Narradora:

- O sindico do prédio está fazendo um abaixo-assinado para por um elevador no prédio. – Disse Diego assim que fechou a porta.

- Ah, que bom, eu não aguento mais subir escada. – Riu Roberta.

- E nem pode né. – Disse ele se deitando no sofá colocando a cabeça sobre o colo da namorada.

- Como assim? – Começou a fazer cafuné no cabelo de Diego.

- Você ouviu o que a médica falou? Você não pode ficar fazendo esforço.

- É eu sei. – Disse diminuindo a voz.

- O que foi? – Mirou os olhos da amada.

- Nada, nada demais, só estou começando a me sentir dependente das pessoas. – A conversa foi interrompida pela campainha que começou a tocar. – Eu atendo. – Roberta correu até a porta e Diego se sentou no sofá. Ao abri a porta Roberta encontrou sua mãe escorada na parede inalando ar. – Mãe!

- Oi filha. – Disse com dificuldade.

- Entra.

- Tá, espera só um pouquinho. – Pausou. – Acho que estou velha pra tanta escada. – Roberta riu baixinho. – Você ri porque está novinha, alias parabéns. – Abraçou a filha e juntas entrando no apartamento. – Água, eu quero água. – Diego levou um copo d’água a Eva. – Brigada meu anjo. – Virou o copo.

[...]

- Filha, ia ai? Como é que você está? – Disse Eva assim que entram no quarto.

- Tô bem, hoje eu fui a obstetra.

- Ah que bom, e como foi? – Eva perguntou.

- A consulta foi bem longa... Ela me encheu de perguntas...

- Mas a primeira consulta é assim mesmo, eu lembro que na minha primeira consulta quando estava esperando você, foi muito longa, eu quase pedi uma pausa pra dormir. – As duas gargalharam. – Não e eu tive que tomar litros d’água.

- Eu também, mas foi tão bom ouvir o coraçãozinho dele. – Colocou a mão sobre a barriga e a duas sorriram.

- Eu lembro que o seu pai, ele estava comigo na consulta e quando ele ouviu seus batimentos cardíacos ele chorou igual um bebê. – Gargalharam.

- E você?

- Eu ri da cara dele. – Riram alto.

- Mãe, você não presta. – Gargalhou.

- E o Diego? Como ele reagiu? – Perguntou Eva.

- Ele ficou com os olhos cheios d’água, foi até bonitinho, deu vontade de morde. – Riu.

De repente Diego entrou as pressas no quarto.

- Roberta, eu estou indo para o hospital, parece que o estado do meu pai piorou.

- Quer que eu vá com você? – Roberta perguntou.

- Não, não. Não vai te fazer bem, eu só vim te avisar. – Deu um selinho na namorada e saiu do quarto.

[...]

Já era de madrugada, Roberta dormia no sofá acordou assustada com o barulho da porta, era Diego.

- Amor... – Assim que ele chegou o abraçou. – Você está chorando? O que aconteceu?

- Ele não resistiu... Ele morreu.

Continua...