Notas iniciais
Olá pessoas queridas! Todos bem?? Espero que sim! Segue agora, o último capítulo da minha fic mais preciosa, aquela que me conectou a vocês e que é tão especial em muitos aspectos da minha vida. Espero que gostem e que esse capítulo toque vocês, como foi comigo, enquanto escrevia essa despedida.

A casa Uzumaki estava silenciosa naquela madrugada. Não o silêncio comum das noites tranquilas, mas um silêncio profundo, quase sagrado; como se o próprio mundo estivesse prendendo a respiração.

No quarto, iluminado apenas pela luz suave da lua, Naruto e Hinata repousavam lado a lado, como sempre fizeram por tantas décadas. Os cabelos dele, outrora dourados como o sol, agora eram brancos como neve. Os dela, antes tão escuros, estavam prateados, longos e macios como seda antiga. Suas mãos permaneciam entrelaçadas, como se nunca tivessem aprendido a ficar separadas.

Hinata respirava devagar, com esforço. Naruto sentia cada uma dessas respirações como se fossem suas.

— Naruto-kun... — Ela sussurrou, com a voz fraca, mas ainda tão doce quanto no primeiro dia, como chamava-o de menina — Eu estou... cansada.

Ele apertou a mão dela com carinho, aproximando-se mais, como se pudesse protegê-la até do próprio tempo.

— Eu sei, Hina... — murmurou, com lágrimas silenciosas escorrendo — eu sei, meu amor.

Ela sorriu. Aquele sorriso que sempre o desarmou, desde os doze anos. Aquele sorriso que o fez acreditar que ele merecia ser amado.

— Obrigada... por tudo... — Hinata disse, com o olhar enevoado, mas cheio de paz — por ter sido... meu lar.

Naruto levou a mão dela ao rosto, beijando seus dedos com reverência.

— Você sempre foi o meu.

Hinata fechou os olhos devagar, como quem finalmente encontra descanso depois de uma longa jornada. Seu peito subiu uma última vez... e então, serenamente, parou. Naruto permaneceu imóvel por alguns segundos, sentindo o mundo inteiro se partir dentro dele. Depois, com a voz embargada, falou para o vazio; mas não estava sozinho.

— Kurama... — ele sussurrou — já pode me deixar ir.

A presença calorosa da raposa se manifestou dentro dele, suave como nunca fora em vida.

Tem certeza, Naruto? — Kurama perguntou, com uma tristeza antiga — ainda há muito que você poderia ver.

Naruto olhou para Hinata, para o rosto tranquilo dela, para a mão ainda entrelaçada na sua.

— Eu já vi tudo que precisava. Ela está esperando por mim.

Kurama suspirou, um som que parecia ecoar por eras.

Então... vá. Não se preocupe. Eu vou vigiar sua família... por toda a eternidade.

Naruto sorriu, fraco, mas sincero.

— Obrigado... meu amigo.

E, com a cabeça apoiada no ombro de Hinata, Naruto fechou os olhos. Seu coração, que sempre bateu tão forte, tão teimoso, tão cheio de vida... finalmente descansou. Do lado de fora da casa, o ar começou a vibrar.

Uma a uma, as nove Bijuus surgiram no jardim tão amado e cuidado por Hinata; silenciosas, imponentes, reverentes. Kurama estava à frente, com os olhos marejados de um luto que só seres imortais conheciam. Foi assim que Boruto e Sarada, Himawari e Inojin, e os netos encontraram a cena. A porta do quarto estava entreaberta, era mais um domingo que passariam em família, rindo e apreciando o tempo precioso, que já não teriam com seus amados pais. Quando entraram, viram seus pais deitados, abraçados, com expressões tão serenas que parecia que apenas dormiam. Himawari caiu de joelhos, chorando baixinho; foi abraçada e consolada daquela forma mesmo pelo marido. Boruto cobriu o rosto com as mãos, tentando conter o soluço que rasgava seu peito; Sarada abraçando-o pelas costas, amparando-o. Os netos, confusos e tristes, se aproximaram devagar, os rostos chorosos confirmando a razão da tristeza dos pais; seu avô risonho e sua avó amável haviam partido.

