Notas iniciais
Hey, olha eu aqui de novo! Então eu tinha dito que aquele era o ultimo capítulo e tal, mas só que não! Na verdade até era, mas toda a história nos livros tem um epílogo. Nos filmes geralmente são aqueles minutos finais depois dos créditos... E que muitas vezes pode ser a melhor parte :) O ponto de vista é do Lance.

Três semanas se passaram desde que tudo terminou. Giovanni estava preso e em breve seria julgado pelo assassinato dos meus pais e por todos os crimes de maus tratos e tráficos de pokemons que era acusado. E a cidade de Pallet, já estava totalmente reconstruída.

Desde seu despertar, Mewtwo nunca mais foi visto, mas tinha prometido que protegeria todos os pokemons assim como os treinadores de boa fé.

Para o Mewtwo, Ash é como o brilho da esperança, o brilho que não conhece a resignação.

Como tudo voltou à normalidade, retornamos as atividades da Elite 4. Assim como Steven e Cynthia retornaram às suas regiões e marcaram a data do casamento.

Bruno finalmente pôde passar a sua lua de mel atrasada com Lorelei; já Will além de ser aceito em medicina na Universidade de Kanto, começou a namorar sério Liza e eu torço muito para que eles sejam felizes.

Resumindo, no fim dessa história somente eu fiquei sozinho.

Será que tudo aquilo que aconteceu entre nós dois será mesmo só uma lembrança? Eu sinto tanto a sua falta Small Lady.

Ninguém sabia onde ela estava. Depois da batalha contra Mewtwo, ela desaparecera junto com os Rockets. Será que Mewtwo achou que ela fosse culpada?

Eu queria tanto ter uma pista de onde ela pudesse estar, mas nem mesmo Steven ou Agatha tinham noticias de seu paradeiro.

Ok, eu consegui ser o melhor de Kanto e Johto, estou no topo da Elite 4 e todo mundo me idolatra, mas só consegui isso destruindo os sonhos dela. Ser um mestre pokemon está no meu sangue, mas e o meu coração? Precisa mesmo ser solitário?

O barulho do pokefone interrompeu os meus pensamentos, era Bruno, ele já tinha voltado da lua de mel.

– Fala Bruno.

– Oi Lance, vai começar daqui a pouco um mega evento no pokejogos e a convidada da noite é aquela atriz que você sempre quis pegar. Vem para cá.

– Eu não posso, já tenho compromisso.

– Compromisso? Com quem?

– Assunto meu, Bruno. – e finalizei a chamada.

Terminei meu trabalho e fui até a delegacia de Viridian. Fui recebido pela policial Jenny e ela me levou direto para a sala que a gente já conhecia. Eu me sentei e ela colocou uma papelada sobre a mesa de aço.

Comecei a folhear a papelada enquanto Jenny buscava quem eu esperava.

Logo escutei a porta sendo aberta e meus olhos encontraram os de Proton.

Como todo Rocket Executivo da classe mais alta da máfia, Proton tinha uma postura arrogante que não era abalada nem pela prisão. Ele sentou-se na outra cadeira e ficamos frente a frente.

Eu particularmente não queria me encontrar com ele, ainda mais depois de tudo que Steven e Cynthia me disseram sobre o relacionamento dele com Small Lady, mas ele talvez soubesse onde ela pudesse estar.

O que me assustava também era o numero de crimes dos quais ele era acusado. Eu me negava a crer que Small Lady fora capaz de conviver tanto tempo com um homem tão violento.

– O que foi? Nunca me viu? – ele me perguntava com desprezo.

– Cinquenta casos de estrangulamento, dezessete mortes causadas por armas de fogo, trinta e cinco casos de difamação, oitenta casos de invasão de propriedades e em mais da metade envolveu torturas físicas ou psicológicas. Duzentos homicídios pokémons. – elevei a voz para falar a ultima frase. – E sem falar dos mais de trezentos casos de violência contra pokémons.

