Notas iniciais
Esse capítulo começa exatamente onde o outro terminou, e o Lance é quem continua no comando.

– Está doendo? – perguntei. Nem sabia se ela havia me notado, só queria ter certeza que a suspeita da enfermeira Joy não tinha se confirmado.

– Onde eu estou? E o que aconteceu?

– Fugimos da Equipe Rocket e caímos no desfiladeiro... – voltei a lembrar do beijo. Talvez fosse melhor deixar as coisas como estavam. – Você desmaiou e eu te trouxe para cá... Dói muito?

– Só um pouco. Você mandou o Steven e os outros irem atrás da Equipe Rocket?

Antes que eu respondesse meu pokefone começou a tocar. Era Cynthia, eu sabia que precisava atender.

– É a Cynthia, já venho – fui em direção a porta e saí alguns metros do quarto, mas ainda podia observar caso algum intruso entrasse.

– Pode falar Cynthia, conseguiu chegar até a base?

– Sim, prendemos os Rockets, mas todos eram nativos da Ilha. Will revirou toda a casa e não encontrou sinais de Mewtwo.

Fechei os olhos decepcionado, tudo aquilo tinha sido em vão.

– Mas vocês têm certeza? – insisti.

– Conseguimos fazer um dos Rockets falar, ele disse que Giovanni apenas tinha ordenado que mantivesse a base segura. Estamos na delegacia da Ilha 5 e daqui a pouco vamos voltar para Ilha 1, o Professor Carvalho disse que queria falar com a gente.

– Small Lady acabou de acordar, quero que ela descanse. Vão vocês, eu volto amanhã com ela... explique para ele a situação.

– Ok, então vou pedir ao Will nos teletransportar para Pallet, você e Small Lady voltam de barco.

– Não sei pilotar um barco.

– Small Lady sabe, até amanhã Lance. – e encerrou a chamada.

Incrível como tudo sempre tem que envolver ela.

Desde criança isso é algo sempre me irritou, ela sempre conseguiu ser boa em tudo.

– O que a Cynthia disse? – Small Lady tinha parado atrás de mim.

– Você precisa descansar, volte para o quarto.

– Mas eu já me sinto bem.

– Essas coisas são perigosas, você precisa ficar deitada. – ela começou a andar rumo a saída.

Por que ela tem que ser tão insuportável?

Só o que fiz foi ir atrás dela. Aquela teimosia misturada com chatice a deixava mais insuportável ainda.

– Volta agora pro hospital. – segurei ela pelo braço.

Não queria que ela tivesse alguma complicação. Se há pouco estava desacordada, ao menos precisava ficar em observação.

– Por que está fazendo isso? Vai fingir que se importa comigo agora? – ela começou a elevar a voz para mim.

A única conclusão que eu conseguia tirar era que não importava se ela era uma doutora pokemon e a maior especialista em pokemons do tipo noturno do mundo e que soubesse dirigir barco e fosse a heroína de Lavender e blablabla.

Para mim ela não se passava de uma garota mimada.

– Mesmo sendo seu rival eu me preocupo com você. – minha boca desandou a falar, eu não queria ter dito aquilo, não para ela, ela nunca deveria ouvir isso – Já pensou na sua avó? Em como ela vai ficar se algo acontecer com você? Será que você não pode ser só um pouco menos egoísta? – soltei seu braço.

– Olha quem fala e você é muito bonzinho não é Lance? – nada havia mudado, e aquela Small Lady indefesa que dormia tinha voltado a se transformar naquela assombração, a maior e pior já nascida em Lavender.

– Quem precisa de repouso é você. – fechei os olhos e respirei fundo, de uma forma ou de outra sabia que uma discussão nessa altura do campeonato nada serviria, pelo contrario, deixá-la agitada poderia prejudicar sua saúde – O que pretende fazer agora? – não tinha outra escolha a não ser ceder.

Ela me lançou um olhar de surpresa, mesmo cedendo a sua infantilidade, eu sabia que tinha vencido, ela pensou que ficaríamos a noite inteira discutindo e era o que eu faria, mas sabia o quanto teimosa e insuportável ela era.

– Para onde você vai? – insisti.

– Para casa. – ela abaixou a cabeça.

– Steven e aos outros estão indo até o laboratório do Professor Carvalho. Se formos até a delegacia da Ilha provavelmente vamos consegui encontrá-los ainda. – não tinha jeito, aquela praga era teimosa e mimada.