— Eles... — Boruto murmurou, com a voz quebrada — eles foram juntos.

Himawari sorriu entre lágrimas.

— Como sempre quiseram.

Do lado de fora, as Bijuus inclinaram a cabeça em respeito. A aldeia inteira sentiu o chakra deles desaparecer; e em minutos, a notícia se espalhou como fogo. As Cinco Grandes Nações pararam. Shinobis, civis, anciãos, crianças... todos choraram. Todos se reuniram para prestar homenagens aos dois heróis que haviam salvado o mundo; e que agora descansavam lado a lado.

***

No além, um campo florido se estendia até onde a vista alcançava. O céu tinha a cor suave do amanhecer, e uma brisa perfumada dançava entre as flores. Naruto abriu os olhos devagar.

Não sentia dor.

Não sentia peso.

Não sentia idade.

Quando olhou para suas mãos, viu-as jovens novamente; fortes, firmes, como aos dezesseis anos. E então a viu.

Hinata estava ali, de pé, sorrindo para ele com o mesmo brilho tímido e apaixonado de quando o amou pela primeira vez. Nos braços, ela segurava um bebê de cabelos escuros e olhos azuis; o filho que nunca puderam criar. Naruto sentiu as pernas fraquejarem. Mas antes que caísse, Hinata correu até ele, rindo baixinho, e o abraçou com força.

— Você demorou... — ela disse, com lágrimas felizes.

— Eu vim o mais rápido que pude. — Naruto respondeu, enterrando o rosto no pescoço dela.

Quando se separaram, ele percebeu que não estavam sozinhos.

Minato e Kushina sorriam orgulhosos.

Jiraya acenava, emocionado.

Nagato, Itachi, Neji, Asuma...

Kakashi, Iruka, Teuchi...

E, um pouco mais atrás, Sasuke e Sakura observavam com expressões suaves, finalmente em paz.

Todos ali, reunidos.

Todos esperando por ele.

Naruto segurou a mão de Hinata, beijou a testa do bebê, e sentiu seu coração — agora leve, inteiro — transbordar.

— Estou em casa.

Hinata sorriu, radiante.

— Bem-vindo de volta, Naruto-kun.

E juntos, de mãos dadas, caminharam para o horizonte dourado, onde o sol nascia eterno.

***

Mil anos haviam se passado desde que Uzumaki Naruto e Uzumaki Hinata deixaram o mundo mortal.

Mil anos desde que suas mãos entrelaçadas foram encontradas pela última vez.

Mil anos desde que suas histórias se tornaram lenda — e depois, mito — e depois, parte viva do sangue de cada Uzumaki que veio depois.

Naquela noite tranquila, sob o brilho suave das lanternas, uma mulher de cabelos escuros lia docemente para o filho de doze anos, sentado em seu colo, os olhos azuis arregalados de fascínio.

"E assim, Uzumaki Naruto e Hyuuga Hinata, depois de casada, Uzumaki Hinata, heróis das eras, descansaram juntos, e as nove Bijuus juraram proteger sua linhagem pela eternidade..."

O garoto, o décimo quinto Uzumaki Naruto a carregar aquele nome, ouvia em silêncio reverente. Sabia que aquela história não era apenas um conto; era sua herança. Quando a mãe fechou o livro, ele perguntou:

— Okaasan... amanhã é o dia?

Ela sorriu, com um brilho orgulhoso nos olhos.

— Sim, Naruto. Amanhã você conhecerá o segredo da nossa família.

***

No dia seguinte, ela o levou a um lugar onde ele jamais pôde entrar. Um templo antigo, guardado por selos que brilhavam como estrelas. O ar era pesado, mas não ameaçador; era sagrado. Naruto sentiu o coração acelerar.

— Okaasan... o que tem aqui?

Antes que ela respondesse, uma voz profunda, rosnenta, ecoou pelas paredes:

Kushina-chan... você cresceu muito.

