O Desejo Pode Tornar-se Realidade
1 O Segredo Revelado
Era começo de Inverno, o clima frio e desértico, às vezes, pairava no ar. Gerard passava por entre as folhas secas caídas no asfalto desgastado... algo o afligia! Abatido e sonolento, pela noite mal durmida, seu pensamento era um só.. -...não dá... eu preciso fazer alguma coisa...isso não pode acontecer... simplesmente não pode! O vento uivava longe, como que querendo agarrá-lo, transformá-lo em pó, e ele, de mãos atadas no bolso do casaco, parecia ignorar tudo ao seu redor. — Eu preciso..eu preciso beber... só o álcool acaba até com a morte.. e pode acabar com esse maldito pensamento! Apressou o passo, tendo em mente agora só o bar mais próximo (se é que poderia existir \"bar próximo\" naquele lugar ao léo). Avistou-o como que por milagre, o calor já começara tomar conta dele. — Bom dia...vai ser o quê? A boa?? Uma cervejinha?? — O que de mais forte você tiver! O homem atrás do balcão, mesmo acostumado com esse tipo de coisa, espantou-se... aquele cara de preto, com um ar de acabado, pedindo \"o mais forte que tiver\" naquele fim de tarde sombrio...algo lhe arrepiou!rnGerard virava cada copo, como se fosse o último de sua vida, como se aquilo lhe lavasse a alma e cada vez mais sentia os calores e prazeres daquilo. Abandonou o bar, indo (cambaleando) sem pensar à casa de Frank. Era seu melhor amigo, e naquela ocasião, lhe era o único...não podia contar nada à Mikey, irmão nem sempre diz o melhor; à Matt, ele não lhe levaria à sério; Ray viajava com sua família, Natal é Natal, né?! Chegando à casa de Frank, encontrou as cortinas abertas, viu-o lá dentro falando ao telefone, e acenou do lado de fora, para que Frank o visse. Esse o fez sinal de \"já vou\" e Gerard devolveu um OK! Assim que Frank abre a porta, Gerard o abraça, tonto e sonolento, com lágrimas a ponto de estourar na face pálida... — Gerard, o que houve? Tá pálido por quê? Aconteceu alguma coisa?? — Disse assustado. — Na ver.... verdade aconte...ceu! -Disse, já caindo ao sofá, tomado pelo alcolismo! — Gee, você andou bebendo de novo.... poha! — Andei bebendo nããããoo.... nãão, não! Eu bebi sentadoooo mesmo! — Não resistindo à pida, e com a voz mais mole do que o \"instrumento\" do seu avô. — Ok...conta o que aconteceu...tô ouvindo tudo... Gerard fechou os olhos...dez minutos se passaram... — Gee, anda!!!!! Eu estou esperando, por quê você bebeu de novo?? Não disse que ia tentar parar, pelo MCR?? Respirando fundo, Gerard abriu os olhos e os virou para os de Frank. — Eu?? Eu disse mesmo?? Quando... quaaaando foi isso?? nãão me lembro! — Os olhos se fecharam devagar como se alguém fechasse uma janela enferrujada! A voz calma de Frank alcançou os sentidos de Gerard... — Gerard...por favor, fala o que houve, eu te ajudo, você sabe disso, senão não teria vindo aqui.. mesmo bêbado! Gerard acordou num súbito como se lhe tivessem jogado um balde de água fria e com os cabelos pretos lambidos ocupando-lhe todo o rosto, disse olhando nos olhos de Frank: — Ok, você sabe quando algo tá errado comigo, não é?! Pois bem, eu vou lhe falar... aaiii -Levou a mão à cabeça, sentindo uma pontada- Eu não estou naaada bem. A Olívia cara...a... Olí... ela está.. está grávida!!rnrn- Sério?! Mas.. -Passado e sem saber o que dizer- Isso é tão ruim assim, quer dizer, um filho, ah, um filho deve ser maravilhoso...trabalhoso adimito, mas, sei lá, isso é motivo de desespero? Nem é você que vai ficar pançudo! — Hahahaha... -Gerard se matou de rir com a piada sem-graça- É...sabe...haha...voc.. você tem razãão! Quer dizer.. nem sou eu que vo....vou ficar pançudo, não é mesmo?! Gargalharam! Já tirado o \"peso\" de suas costas, Gerard saiu à porta, sem nem despedir-se direito de Frank, e esse, atrás dele, correu para segurá-lo. — Ei, Gee, onde você vai? Onde quer ir, nesse estado? Olha para você, está acabado, eu não vou te deixar ir!! Mas antes que alcançasse-o, Gerard já se encontrava na sargeta, rastejando rumo à sua casa. RUMO À SUA CASA....se iria chegar realmente lá, ninguém poderia dizer ao certo! No caminho todo só penava sussurrando: — Desespero? Por quê não é motivo de desespero...eu ten... -E caiu no chão- Eu tenho uma banda, poucos anos vividos e um caminho muuuuuuito longo pela frente -Falava sozinho. -Ah, e dinheiro, que é muuuito bom, bom...eu nãão tenho!
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