– Eu só quero ir para casa descansar. – ela e eu andamos sentido a balsa – Quero duas passagens para a Ilha 1.

A mulher da cabine logo nos entregou dois tickets para seguirmos viagem.

Ao entrar no barco, Small Lady foi direto para o canto mais isolado. Desde criança ela sempre gostou de ficar sozinha e isso foi algo que nunca consegui entender. Enquanto ela dormia, eu tive a ingenuidade de pensar que as coisas podiam ser diferentes, mas com ela, era impossível.

Só o que fiz foi deixá-la quieta, e fiz o mesmo quando chegamos até o barco do Steven. E assim foi a viagem inteira. Quando chegamos a Viridian já começava a anoitecer. Por um momento pensei em ir para casa, mas não seria bom deixá-la sozinha até antes que Agatha voltasse de Pallet.

– Por que está me seguindo?

– Não estou te seguindo, apenas não vou te deixar sozinha, com licença. – abri a porta que já conhecia e entrei na casa.

E fui e direção a cozinha, precisava comer doce para assim suportar a mulher mais chata e azeda do mundo. Sempre detestei coisas azedas.

Abri a geladeira e tinha bolo de chocolate com morango, era muito raro Agatha fazer esse tipo de bolo. Comecei a sorrir.

– Você não está na sua casa para sair por aí abrindo a geladeira e pegando o que quiser e além do mais eu não te convidei para entrar.

– Você vai mesmo continuar reclamando? Não importa o que você diga, eu não vou sair daqui, só quando sua avó chegar, mas sozinha você não fica. – respondi tranquilo até, afinal tinha bolo de chocolate com morango. – E além do mais essa casa não é minha, mas é como se fosse porque eu já morei aqui com a sua avó.

– O que? – o tom de voz dela mudou – Minha avó nunca disse nada... você está mentindo, ela não faria isso.

– Eu dormi por quase um ano na sua cama. – seu rosto ficou corado.

Ela fica tão linda quando cora.

Pena que o que ela tem de linda, tem de insuportável.

– Quando foi isso? – a voz dela saiu quase como um sussurro.

– Quando os meus pais morreram – todas as lembranças que eu lutava para esquecer voltaram com tudo – eu fiquei muito sozinho – comecei a sentir meus olhos marejarem merda, eu odeio chorar – e ela me chamou para morar aqui. – olhei para ela sorri, mas foi o sorriso mais forçado que já dei.

– Mas eles morreram como?

Nunca a minha vida foi tão triste e vazia como quando os meus pais morreram naquele acidente, foi a pior época da minha vida, uma época que nem se eu perdesse a memória me esqueceria. Uma simples viagem de Viridian até Blackthorn se resultou em uma tragédia.

Eu quis tanto viajar com eles, mas tinha que ficar na Elite 4. E minha mãe tinha prometido que voltariam na segunda-feira, mas eles nunca mais voltaram. Eles partiram para Blackthorn sábado, e de madrugada enquanto dormia acordei a campainha tocando. Era Agatha, me trazendo a notícia que mudaria para sempre minha vida.

– Eu não quero falar sobre isso.

– Também foi difícil quando perdi o meu pai. – ela tinha o tom de voz suave, comecei a observá-la ela amarrou o cabelo em um rabo de cavalo mal feito e eu pude notar em sua nuca várias cicatrizes, eram horríveis e me fizeram lembrar mais uma vez do acidente dos meus pais, só de pensar que a pele deles ficou assim, fazia meu estômago embrulhar.

– Small Lady – olhar para sua nuca toda retalhada era difícil, e olhar para ela também estava difícil – seu pescoço está...

– Marcado? – ela me completou – Eu sei.

– Como isso aconteceu? – minha voz saiu falha.

– Lembra como não pressionei você quando disse que não queria falar de seus pais? – ela ergueu a sobrancelha e eu apenas assenti – Coma tudo Lance. – ela apontou para o prato, eu tinha feito uma montanha de bolo, mas lembrar de tudo aquilo me fez perder o apetite.

– Divide comigo? – foi só o que consegui dizer, minha cabeça estava a mil.

– Não gostou? – ela parecia interessada na minha resposta.

– Está excelente, quando eu penso que a Agatha não tinha como fazer um bolo melhor ela...

– Na verdade esse bolo fui eu que fiz – eu não podia acreditar que tinha sido ela, mas pensando bem, o bolo estava mesmo um pouco diferente do que a Agatha fazia – coma.