Naruto congelou.

Do fundo da escuridão, dois olhos vermelhos gigantescos se abriram, brilhando como brasas vivas.

— K-Kurama? — o garoto sussurrou, reconhecendo o nome da lenda.

A mãe sorriu.

— Vá em frente, Naruto. Ele está esperando por você.

Sem saber como, mas sentindo que era o certo, Naruto ergueu o punho fechado; o gesto ancestral.

Kurama arregalou os olhos.

...Você só pode estar brincando comigo.

O garoto sorriu, igual ao primeiro Naruto.

— Prazer em conhecer, Kurama.

A raposa bufou, mas seus olhos suavizaram.

Igualzinho ao idiota original... até as marquinhas no rosto. Tsc.

E então, as outras oito Bijuus surgiram ao redor, imponentes, magníficas, cada uma inclinando a cabeça para o garoto.

Bem-vindo, sucessor.

Guardião dos Uzumaki.

Herdeiro do Sol.

Naruto sentiu o chakra quente envolver seu corpo; um poder antigo, gentil, familiar.

— Okaasan... isso é...

— O chakra das bestas — ela respondeu — o mesmo que seu ancestral recebeu. Agora é seu dever protegê-las, como elas protegem nossa família.

Kurama aproximou-se, tocando a testa do garoto com o focinho.

A partir de hoje, você fala comigo aqui dentro. — disse, tocando o peito dele — E não pense que vou pegar leve só porque você é parecido com ele.

Naruto riu.

— Eu não esperaria menos.

Nos meses seguintes, o décimo quinto Naruto aprendeu tudo: sobre o templo, sobre as gerações passadas, sobre o primeiro Naruto e a primeira Hinata; os dois que iniciaram tudo. Ele viu seus retratos no grande salão das Bijuus. E ficou fascinado. Haviam retratos de seus pais, de seus filhos, e dos filhos deles; era um enorme e infinito salão que guardava para a posteridade, a imagem e o legado de seus antepassados. Também aprendera os relatos da Quarta Grande Guerra Ninja, e esteve muito surpreso ao descobrir que os ninjas existiram realmente, viu relatos e descrições detalhadas de suas vidas, de seus amigos, da grande e prospera família que ergueram das cinzas; quando sua mãe contara-lhe sobre como ocorrera a vitória na guerra, Naruto chorou dolorosamente durante horas, e angustiado, perguntou se era possível conhecer o Vale de Katsu, e se ainda existia o jasmim de seu túmulo. Somente quando conheceu esses dois lugares marcados pelo passo das eras, mas de alguma forma, ainda intactos em presença e espiritualidade, foi que pudera tranquilizar-se; ao saber que a Hinata original perdera seu pequeno bebê durante a guerra, a dor que Naruto sentira, foi absurdamente real, como se estivesse vivendo aquele momento desesperante e horrível.

— Eles eram... incríveis. — murmurou.

Esteve ouvindo os relatos de como Nagato, utilizando Pain, destruíra praticamente a Vila da Folha inteira, e de como seu irmão de mestre o detivera, e quando Naruto esteve a ponto de ser capturado e morto, sua Hinata sacrificara-se para salvá-lo; corajosa, gentil, altruísta e amável como somente ela fora.

Kurama suspirou.

Eram. E alguns Naruto's antes de você desperdiçaram a vida tentando encontrar sua Hinata. Não faça isso. Viva sua vida, garoto.

Naruto assentiu.

— Eu vou viver, Kurama. Mas... se um dia eu encontrar alguém assim...

Então você vai saber. — a raposa respondeu, com um brilho antigo nos olhos.

Nos dias que se seguiram, sua mãe e Kurama prosseguiram contando a Naruto, as histórias antigas da família, ensinando-o também, que as únicas pessoas externas que podiam conhecer o segredo, eram os parceiros do guardião atual, como seu pai soube no tempo de sua mãe.

Diziam que, desde a morte do primeiro Uzumaki Naruto e da primeira Hyuuga Hinata, uma lenda começou a se espalhar entre as gerações; primeiro como sussurro, depois como verdade incontestável dentro do clã.

