Já anoitecia quando chegamos à cidade. Aqueles dois guarda-costas inúteis não pararam nem por um minutinho – meus pés doíam e estava morrendo de fome. Há quanto tempo não comia uns bons pratos de comida. Ah! Meu estomago ronca só de lembrar.


Ainda tínhamos algum dinheiro da ultima encrenca que havíamos nos metido. Uma noite em uma boa estalagem estava garantida. Tive sorte que aqueles dois idiotas – que nunca souberam notar os meus dotes – não sequestraram meu dinheirinho pra ir a um bordel qualquer. Confesso que estranhei principalmente Mugen. Mas, não podia reclamar da sorte.


Não me lembro bem de como era a estalagem, ou aqueles que nos atenderam. Esses detalhes não importam para minhas lembranças de qualquer forma. O que meus olhos gravaram daquela noite, fora outros rostos, outras expressões.


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Era de madrugada, e meu estomago roncava por mais alguma comida. O dinheiro dera somente para os quartos e um pratinho de sushi. Não conseguia dormir e me senti solitária naquele quarto escuro. Ao menos Jin e Mugen faziam companhia um ao outro. Mesmo não acreditando que aqueles dois conversassem muito. É! Realmente eles não conversavam.


Foi então que decidi ir até o cômodo que dividiam. Deixei o futon e fui até eles fazendo o menos barulho possível. Quando parei em frente à porta, ouvi o primeiro estrondo. Ao ouvir o segundo, pensei em buscar minha faca, em gritar, qualquer coisa! Vá que estivessem sendo atacados por mais algum samurai maluco? Mas, e se algo só tivesse caído? Ou um dos dois tivesse tropeçado? Somente para conferir, antes de sair aos berros, abri um pequeno filete da porta, e observei. Como observei!


As costas de Mugen tocavam o chão, encharcando-o. Os cabelos ajeitados pela água e a toalha que deveria estar em sua cintura, já estava por suas coxas. Belas coxas admito! Quer dizer, ham... O que importa na verdade, é quem tinha deslizado a toalha até lá.


Jin, com seu quimono azul e cabelos negros soltos. Suas mãos se alternavam entre segurar os braços de Mugen e apalpar sua carne. Buda que salvou meu coração de não sair pela boca naquela hora! Ou talvez, quem sabe tenha sido apenas as palavras de um velho monge de um Templo Zen pelo qual passamos.



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– Ei, idiota! Não acha que esta com muita pressa?


– Não!


– Sim! Eu ainda ‘to todo molhado, caramba.


– Eu gosto assim!


– Não me importa o que você gosta.


– Hum...



Ignorando Mugen, sua língua começou a deslizar de maneira lasciva pela barriga do outro, degustando as gotas de água que encontrava pelo caminho até o pescoço. Onde realmente se empenhou, abocanhando a carne sem medo de ferir. Aquele samurai vagabundo só sabia contorcer a cara e fazer uns grunhidos estranhos. Se eu estivesse no lugar dele, quer dizer, ham... Enfim, Jin se deu por satisfeito, deixando um rastro de saliva até os lábios de Mugen, apenas resvalando neles.



– Eu gosto do seu sabor.


– Então prove mais, samurai idiota!



As mãos grandes se embrenharam entre os fios morenos de Jin, puxando com força, enquanto atacava seus lábios com mesma violência. Eles se seguravam com tanta força, com tanta gana, que pareciam estar no meio de uma luta, e não na situação em que estavam. Enquanto as línguas brincavam e o quatro olhos dava fim a toalha, meu estomago se contorcia.


Não sabia muito bem o que era. No inicio pensei ser nojo, ao ver dois homens – aqueles homens – em plena indecência, apesar de comum para a época. Mas depois de sentir meus lábios úmidos, percebi que gostava do que via. Minhas bochechas coraram e fiquei com muita vergonha! Por um segundo pensei em voltar ao meu quarto, porém, não venci minha curiosidade.