– Eu não vou conseguir comer tudo...

– Como sempre esganado. – ela foi em direção a gaveta e pegou um garfo e se sentou na minha frente.

Ela comeu tudo rapidamente eu ainda dei algumas garfadas, mas não conseguia acreditar que aquele gosto viesse dela, era melhor que os da Agatha. O melhor bolo que já comi.

– Seu bolo está muito bom – nós dois tínhamos raspado o prato – você superou sua avó.

– Ela não gostou muito, disse que parece qualquer coisa, menos bolo. O Steven e a Cynthia achavam meu bolo gostoso, até experimentarem os da minha avó.

– Mas o seu é melhor que o dela – ela fez cara de quem não acreditasse – eu estou falando sério.

Ela tinha os lábios sujos de chocolate, o gosto devia ser incrível, ela continuou me fitando e então começou a lamber os próprios lábios.

Senti meu sangue ferver. Aquela ação dela me deixou excitado, mas sabia que teria de repreender meus impulsos, ela era minha rival e agora andava em minha direção.

Small Lady, nós estamos sozinhos e a carne é fraca, não me provoque, senão...

Ela puxou meu cabelo e arrancou uma mecha. Vadia, por que fez isso?

O que ela quer fazer comigo afinal? Primeiro usa um perfume dos deuses que quase me obriga a enterrar meu nariz em seu pescoço, depois cai de um penhasco, me beija e logo em seguida desmaia, depois faz um bolo delicioso e se lambuza de chocolate me deixando excitado por se lamber e agora arranca meus cabelos.

– Por que fez isso sua... – minha reação de imediato foi levantar, mas de forma alguma ela podia me notar assim, isso podia me acontecer com qualquer mulher, menos com ela.

– Descobri o obvio, você não tem o DNA do Mew. – ela me interrompeu concentrada em um aparelho que analisava minha mecha.

– Por que fez isso? – comecei a ficar nervoso. Ela estava de palhaçada comigo?

– Eu estou há dias tentando calibrar esse aparelho, mas ele não consegue diferenciar o Umbreon do Mew, mas parece que agora consegui configurá-lo.

– E o que meu cabelo tem a ver com isso? – continuei bravo, mas pelo menos sentia meu corpo voltando ao normal.

– Com essa maquina será mais fácil ir atrás de rastros do Mewtwo, já que o DNA dele é similar ao do Mew. – ela foi em direção a sala – Vem cá. Vou te mostrar algo que ainda não está pronto, mas de acordo com o Will, foi basicamente isso que ele sonhou. – ela ligou a TV assim como o DVD, e nós sentamos no sofá.

Comecei a observar a TV, as imagens estavam em vermelho e preto, e tudo sendo destruído muito rapidamente, era isso que Mewtwo faria?

Logo notei Will tentando fugir e uma criatura surgindo, indo em sua direção e o matando.

– Eu sei, não parece Mewtwo, mas esse pokemon está com a Equipe Rocket e é tão poderoso... – as luzes se apagaram. – Ai não, a Equipe Rocket nos descobriu. – ela parecia assustada.

Nós estávamos em um dos bairros mais movimentados de Viridian, a Equipe Rocket jamais nos atacariam diretamente, até porque esse não era o jeito deles de resolverem as coisas. Preferi acreditar que era uma queda de energia.

– Não se preocupe – minha primeira reação foi envolvê-la nos braços – é só uma queda de energia.

Ela levantou os olhos para mim e só então percebi o quão próximo estávamos. E isso não era bom.

A maior merda que fiz foi abraçá-la e para piorar a situação ela nem para se debater ou ao menos me pedir para soltá-la, era como se ela tivesse gostando.

– Será que esse pesadelo envolvendo a Equipe Rocket e o Mewtwo nunca vai terminar? – embora tudo estivesse escuro, eu conseguia enxergar seu rosto.

E naquele momento era como se existisse apenas nós dois.

E também era como se ela fosse a minha luz no meio da escuridão.

Quanta ironia, logo ela, a assombração de Lavender, comparada a uma luz?

Eu só posso estar ficando louco.

Naquele momento, até meu próprio corpo me traia, meu coração novamente ficava acelerado.

Mas não pense que gosto dela.

Parecia que meu cérebro tinha desligado, nossas bocas ficavam cada vez mais próximas. Eu sabia que aquilo era errado e sabia que me arrependeria, mas já era tarde para voltar atrás.

