O Décimo andar
29 Onde o Mar se Encontra com a Terra
O salão de festas do cruzeiro estava iluminado por tons de dourado e âmbar, mas para Arthur e Eloah, o resto do mundo era apenas um borrão. No coquetel, eles mal tocaram nas bebidas; estavam embriagados pela presença um do outro. Quando a orquestra começou a tocar uma melodia lenta e envolvente, Arthur estendeu a mão, e Eloah aceitou sem hesitar.
Na pista de dança, os corpos se reconheceram instantaneamente. Arthur envolveu a cintura de Eloah, trazendo-a para perto, enquanto ela descansava os braços nos ombros dele, sentindo o calor do seu corpo através da camisa de linho.
— "Você está me olhando como se quisesse me prender em um caso sem direito a fiança," — ela sussurrou, o hálito quente batendo no pescoço dele.
— "Eu sou o culpado, Eloah. Confesso todos os meus crimes se o veredito for passar o resto da noite com você," — Arthur respondeu, colando sua testa à dela. — "Eu senti tanta falta desse cheiro. Cinco anos tentando encontrar esse jasmim em outras pessoas e falhando miseravelmente."
Eles dançavam tão perto que a respiração de um se tornava a do outro. Os toques eram lentos, as mãos de Arthur mapeando as costas nuas de Eloah, sentindo a suavidade da seda vermelha. O desejo, acumulado por meia década, explodiu em um olhar. Sem precisarem de palavras, eles deixaram o salão.
Na Suíte da Cobertura
Assim que a porta da suíte de Arthur se fechou, o silêncio foi substituído pelo som da respiração ofegante. Arthur a pressionou suavemente contra a porta, as mãos segurando o rosto dela com uma adoração quase religiosa.
— "Diz que você é minha, Eloah. Diz que eu não estou sonhando," — ele pediu, a voz rouca de desejo.
— "Eu sempre fui sua, Arthur. Mesmo quando eu te odiava, meu corpo sabia que pertencia a você," — ela respondeu, puxando-o para um beijo profundo, faminto, que carregava toda a saudade e a fúria dos anos de separação.
Arthur a pegou no colo, e ela entrelaçou as pernas na cintura dele. Ele a levou até a cama king-size, de frente para a imensa parede de vidro que mostrava apenas a imensidão do oceano sob o luar.
Ele a deitou com cuidado, como se ela fosse o cristal mais valioso do mundo. Suas mãos começaram a deslizar as alças do vestido vermelho.
— "Você se tornou uma mulher tão poderosa... — Arthur murmurou, beijando o ombro dela enquanto o vestido caía. — "Às vezes eu tinha medo de que, se te encontrasse, você não precisasse mais de mim."
Eloah o puxou para cima dela, desabotoando sua camisa com urgência.
— "Eu nunca precisei de você para ser forte, Arthur. Mas eu sempre quis você para ser feliz. Entende a diferença?"
Os toques tornaram-se mais ousados, carregados de uma sedução lenta. Arthur explorava cada centímetro dela com os lábios, redescobrindo as curvas que haviam mudado e a firmeza que a maturidade trouxera. Eloah gemia o nome dele, as mãos perdidas nos cabelos agora grisalhos, sentindo a eletricidade percorrer sua espinha.
Quando eles finalmente se uniram, não foi apenas sexo. Foi uma conversa de almas. Cada movimento era um pedido de desculpas, cada toque era uma promessa.
— "Eu te amo," — ele confessou entre beijos, a voz vibrando contra a pele dela. — "Eu te amo tanto que dói. Me perdoa por ter sido um idiota. Me deixa cuidar de você, do meu jeito, mas agora como seu igual."
Eloah arqueou o corpo, entregando-se completamente ao ritmo dele, sentindo o prazer inundar seus sentidos como as ondas que batiam no navio.
— "Ame-me, Arthur... apenas me ame. Não pense no futuro, não pense na idade. Sinta-me."
No ápice da paixão, sob a luz da lua refletida no mar, eles se tornaram um só novamente. O suor brilhava em suas peles e o som do prazer preenchia o quarto. Após o turbilhão, eles ficaram abraçados, o silêncio agora sendo preenchido pelo som reconfortante do coração um do outro.
Arthur a envolveu em seus braços, cobrindo-os com o lençol fino.
— "Eu não vou te deixar ir embora de novo. Eu vou para o Rio, eu abro uma filial lá, eu faço o que for preciso. Mas o meu lugar é onde você estiver."
Eloah sorriu, encostando a cabeça no peito dele, sentindo-se, finalmente, em casa.
— "Dessa vez, Arthur, nós dois fazemos as regras."
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