Enquanto lia os relatórios, ele simplesmente me ignorava e não demonstrava arrependimento ou remorso.

– Você não tem nada a dizer? – perguntei. Eu estava cético. Como alguém pode ser tão frio? Como Small Lady pode se apaixonar por um bandido desses?

– O que quer que eu fale sobre esses crimes? Não os cometi sozinho, e sim com a ajuda da equipe e principalmente dos meus recrutas, mas eu confesso que teria sido mais divertido fazer isso sozinho. – ele começou a rir, eu sabia que ele queria me desafiar.

– Você é um monstro. – fiquei completamente indignado. Minha vontade era ir embora, estava com nojo daquele homem.

– Só um monstro é capaz de reconhecer outro, desculpe te dar esta triste noticia... A Agatha, ou Small Lady, como vocês a chamam, me contou tudo sobre você.

– Tudo o que? – me surpreendi com a firmeza do meu tom de voz.

– Ela te odiava por tudo que você tirou dela. Ela tinha vontade de se vingar de você. – as palavras dele eram uma rasteira para mim – Eu até tive a ideia genial de convencê-la a voltar para Kanto e te tirar da Elite 4, e depois disso eu a mataria e a Equipe Rocket governaria tudo, mas o Giovanni foi burro não permitiu, estava totalmente cego pelo interesse em criar o pokémon mais forte do mundo. – ele falava com indiferença.

Eu arregalei os olhos e me levantei bruscamente da cadeira, deixando-a cair.

– Como você pode ser tão cruel? Você a usou o tempo inteiro. – eu estava completamente perplexo com as palavras daquele sujeito.

Ele não queria só me tirar da liderança da Elite 4 e sim colocar Small Lady no meu lugar para em seguida matá-la e assumir seu lugar.

Ele teria a capacidade de fazer isso com alguém que o amava incondicionalmente. Como alguém poderia ser tão cruel.

– Por que está tão bravo com isso? Não faz diferença. Você continua governando tudo e de brinde ainda prendeu os principais membros da Equipe Rocket.

– Que se foda se eu continuo na liderança da Elite 4, isso não é mais importante para mim! – comecei a elevar minha voz para ele – Você queria matá-la a troco de nada. Porra, por acaso ela te fez alguma coisa? – eu estava a ponto de voar no pescoço desse infeliz.

– Você tinha alguma ligação sentimental com ela? – ele parecia se divertir com a situação enquanto brincava com as algemas presas em seus punhos – Embora não fizesse meu tipo, ela era gostosinha... – antes que ele continuasse eu o joguei no chão e seu sorriso cínico desapareceu.

Eu estava no meu limite com aquele sujeito. Fui até ele e o levantei pela gola da camisa, o joguei contra a parede, e sua cabeça começou a sangrar. Aquilo era só o que eu pensava em fazer. Logo em seguida o joguei no chão novamente e comecei uma sequencia de chutes.

Até que seis policiais entraram na sala e me retirou de lá enquanto Proton permanecia no chão em volta de uma pequena poça de sangue.

Saí da delegacia, mas não voltei para casa. Fui ao parque de Viridian e assisti o pôr do sol e depois observei as estrelas. Eu sentia tanto a falta dela.

Um pouco antes de o meu pai morrer eu perguntei a ele como era amar alguém, e ele me disse que não há explicação, você apenas sente quando encontra aquela pessoa especial... Eu nunca consegui entender sua explicação confusa.

A não ser no dia que Small Lady dormiu comigo.

Foi mais do que atração sexual... sei que não tenho esse direito porque ela é minha rival. Mas naquele momento, eu e ela juntos, foi como duas peças de quebra cabeças que se encaixaram perfeitamente...

Mas apesar de maravilhosa, aquela noite só serviu para constatar o que de fato eu sentia por ela e libertar aqueles sentimentos repreendidos.