Mas antes que pudesse acontecer, a campainha tocou e imediatamente, notei que ela voltou à realidade, me empurrou e foi correndo atender a porta, logo em seguida a energia também retornou. Eu fiquei tão nervoso que voltei a cozinha.

Pela primeira vez, eu não sabia o que acontecia comigo.

E não sabia como me comportar perante a uma mulher.

Por que justo ela?

– Não! Tem que haver outro jeito de salvar o mundo. – ouvi uma voz familiar e fui até a sala ver quem era.

– Já te falei que essa é uma batalha de mestres pokemons, fique fora disso – olhei sorrateiramente, e era Ash.

– Coisa que você não é, um mestre nunca mataria um pokemon. – ele elevava a voz para ela.

– Ash, o que faz o aqui? – andei em direção a porta, parando do lado dela.

De uma forma ou de outra, não fiquei nem um pouco contente por ele falar assim com ela.

– Lance por favor, não dê ouvidos a ela. – o que trouxe o Ash até aqui para falar o que eu devo ou não fazer? – Ela só quer fazer maldades com os pokemons.

– Escuta aqui garoto, nós acabaremos com Mewtwo custe o que custar. – Small Lady ficava exaltada com as acusações sem sentido de Ash.

– Não se atreva, Mewtwo não é culpado e eu vou protegê-lo das suas maldades. – Ash voltou a olhar para mim, seus olhos estavam tristes, desde quando eu o conheci, notei que ele se preocupava muito com os pokemons. – Lance não deixe ela fazer isso.

– Olha Ash, salvar o mundo e as pessoas é algo muito mais complexo do que dividir o bem e o mal... Minha missão é proteger Kanto e Johto, e se Mewtwo é uma ameaça então só posso concordar com Small Lady... Se for mesmo preciso, nós vamos matá-lo.

A minha maior preocupação era justamente essa, matar Mewtwo, sabia que era preciso, mas quando assumi a liderança da Elite 4 fiz um juramento perante a todos os mestres pokemons que cuidaria de Kanto e Johto assim como também cuidaria e respeitaria todos os pokemons que aqui vivessem.

Se eu matasse Mewtwo, quebraria meu juramento de mestre pokemon.

– Vocês não podem fazer isso, são muito cruéis. – os olhos do Ash começaram a marejar – Mewtwo é um dos pokemons mais justo que eu conheço, e jamais faria mal a esse mundo. Não se atrevam!

O comportamento de Ash me deixou surpreso. Ele se preocupava mesmo com os pokemons, talvez até mais que eu, Small Lady ou qualquer outro mestre.

– Small Lady, existe outra forma de resolvermos isso? – se houvesse outro jeito, até eu ficaria mais tranquilo.

– Foi por esse motivo que eu não queria que o Professor Carvalho alertasse seus alunos. – seu tom de voz era calmo.

Meu pokefone começou a tocar, olhei e era o meu avô, logo em seguida olhei para o relógio e já passava das 10 da noite. Meu avô com certeza estaria mais zangado que um Dragonite com ataque de raiva.

– Eu preciso ir, meu avô está me esperando.

Corri até a frente da casa e logo já voei junto com Dragonite. Pedi para que voasse o mais rápido possível.

Levamos cerca de 15 minutos para chegar em Blackthorn, assim que entrei pela sala meu avô apareceu. Ele me olhava muito feio.

– Posso saber onde você estava? – tom de voz dele me reprimia ainda mais e minha consciência pesou e muito. Não por ter me esquecido de me encontrar com ele, mas principalmente porque se Ash não tivesse aparecido, provavelmente Small Lady e eu teríamos ficado, e talvez ido mais além.

– E-eu...

– Não precisa dizer, liguei para Liza agora pouco e ela disse que vocês terminaram, imagino que você estava com alguma vadia. – não gostava de ouvi-lo falar daquela forma, ainda se tratando da Small Lady.

– Não, eu estava em uma reunião resolvendo com Small Lady como parar a Equipe Rocket. – de qualquer maneira, não era mentira.

– Viu? Eu acertei. – ele suspirou, como se estivesse decepcionado – Só me pergunto onde foi que eu errei no seu treinamento... Eu te treinei para você e sua prima resolverem tudo sozinhos e é o que a Clair faz, agora você, foi se aliar a neta da Agatha.

– O que quer falar comigo? – comecei a olhar para o chão, eu era a sombra do que meu avô foi e sentia vergonha disso.