A lenda dizia que nenhum Uzumaki jamais partia sozinho.

Quando um membro da família chegava ao fim de sua vida, quando o corpo já não podia mais sustentar a alma, quando o último suspiro se aproximava... algo acontecia.

Alguns diziam ter visto luzes douradas dançando ao redor da cama. Outros afirmavam ouvir passos suaves, como se alguém caminhasse sobre folhas secas. Havia quem jurasse sentir o perfume de jasmim — o mesmo que Hinata usava — preenchendo o ar.

Mas todos os relatos concordavam em uma coisa: O primeiro Uzumaki Naruto e a primeira Hinata vinham buscar seus descendentes. Eles apareciam jovens, belos, serenos; como eram aos dezesseis anos, quando salvaram o mundo.

Naruto estendia a mão com aquele sorriso que sempre iluminou tudo ao redor.

Hinata, com seus olhos de lua, acolhia a alma cansada com ternura infinita.

E juntos, guiavam o Uzumaki que partia até o descanso eterno.

Era por isso que, ao longo dos séculos, nenhum membro do clã temia a morte.

Sabiam que, quando chegasse sua hora, seriam recebidos por aqueles que iniciaram tudo; o Sol e a Lua originais, que jamais deixaram de amar sua família.

Quando o décimo quinto Uzumaki Naruto ouviu essa história pela primeira vez, seus olhos brilharam.

— Okaasan... isso é verdade?

Ela sorriu, acariciando seus cabelos loiros.

— É o que dizem, meu amor. E nossa família nunca mente sobre essas coisas.

Naruto sentiu um arrepio; não de medo, mas de reverência.

Era como se pudesse sentir, mesmo sem ver, a presença daqueles dois ancestrais observando-o com carinho.

Kurama, ouvindo tudo de dentro de sua mente, resmungou:

Hmph. Eles nunca deixaram de aparecer. Nem vão. Promessa é promessa.

Naruto sorriu.

— Então... eles ainda estão conosco?

Sempre estiveram. — Kurama respondeu, com uma suavidade rara — E sempre estarão.

***

Meses depois, na escola, Naruto estava distraído conversando com Kurama em sua mente quando o professor anunciou:

— Temos uma nova aluna transferida. Entre, por favor.

Naruto nem olhou.

— Kurama, você acha que o primeiro Naruto realmente...

Garoto... olha pra frente.

Naruto levantou os olhos.

E o mundo parou.

Dois olhos de lua o encaravam.

Um rosto de porcelana.

Cabelos de ébano que caíam como seda.

Naruto sentiu o coração disparar; uma certeza absurda tomando conta de seu corpo, arrepiando-o da cabeça aos pés; sentiu um leve aroma de jasmim e suas mãos trêmulas suaram descontroladas.

— Kurama... — ele sussurrou — eu encontrei.

Kurama ficou em silêncio por um longo momento. Depois, murmurou:

...Hmph. Destino teimoso.

A garota caminhou até ele, logo de ser instruída pelo professor a escolher um lugar, como se atraída por algo que não entendia. Sentou-se ao seu lado, com as bochechas lindamente coradas.

— Oi... — ela disse, tímida — eu sinto que... já te conheço.

Naruto sorriu, o mesmo sorriso que seu ancestral tinha.

— Eu também sinto isso.

Ela estendeu a mão.

— Meu nome é...

— Hinata. — ele completou, sem saber como sabia.

Ela arregalou os olhos.

— E você é... Naruto.

Os dois riram, confusos e encantados.

No inconsciente do garoto, Kurama e as outras Bijuus observavam em silêncio.

E Kurama, pela primeira vez em mil anos, sorriu com o coração apertado.

Bem-vindo de volta, meu velho amigo. E bem-vinda de volta, sua parceira destinada.

O ciclo recomeçava.

O sol e a lua se encontravam outra vez.

E a história dos Uzumaki continuava — eterna, luminosa, infinita.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!