O Descendente da Guerra
6 Katherine me deve uma plástica corretora de nariz
Ao terminar de ler a carta, lágrimas rolavam soltas pelo meu rosto. Katherine me olhava com anseio, como se esperasse que pirasse. E realmente, eu estava pirando.
Antes mesmo de eu falar algo, Katherine falou:
— Eu não sei o que diz ai Nathan, mas escute. Se não formos agora, coisas ruins acontecerão com você e todos aqueles que você ama.
— Para onde vamos? – perguntei, enquanto me levantava.
— Vamos para o único lugar seguro para nós. Vou te levar para o Acampamento Sangue do Olimpo.
Katherine percebeu o perigo primeiro que eu. Ela girou cortando o ar com a espada, e só então percebi a flecha caindo.
— Corre Nathan, corre! – disse ela
Saímos correndo pela portas dos fundos, em direção ao campo que havia atrás das casas do meu bairro. Olhei para trás de relance e tive o vislumbre de dois vultos vindo em nossa direção. Meu inconsciente gritava que em menos de cinco minutos não estaríamos mais vivos se continuássemos nesse ritmo.
— O que são essas coisas? – perguntei ofegante em meio a corrida.
— Górgonas. – respondeu ela – E aconteça o que acontecer, jamais olhe nos olhos delas.
Uma flecha passou zunindo ao lado de minha orelha direita. Outra arranhou minha costela esquerda. A ardência foi instantânea, e se não fosse por Katherine, os monstros teriam me alcançado. Ela virou com os olhos pretos brilhando, e disse algo que demorei à entender
— Levantem-se e me sirvam! – berrou, estendendo a mão para a terra.
Uma rachadura se abriu, revelando três pares de braços esqueléticos se erguendo para fora da terra. Eles possuíam espadas feitas de ossos. Então, partiram para cima das Górgonas.
— Vamos – Katherine disse – Precisamos sobreviver até o entardecer. Mesmo com o poder de meu anel, só poderei nos salvar quando a primeira sombra da noite se formar.
E com essas palavras de entusiasmos, seguimos o caminho correndo enquanto sentia minhas costelas derreteram, ouvindo ao longe barulho de garras atingindo ossos.
Após algumas horas em movimento, já estava exausto. Katherine, que ainda permanecia linda, encarava o céu com uma certa expectativa.
— Vamos lá – murmurava – elas já estão quase chegando.
Então ouvimos o grito:
— Achei eles! – disse uma das irmãs – Venha, Memê, vamos jantar!
— Já avisei para você não me chamar assim! – resmungou a outra, enquanto se aproximavam.
Katherine não se mexeu, apenas encarava a grande árvore que estava em nossa frente. Quando finalmente as Górgonas estavam a ponto de nos acertarem, a menina reagiu, de uma forma que eu não esperava. Seus olhos pareciam mais escuros que o habitual. Ela agarrou minha mão, senti seu toque frio, o anel em seu dedo parecia irradiar uma espécie de sensação pinicante. Estávamos quase morrendo, e tive a capacidade de parar para pensar que estava de mãos dadas com uma linda menina. E então, ela correu e me puxou. Já via as manchetes no jornal na manhã seguinte:
“Linda menina de olhos e cabelos pretos como a noite seqüestra menino do subúrbio e o leva para floresta, onde correm direto para uma árvore e acabam com os rostos desfigurados”.
Porém, no último segundo, não sinto o impacto da batida. O mundo se dissolve em escuridão e sinto como se estivesse me desintegrando. Parece que algo deu errado...
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