– Posso saber por que terminou com a Liza? – ele voltou a usar o mesmo tom de voz repressor.

– Por que eu não a amo... nunca a amei e eu já falei isso para o senhor. – eu gostava muito da Liza, mas para mim ela era só uma amiga, só o que sentia por ela era afeto.

– Assim que toda essa bagunça acabar você vai pedi-la em casamento entendeu?

– Não vou me casar com uma pessoa que eu não amo, nem ela merece isso. – Me surpreendi com meu tom de voz e meu avô também, embora a expressão dele pouco tivesse mudado, mas eu sabia o quão errado fui – Desculpe.

– O amor não nasce, constrói e eu não sou a Agatha para você falar comigo dessa forma. Vá para o seu quarto agora, amanhã resolveremos isso. Por sua causa atrasei minhas orações.

Fiz aquilo que ele falou, fui para o meu antigo quarto e enterrei minha cara na beirada da cama e ali me apoiei.

Amor não se constrói com o tempo, porque eu estou desde os meus 13 anos construindo meu “amor” com a Liza e até hoje meus sentimentos continuam os mesmos.

Por que era tão difícil do meu avô entender?

Comecei a sentir uma das pokebolas vibrarem, algum pokemon queria sair, mas eu tinha tantos problemas que nem me importei.

A pokebola se abriu e Dragonite parou ao meu lado e começou a rugir, eu podia entender cada um deles.

– Me diz Dragonite, o que eu estou fazendo de errado?

“Eu sei quais são as suas intenções, mas o Clã se preocupa com você.”

–Mas eu não quero me casar com a Liza.

“Esse não é o momento para pensar nisso e sim no Mewtwo, você só tem se concentrar. Quanto a Liza, você resolve depois.”

– Você sabe que há anos eu deixo para depois.

“Acho que esse foi o seu único erro. Insistir em construir algo que não existe.”

Meu pokefone voltou a tocar, mas dessa vez era Agatha. E eu lembrei que tinha deixado Small Lady sozinha.

– Oi Agatha, desculpe ter deixado Small Lady só.

– Não se preocupe Lance, ela já foi dormir e está bem, obrigada por cuidar dela para mim.

– Imagina – comecei a lembrar do que quase acontecera entre mim e ela, as coisas estavam saindo do meu controle.

– Small Lady me pediu para te avisar que amanhã é o aniversário dela, ela esqueceu de te convidar para a festa e pediu para que eu fizesse, ela faz questão da sua presença. – pisquei surpreso, ela me odiava.

– Estou em Blackthorn, mas verei se até amanhã estarei aí.

– Estaremos te esperando. Boa noite Lance

–Boa noite.

Desliguei o telefone e voltei a deitar a cabeça na beirada da cama.

Eu só posso estar louco, por que justo ela?

“O que Agatha queria?” tinha me esquecido de Dragonite logo ali.

– Ela me chamou para a festa de aniversário de Small Lady.

“E por que não vai?”

– Você acha que eu devo ir?

“Depois do que aconteceu hoje sim, acho que você devia ficar com ela”

– Claro que não Dragonite, nós nunca daríamos certo – comecei a sentir meu rosto corar e peguei a pokebola – me deixa em paz Dragonite. – a luz vermelha o envolveu, mas não o trouxe de volta.

“Não vou voltar até você assumir que se sente atraído por ela.”

– Até meu pokemon está contra mim agora?

“Responda”

– Por que quer ouvir isso? Que diferença faz?

“Talvez só assim para você entender seus próprios sentimentos”.

– E você é um dragão, não entende de sentimentos.

“Fale logo”

Ele quer me enlouquecer?

– Tudo que eu mais queria era sentir pela Liza o que eu sinto no momento por ela – essa era a maior verdade, a verdade que eu não queria assumir nem para eu mesmo – satisfeito agora?

“Mais ou menos, você precisa deixar Liza seguir a vida dela e tentar ser feliz do seu jeito”.

– Para você as coisas são tão simples. Ela é calculista e com certeza quer se vingar de mim e tomar o meu lugar na Elite 4. A vida é muito complicada.

“Você é quem complica, não quer ao menos tentar, por que é tão teimoso?”

– Porque meu dever é selar esse sentimento, assim como tenho que selar a existência de Mewtwo.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Não tenho previsão de quando vai sair o próximo, tudo vai depender da minha disponibilidade e inspiração. Mas estou gostando demais de escrever essa fanfic *-*