O Destruidor de Ampulhetas
2 Capitulo -302.2, O ladrão de memórias
Ao chegarem na vila, onde viram as construções todas antigas e bastante destruídas, resolveram procuram por algumas pessoas com pouco tempo de vida para entender de seus sofrimentos.
Bateram de porta em porta, foram mal recebidos pela maioria dos moradores que tinham medo de ser algum enganador querendo se aproveitar e assaltar a casa. Chegaram na casa de uma senhora que em seu rosto demonstrava que já havia vivido muito e havia sofrido muito.
- Bom dia! Estamos aqui com o projeto ampulheta e queremos saber de algumas coisas que imaginamos que a senhora possa ajudar.
- Eu ajudar? – disse a velhinha em tom arrogante e frágil. – Se contar alguma coisa do meu passado lhe servir farei com prazer.
- É quase isso senhora, por favor, deixe-nos entrar e conversaremos direito. – disse Mario.
- Primeiramente eu gostaria de saber o que é este Projeto Ampulheta que eu nunca ouvi falar em toda a minha vida. – falava vagarosamente – Se me explicarem eu os deixo entrar.
- Bom, este projeto trata de um modo simples, descobrir e solucionar como destruir o contador que temos dentro de nós. – disse Matt.
- Ah! Ultimamente ele tem me irritado. – A senhora cedeu e os deixou entrar. – Acho que posso escutar o que vocês têm a me dizer.
A casa era escura e mal iluminada decorada com móveis antigos e mal cuidados, ela os conduziu até a sala onde havia uma cadeira de balanço na qual ela se ajeitou e sentou e havia um sofá largo onde Matt e Mario sentaram.
- O que estamos fazendo na verdade está começando hoje e vamos coletar informações que aos poucos serão importantes para nós tentarmos desvendar esse problema. – começou Matt que junto de Mario colocou suas mochilas em seus pés. – Criamos o projeto Ampulheta com um fim de eliminar esse contador que perturba nossas mentes toda manhã, como à senhora deve imaginar será um trabalho muito complicado, e temos de descobrir de alguma forma como iremos começar esse projeto, e não encontrei melhor forma que essa.
- E essa seria? – perguntou a senhora.
- Seria a de coletar informações de pessoas que já viveram bastante e que tem seu contador próximo de zero. – respondeu Matt. – O que eu gostaria é de ouvir alguma história sua de seu passado, que se relacione ao contador, ou alguma coisa que tem a nos dizer sobre a sua vida, sobre seus medos, como você se sente por estar próxima do zero, se puder nos dizer algo ficaremos muito felizes mesmo.
- Tudo bem, eu posso contar para vocês algumas coisas. – respondeu a senhora positivamente.
- Me desculpe, mas qual o seu nome? – interveio Mario.
- Me chame de senhora Kinney.
Matt abriu sua mochila e pegou um caderno, fechou a bolsa, levantou e tirou do bolso um objeto preto e fino do tamanho de seu dedo indicador, apertou uma das pontas e rapidamente a outra ponta esticou formando sua caneta.
- Eu guardei essa caneta que ganhei do meu pai de presente para quando eu fosse realmente usar com algum propósito. – falou Matt. – Por favor, senhora Kinney nos conte alguma coisa, escreverei apenas o que for necessário para nossa pesquisa.
- Tudo bem. – A senhora Kinney não se mostrava surpresa com o propósito de Matt. – Eu posso lhe afirmar que tenho medo sim do dia em que eu irei partir, mas posso lhe assegurar que já fiz de tudo nessa vida e que posso ir feliz quando meu dia chegar, e como sabe, eu não posso lhes dizer quanto tempo me falta, porque cada um deve manter segredo de seus próprios tempos de vida. – A senhora Kinney falava vagarosamente, Matt e Mario a escutavam com muita atenção. – Mas posso dizer que tenho alguns anos de vida pela frente ainda e poderei ajeitar tudo para que meus filhos e netos fiquem bem sem mais a minha presença.
- Conte-nos mais alguma coisa. – pediu Matt.
- Posso lhe dizer que foi muito triste descobrir que minha filha teve de partir antes de mim, e ela tinha apenas vinte e sete anos, esse contador é realmente muito injusto, me dói só de lembrar.
- Se não for incômodo, poderia nos dizer como é sentir a ida de um ente querido e se não for muito nos contar como foi? – Perguntou Mario da forma mais apropriada possível recebendo de seu pai um olhar furioso e espantado ao mesmo tempo.