Admito que todas as vezes que a gente se reunia eu reparava em seu lindo corpo. Lembro-me quando Liza apareceu do nada em Viridian enquanto levava Small Lady e Agatha para casa. Eu não conseguia tirar os olhos de seu corpo.

– A neta da Agatha está horrível, não é? Olha só como está gorda... – Liza interrompia meus pensamentos – Não dou dez anos para ela ficar acabada como a avó.

Desviei meus olhos para Liza e observei o corpo que já conhecia há anos. Ela era magra demais, esquia demais.

A impressão que tinha era que a cada dia, Small Lady estava mais linda e... deliciosa. Um corpo cheio de curvas, quadris curvos e largos, pernas grossas e belas. Tudo nela me fazia querer mais e mais.

– Gorda? Você que é magra demais. – eu quase disse essas palavras, mas as mantive em meu pensamento.

Eu tinha tanta coisa para conversar com ela. Sabia que sentir isso por rival era errado, mas naquela noite, ela me mostrou o lado bom de ter uma rival. Éramos rivais pela atenção do outro, e nossos corações competiam entre quem amava mais. Nossos lados opostos se encaixavam apenas em um. Eu precisava sentir aquilo de novo.

Comecei a voar com Dragonite meio que sem rumo, até que fui parar em Lavender e fui direto a Pokemon Tower. Aquela lugar parecia cada vez mais assustador.

Quem poderia imaginar que uma pessoa tão sensível e sentimental como Small Lady fosse protetora de um lugar tão aterrorizante? Só me dei conta de quem ela de fato era quando nos rendemos um ao outro.

– Small Lady?!?! – gritei, mas só recebi aquele silêncio ensurdecedor como resposta.

Comecei a andar pelo cemitério, fiz o mesmo caminho de sempre até a lápide de seu pai, que para minha surpresa estava sem poeira e completamente limpa, ela com certeza tinha passado por ali.

– Small Lady!!!! – não desistiria de encontrá-la.

Até que senti meu corpo estremecer e meu coração acelerar, uma criatura de olhos vermelhos surgiu em meio às lapides. Sabia que devia deixar os pokemons descansarem em paz e gritar no meio da noite poderia não deixá-los contentes.

Fiquei parado em choque até que pude notar algumas manchas amarelas pelo seu corpo e isso me acalmou.

Era Umbreon.

Ele vinha em minha direção e abaixou a cabeça, como se me recebesse. Aquilo me deixou feliz, se Umbreon estava lá era porque ela também estava.

– Oi Umbreon, já faz algum tempo. – me abaixei um pouco e comecei a acariciá-lo. – Cadê ela?

Ele voltou a me olhar e correu até as escadas que levavam ao topo da torre. Aquele pokemon era tão veloz que mal dava para acompanhá-lo. Até que de repente ele parou.

Quando olhei, lá estava ela, de pé concentrada enquanto acariciava um Gastly selvagem. Eu fiquei a observando por alguns segundos, até que Gastly me notou e foi embora assustado.

– Quem está aí? – ela virou-se rapidamente e nossos olhares se encontraram. Ela tinha os olhos tristes e vazios.

Fiquei sem reação perante a ela, não vinha palavras em minha mente, tudo que planejei falar desapareceu. Só o que consegui fazer foi andar em sua direção.

– Escuta se você veio aqui para me julgar por causa do Proton sugiro que vá emb... – antes que ela continuasse a falar eu a beijei.

Sua boca era tão macia e seu beijo tão doce que eu não queria parar, era como se estivesse nas nuvens beijando uma anja e não em um cemitério beijando aquela que não queria mais chamar de rival.

Melhor que isso, só se fosse eu e ela em uma cama. E sabia perfeitamente que era dessa forma que terminaríamos, mas eu não queria vê-la fugir de mim novamente.

Interrompi nosso beijo, eu queria conversar com ela, tinha tantas coisas para explicar.

