina.


- Mario você sabe porque eu estou fazendo isso? – perguntou Matt trilhando a frente de seu filho.


- Não pai, mas eu imagino que você queira se divertir um pouco e precisava dar uma volta, ou então gostaria de conhecer o mundo que deve ser muito grande mesmo não é?


- Quase isso, mas o meu propósito não é esse. O que eu quero é descobrir algum método que me leve a destruir esse contador que temos na cabeça, sabe do que eu estou falando não é? Daquele cronômetro que todo dia conta nosso tempo de vida.


- Sei sim pai, eu não me preocupo com ele.


- Imagino que não se preocupe porque tem muitos dias ainda pra você, mas eu fico pensando naqueles que tem poucos dias de vida, deve ser doloroso saber o dia em que vai morrer.


- Você está falando sobre as pessoas que tem o contador próximo do zero?


- Sim filho, o que mais seria, pense um pouco mais filho, mostre que você não é mais criança, mostre que já é um adulto e que será competente. – Matt dizia com rigidez.


- Desculpe pai, brincarei apenas em momentos apropriados a partir de agora.


- Por favor.


- Eu sei que deve ser terrível mesmo, agora que me disse eu fico pensando em meu contador, hoje ele é alto e não me preocupo, mas daqui a alguns anos ele ficará muito baixo e isso é realmente horrível, pensar que quando eu acordar vai ser o meu ultimo dia.


- Por isso estou viajando filho, eu quero descobrir como destruir esse contador e esta será nossa missão a partir de hoje.


- Certo, posso dar um nome para a nossa missão? – perguntou Mario.


- Bem, nesse caso imagino que precisemos criar um nome para que ele fique conhecido no mundo inteiro.


- Eu já sei um pai.


- Qual? – Matt parou na trilha, onde havia a claridade do sol entre as árvores e os pássaros que cantarolavam de todas as direções.


- Que tal a “Missão para destruir o cronômetro”.


- Não, acho que ficou fraco esse nome. Preciso de algo com algum impacto, me ajuda a pensar em algo que tenha um nome de impacto.


- “Missão para eliminar o contador”.


- Mario, pare de inventar qualquer coisa que lhe venha à cabeça.


- Desculpe pai, mas achei que assim seria mais fácil de sair um bom nome para o projeto. – Mario ficou triste ao ser repreendido mais uma vez pelo pai.


- Ótima idéia Mario. – Alegrou-se Matt.


- Mas o que eu disse? – Mario já não entendia mais nada.


- Simplesmente foi ótima essa idéia de chamar de projeto, que tal o “Projeto para destruir o contador”.


- Não pai, se for chamar de projeto, e você quer um nome de impacto, eu sei um legal, pensei agora, que tal se for “Projeto Ampulheta”.


- Não sei não, é estranho...


- Mas é diferente, ao dizer algo assim as pessoas vão se interessar e querer saber sobre o projeto, e nós dois podemos criar o grupo dos destruidores de ampulheta.


- Certo, irei aceitar sua idéia. Está de acordo, este será o nome do nosso projeto, Ampulheta. – Matt ficou pensando no nome em silêncio por quase meia hora até saírem da floresta e chegarem a um campo aberto onde podia se ver há alguns quilômetros dali uma pequena vila, onde rapidamente Mario apontou para Matt, e seguiram até ela pelo campo aberto debaixo do sol que começava a esquentar o dia.