Logo o quimono de Jin já deslizava por suas costas, sendo retirado pelas mãos rápidas de Mugen. E os dois, nus, se apertavam entre beijos ardentes. Quando os mesmo cessaram, ambos se encararam por um longo tempo, o que me deixou ainda mais constrangida. Era um momento deles, eu não deveria estar ali, espiando. Mas, simplesmente não conseguia fazer minhas pernas se moverem. Queria saber o que viria a seguir. E como se escutasse meus pensamentos, Jin se moveu.


Fez todo o caminho até a intimidade do outro samurai e para meu espanto, simplesmente preencheu sua boca com aquele volume. Meus olhos correram para o rosto de Mugen, vendo suas bochechas vermelhas e os olhos comprimidos, tentando conter a vontade de encarar o quatro olhos.



– J-Jin... Ah... Termine logo com isso!



Dando atenção as palavras de Mugen, Jin afastou seus lábios e o encarou de uma forma que eu nunca o vira fazer, como se ele tivesse sentimentos, sentimentos demais por trás daqueles olhos negros.



– Certeza?


– Ande logo, idiota! Não faça parecer que sou o único que quer.



Jin sorriu. Jin... sorriu. Nunca havia visto o sorriso de Jin, muito menos para aquele samurai vagabundo. E naquele momento ele o fez, para então enlaçar a cintura de Mugen com seus braços, ao mesmo tempo em que o outro repetia o gesto com sua cintura, posicionando-o entre suas pernas.


Foi aí que descobri como homens faziam sexo, devo confessar. Os dois se fundiram completamente e não pude deixar de levar minhas mãos aos lábios para conter o grunhido de surpresa.


Os movimentos de Jin aumentavam progressivamente, assim como os gemidos de Mugen. As testas encostadas, beijos sendo roubados uma hora ou outra.


Quando dei por mim, já estava fechando a porta e saindo dali. Já tinha visto demais, o momento era deles, somente deles, e não podia retirar aquilo dos dois idiotas.


Não consegui dormir aquela noite. Minha barriga roncava...


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– Como sempre, comendo feito uma porca. Pra onde vai toda essa comida é que eu não sei.



Nem mesmo eu sabia. Mas não estava comendo tanto apenas pela fome. Na verdade, estava com vergonha de encará-los. De vê-los agindo normalmente. Como se apenas tolerassem a presença um do outro e não como se fossem íntimos o suficiente para fazerem o que fizeram noite passada. Talvez fosse minha culpa. Talvez eles não se sentissem à vontade para agir como queriam quando eu estava por perto. Talvez eu fosse apenas mais uma pedra que eles não conseguiam tirar do caminho. Talvez...



– Você quer?



Jin estendeu o prato que continha apenas um onigiri, e voltou à atenção para seu chá, não encarando Mugen em nenhum momento. O mesmo pegou a comida como um esfomeado.



– Obrigado, idiota.



E então percebi que estava me superestimando. Eles não mudavam a forma de agir por minha causa ou o que fosse. Eles eram daquela forma. Dois idiotas só conseguiam agir feito idiotas. E desse jeito, a relação deles funcionava. Eles estavam satisfeitos. E quem era eu para não estar?


Como o Monge careca disse, “todos os encontros são um em uma vida”, isso é destino, não importa o que aconteça depois. Meu destino era encontrá-los para que ajudassem em minha busca e, o destino deles era se encontrar. A partir daí seriamos guiados.


E quem eram eles para ir contra o destino? Eles tinham que aproveitá-lo como podiam, assim como fizeram naquela noite. Assim como eu sabia que voltariam a fazer.



Notas finais
Olá!
[Esse tal Monge aparece no episódio doze, caso alguém queira conferir, rs.]
Fiz uma one de Samurai Champloo simplesmente por que adoro esse anime, e mais do que o mesmo, adoro JinxMugen e queria fazer uma contribuição para esse fandom. Não sei se fiz bem, hahaha, mas espero que alguém tenha gostado.
Até o próximo momento de inspiração :D
Bjoo's
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!