- Bom, agora eu gostei garoto – disse a senhora Kinney, em seguida ela se levantou e sumiu no corredor, Mario tomou uma bronca de seu pai enquanto a senhora Kinney não voltava. Passou alguns minutos e ela finalmente retornou com uma pequena caixa na mão. – Eu irei lhes entregar uma coisa realmente valiosa e se eu não me engano, única.
Matt e Mario se aproximaram para observar a caixa marrom de madeira, mas, não viram nada demais nela. A senhora Kinney abriu a caixa e eles puderam ver um pequeno frasco sem tampa e sem líquido algum dentro, o frasco estava apoiado em cima de uma almofadinha.
- O que eu irei lhes entregar é um objeto que não veio deste mundo simplesmente por possuir um poder muito curioso, o de guardar uma memória.
- Como assim? – perguntou Matt espantado.
- Esse frasco você deve encostar na cabeça da pessoa e pedir para ela se recordar da história que quer te contar, assim que a pessoa lembrar da história, o frasco vai brilhar e nesse momento você retira o frasco da cabeça da pessoa, quando fizer isso o que a pessoa se recordou passa para dentro do frasco e logo você o coloca em sua cabeça para ver tudo o que a pessoa viu, sentiu e presenciou no momento daquela recordação, mas, tem apenas um problema. – Fez uma breve pausa enquanto via Matt e Mario boquiabertos e sem palavras e continuou. – A memória retirada da pessoa não pode voltar mais ao seu dono original depois de outra pessoa ter visto.
- Nossa, é incrível o poder desse frasco, mas é real isso que a senhora está nos dizendo? – perguntou Matt.
- Sim, tudo e como prova, lhes darei o frasco e a minha memória sobre o dia em que minha filha partiu. – disse a senhora Kinney com um sorriso vendo a alegria dos dois.
- Mas, espere, tem certeza de que deseja esquecer por completo o dia em que a perdeu? – perguntou Matt.
- Tenho, posso lhe assegurar que foi um dos piores dias da minha vida.
- Então aceitaremos sim, e lembraremos da senhora como a pessoa que nos deu um pontapé inicial no projeto Ampulheta. – disse Matt.
A senhora Kinney pediu para que Mario pegasse o frasco e colocasse a boca do frasco em sua cabeça e segurasse, assim como pediu, Mario logo colocou o frasco na cabeça dela e esperou a próxima ordem.
- Agora me perguntem o que querem que eu lhes mostre. – instruiu à senhora Kinney.
- Por favor, nos mostre a sua recordação do dia em que sua filha partiu desse mundo. – pediu Matt.
Ela fechou os olhos e viu em sua mente toda a historia daquele dia saindo de sua memória, o frasco ganhou um tom branco enfumaçado e Mario tirou o frasco da cabeça da senhora Kinney.
Ela abriu os olhos e ficou olhando para os dois e disse:
- Eu realmente não consigo me lembrar como minha filha se foi, não consigo lembrar de como foi, só sei que ela se foi. Sinto-me bem melhor agora.
- Então se eu colocar em minha cabeça e fechar os olhos verei sua memória perdida? – perguntou Matt.
- Isso mesmo. E tem outra coisa que eu preciso lhes dizer, vocês só podem retirar uma memória de cada pessoa, o frasco não funciona uma segunda vez na mesma pessoa. E antes que coloque na cabeça preciso lhe aconselhar sobre uma coisa. – ela pausou por um instante. – Usem bem esse frasco porque ele é perigoso, eu pessoalmente o chamo de ladrão de memórias e seu maior perigo é o dono do frasco, que ao possuírem, ele te mostrará a memória toda vez que tiver alguma dentro. Mas cuidado, porque as memórias ficarão armazenadas em suas mentes e vocês podem começar a ter depressões e alguns outros problemas à parte se tiverem muitas memórias ruins em mente.
- Tomaremos cuidado senhora Kinney, muito obrigado. – agradeceu Matt.
- Pegue a caixa e debaixo da almofada há uma tampa para que vocês não deixem a memória escapar no ar. – indicou a senhora Kinney.
Mario pegou a tampa e fechou o frasco, logo eles agradeceram por tudo e disseram que não iriam ver a memória de sua filha agora e que iriam se preparar, ela concordou e se despediram, ao sair da casa da senhora Kinney, viram que já estava de tarde, e o sol começava a descer o céu azul limpo e sem nuvens. Matt encontrou um pequeno bar e junto de Mario almoçaram e ficaram sentados na mesa conversando sobre o que descobriram.
Matt decidiu que ao anoitecer depois de encontrarem um lugar para dormir usaria o frasco e veria a memória da senhora Kinney e, ao mesmo tempo alertou Mario para se prevenir de qualquer coisa e não soltar o frasco enquanto não estiver terminado.
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