– Eu... vim... aqui... para... conversar... com você. – era tão difícil falar, não conseguia raciocinar e falar aquilo que tanto queria. – E-eu... não... vim... para... falar... do... Proton.

– Po-pode falar Lance – ela parecia ansiosa.

– Você aceita batalhar ao meu lado para sempre? –apertei meus olhos com raiva, não era para começar daquela maneira – Você aceita deixar de ser minha rival para ser minha namorada? – parecia que minha boca tinha vontade própria, me senti um completo imbecil incapaz de manter um diálogo decente.

– É tudo que eu mais quero. – ela sorriu e seus olhos marejaram.

Eu não esperava essa reação. Eu tinha me preparado para uma guerra repleta de acusações, gritos e choros, como a ultima vez que nos falamos.

– Mas Small... Você de certa forma foi a minha maior vítima. – a reação dela me emocionou, mas ao mesmo tempo me deixou surpreso.

Ela assentiu e as lágrimas finalmente escorreram pelo seu rosto. Aquilo partiu meu coração, mas a gente tinha um acerto de contas para fazer.

– Você fez coisas horríveis comigo... mas... quer saber? – ela quebrou o silêncio e começou a limpar as lagrimas – Eu estou aqui inteira... Eu pude estudar, fazer faculdade, me tornar uma cientista... Você pode ter me prejudicado no passado, mas... mas já foi. – ela sorriu e voltou a me beijar, e eu lógico correspondi.

Ela mergulhou sua mão em meus cabelos, aquilo me fez perder o equilibro e caímos, mas isso não nos fez parar.

Meu corpo já começava a pedir o dela, mas eu me controlei, afinal, não queria que ela pensasse que minhas intenções com ela fosse somente sexo. Queria fazer tudo certo desta vez. Queria um novo começo.

Quebrei nosso beijo e comecei a me recompor – rezando para que ela não percebesse o quanto eu estava excitado – mas antes que eu pudesse pensar em algo, ela me abraçou e envolveu as pernas em minha cintura.

– Lance... Vamos para casa... – aquelas eram as palavras que eu mais queria ouvir.

Saímos da Pokémon Tower de mãos dadas, acho que de todos os nossos momentos juntos, aquele foi para mim o mais especial. Embora eu estivesse ansioso pelo o que aconteceria depois, eu percebi que meu pai tinha razão.

Estar junto da pessoa que realmente amamos é uma felicidade e um sentimento que vai além do prazer do sexo, era como se nossas almas se unissem.

Small Lady era a minha alma gêmea? Não sabia.

Ela parou de andar e observou a Torre a alguns metros de nós. Logo em seguida olhou para mim e sorriu.

– Você está disposto a por um fim em nossa rivalidade, isso significa que nada será igual de agora em diante... – não conseguia entender onde ela queria chegar, ela sentiria falta da nossa rivalidade?

– E você tem medo que não dê certo?

Ela largou a minha mão e começou a acariciar meu rosto. Logo em seguida voltou a me beijar, mas ela mesma o interrompeu e olhou dentro os meus olhos como se quisesse ver a minha alma.

– Eu não tenho medo, pois aprendi com o meu pai que junto com a morte e a destruição, sempre existirá a esperança do renascimento.

Apesar de estar nas nuvens com ela, não sabia como contar a meu avô, como minhas fãs reagiriam, e como esse relacionamento afetaria sua carreira científica. As poucas histórias que ouvimos sobre rivais que se apaixonam sempre terminam em tragédia.

Mas agora, eu enfrentaria qualquer coisa, porque eu a amo e sei que ela sente o mesmo. E é isso que importa.

Notas finais
Agora sim, terminou a história. Sabe, eu pensei em vários desfechos e tudo mais, mas preferi optar por um final feliz. Espero que tenham gostado da minha escolha. Abraços galera... e quem sabe um dia essa história continue?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!